TOMADA DE DECISÃO U1, U2, U4, U5, U6, U
6. PERCURSO METODOLÓGICO
Neste capítulo, apresenta-se a metodologia utilizada na pesquisa: tipos de abordagem e de estudo, local da pesquisa, população, fonte, instrumentos e procedimentos de coleta de dados, análise dos dados, aspectos éticos e os passos metodológicos.
A construção do percurso metodológico ocorreu com base nos estudos do campo da avaliação e da metodologia de pesquisa, que tem como objeto de estudo o processo de avaliação do Projeto ECOSOL-EJA, ITES/UFBA - SECADI/MEC. De acordo com Lüdke e André (1988, p.1-2), a pesquisa seria um “momento privilegiado”, de conhecimento de uma dada realidade, em que se articulam as informações desta com o conhecimento teórico produzido, servindo de base para “composição de soluções propostas aos seus problemas”, ou seja, para um novo olhar sobre a experiência investigada.
Esse novo olhar sobre a experiência de avaliação do Projeto ECOSOL-EJA, ITES/UFBA - SECADI/MEC se deu com base na abordagem qualitativa, a partir do estudo de caso, por este possibilitar um estudo detalhado, bem como múltiplas percepções do cotidiano a ser investigado. Dentre os tipos de estudo de caso, escolhemos o avaliativo por envolver “descrição e explicação, mas também julgamento [...] o último nível do processo de avaliação” (GIL, 2009, p. 50). A pesquisa avaliativa permite “uma análise sistemática de aspectos importantes de um programa e seu valor, visando fornecer resultados confiáveis e utilizáveis” (HARJA; HELGASON, 2000, p. 5), produzindo, assim, um novo conhecimento.
A pesquisa avaliativa para Aguilar e Ander-Egg (1994, p. 31) é uma “forma de pesquisa social aplicada, sistemática, planejada e dirigida” que serve de base para a tomada de decisão, de conhecimento sobre um programa ou projeto com fins de “promover o conhecimento” sobre o objeto pesquisado. Assim, a partir da perspectiva de uma pesquisa avaliativa, dar-se-á o conhecimento do processo de avaliação do Projeto ECOSOL-EJA, ITES/UFBA - SECADI/MEC.
Esta pesquisa foi realizada por uma avaliadora interna, integrante da equipe de trabalho do referido projeto. Como destacado por Tanaka e Melo (2004) e Vianna
(2005), avaliações realizadas por avaliadores internos permitem maiores possibilidades para a tomada de decisão e a melhoria do projeto, por meio da utilização das informações geradas, e um acesso mais fácil aos dados do projeto. Como limitação, tem-se a questão do menor grau de objetividade.
Cabe ressaltar que, mesmo com as limitações de uma avaliação realizada por pessoas participantes da equipe executora do projeto, acreditamos que os benefícios gerados pela realização de uma avaliação, neste caso, de projetos educacionais, possam contribuir para a execução do Projeto ECOSOL-EJA, ITES/UFBA - SECADI/MEC, assim como auxiliar outras equipes que trabalhem com projetos semelhantes na realização de suas avaliações, de maneira tal que se possa construir efetivamente uma cultura avaliativa em projetos socioeducativos.
Assim, a partir da escolha da abordagem qualitativa e realizada as devidas ponderações sobre a pesquisa avaliativa, decidimos limitá-la ao período de setembro de 2010 a dezembro de 2012, quando se encerraramm as atividades do Curso de Extensão em Economia Solidária e Educação de Jovens e Adultos. Escolheu-se, também, esse período pela possibilidade desta pesquisa servir de instrumento de melhoria da gestão do Projeto ECOSOL-EJA, ITES/UFBA - SECADI/MEC, a partir da utilização dos dados gerados.
6.1 LOCAL DA PESQUISA
A pesquisa foi realizada na Incubadora Tecnológica de Economia Solidária e Gestão do Desenvolvimento Territorial, localizada na Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia.
6.2 POPULAÇÃO
A população pesquisada constituí-se por seis técnicos, dois coordenadores e dois estagiários do Projeto ECOSOL-EJA, que aceitaram participar, voluntariamente, num total de 10 entrevistas realizadas. No Quadro 4, apresenta-se a caracterização de toda a equipe de trabalho do Projeto ECOSOL-EJA, exceto de um técnico que
não participou desta pesquisa, pois encontrava-se ausente do país no período de realização das entrevistas.
Função/cargo Formação/titulação Experiência Tempo no projeto Coordenador geral (q7)
Graduado em Administração, Mestre em Administração e Doutor em Sociologia
Economia Solidária 2 anos e 6 meses Coordenador executivo (q10) Graduação em Pedagogia. Mestranda em Educação, Especialista em Educação à Distância Educação e Educação de Jovens e Adultos 2 anos e 1 mês Técnico em economia solidária (q1) Graduação em Secretariado Executivo, Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão Economia Solidária e Educação Popular 2 anos Técnico em economia solidária (q3) Graduação em Administração, Mestrando em Administração Economia Solidária e Educação Popular 2 anos e 6 meses Técnico em economia solidária
Graduação em Economia, Mestre em Administração
Economia Solidária 2 anos Técnico em economia
solidária (q4)
Graduação em Administração, Mestrando em Administração
Economia Solidária 1 ano e 10 meses Técnico em economia solidária (q9) Graduação em Secretariado Executivo, Especialista em Administração e em Educação Especial
Economia Solidária 2 anos e 6 meses
Técnico em educação (q2)
Graduação em Pedagogia, Mestre em Educação e Doutoranda em Educação
Educação 2 anos
Técnico em educação (q8)
Graduação em Pedagogia, Mestre em Educação e Doutorando em Educação
Educação 2 anos
Estagiários (q5)
Graduanda em Secretariado
Executivo Economia Solidária
1 ano e 4 meses
Estagiários (q6) Graduanda em Pedagogia Educação 1 ano
Quadro 4: Caracterização da equipe de trabalho do Projeto ECOSOL-EJA Fonte: Elaboração própria.
6.3 FONTES DE DADOS
Foram coletadas informações oriundas dos integrantes da equipe do Projeto ECOSOL-EJA e dos seguintes documentos: Projeto básico, plano de trabalho, relatório parcial, fichas de inscrição e avaliação do Curso de Extensão em ECOSOL- EJA; relatórios e fichas de inscrição do curso de nivelamento da equipe de trabalho;
relatórios de visitas às escolas; planejamentos de trabalho e questionário perfil dos professores participantes do Curso de Extensão em ECOSOL- EJA.
6.4 INSTRUMENTOS E PROCEDIMENTOS DE COLETAS DE DADOS
Na perspectiva de um estudo mais detalhado e profundo do processo de avaliação do Projeto ECOSOL-EJA, ITES/UFBA - SECADI/MEC, foi elaborado um quadro operacional a partir dos objetivos específicos desta pesquisa (APÊNDICE A).
Os instrumentos para coleta de dados constituem-se de:
A) Roteiros de entrevistas semiestruturados, para equipe executora do Projeto ECOSOL-EJA, ITES/UFBA - SECADI/MEC (APÊNDICE B).
B) Roteiro para análise documental e planilha de levantamento de dados, para a criação de um banco de dados contendo as informações coletadas nos documentos investigados (APÊNDICE C).
6.5 ANÁLISE DOS DADOS
As entrevistas foram transcritas e os documentos foram tabulados de maneira que viabilize o acesso aos dados. Estes foram codificados e, em seguida, criaram-se categorias e subcategorias de forma a agrupá-los, para serem analisados e discutidos, relacionando o que se tem produzido sobre a temática de avaliação de políticas, programas e projetos e o que se observou no Projeto ECOSOL-EJA, ITES/UFBA - SECADI/MEC.
6.6 ASPECTOS ÉTICOS
Para a realização da coleta de dados, foi elaborado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE D), que foi apresentado e assinado pelo participante da pesquisa após a explicação dos objetivos e metodologia da
pesquisa. Tal procedimento tem como objetivo garantir a autonomia de todos os envolvidos na pesquisa, o anonimato e a confidencialidade das informações obtidas.
6.7 PASSOS METODOLÓGICOS
Passo I: Escolha das dimensões e construção do quadro operacional da pesquisa A partir da literatura sobre avaliação, foram definidas as dimensões que seriam trabalhadas. Foram criadas três dimensões de análise: diagnóstica, tomada de decisão e melhoria. Para uma melhor orientação da pesquisa, foi elaborado um quadro operacional contendo as dimensões, objetivos específicos, perguntas operacionais, indicadores, fontes de informações, instrumentos de coleta, procedimento de coleta e tratamento das informações (APÊNDICE A). A seguir, são apresentados os objetivos específicos e as perguntas operacionais.