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ALGUMAS PERSPECTIVAS PARA RELAÇÕES PÚBLICAS DIGITAIS

1. O CENÁRIO DIGITAL PARA RELAÇÕES PÚBLICAS

1.8 ALGUMAS PERSPECTIVAS PARA RELAÇÕES PÚBLICAS DIGITAIS

Os meios sociais alteraram a maneira como as agências de comunicação e seus clientes pensam as estratégais de relacionamento com os públicos de interesse. Com base nesta premissa, o Departamento de Relações Públicas da Worldcom, rede mundial de agências de Comunicação e Relações Públicas52, fez uma pesquisa junto aos seus parceiros comerciais para partilharem ideias sobre a evolução do papel da Comunicação Social como ferramenta de relacionamento com os consumidores, bem como as tendências que poderão alterar a forma como estes estarão incorporados nas campanhas de sensibilização (TERRA, 2013). Entre os resultados está:

A localização: uma estratégia para acompanhar o consumidor. São

programas não apenas destinados a envolver os consumidores e incentivá-los a partilhar o seu brand love53 com os outros, mas que possibiltam partilhar o seu dinheiro com o revendedor local.

Filtragem de ruído: os clientes estão aprendendo a maximizar as ferramentas

dos meios sociais para responder às suas necessidades, começando por eliminar o ruído. Como consequência, as agências de comunicação terão, igualmente, maior empenho ao divulgar conteúdos relevantes para públicos mais identificados.

Profundidade em detrimento de amplitude: o arranque dos meios sociais

levou a maioria dos clientes a lutar para alargar suas redes sociais, esforçando-se

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Profissionais de Relações Públicas apontam tendências de media para 2012. Disponível em: <http://www.marketeer.pt/2012/01/20/profissionais-de-relacoes-publicas-apontam-tendencias-de- media-para-2012>. Acesso em: 06 fev. 2012.

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por angariar o maior número de amigos e seguidores, sem respeitar as barreiras de privacidade nem seus interesses e sistemas de crenças. Em 2011, assistiu-se a uma mudança significativa, quando a profundidade das redes de consumo ganhou força graças à sua amplitude.

Telemóvel é o novo PC54: o aumento significativo de smartphones55, tablets56,

e readers57 e dispositivos móveis informatizados, principalmente ao longo dos últimos três anos, modificou ainda mais a forma como os consumidores interagem. O consumidor moderno está sempre conectado, interagindo em tempo real e descartando a parte da informação que não lhe interessa. Enfim, marcas e produtos também precisarão estar permanentemente conectados e interagir em tempo real com os seus clientes.

Terra (2009 a, p. 02) ressaltou a facilidade oferecida pelas novas ferramentas comunicacionais digitais, proporcionadas pelas organizações, utilizadas como meio de informar e de ouvir:

A simplicidade das ferramentas de comunicação digital chamou a atenção das empresas, que podem se valer delas para produzir, captar, organizar e disseminar informações e conhecimentos. Por serem mais informais que os sites corporativos, têm o papel de alavancar uma comunicação eficiente entre a empresa e seus colaboradores, clientes e fornecedores – é um meio natural de influenciar, mas também de ouvir.

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Computador pessoal. 55

Geralmente tem capacidade de conexão às redes de dados para acesso à internet, sincronização dos dados do organizador com um computador pessoal, e uma agenda de contatos que pode utilizar toda a memória disponível do celular, não limitada a um número fixo de contatos.

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Dispositivo pessoal em formato de prancheta que pode ser usado para acesso à Internet. 57

Um pequeno aparelho que tem como função principal mostrar em uma tela, para leitura, o conteúdo de livros digitais (e-books) e outros tipos de mídia digital.

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Mais de 70 % dos jornalistas e outros autores de mídias digitais interagem com profissionais Relações-Públicas através de redes sociais como o facebook e o

Twitter. A informação consta num estudo realizado pela Cision58, que ouviu mais de mil profissionais considerados “influenciadores digitais”. Dos pesquisados, 55% interagem com profissionais de RP no Twitter e 45 %, através do facebook, o que mostra o uso profissional das redes sociais, aspecto que também será confirmado mais adiante pelos coordenadores dos cursos entrevistados.

Um estudo inédito, realizado no Brasil, por Fernandez (2010, p.156), apontou as principais tendências profissionais para a área da Comunicação Social. Entre os resultados, destacou que:

É visível o surgimento de profissões emergentes/ocupações emergentes, principalmente as relacionadas à Comunicação Digital. Esse novo mercado de trabalho da Comunicação inclui agora, além dos profissionais oriundos de habilitações acadêmicas relacionadas à área da Comunicação Social, profissionais oriundos de outras áreas do conhecimento, o que exige pensar em reformulação ou atualização dos cursos de forma transdisciplinar59.

A atualização do curso de RP de forma transdisciplinar é o que este trabalho enfoca. Se o egresso não sair do ensino superior de Relações Públicas preparado para atuar nesse mercado, outras áreas do conhecimento irão ocupar ainda mais esse espaço. Nesta tese, já foram mencionadas pesquisas que indicam essa probabilidade.

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How Online Content Creators Use, Engage In, and Perceive Social Media. The 2011 Cision-

Newhouse School Digital Influencers Survey. Disponível em:

<http://img.en25.com/Web/CisionUS/2011-Cision-Newhouse-School-Digital-Influencers-Survey- F.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2012.

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Outro resultado apontado foi o conteúdo atualmente produzido pelos profissionais da Comunicação (2010, p. 158): “a maior parte do trabalho dos profissionais tem conteúdo educacional e informacional e são produzidos exclusivamente ou em parte para a web.” Isso demonstra o quanto o cenário digital é representativo para o campo profissional, pois revela “uma nova configuração de trabalho na área da Comunicação, tendo em vista o advento das mídias digitais e a internet, gerando novos processos comunicacionais” (2010, p. 166). Outro fator que complementa esse quadro é o aumento das vendas pela internet: o chamado comércio online. O processo de segurança tem aumentado, gerando mais garantias para esse tipo de negócio. Somente em 2011, as vendas no Brasil movimentaram cerca de R$ 18,7 bilhões, um crescimento de 26% em relação a 2010. Em 212 foram R$ 24,12 bilhões, aumento de 29% em relação a 2011. Há uma estimativa60 de crescimento de 25% para 2013, segundo o Jornal Estado de São Paulo.

Outro aspecto da atualidade que vai aumentar a capacidade de armazenamento e influenciar, também, na velocidade da internet foi o levantado por Yanaze e Coutinho (2011, p. 487). Trata-se do processamento por nuvem, também conhecido por cloud computing, no qual a necessidade de se ter um hardware ou um software eficiente e rápido é substituído pela possibilidade de estar conectado o tempo todo em alta velocidade. O processamento e o armazenamento dos dados se dão em rede, através de servidores especializados.

De imediato, a computação em nuvem elimina a necessidade de duplicar um documento do escritório em uma mídia removível (pen drive) para continuar em casa. O documento pode ser armazenado em rede, protegido por senha criptografada, para ser acessado de qualquer terminal (PC ou até mesmo do aparelho celular).

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Disponível em: <http://blogs.estadao.com.br/jt-seu-bolso/comercio-eletronico-deve-crescer-25-so- neste-ano>. Acesso em: 20 fev. 2012.

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Em abril de 2012, o Google lançou o serviço, oferecendo, inicialmente, cinco gigabytes de espaço na nuvem, gratuitamente, segundo o Portal Terra61.

Para este ano, Terra (2013, p.02) elencou cinco aspectos que devem ser observados pelas Relações Públicas e mídias sociais: 1º: O profissional tem de aprender a gerar conteúdo, além de funcionar como um organizador/gerenciador digital de conteúdos. 2º: Há múltiplos canais para os relacionamentos com os públicos de interesse e é preciso ter estratégias diferenciadas e linguagens adequadas para cada um deles. 3º: Dados e informações geradas pelo consumidor devem ser transformadas em ações para incremento de vendas e de relacionamento com esse público. 4º: É importante entender os anseios da sociedade e analisar, do ponto de vista corporativo, onde a empresa pode colaborar com ela. 5º: Devem ser criadas conexões emocionais, de maneira que os consumidores se tornem embaixadores da marca.

As alterações e avanços são enormes e não se incorporam, teoricamente, nesse mesmo ritmo. Porém, cabe notar que, diante disso, os avanços são rápidos e com impactos que alteram significativamente as atividades profissionais. O entendimento dessa dinâmica é fundamental para Relações Públicas.

Em suma, o propósito deste capítulo foi levantar aspectos conceituais, bases para as Relações Públicas Digitais, incluindo, para seu entendimento, a gestão dos relacionamentos e as interfaces que o cenário digital necessita para o pensar, o planejar e o fazer Relações Públicas na atualidade, compreendendo as tecnologias, os públicos e suas expectativas, as diferentes formas de interação nos estágios da

web. A relevância do cenário digital para as Relações Públicas foi observada e

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PORTAL Terra. Google lança drive com cinco GB de espaço gratuito na nuvem. Disponível em:<http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5736953-EI12884,00-

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precisa ser incorporada no ensino superior da área. Este é o assunto do próximo capítulo.

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