Alcácer do Sal
Igreja de Nossa Senhora dos Mártires
- O altar das ombreiras da parte do Evangelho no corpo da igreja é da invocação de Santa Ana de alvenaria muito desbaratada (1513)382.
Aldeia Galega
Ermida de São Jorge
- Junto da porta lateral, da parte Norte, um altar da invocação a Santa Ana com uma
imagem de São Pedro; e outra imagem de Santa Ana (1512)383.
Alhos Vedros
Igreja de São Lourenço – Matriz
- O altar da parte Norte nas ombreiras é da invocação de Santa Ana; sobre ele uma imagem de Santa Ana, de vulto, velha (1523)384.
Alvalade Ermida de Santa Maria do Roxo
- Um dos altares das ombreiras é da invocação de Santa Ana (1510)385.
Faro
Igreja de Santa Maria – Matriz
- Na ombreira da capela-mor, do lado Sul, a capela de Santa Ana onde agora está a
Misericórdia; é de abóbada com seu altar de alvenaria forrado de azulejos; sobre ele uma imagem de Santa Ana, de pedra (1518)386.
- Uma capela do lado Sul, da invocação de Santa Ana; o altar é forrado a azulejos; sobe-se a ele por dois degraus; o arco é de alvenaria de ponto de boa altura e largura; a Sul uma fresta, sem encerado nem vidraça; uma sepultura sobre três leões de pedra e pintado um homem de vulto armado, de Jerónimo Fernandes da Costa (1554)387. - A capela de Santa Ana, no corpo da igreja, foi instituída por João Fernandes Garganta que nela está sepultado (1565)388.
Grândola Ermida de Nossa Senhora dos Bairros
- Um dos altares das ombreiras é da invocação de Santa Ana (1513)389.
Santos Igreja do Mosteiro
- A capela do lado Norte, defronte à porta, é da invocação de Santa Ana; é forrada de olivel de castanho e ladrilhada por baixo como o corpo da igreja (1513)390.
Tavira Ermida de Santa Ana
- Tem dois altares, um da parte do Evangelho, da invocação de Santa Ana, de pedra e barro, com uma imagem de vulto da dita santa; outro do lado da Epístola, de pedra e barro, com uma imagem de Santa Ana, de vulto (1513)391.
B.6. Invocação a São João Baptista.
O Baptista estabelece na História Sacra a ponte entre o Antigo e o Novo Testamento. Ele é o filho de Isabel, aquele que se alegrou ainda no ventre ante a
382 AN/TT, Ordem de Santiago / Convento de Palmela, Códice nº 154, Visitação da Vila de Alcácer do
Sal, fol. 29r-32v. Ver APÊNDICE DOCUMENTAL, nº 1, pp. 31-35.
383 DIAS, ob. cit., vol. I, pp. 78-80. 384
LEAL, Ana de Sousa e PIRES, Fernando, 1994 – Alhos Vedros nas Visitações da Ordem de Santiago
(Visitação de 1523). Alhos Vedros: Comissão Organizadora das Comemorações do 480º Aniversário do
Foral de Alhos Vedros, pp.10-23. 385 SANTOS, ob. cit., p. 9-11.
386 CORREA e VIEGAS, ob. cit., pp. 106-148. 387
LAMEIRA e SANTOS, ob. cit., pp. 45-53. 388 MARTINS e CABANITA, ob. cit., pp. 193-200. 389 SILVA, ob. cit., pp. 88-95.
390
MATA, Joel da Silva Ferreira – Visitação de Santos, (no prelo).
presença de Maria grávida de Jesus seu primo, o santo Percursor que expressamente se declara indigno de desatar-lhe as correias das sandálias392. Não obstante, Jesus insiste com João para que este o baptize: (…) «Convém que cumpramos assim toda a justiça» (…)393
, quer dizer, que tudo se faça no sentido de precipitar a manifestação teofânica da Trindade, Jesus, saído das águas do Jordão, o Espírito pairando nos ares sobre ele, a voz do Pai a ressoar nas alturas que declara «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus
todo o meu agrado.»394
Dada a inexistência, em qualquer um dos Evangelhos, de uma descrição precisa do Baptismo, a cena tem vindo a ser representada na Arte Cristã com base na liturgia sacramental de cada época, sendo de distinguir duas soluções diferenciadas de o fazer, que correspondem às fórmulas diferenciadas do Baptismo por imersão ou por infusão. Deste modo, sublinha RÉAU395, entre os séculos VI e XII no domínio da arte bizantina e bizantinizante prevaleceu o modelo do Cristo representado nu, imerso nas águas do Jordão, de que os mosaicos das cúpulas dos Baptistérios dos Ortodoxos (séc. V) e dos Arianos (séc. VI), ambos em Ravena, constituem os melhores exemplos396. No decurso do século XII, porém, com a crescente substituição do Baptismo de imersão pelo Baptismo de aspersão ou infusão – cuja introdução, considerando a necessidade de disponibilizar o Sacramento aos enfermos e às crianças, é anterior – a representação da cena do Jordão altera-se. O Cristo mergulhado nas águas correntes dos mosaicos e frescos paleocristãos e bizantinos dá lugar a um Cristo com a água pelos joelhos – por vezes, apenas, até aos calcanhares397 – sobre cuja fronte o Baptista derrama a água purificadora. 392 Mc 1, 7. 393 Mt 3, 13. 394 Mt 3, 17. 395
RÉAU, ob. cit., p. 309.
396 Por vezes, acrescenta RÉAU, ob. cit., p. 309, em vez de aparecer imerso nas águas correntes do Jordão como era suposto – para ser eficaz, entendia-se primitivamente, o Baptismo devia ser ministrado nas águas correntes de um rio – Jesus é baptizado numa cuba, reflexo, influência, por certo, da liturgia. 397 Deixando, por isso, de ser representado nu. No entanto, este processo de substituição do Cristo nu, imerso nas águas do Jordão, por um Cristo que se limita a molhar os joelhos – e que por isso tem de aparecer vestido – não se verificou sem resistências, sendo de assinalar que em pleno século XIV Giotto continua a representar a cena como antes, com o Senhor nu, imerso na corrente do rio. É o que se verifica na Cappella degli Scrovegni onde, apesar do que acaba de ser dito, é de ressalvar um pormenor: imerso nas águas do rio até à altura do diafragma, João baptiza Cristo por infusão (1303-1305).
COMENDAS Quadro XIII