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4 BATATUBA

4.8 Equipamentos coletivos

4.9.2 Alojamento para solteiros

O alojamento destinado aos jovens solteiros, a maioria vindos de áreas rurais da região, estava localizado junto às moradias operárias. Esses jovens vinham de toda região em busca de trabalho na indústria, além da matrícula na escola local, situação típica da época, confirmada por modelos similares e por bibliografia sobre a

atração desse tipo de empreendimento para a mão de obra jovem, que buscava qualificação dentro da fábrica e da escola técnica (CHOAY, 2015).

Imagem168: Planta do Pavimento Térreo do Alojamento para solteiros

Fonte: Arquivo da antiga fábrica de Batatuba.

Imagem169: Planta do Pavimento Superior do Alojamento para solteiros. s.d.

Imagem170: Fachada do Alojamento para solteiros. s.d

Fonte: Arquivo antiga fábrica Batatuba

Imagem171: Construção alojamento para solteiros. 1941

Fonte: Arquivo da antiga fábrica de Batatuba Imagem172: Alojamento para os solteiros - 1941

Trata-se de uma construção de bloco único assobradado, com recuo frontal mínimo, feita com tijolos, coberta por telhas de barro, numa estrutura em madeira, formando uma cobertura de quatro águas, com beirais. Possuía uma entrada centralizada, protegida por uma pequena cobertura de uma água, apoiada por uma mão francesa em alvenaria. A porta principal deparava-se com a escada, também centralizada, que levava ao piso superior (ver Imagens 168 e 169).

Projetado com vinte alojamentos distribuídos nos dois pavimentos de ambos os lados desse bloco, organizava-se a partir da escada e de um corredor central perpendicular à mesma, com banheiros coletivos em cada andar e lavatório dentro do dormitório. No pavimento térreo, próximo à entrada, situava-se o apartamento do zelador, composto por sala e cozinha.

O projeto arquitetônico básico foi aprovado pelo município de Nazareth Paulista, assinado por profissionais do escritório denominado “Chain e Ikavec Engenharia e Arquitetura Ltda.”, com sede na Praça da Sé em São Paulo. É datado de 1941, embora não tenha sido encontrado, exceto por uma referência no Diário Oficial da época (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 21/02/1940). Outro indício do controle de gastos durante a obra pode ser observado nas anotações manuscritas, solicitando redução de custos durante a obra do alojamento

4.9.3 Casas da família Bata

As casas da família Bata localizavam-se no alto da colina, à esquerda da vila operária, quando avistada da rodovia, separadas por um córrego; delas, por sua vez avistava-se toda o conjunto. A área residencial da família Bata não pertencia à SAPACO, como a maior parte das terras adquiridas por Jan Antonin Bata. Era formada por três residências, a casa de Jan Tomás Bata, filho de Jan Antonin, na parte mais baixa da gleba, seguida de uma residência auxiliar, provável casa de um administrador38, e por fim de Jan Antonin Bata.

A casa de Jan Tomás Bata era térrea, com cobertura em quatro panos de telhado e beirais. Era feita com tijolos e revestida com argamassa externamente, na mesma textura utilizada em parte das casas operárias e outros edifícios como o cinema.

As dependências internas eram forradas com lambris de madeira nas áreas sociais e íntimas e estuque nos ambientes úmidos, como banheiro e cozinha.

Imagem173: Casa de Jan Tomas Bata. s.d.

Fonte: Piracaia tem Histórias. Disponível em:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1273365796012916&set=a.1251451451537684.10737418 56.100000185243512&type=3&theater

Imagem174: Detalhe alvenaria e revestimento externo da casa de Jan Tomás Bata

Fonte: a autora, 2009

Imagem175: Detalhe do fogão à lenha, da porta de entrada e dacozinha planejada na casa Jan Tomás Bata

Os tipos das esquadrias seguiam o mesmo critério adotado nas habitações operárias, mesclando-se entre venezianas e guilhotinas em madeira na sala, dormitórios com aberturas de dimensões mais generosas, transmitindo muita luminosidade e ventilação aos ambientes. Na cozinha, apenas guilhotinas sem veneziana; nas demais dependências com menor permanência, como banheiros e depósitos, utilizaram-se basculantes em ferro e vidro.

Conectado à cozinha e dividindo espaço com a área de serviço fechada, havia um espaço destinado ao fogão de lenha, revestido com cerâmica branca tipo 15x15cm (ver imagem 175).

Imagem176: Casa de Jan Antonin Bata. s.d.

Fonte: Arquivo antiga fábrica em Batatuba

Imagem177: Casa de Jan Antonin Bata em Zlìn à esquerda e Batatuba à direita. s.d.

A casa de Jan Antonin Bata foi o único exemplar no complexo que representava mais claramente a arquitetura moderna. Um sobrado imponente, com quatro águas e varandas no segundo piso para leste, com vista para a mata; para oeste, havia visibilidade de toda a vila de Batatuba. Costa (2011) apontou para a semelhança entre a casa de Jan Antonin Bata executada em Batatuba (ver imagem 176) e a de Zlìn (ver imagem 177).

Imagem178: Exemplo Casa burguesa no país. Eduardo Kneese de Mello. 1939

Fonte: Acrópole, abril de1939. Imagem179: Detalhe mezanino e piso

Observou-se uma semelhança na volumetria entre as casas, inclusive nos terraços no primeiro pavimento, além de desenhos e de proporções similares nas esquadrias. Na casa em Batatuba, as venezianas retráteis diferem das demais do complexo arquitetônico presente na vila e assemelham-se às esquadrias utilizadas pela classe mais favorecida do país. Modelos similares foram construídos no período nas grandes cidades brasileiras (ver imagem 178), principalmente no Sudeste (ACRÓPOLE, 1939).

A casa de Jan Antonin Bata, apresentava uma sofisticação construtiva que incluía um elevador individual, de acesso a três pavimentos. A casa possuía um quarto piso, o sótão, local mais restrito, com entrada por uma escada íngreme e estreita, caracol em madeira, localizada atrás de uma porta, caracterizando um local bastante reservado sob o telhado. Da sala de estar, observava-se o mezanino (ver imagem 179) e a lareira com o brasão da família, como anteriormente mencionado.

As diferenças estão também nos materiais de acabamento, como piso em tacos de madeira nas salas, dormitórios, pastilhas cerâmicas sextavadas no piso da cozinha e área de serviço, ladrilhos hidráulicos nas áreas externas (ver imagem 180), e granilite nos banheiros e algumas soleiras. Todas as dependências molhadas, cozinha, banhos e serviço, foram revestidas com cerâmica branca 15x15cm, aplicada no modelo amarração, ou seja, assentado de maneira intercalado, até a altura de meia parede.

Outros aspectos que mostram a contemporaneidade desta obra estão representados na existência de suítes no piso superior, com dimensões confortáveis e completos, e todos com banheira. Os dormitórios, também estavam equipados com armários embutidos e, cozinha e área de serviço com móveis planejados.

Devido à ausência do projeto original e à recente venda dessa propriedade, a qual estava em nome da família Bata e não da Massa Falida da SAPACO, fato que permitiu essa transação, não foi possível o levantamento interno da residência durante a elaboração deste trabalho, ficando o mesmo restrito às imagens realizadas em 2009, fato que se estende às três casas desse conjunto isolado da vila operária.

A casa entre as duas citadas anteriormente era de caráter mais simples, mas nem por isso menos interessante que as suas vizinhas. Uma planta funcional, provida com armários planejados, assim como as já citadas. Uma ampla abertura integrava o interior da casa a uma varanda, com dimensões compatíveis à entrada de

veículo (ver Imagem 181 e 182). As esquadrias seguiam o mesmo modelo das aplicadas nas moradias operárias, mas com dimensões diferenciadas.

Outro elemento comum entre as edificações, observado na imagem supracitada, foi a barra na alvenaria, feita com pedras, técnica também realizada na casa de Jan Antonin Bata, nessa, uma faixa mais alta.

Imagem180: Ladrilhos hidráulicos da casa de Jan Antonin Bata

Fonte: a autora, 2009

Imagem181: Casa do administrador Bata

Fonte: a autora, 2009

Imagem 182 – Vistas da moradia auxiliar na propriedade de Jan Antonin Bata: externas e sala de entrada

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