1.A concepção da Intervenção para a solução de uma situação de perigo e decorrente e consonante com a medida aplicada implica sempre a elaboração de um APP, ou seja, de um conjunto de acções estabelecidas entre os subscritores, susceptíveis de avaliação; 2.A CPCJ será sempre a entidade responsável pela concepção, desenvolvimento e revisão do APP.
art.55º, artº56º e artº57º relativo ao APP da LPCJP
art. 5ºdo Decreto Lei 12/2008, de 17 de Janeiro- Regulamentação medidas em meio natural de vida
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Tendo toda a informação essencial recolhida, proceder-se-á à avaliação do grau de perigo da criança. Nos casos de sinalização por parte das EPL/AS o processo de avaliação incluirá o estudo e análise do(s) relatório(s) e documentos recepcionados. A análise incidirá, fundamentalmente, sobre os dados relativos aos factores de risco e protectores ou compensatórios, à probabilidade de recidiva, e ao potencial de mudança da situação familiar, bem como ao prognóstico da situação. A CPCJ poderá, caso haja necessidade, solicitar, ainda, outros relatórios técnicos psicológicos, sociais, de saúde ou pedagógicos para o seu conhecimento cabal das circunstâncias da criança e das capacidades da sua família para proteger e cuidar das suas necessidades.
Desta forma, estar-se-á em condições de elaborar uma hipótese justificativa da situação de maus tratos avaliada e de resolver várias questões, nomeadamente:
? É necessário separar, ou não, a criança do seu núcleo de convivência? Se sim, em que condições? (e.g. família alargada? pessoa idónea? família de acolhimento? Instituição?) E em que espaço temporal (e.g. a curto prazo? A médio ou longo prazo)? É possível a reintegração na sua família?
? A criança encontra-se numa situação de elevado perigo? Ou de médio ou baixo perigo? Numa situação de prognóstico favorável? Ou desfavorável?
A avaliação da situação de perigo, e respectiva intervenção, deverão basear-se em Ferramentas teóricas e técnicas, bem como em critérios e procedimentos específicos, os quais serão aprofundados na3ªe 4ª partes deste guia.
Um processo de avaliação, eficaz e adequado, da família e da criança, permitirá realizar um Acordo de Promoção e Protecção, neste guia designado por APP, que seja realista e que potencie a satisfação eficaz das necessidades da criança. Se o APP não responder à satisfação das necessidades da criança, dever-se-á revê-lo, mesmo antes do legalmente previsto (6 meses), revendo, igualmente, e alterando, ou não, a medida de protecção adoptada, bem como outras decisões tomadas aquando da elaboração do APP.
A avaliação e desenho do APP serão efectuados nas seguintes condições:
? Serão estruturados em função da hipótese colocada, na fase de avaliação, relativamente às causas ou factores que provocam e/ou mantêm a situação de maus tratos, promovendo a rentabilização dos recursos locais disponíveis para responderem às necessidades detectadas.
? A CPCJ poderá incluir, ou não, total ou parcialmente, a proposta elaborada pelas EPL/AS no caso de esta ter sido apresentada.
? As intervenções de outros parceiros sociais poderão ser determinadas e determinantes na concepção inicial do APP, ou incluídas ou determinadas, posteriormente, durante todo o processo de intervenção e follow-up.
DICA:
VER:
artigos 55º, 56º e 57º da LPCJP art. 60º e art. 61º da LPCJP http://www.cnpcjr.pt/preview_documentos.asp?r=31 3&m=PDF http://www.cnpcjr.pt/preview_documentos.asp?r=31 3&m=PDF
A concepção da intervenção será dada a conhecer a todos os profissionais das EPL/AS envolvidos e/ou a envolver para a sua implementação, desenvolvimento, monitorização e avaliação, com o objectivo de se promover o consenso e a coordenação entre todos os agentes intervenientes em cada caso.
Considera-se recomendável a organização de sessões de trabalho periódicas, entre as equipas/profissionais das EPL/ASe a CPCJ, para a monitorização e avaliação da operacionalização do APP, através do seu Plano de Intervenção (PI).
Os elementos que o APP deverá incluir são:
1. A identificação do membro da Comissão Restrita Coordenador do Processo.
2. A medida aplicada.
3. Objectivos da intervenção, especificando a sua finalidade e as mudanças que se pretendem observar (e.g. A reintegração familiar e a utilização pelos pais de outros métodos de disciplina alternativos à punição corporal; o regresso à frequência escolar).
4. Intervenções e recursos necessários para superar a situação de risco ou perigo, especificando:
? Intervenções e recursos a nível social, familiar, de saúde e educativo, com indicação das necessidades e objectivos prioritários, das intervenções planificadas para o efeito, assim como do parceiro/entidade e interlocutor responsável por cada uma delas, incluindo, se necessário, os compromissos da própria família da criança.
? Intervenções prioritárias.
5. Calendarização da intervenção, em função do objectivo de intervenção seleccionado:
?Quando o objectivo for a reunificação familiar, determinar-se-á a data de regresso da criança à família, tentando que nunca ultrapasse os 18 meses legalmente previstos excepto na medida de colocação em instituição cujo prazo é o que constará no seu APP.
6. Coordenação com outros agentes envolvidos na intervenção: área social, área educativa, de saúde, policial, outros serviços especializados, etc. A coordenação entre a CPCJ e as EPL/AS que operacionalizam o APP e respectivo PI ou “PP” é
VER:
um aspecto que tem especial relevância para o sucesso de intervenção. Em todos os casos, a coordenação entre todos os agentes intervenientes estabelecer-se-á com base no objectivo final da intervenção considerada para cada caso concreto e estará centrada na CPCJ.
7. Follow-up da intervenção, determinando datas de revisão e avaliação de objectivos, datas de reunião com os sectores profissionais ou programas envolvidos.
8.As declarações de consentimento ou de não oposição. É importante promover-se a intervenção em rede, por
forma a evitar a sobreposição de actuações tendo em conta os princípios da intervenção referidos na 1ª Parte do Guia, ponto 4.
DICA: