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TOMADA DE DECISÃO U1, U2, U4, U5, U6, U

5. O PROJETO ECOSOL-EJA

5.4 O PROJETO DE ECONOMIA SOLIDÁRIA E EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – ITES/UFBA

5.4.8 Alguns dos resultados parciais do Projeto de ECOSOL-EJA

O Curso de Extensão em Economia Solidária e Educação de Jovens e Adultos contou com a participação de 104 cursistas, com professores, coordenadores pedagógicos, gestores e educadores populares dos municípios de Feira de Santana, Irará, Salvador, Santanópolis, Simões Filho e Vera Cruz. O curso foi considerado pelos entrevistados como um importante momento do projeto, um momento de aprendizado dos cursistas profissionais da educação, principalmente, professores e

educadores populares, e um momento de contribuição para o conhecimento acerca da temática.

É interessante perceber como os professores hoje compreendem a importância da economia solidária dentro da educação de jovens e adultos, do papel dela e do que ela pode alcançar em termos de mobilização e fortalecimento dos alunos e de melhorias da vida desses alunos. E a gente percebe isso na sala dos alunos, no envolvimento com o projeto, inclusive, em alguns casos, existe a disponibilidade de alguns deles para ajudar no projeto em algumas fases. Então, você percebe um envolvimento, uma compreensão do objetivo do projeto (q2).

Com o Curso de Extensão, os profissionais da educação das escolas participantes iniciaram um processo de aproximação e envolvimento com a comunidade. Conforme relatado, alguns professores estavam há 5, 6, 10 anos nas escolas e, no entanto, não conheciam a comunidade onde seus alunos moravam; alguns, por medo, devido à violência do lugar, outros por acharem que não era necessário. O momento de saída dos muros das escolas para a comunidade, conhecendo o contexto de inserção dos educandos da EJA, foi evidenciado pelo entrevistados q6 e q3, respectivamente:

A gente percebe que os professores que participaram da primeira turma, eles conseguiram, em determinado momento, colocar em prática o que foi vivenciado a partir do curso de extensão e também das oficinas, também é algo que acontece com os professores, pra gente poder saber como eles abordariam a questão da economia solidária com seus alunos. Então, essas oficinas reforçam a questão da base teórica que o professor conseguiu obter no curso de extensão (q6).

Dentro da comunidade que trabalhamos, podemos perceber que os professores que fizeram o curso com a gente e que se integraram ao nosso trabalho, realmente, acreditaram na economia solidária e que podem fazer alguma coisa de diferente no seu trabalho (q3).

Um segundo resultado foi a formação da equipe de trabalho do Projeto ECOSOL-EJA.

[...] era uma ação essencial, uma vez que tinham pessoas com formações distintas, que precisavam naquele momento de uma formação para o nivelamento e que foi extremamente interessante, porque hoje você consegue ter pessoas tanto de educação quanto de economia solidária, envolvidos em qualquer atividade, tanto da escrita do material quanto da construção das atividades didáticas (q2).

Outro resultado foi a elaboração do material didático, conforme relatado por q3:

[...] construção do material didático, que pode subsidiar diversos outros trabalhos com a economia solidária, com escolas, com educação de jovens e adultos, porque a educação formal de hoje possui um conteúdo muito desvinculado da própria realidade dessas pessoas. Então, eu acho que um material didático que traga mais para a realidade dele pode se tornar um grande instrumento de desenvolvimento para essas comunidades (q3).

Como traz o técnico de educação (q8),

Até o presente momento, considero como resultado a realização com bastante eficiência e excelência dos cursos de formação, tanto o de nivelamento, realizado com a própria equipe, como os com os professores e educadores populares dos territórios envolvidos. As oficinas desenvolvidas nos territórios, o grande quantitativo de dados e informações levantado em todas as etapas do projeto, como os registros em texto escrito, gravações, filmagem e fotografias. Os

portfólios, os questionários. Todos esses dados descrevem, tratam e

traduzem o processo de articulação entre os campos de conhecimento, a educação e a economia solidária, de maneira particular a EJA e a Economia Solidária; falam do processo de construção de material didático sobre essa temática e, principalmente, evidencia limites e grandes possiblidades para a Economia Solidária e a Educação (q8).

Os resultados vão desde o cumprimento das metas de formação, com 104 participantes nas duas turmas do Curso de Extensão, até a construção do material didático-formativo, mesmo que este se encontre parcialmente concluído. De uma maneira geral, têm-se como resultados alcançados a formação dos cursistas; a criação de parcerias entre escola-comunidade-ITES, com maior articulação entre estes; a articulação dos estudantes e professores da EJA com sua comunidade, com o mundo do trabalho; e a apropriação de um novo conhecimento referente à economia solidária, um tema até então desconhecido pela maioria dos cursistas (q1).

Quando perguntados sobre se o Projeto ECOSOL-EJA está dando certo ou não (resultados), todos acreditam que sim. O conhecimento sobre a economia solidária e a mudança na prática dos professores em suas turmas de EJA são trazidos na fala de um dos técnicos:

Os resultados preliminares e mais aparentes vêm da mudança na percepção dos professores cursistas sobre o que era economia

solidária, de como isso pode melhorar o aprendizado dos alunos. Essa é uma matéria importante para o aluno que deve ser disseminada na educação brasileira, podendo contribuir para uma melhor educação dos jovens e adultos, já que se trata de uma turma que demanda um maior cuidado. E falar sobre economia solidária, seria um fator que ajudaria no aprendizado dos alunos (q4).

O coordenador geral do projeto (q7) destacou outros aspectos que considera terem contribuído para um bom resultado do projeto, como a qualidade da equipe, a gestão do projeto e o material elaborado. Este destaca três principais razões:

Primeiro, pela qualidade da equipe montada e constituída, observando a necessidade de termos gente preparada nas duas temáticas, na educação de jovens e adultos e economia solidária. Em segundo lugar, pelo empenho da equipe que tem realmente se dedicado ao trabalho e feito até mais do que era sua obrigação. Por certo período, quando não tínhamos condições de execução, muitas vezes, com problemas de execução integral das rubricas de pagamento de pessoal, o pessoal decidiu trabalhar em tempo integral. E terceiro, pelo empenho particular da coordenação executiva do projeto, porque nesses projetos eles requerem, exigem um certo cuidado na gestão. Isso tem revelado em históricos de outros projetos que a gente vem aqui desenvolvendo. Isso só parece possível quando a gente tem uma equipe ou pessoas que têm uma função de coordenação executiva, que realmente segura a ponta, vamos dizer assim né, que consegue estar muito atenta, comprometida com o trabalho que é feito. Então, essa é mais uma razão que a gente tem uma coordenação executiva muito comprometida e atuante, se preocupou com cada detalhe do projeto e isso foi muito importante pra gente. Então, por essas três razões o projeto tem conseguido êxito (q7).

O técnico em educação (q8) ressalta alguns itens já destacados, como o material didático-formativo, a formação dos profissionais da educação e enfatiza ser algo inovador o projeto.

Para mim, o projeto vem se constituindo um feito de vanguarda em relação ao processo de construção de um material didático formativo. Seja pelo processo de formação dos professores, educadores populares e da comunidade territorial no processo de apropriação e aquisições das informações em construções, seja pelas contribuições dadas por estes sujeitos, na etapa de oficinas e testagem, quanto à compreensão e necessidade de adequações dos conteúdos em elaboração. Está dando certo, também, pela percepção da apropriação da ideia por parte dos envolvidos, sobretudo, os educadores da EJA, pelo material em construção que já se anuncia como uma possiblidade de ampliação da temática, de atividades que articulam o tema, seus respectivos campos e do papel social da escola em articular educação e trabalho (q8).

Já a coordenação executiva (q10) destaca a nova proposta de abertura de uma especialização em economia solidária e educação de jovens e adultos, demanda do Ministério da Educação, e a reabertura de turma como bons resultados que não eram previstos.

O projeto apresenta vários resultados, como a formação dos professores e elaboração do material didático-formativo. No início, quando realizamos a socialização da proposta do Curso de Extensão na escola da Vila de Matarandiba, durante a semana pedagógica, fomos informados que a turma de EJA havia sido fechada por falta de alunos que frequentassem as aulas. Como não havia mais turma, essa escola seria substituída por outra em uma comunidade vizinha que possuía essa modalidade de ensino. Alguns dias depois da nossa visita, recebemos uma ligação falando que os professores haviam se reunido e decido iniciar o processo de reabertura da turma, buscando alunos para se matricularem, por entender que seria uma boa oportunidade para a formação deles como profissionais da educação e para fortalecimento da economia solidária em sua comunidade. Diria que esse é um dos resultados que não visualizávamos quando iniciamos o projeto, a reabertura de turmas de EJA (q10).