Do que até aqui foi tratado, podem-se sumarizar alguns aspectos cruciais:
1. Em primeiro lugar, a conservação, in situ e ex situ, de componentes dos campos do Cone Sul, não é favor, mas compromisso de cada país, derivado da adesão à CDB.
2. O foco da conservação não deve restringir-se às espécies oficialmente incluídas em listas daquelas ameaçadas de extinção, mas, muito antes e além disto, deve contemplar a conservação da variabilidade genética e evitar que novas espécies importantes cheguem a ser incluídas em tais listas.
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3. Medidas de conservação ex situ devem contemplar o potencial de multiplicação e utilização de germoplasma, para o futuro desencadeamento de iniciativas de restauração de populações de espécies e de comunidades vegetais campestres. Mas, considerada a legislação atual, isto pode entrar em choque com barreiras impostas à coleta de plantas com potencial de uso econômico e regulamentos que impedem a retirada de germoplasma de áreas protegidas, e este paradoxo precisa ser enfrentado.
4. A maior ênfase dos trabalhos de conservação e exploração dos recursos genéticos dos campos certamente continuará nas gramíneas e leguminosas com potencial forrageiro, mas deve ser aberto, mesmo nos trabalhos de conservação ex situ, espaço para outras plantas campestres. Destas outras, as primeiras ações efetivas de conservação poderão enfatizar aspectos utilitários de constatação rápida, como o potencial medicinal ou ornamental, mas também não podem ser esquecidas as plantas de interesse ecológico para processos sucessionais de restauração de comunidades, para a alimentação de aves e da fauna em geral, ou de incorporação potencial ao melhoramento genético de plantas já cultivadas, além daquelas fornecedoras de outros serviços ambientais.
5. O manejo de áreas dos campos do Cone Sul a serem conservadas in situ deve prever a continuação de seu uso por rebanhos.
6. Além da taxonomia, o conhecimento genético e do modo de reprodução são essenciais para qualquer análise populacional, o que enfatiza a necessidade deste embasamento científico em qualquer proposta de conservação ou restauração de comunidades vegetais, e de um esforço coordenado e produtivo de formação de recursos humanos especializados, com total inserção desses temas na pós-graduação regional.
7. As tentativas de conservação dos campos que busquem atender aos aspectos levantados acima também dependem da criação e aplicação de regulamentos, cujo papel foi alvo das discussões do Grupo 4 no Workshop. Todavia, leis e regulamentos não têm condições de impedir, por si só, perdas significantes de áreas campestres, nem de segmentos de variabilidade útil das espécies de maior interesse.
8. Especificamente na situação dos variados campos do Cone Sul, principalmente onde são compartilhados por países vizinhos, ainda há que considerar-se a questão da heterogeneidade dos marcos legais dos distintos países na possibilidade de concretização de trabalhos
necessariamente cooperativos.
Quanto a este último aspecto, cabe notar que um encontro formal de Ministros e Secretários de Estado de Meio Ambiente dos Estados Partes do Mercosul, reunidos em Curitiba, Brasil, em março de 2006, por ocasião da Oitava Conferência das Partes da CDB/COP-8, tratou de construir alicerces para o desencadeamento de novas iniciativas, formalizando, em um documento oficial, seu apoio a que tais esforços fossem eficientes e colaborativos, de forma a promoverem, nos Estados Partes, até 2010, avanços significativos na implementação da Estratégia de Biodiversidade do Mercosul (MRE/MMA 2006).
O primeiro “Objetivo específico” dessa Estratégia é “Conservar e usar sustentavelmente
ecossistemas, espécies e recursos genéticos in situ, com ações complementares ex situ e “on farm”, valorando adequadamente os componentes da biodiversidade.”
A busca de resultados foi planejada ao longo de uma série de diretrizes, que impõe compromissos, destacando-se os seguintes, pela associação mais íntima ao presente tema: Diretriz II.1: “Os Estados
Partes desenvolverão ações integradas, para a proteção dos ecossistemas e ecorregiões..., especialmente em áreas consideradas estratégicas e críticas para a biodiversidade e em áreas afetadas por processos significativos de conversão de ecossistemas naturais para outros usos,
...” II.2: “...promoverão a conservação in situ de espécies e/ou populações compartilhadas,
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com o objetivo de promover sua conservação e utilização sustentável, bem como dos processos ecológicos e evolutivos a elas associados”... II.3: “...desenvolverão ações para a consolidação de iniciativas de conservação ex situ e “on farm” de espécies e variedades, assim como de sua variabilidade genética, com ênfase nas espécies ameaçadas e nas espécies com potencial de uso econômico e social.” IV.1: “...desenvolverão esforços conjuntos e sistemas integrados de monitoramento e avaliação do estado da biodiversidade e das pressões antrópicas que sobre ela recaem.” IV.4: “...incentivarão o desenvolvimento de instrumentos e o estabelecimento de medidas conjuntas, com o intuito de promover a recuperação de ecossistemas degradados e de componentes da biodiversidade, particularmente os compartilhados.”
Por mais que esta formalização detalhada de apoio aos esforços regionais de conservação dos campos sempre deva ser considerada bem vinda, uma vez mais, o ousado estabelecimento do curto prazo de 2010 para o alcance dos objetivos compromete a crença na real implementação dos esforços planejados e, especialmente, a chegada a resultados sólidos, o que virá à luz muito em breve.
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