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No documento CPCJ Guia Servic Social (páginas 127-131)

1.A recolha de evidências é um dos aspectos da situação que configura a suspeita de crime.

2.Apesar da sua enorme importância num processo crime, a investigação propriamente dita, ou seja, todos os procedimentos a instaurar para se investigar a existência, ou não, de matéria crime é levada a cabo pela entidade competente, o MP a quem deve ser dirigida a comunicação da suspeita crime.

3.Cabe apenas às EPL/AS, às CPCJ ou às EMAT comunicarem a suspeita de crime e enviarem as provas recolhidas, desde que as possuam. Existindo, de facto, suspeita forte de crime (mau-trato físico, negligência grave, abuso sexual), se aquando da comunicação da suspeita crime estiverem associadas provas credíveis, facilitar-se-á a actividade investigatória do crime, aumentando-se as probabilidades de, futuramente, se incriminar o agressor e proteger-se a vítima

4.Relativamente à Avaliação do grau de recidiva os dados a recolher deverão facilitar a previsão sobre as possibilidades da situação de mau-trato voltar a ocorrer. Assim sendo, a informação a recolher deve ter o maior poder preditivo possível acerca dessa probabilidade de ocorrência e do grau de gravidade da mesma. Ambas as previsões terão, obviamente, um papel essencial nalgumas decisões importantes a serem adoptadas (e.g. separação, ou não, da criança do seu meio familiar, possibilidade, ou não, de regresso à família).

Estas 5 dimensões de avaliação cumprem um papel diferente relativamente aos objectivos que se pretendem alcançar e, por isso, devem ser bem diferenciadas.

Apesar de existirem alguns elementos que poderão sobrepor-se, a informação necessária, para possibilitar os 5 tipos de avaliação, é diferente.

1. Quanto à Avaliação da veracidade da sinalização saliente-se a importância de se recolherem evidências para certificar-se que a criança é vítima, ou não, de uma situação de maus tratos. Ou seja, saber quais as acções ou omissões dos responsáveis pelo seu bem-estar e segurança, que impedem a satisfação das suas necessidades básicas (físico-biológicas, afectivo-emocionais, cognitivas, e sociais). Trata-se, portanto, de comprovar a ocorrência de um comportamento actual, ou passado (mas que pode manter-se no presente), e para o qual o profissional deve fundamentar os sinais e indicadores deste tipo de situações de maus tratos.

2. Quanto à Avaliação do Grau de Perigosidade, ou seja, da gravidade dos danos esta implica sempre uma valoração da gravidade das possíveis consequências que a situação de perigo origina no bem-estar e segurança actuais da criança. Ou seja, saber-se em que grau as suas satisfações básicas, estão, ou não, a ser satisfeitas (físico-biológicas, afectivo-emocionais, cognitivas, e sociais) .

3. Quanto à Avaliação da suspeita de crime saliente-se a importância de se preservarem os indícios biológicos, ou de outra natureza, bem como a urgência no encaminhamento e articulação com as entidades competentes (MP, Hospitais- NHACJR, Gabinetes Médico-Legais, Policia Judiciária) para recolherem as evidências necessárias que permitam certificar se a situação de maus tratos, de que a criança está a ser vítima, configura, ou não, uma suspeita de crime (e.g. maus tratos físicos, abuso sexual) para se proceder, de imediato, à sua comunicação, fazendo prova de facto com os dados recolhidos.

4.Relativamente à Avaliação das necessidades básicas da criança, dos factores protectores e compensatórios (recursos familiares e da criança, recursos sociais e comunitários) e de todos os factores de risco subjacentes ao mau-trato (individuais, familiares, sociais e comunitários),será abordada com maior detalhe na 3ª Parte deste Guia, no ponto 17 Avaliação e diagnóstico. Dada, no entanto, a sua importância saliente-se, para já, as metas concretas que se pretendem alcançar com esta avaliação em que se recolhem dados sobre a criança, sua família, e circunstâncias existentes nas suas vidas, afim de se (Gracia e Misutu, 1999):

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DICA:

a)Identificarem as Causas que despoletaram o aparecimento da situação de mau- trato (situação de crise - aguda) e contribuíram para a sua manutenção quando é caso disso (situação crónica);

b)Determinar que factores de Risco representam os “pontos fracos” ou “défices” da criança, família e comunidade, e quais os que estão directamente associados à situação de maus tratos, ou perigo, e como e porque razões poderão actuar de forma obstaculizadora à intervenção;

c)Identificar os Factores Protectores ou “Compensatórios” que representam os “aspectos positivos”, ou “pontos fortes”, ou “forças” da criança, sua família e comunidade e onde se deverá apoiar a intervenção para solucionar, ou minimizar, o problema;

d)Definir quais as áreas ou aspectos prioritários em que deve incidir a intervenção das entidades e dos serviços existentes localmente para eliminar, ou minimizar, a situação de perigo, ou maus tratos, e os factores de risco associada à mesma; e)Determinar qual o Prognóstico do caso, isto é, estabelecer a possibilidade da

situação de maus tratos e dos factores de risco, a ela associados, se modificarem em grau suficiente, de modo a que seja altamente improvável que outra situação de mau-trato ocorra (De Paul e al, 1992 citado por Gracia e Misutu, 1999).

13.4.2.1.INFORMAÇÕES SOBRE O MAU TRATO:

DIMENSÕES CENTRAIS

Para se alcançarem os objectivos previstos com este tipo de Avaliação Diagnóstica, e acabados de mencionar, é indispensável que sejam exploradas áreas específicas para recolha de informação adequada e pertinente e em quantidade e qualidade suficientes para se fundamentarem as decisões subjacentes a tais objectivos.

Seguindo a proposta da American Association for Protecting Children (AHA, 1991) salientam-se 4dimensões de avaliação, focalizadas em torno da situação de mau-trato, ou perigo, e respectivas hipóteses orientadoras, para que se recolham os dados essenciais a uma Avaliação Diagnostica eficaz na área dos maus tratos:

1.Características dos pais que contribuem para o mau-trato 2.Natureza das condições associadas ao mau-trato 3. Consequências do mau-trato na criança e sua família

4. Percepção e respostas dos pais às condições subjacentes à situação de Maus-tratos – a motivação para a mudança

Directiva Conjunta CNPCJR e PGR de 23 de Junho de 2009

art. 70º da LPCJP

1.Este tipo de avaliação não é exclusivo desta fase. É importante encará-la como possível e extensível a qualquer momento do processo de avaliação e intervenção e que exija a valoração da probabilidade da criança vir a ser mal tratada, em que medida e em que espaço temporal.

2.Para satisfazer, ainda, os objectivos desta fase, a avaliação da necessidade de um procedimento de urgência, ou da aplicação de uma medida de protecção provisória, esta última aplicada pelas entidades competentes, e para se garantir a segurança e protecção imediatas da criança, dever-se-á ter em conta todas as informações procedentes dos pontos anteriores e, particularmente, as que se referem ao grau de perigosidade e ao grau de recidiva,

3. Dada a importância destas questões sugere-se a consulta, da 2ªparte, nos pontos 17e 20e 4ª parte deste guia, no ponto 32.1.

Esta fase de Avaliação Diagnóstica possibilitará a tomada de decisões sobre as possibilidades dos pais da criança, que necessita de protecção, poderem vir a desempenhar positivamente o seu papel parental e satisfazer, em definitivo, as necessidades básicas da criança, com a ajuda facultada e “à medida” das suas necessidades e no seu superior interesse.

Trata-se, também, de reconhecer aprofundadamente, quais as razões que provocam a situação de perigo, ou maus tratos, e quais as possibilidades que existem de fazer desaparecer as suas causas, recorrendo aos recursos de intervenção existentes na própria criança, família (nuclear e alargada) e na comunidade, ou implementando novas respostas no tempo útil para a criança (Martinez Roig e de Paul, 1993 cita dos por Gracia e Musitu, 1999)

Na fase de Avaliação Diagnóstica há que saber responder às seguintes questões:

1.Que dados a recolher? Para quê? Que pertinência têm para a análise da situação de maus tratos? 2.Junto de Quem? Onde?

3.Quando? 4.Como? http://www.cnpcjr.pt/preview_documentos.asp?r=27 29&m=PDF) http://www.cnpcjr.pt/preview_documentos.asp?r=31 3&m=PDF LEMBRE-SE: DICA: VER: DICA:

1. Características dos pais que contribuem para o mau-trato ou situação de perigo;

a) As condições ou características estão fora do controlo da capacidade dos pais? (e.g. o pai ou mãe ou cuidador têm uma deficiência mental? Sofrem de algum tipo de doença mental ou perturbação psiquiátrica? Têm os pais a capacidade de prevenir as suas condições, ou características, mas não o conseguem fazê-lo?Os pais apresentam algum tipo de comportamento aditivo como alcoolismo, ou dependência de fármacos ou drogas?);

b) O mau-trato, ou situação de perigo, aconteceu em circunstâncias não intencionadas? (e.g. a mãe desconhecia que a febre alta do bebé pode provocar facilmente uma desidratação);

c) Tais condições ou características associadas ao mau-trato, ou situação de perigo, apareceram de forma gradual ou repentina? (e.g. a depressão da mãe agravou-se à medida que as crianças cresciam e eram mais exigentes materialmente sem que a família as pudesse satisfazer? A mudança de residência foi repentina?);

d) Existe um factor de risco que parece ser o predominante na situação e que é identificado como a razão central ao problema ou existem múltiplos factores implicados? (e.g. os pais batem nas crianças porque entendem que é a única maneira de os educar? O pai/cuidador é jovem e imaturo e excessivamente dominante com a mãe/cuidadora mas totalmente permissivo com as crianças?);

e) O problema resulta de reacções inadequadas, ilógicas ou desnecessárias ante situações, ou comportamentos “normais” mas, contudo, “stressantes”? (e.g. a mãe/cuidadora golpeou o bebé por não suportar mais o choro resultante do período agudo da dentição? Os pais fecharam a criança num armário por ter sujado as calças?)

2. A natureza das condições associadas ao mau-trato, ou situação de perigo

a) Em que medida tais condições ou características estão generalizadas? (e.g. afectam um ou muitos aspectos do funcionamento familiar? A doença mental do pai/ou mãe impede-o/a de manter o emprego, mas é-lhe possível cuidar das crianças e ocupar-se da casa? Circunscreve-se a uma pessoa ou situação particular ou está generalizada e é indiscriminada? O/a cuidador/a perde o controle apenas com a criança que se comporta mal ou com todas? A insensibilidade do/a pai/mãe/cuidador/a é só para com a criança maltratada ou também é relativa às necessidades do/a parceiro/a e dos outros filhos/as?);

b) Em que medida existe um padrão de mau-trato e em que medida este é consistente? (e.g. o pai/mãe maltrata sempre que volta alcoolizado/a ou apenas quando outras condições estão também presentes? A mãe/cuidadora é negligente com as crianças só quando o cuidador abandona a casa por longos períodos de tempo?);

c) Qual é, ou qual tem sido, a duração da característica ou condição mais directamente associada ao mau-trato? (e.g. a depressão do pai/mãe o/a incapacita

durante dias, semanas ou meses ou, pelo contrário, dissipa-se rapidamente quando a causa precipitante desaparece?);

d) O problema é causado por algo que os pais, ou a criança, fazem (acção) ou por algo que os pais, ou criança, não fazem (omissão)? (e.g. os pais gritam, insultam, criticam a criança ou ignoram-na? A criança isola-se, não responde ou tem birras e é agressiva?)

3. As consequências, ou efeitos, do mau-trato na criança e sua família

a) Qual a capacidade de resiliência da criança? Até que ponto a criança se pode proteger do comportamento perigoso ou circunstâncias perigosas? A criança demonstra o desejo e capacidade de proteger-se a si mesma do mau-trato de alguma maneira (e.g. fugindo, pedindo ajuda a outros familiares ou vizinhos, escondendo- se, investindo nos estudos);

b) A natureza do mau-trato, o seu padrão e/ou as suas características pressupõem um perigo real ou potencial para a vida ou saúde da criança? (e.g. Sofrerá a criança de atraso de desenvolvimento ou morrerá se não for alimentada adequadamente? É o alcoolismo da mãe uma fonte de vergonha para os filhos ou implica, também, uma ameaça para a sua supervisão?);

c) Como reagem os diferentes elementos da família à condição ou característica do mau-trato? As suas reacções são adequadas às situações? (e.g.o adolescente reage ao mau-trato físico fugindo, ou comendo demais (e.g.bulimia) ou procurando ajuda? O pai/mãe/cuidador perante a criança ferida preocupam-se e tratam dela ou criticam- na por ter caído? A criança apresenta comportamentos reactivos disfuncionais como isolamento, agressividade, enurese secundária? Podem os pais expressar sentimentos como a tristeza, confusão, vergonha, solidão? Os pais culpam os outros ou conseguem assumir a responsabilidade do problema? Ou negam a existência do problema ou em caso de o reconhecer negam que o mesmo os afecte?);

d) As reacções dos pais servem para minorar as consequências do problema ou para agravá-las? (e.g. O sossego da criança produz no pai/mãe mais raiva ou alivio? A fuga do adolescente proporciona um tempo para que “ se enfrentem os factos” ou fortalece a crença dos pais de que não o disciplinaram suficientemente?)

4.A percepção e respostas dos pais às condições subjacentes à situação de maus tratos ou perigo - a motivação para a mudança:

a) Os paissãocapazes de identificar as consequências ou efeitos do problema nos outros elementos, individualmente e no todo familiar?

b) A família tem realizado esforços concretos para resolver ou fazer face aos problemas subjacentes aos maus tratos? (e.g. Conseguem identificar essas soluções? Têm tido êxito nas suas diligências? Em que grau tem sido eficazes as soluções adoptadas? Esses métodos têm tratado, de facto, o problema ou apenas os seus sintomas? Podem identificar o(s) método(s) utilizado(s) e o modo como o(s) mesmo(s) tem ajudado a resolver o problema, ou pelo contrário, têm piorado a | Promoção e Protecção dos Direitos das Crianças |

Para a exploração destas 4 dimensões é necessário que os conteúdos da avaliação incidam sobre uma grande variedade de variáveis e sobre as variáveis mais relevantes para uma análise aprofundada da situação de mau-trato.. Deste modo, poderá resultar como muito útil um Guião de Entrevista Semi Estruturada que facilite a recolha dos factores mais relevantes, a ter em conta na avaliação diagnóstica, e agrupados pelas dimensões referidas e ainda cobrindo as áreas, já identificadas nos pontos 10.3.2., 13.1. e 16.

Relembre-se a este respeito que o processo de informatização das CPCJ tem facilitado, em muito, estas avaliações desde que se domine o funcionamento da aplicação informática. Contudo, esta não deve invalidar a concepção de um Guião de Entrevista uma vez que existirão, eventualmente, variáveis pertinentes ainda não contempladas na aplicação em causa.

Para o eventual guião de entrevista ver ainda os pontos 13 e 16desta 2ª Parte

situação? Têm tentado avaliar porque é que a criança se comporta mal, ou só têm tentado controlar o seu comportamento?);

c) Demonstram flexibilidade e/ou criatividade utilizando sistemas alternativos para solucionar os problemas, ou utilizam sempre o mesmo recurso ou estratégia com todas as dificuldades com que se confrontam?(e.g. Tentaram outros métodos porque abandonaram os que não resultavam? É o castigo físico a única maneira que conhecem e acreditam para disciplinar as crianças?);

d) Os pais demonstram motivação e algum optimismo acerca da sua capacidade para mudar a sua conduta ou circunstâncias?

ALERTA:

No documento CPCJ Guia Servic Social (páginas 127-131)