Albufeira
Igreja de Nossa Senhora da Conceição Ermida de Nossa Senhora de Paderne (no castelo)
Igreja de Nossa Senhora de Paderne Ermida de Nossa Senhora da Orada
Ermida de São Sebastião
Alcácer do Sal
Igreja de Santa Maria / Nossa Senhora em 1552 Ermida de Nossa Senhora da Consolação / paroquial em 1560
Capela de Nossa Senhora da Porta do Ferro Ermida de Santiago (que está no castelo da vila)
Ermida de São Vicente
Ermida de São João (que está no cabo da vila) Ermida de São Sebastião
Ermida de São Lázaro Capela de Santa Ana
Ermida de São Martinho do Forno do Vidro Ermida de Santa Susana
Ermida de São Brás Ermida de Santa Catarina
Ermida de São Romão Hospital do Espírito Santo Igreja de Nossa Senhora dos Mártires
Ermida / Capela de São Pedro que está o adro de Santa Maria dos Mártires Ermida de São Roque
Ermida de São Miguel
Ermida de Nossa Senhora do Monte, capela curada, a 2 léguas da vila pelo rio acima à mão direita na quinta do Vaso do Viso (1552)
Ermida de Santiago, no limite de Porches, reguengo de D. João de Castelo Branco, comendador de Aljezur, a 2 léguas de Alcácer pelo rio acima à mão direita (1552) Ermida curada de São Mamede, situada na ribeira de Çadam pelo rio acima 5 léguas
da vila, nas Parreiras (1552)
Ermida de Santa Luzia, situada além do rio onde chamam A dos Algarvios (1552) Ermida de Nossa Senhora dos Reis, capela curada, na quintã de Agrão (1552)
182 Sobre o conceito de ermida e a sua ligação a uma religiosidade em que por vezes o popular se impõe ao institucional e organizdo, veja-se ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, 1984 – Religiosidade
Alcaria Ruiva
Igreja de Nossa Senhora (Nossa Senhora dos Remédios em 1565) Hospital do Espírito Santo
Ermida de São Pedro de Soeiros
Alcoutim
Igreja do Salvador
Ermida de Nossa Senhora da Conceição Ermida do Espírito Santo na Aldeia do Pereiro
Ermida de São Sebastião
Ermida de São Martinho (Corte das Pereiras) Ermida de Santa Marta
Igreja da freguesia de São Domingos
Aldeia Galega
Igreja do Espírito Santo Hospital da Vila Ermida de São Sebastião Ermida de Santiago da Póvoa Ermida de Nossa Senhora da Atalaia
Ermida de São Jorge de Sarilhos, o Grande (Santa Maria de Sabona) Ermida de Santo António, situada na quinta de Duarte Rodrigues
Alhos Vedros
Igreja de São Lourenço de Alhos Vedros Ermida de Nossa Senhora da Vitória
Hospital do Santo Espírito Ermida de São Sebastião da Mouta Igreja de Santa Margarida do Lavradio
Aljezur
Igreja de Nossa Senhora de Alva
Hospital de Santo Espírito (Igreja do Espírito Santo)
Ermida e Nossa Senhora da Piedade da Ribeira de Odeceixe Ermida de São Pedro
Ermida de São Sebastião Ermida de Santa Susana
Aljustrel
Igreja de São Salvador Hospital do Santo Espírito
Ermida de Nossa Senhora do Castelo da Vila Ermida de São Pedro
Ermida de São Sebastião Ermida de São Bartolomeu
Ermida de São João
Almada
Igreja de Santa Maria do Castelo Igreja de Santiago Ermida de Santo Espírito Ermida de Santa Maria do Monte Ermida de Nossa Senhora da Rosa
Ermida de Santa Maria da Amora Capela de Nossa Senhora da Palma (Cacilhas)
Ermida de São Lázaro (Cacilhas)
Alvalade
Igreja de Santa Maria Hospital do Santo Espírito
Ermida de São Pedro Ermida de Santa Maria do Roxo
Ermida de São Roque Ermida de São Sebastião
Barreiro
Igreja de Santa Cruz Hospital do Espírito Santo
Cacela
Igreja de Nossa Senhora (da Assunção, de acordo com a Visitação de 1565) Ermida de Nossa Senhora dos Mártires
Casével Igreja de São João
Ermida de São Sebastião Igreja de Santiago
Castro Marim Ermida de Nossa Senhora da Visitação (aldeia de Odeleite) Capela do Santo Espírito
Capela de São Sebastião
Coina Igreja do Salvador
Ermida de São Sebastião Hospital do Espírito Santo
Faro
Igreja de Santa Maria Ermida de São Sebastião da Vila Ermida de Santa Maria Madalena
Ermida de Santa Bárbara Ermida de Santo António da Atalaia
Ermida de São Cristóvão Ermida de São Pedro
Ermida de Nossa Senhora da Esperança Ermida de Nossa Senhora de Entre-Ambas-as-Águas
Ermida de São João da Venda Ermida de São Brás de Alportel Ermida de Nossa Senhora da Conceição
Ermida de São Bartolomeu do Pexão Ermida de São Martinho de Estoi
Hospital da Aldeia de Estoi Ermida de São Sebastião de Quelfes
Igreja do Espírito Santo
Ferreira
Igreja de Santa Maria Hospital de Santo Espírito
Ermida de São Sebastião Ermida de São Vicente Ermida de São Sebastião (Figueira)
Grândola
Igreja de Santa Maria da Bendada Ermida de São Domingos Ermida de Nossa Senhora de Barros
Ermida de Santa Margarida Ermida de Santa Maria do Viso
Ermida de São Lourenço
Loulé
Igreja de São Clemente Ermida de Santa Catarina Ermida de São Sebastião do reballde
Capela curada de Nossa Senhora da Querença (Nossa Senhora da Assunção em 1518)
Capela curada de São Sebastião de Salir
Capela curada de Nossa Senhora da Assunção de Alte (1565) (Nossa Senhora da Conceição em 1518)
Ermida de Nossa Senhora da Piedade Ermida de Santa Catarina dos Gorgões
Ermida de São Domingos Ermida de Santana na estrada
Ermida de São Lourenço
Ermida de Nossa Senhora de Ferobilhas de Armação Capela curada de São Sebastião de Boliqueime
Martim Longo
Igreja de Nossa Senhora da Conceição Ermida de Santo Estêvão (Vale do Cachopo)
Ermida de São Domingos de Giões (limite da aldeia de Martim Longo) Ermida de São Sebastião
Ermida de Santa Justa
Capela de São Pedro (aldeia de Vaqueiros) Capela de Nossa Senhora da Assunção (Aldeia de Giões)
Ermida de Nossa Senhora de Clarines Ermida de Nossa Senhora das Relíquias
Mértola
Igreja de Santa Maria (Nossa Senhora de Entre Ambas as Águas) Ermida de Santiago
Ermida de São Pedro dos Solas Ermida de São Bartolomeu
Ermida de Nossa Senhora da Mesquita / Santa Maria das Flores Ermida do Santo Espírito (Crespos)
Capela de São Pedro, a de Soeiro Mendes Ermida de São João dos Marques Ermida de Santa Ana de Cambas Ermida de São Domingos de Cambas Ermida de Santa Ana (paróquia S. Miguel)
Ermida de Santo André (Solas) Ermida de São Miguel – 3 naves
Igreja do Hospital (de Nossa Senhora de acordo com a Visitação de 1515); passa depois ao Espírito Santo;
Ermida de São Sebastião Ermida de São Brás
Ermida de São Simão e São Judas (Corte do Pinto) Ermida de Nossa Senhora da Conceição (Corte do Pinto)
Ermida de Santa Luzia (Corte do Pinto) Ermida de São Salvador (Corte de Sines)
Ermida de Santiago do Castelo Ermida de São Sebastião (Diogo Vaz) Ermida de São Lourenço na ribeira de Terges
Ermida de São Barão Ermida de São Brissos
Palmela
Igreja de Santa Maria Igreja de São Pedro
Hospital de São Brás e Santa Susana Ermida de São Sebastião
Ermida de Santa Ana Ermida de São Luís Ermida de São Brás Ermida de São Romão
Ermida de São Gião Hospital do Santo Espírito
Panóias
Igreja de São Pedro Hospital do Espírito Santo
Ermida de São Sebastião Ermida de São Romão
Ermida de São João
Santos Igreja do Mosteiro
Sesimbra
Igreja de Santa Maria da Consolação Hospital do Santo Espírito (Ribeira da Vila)
Hospital do Santo Espírito Ermida de Santa Ana Ermida de São Sebastião Ermida de Santa Maria do Carmo Ermida de Nossa Senhora do Cabo Ermida de São Lourenço de Azeitão
Ermida de São Simão (Azeitão) Ermida de São Pedro (Azeitão)
Setúbal
Igreja de Santa Maria Hospital do Corpo Santo Hospital do Santo Espírito
Ermida de Santa Catarina Ermida de São João Ermida de São Sebastião
Ermida de Nossa Senhora de Tróia Ermida de Nossa Senhora da Graça
Igreja de São Julião
Ermida de Nossa Senhora (Misericórdia) Ermida da Anunciada
Sines
Igreja de São Salvador Ermida de Nossa Senhora das Salas
Ermida de São Pedro Ermida de São Geraldo
Tavira
Igreja de Santa Maria (Nossa Senhora da Assunção em 1554) Ermida de São Domingos de Asseca
Ermida de Santa Ana Ermida de São Brás Ermida de São Lázaro
Ermida de Nossa Senhora da Conceição da Gomeira Igreja do Espírito Santo e Hospital de Tavira
Casa do Corpo Santo dos Mareantes
Torrão
Igreja de Santa Maria Capela do Santo Espírito
Ermida de Nossa Senhora (onde estava o hospital) Ermida de São Sebastião
Ermida de São João
Ermida de São Fausto (freguesia Stª Maria) Ermida de São Roque
Ermida de Santa Margarida (freguesia de Stª Maria) Ermida de Santo Estêvão
Ermida de Santiago (sobre a ribeira de Odivelas)
Santo António de Arenilha
Igreja da Trindade Ermida de Santo António
TOTAL 229
Quadro I – Templos e hospitais referenciados nas Visitações às comendas espatárias publicadas.
Do exposto resulta que, das trinta e duas comendas espatárias identificadas, entre igrejas matrizes, ermidas, capelas, e espaços hospitalares, foi possível arrolar duzentas e vinte e duas estruturas, cada uma subordinada à respectiva invocação.
Relativamente às matrizes, a devoção mais frequente é claramente a da Virgem: das trinta e duas igrejas consideradas, dezoito enquadram-se numa das várias designações marianas, o que perfazendo mais de metade dos edifícios referenciados se encontra em linha com os dados obtidos pelo Padre Avelino de Jesus de COSTA183 para o ano de 1374, em que se verifica uma predominância de 42,35% de paróquias ligadas a esta invocação, percentagem que atinge os 54,87% e 54,44% nos distritos de Faro e Portalegre, respectivamente. No que respeita à designação por que os templos aparecem referidos nas fontes, esta distribui-se da seguinte forma:
- «Igreja de Santa Maria». É de longe a situação mais frequente, verificada em onze templos. Adicionalmente pode suceder que a esta designação se acrescente uma
183
COSTA, Avelino Jesus, 1957 – “A Virgem Maria Padroeira de Portugal na Idade Média”. In Lusitânia
referência ao lugar onde o templo se encontra implantado, como em Alcácer do Sal e Almada em que as duas igrejas de Santa Maria o são do Castelo184, ou Mértola que por causa do enquadramento da vila, encaixada num esporão entre o Guadiana e a ribeira de Oeiras, o é de Entre Ambas as Águas185. Paralelamente verificam-se situações em que o curso do tempo conduziu a mudanças na designação dos templos. É o caso da Matriz de Tavira onde, pela Visitação de 1554, se percebe que em vez do seu antigo nome, teologicamente mais simples de Igreja de Santa Maria, se impôs a designação simbólica e teologicamente mais carregada de significado de Igreja de Nossa Senhora da Assunção186.
- «Igreja de Nossa Senhora». Com esta designação, encontram-se referenciadas sete igrejas. Como na situação anterior, a referência «Nossa Senhora» pode ser complementada por elementos identificadores de natureza variada que podem ser de carácter teológico, como em Albufeira187 e Martim Longo188, cujas igrejas de Nossa Senhora o são também da Conceição, ou Cacela, dedicada à Ascensão189, a atributos próprios da Virgem particularmente valorizados em comunidades piscatórias como Odeceixe – Senhora da Piedade190 – ou Sesimbra – Senhora da Consolação191, ou simplesmente relacionados com o local ou ponto onde o edifício se encontrava implantado como em Aljezur, cujo templo é de invocação de Nossa Senhora de Alva192.
De qualquer modo, Igreja ou Ermida de Santa Maria, Igreja ou Ermida de Nossa Senhora, a entidade reverenciada não é outra senão a Virgem; a atesta-lo, e existência de templos que em determinada época são chamados pelo nome da Mãe do Salvador (Santa Maria) e que alguns anos mais tarde o são já de Nossa Senhora. Um bom
184 PINTO, Rui, 2001 – “As Visitações da Ordem de Santiago em Almada… pp. 173-181.
185 BARROS, Maria de Fátima Rombouts de; BOIÇA, Joaquim Ferreira e GABRIEL, Celeste, 1996 – As
Comendas de Mértola e Alcaria Ruiva… pp. 37-50.
186
CAVACO, Hugo, 1987 – “Visitações” da Ordem de Santiago…, pp. 61-68, 88-92 e 100-101; CORREA, Fernando Calapez e VIEGAS, António, 1996a – Visitação da Ordem de Santiago…, pp. 178- 196 e 204-213; LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, Helena Rodrigues – Visitação das Igrejas
Algarvias…, pp., 75-83.
187 LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, Helena Rodrigues – Visitação da Igrejas Algarvias…, pp. 19- 23.
188 CAVACO, Hugo, 1987 – “Visitações” da Ordem de Santiago…, pp. 56-59; CORREA, Fernando Calapez e VIEGAS, António, 1996a – Visitação da Ordem de Santiago…, pp. 244-247.
189 CAVACO, Hugo, 1987 – “Visitações” da Ordem de Santiago…, pp. 18-28; CORREA, Fernando Calapez e VIEGAS, António, 1996a – Visitação da Ordem de Santiago…, pp. 213-219 e 220-222. 190 CORREA, Fernando Calapez e VIEGAS, António, 1996a – Visitação da Ordem de Santiago…, pp. 43-56; LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, M. Helena Rodrigues, 1988 – Visitação de Igrejas
Algarvias…, pp. 16-19; MARTINS, Luísa Fernanda Guerreiro e CABANITA, Padre João Coelho, 2001-
2002 – “Visitação das igrejas dos concelhos de Faro…”, pp. 263-264. 191 MATA, Joel Silva Ferreira – Visitação de Sesimbra…
192
CORREA, Fernando Calapez e VIEGAS, António, 1996a – Visitação da Ordem de Santiago…, pp. 26-43.
exemplo do que acabamos de referir é a própria Matriz de Alcácer do Sal, que as visitações de 1512/13 e 1534 designam pelo nome de Santa Maria mas que em 1552 é já referida por Igreja de Nossa Senhora193.
Além das dedicações de carácter Mariano merecem também destaque as referências de natureza cristológica, como a invocação ao Salvador, verificada nas matrizes de Aljustrel194, Coina195 e Sines196 (Igreja do Salvador ou de São Salvador), ou então à Cruz, como acontece no Barreiro (Igreja de Santa Cruz)197. Apesar de não se tratar de um templo matricial, é de assinalar igualmente a existência de uma ermida dedicada a São Salvador na Corte de Sines, território de Mértola198.
No domínio, ainda, da referência às Pessoas da Trindade – quando não à Trindade propriamente dita, invocada na matriz da vila de Santo António de Arenilha (Igreja da Trindade)199 –, pela difusão que apresenta, pela sua importância e valor simbólico, o culto ao Espírito Santo merece particular destaque. Uma localidade – Aldeia Galega do Ribatejo200 – dedicou-Lhe a sua matriz, duas outras consagraram-Lhe igrejas – Faro201 e Mértola202 –, Almada203 e Mértola204 duas ermidas e uma ainda – Castro Marim205 –, uma capela.
O que confere, no entanto, uma dimensão notável a esta devoção são as quase duas dezenas de hospitais referenciados, a maioria dos quais se encontrava confiada à Sua protecção, como se constata pela análise do Quadro II. Com efeito, das trinta e duas comendas espatárias consideradas, quase metade apresenta pelo menos uma instalação
193 AN/TT, Ordem de Santiago / Convento de Palmela, Códice nº 154, Visitação de 1512-1513 da Vila de
Alcácer do Sal, fol. 2r-11r, in APÊNDICE DOCUMENTAL, nº 1, pp. 8-17; Visitação de 1534 da Vila de Alcácer do Sal, igualmente no Códice 154, fol. 120r-128r, in APÊNDICE nº 12, pp. 127-135; noutro
sentido, vide AN/TT, Ordem de Santiago / Convento de Palmela, Códice nº 194, Visitação de 1552 da
Vila de Alcácer do Sal, fol. 3r-27v, in APÊNDICE DOCUMENTAL, nº 13, pp. 172-190.
194 SANTOS, Vítor Pavão dos, 1969 – Visitações de Alvalade…, pp. 53-58 e 63-64. 195
MATA, Joel Silva Ferreira, 2002 – As visitações como fontes de estudo…, pp. 127-133. 196
REBELO, Jacinto Inácio Brito, 1898 – Navegadores e Exploradores Portugueses…, pp. 158-163. 197 SEABRA, Maria Teresa da Silva Diaz de, 2004 – “Transcrição correcta…”, pp. 95-100.
198 BARROS, Maria de Fátima Rombouts de; BOIÇA, Joaquim Ferreira e GABRIEL, Celeste, 1996 – As
Comendas de Mértola e Alcaria Ruiva… p. 371.
199 LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, M. Helena Rodrigues, 1988 – Visitação de Igrejas
Algarvias…, pp. 107-108; CAVACO, Hugo, 1987 – “Visitações” da Ordem de Santiago… p. 246.
200 DIAS, Mário Balseiro, 2005-2006 – Visitações e Provimentos da Ordem de Sant’Iago…, vol. I, pp. 9- 11.
201 LAMEIRA, Francisco I. C.; SANTOS, M. Helena Rodrigues, 1988 – Visitação de Igrejas
Algarvias…, pp. 68-69.
202 A leitura da Visitação de Mértola de 1565 (BARROS e BOIÇA, 1996 – As Comendas de Mértola e
Alcaria Ruiva…, pp. 264, 267-279 e 322-323) sugere que a igreja do hospital, inicialmente consagrada à
Virgem, acabou por ser dedicada ao Espírito Santo.
203 PINTO, Rui – “As Visitações da Ordem de Santiago em Almada…”, pp. 181-182.
204 BARROS, Maria de Fátima Rombouts de; BOIÇA, Joaquim Ferreira e GABRIEL, Celeste, 1996 – As
Comendas de Mértola e Alcaria Ruiva…, pp. 90-93.
deste tipo – Palmela, Sesimbra e Tavira tinham duas –, destinadas a acolher peregrinos e viajantes, mendigos, doentes e moribundos. Foi referenciado, portanto, um total de dezanove casas, quinze ligadas à invocação do Espírito Santo, uma à de Nossa Senhora, em Mértola – que no decurso dos anos que medeiam entre 1515 a 1534 vê o seu culto transferir-se para o Paráclito, como atrás se disse – outra aos mártires Brás e Susana, em Palmela206, e duas ao Corpo Santo dos Mareantes, respectivamente em Setúbal e Tavira207.
206 São Brás (do grego Βλάσιος), bispo de Sebaste, na Arménia, foi executado em 316 sob Licínio por recusar abjurar. A fama que granjeou enquanto médico explica o facto de o seu nome se encontrar ligado a uma instituição de natureza assistencial. Das curas que lhe são atribuídas a mais emblemática – que explica a sua invocação contra aos males da garganta – é a do menino que agonizava por causa de uma espinha de peixe que tinha na garganta: aflita, a mãe correu ao seu encontro e implorou-lhe ajuda. São Brás pôs as mãos sobre a cabeça da criança e rezou; a espinha desapareceu e o menino recuperou a saúde. O seu nome comemora-se a 3 de Fevereiro. In ATTWATER, Donald, 1983 – Dicionário de Santos. Mem-Martins, Publicações Europa-América, p. 77 (ver Blaise). Veja-se igualmente RÉAU, Louis, 1997 –
Iconografia del arte cristiano. Iconografia de los santos. De la A a la F. Barcelona: Ediciones del Serbal,
pp. 229-235. Quanto a Santa Susana, martirizada cerca de 295, os dados são mais escassos. A tradição diz que era sobrinha do Bispo de Roma, Caio (283-296), e que por ter feito voto de castidade recusou o casamento com uma importante personagem, o que terá precipitado a sua perda. O seu nome aparece frequentemente ligado ao do mártir Tibúrcio mas tirando o facto de os martirológios os comemorarem no mesmo dia (11 de Agosto), desconhece-se a causa. In ATTWATER, Donald, 1983 – Dicionário de
Santos. Mem-Martins, Publicações Europa-América, p. 373. Veja-se também RÉAU, Louis, 1998 – Iconografia del arte cristiano. Iconografia de los santos. De la P a la Z - Repertorios. Barcelona:
Ediciones del Serbal, p. 241.
207 Corpo Santo dos Mareantes. Devoção muito arreigada entre os homens do mar e suas comunidades. A origem do culto está ligada ao fenómeno atmosférico correntemente designado por Fogo de São Telmo, que consiste numa descarga eléctrica de cor branca azulada provocada pela ionização do ar na presença de um forte campo eléctrico, que por vezes se observa nos mastros e antenas das embarcações, durante as tempestades. Os marinheiros portugueses chamavam-lhe Luzes do Corpo Santo e associavam-no à manifestação benfazeja de S. Pêro Gonçalves Telmo (c. 1180-1246) que a devoção popular confundiu com Santo Erasmo ou Sant’Elmo, também venerado pelos navegantes, razão pela qual recebeu o sobrenome Telmo. É representado envergando o hábito dominicano, por vezes no meio do mar, no meio de uma tempestade, ostentando na mão uma chama ou um círio azul que representa o Corpo Santo. A
História Trágico-Marítima dá testemunho desta devoção no relato do naufrágio da nau «Santa Maria da
Barca», ocorrido em 1559: (…) Têm todos os homens do mar tamanha devoção e veneração ao bem-
aventurado S. Frei Pêro Gonçalves, e o têm por tão seu advogado nas tormentas do mar, que crêem de todo o seu coração que aquelas exalações, que nos tempos fortuitos e tormentosos aparecem sobre os mastros ou em outras partes das naus, são o Santo que os vem visitar e consolar. E tanto que acertam de ver aquela exalação, acodem todos ao convés a o salvar, com grandes gritos e alaridos, dizendo: «Salva, salva, oh Corpo Santo.» (…). In BRITO, Bernardo Gomes de, 1735 – História Trágico-Marítima. Mem
Martins: Edições Europa-América, vol. I, p. 151. Também no relato do naufrágio da nau «São Paulo», ocorrido em 1561, na Ilha de Sumatra, pode ler-se à p. 207 que (…) no meio desta agonia e aflição nos
apareceram umas candeinhas, que todas foram vistas pelas vergas e mastros e bordos da nau, ao que segundo os mareantes, chamam o Corpo Santo; a qual claridade vendo o contramestre e marinheiros da proa, a começaram a salvar da parte de Deus e Nossa Senhora e seus Santos, em vozes mui altas, a que a gente toda à uma respondia com grandes gemidos, soluços e lágrimas alcançasse perdão de seus pecados e os livrasse de tamanha tribulação (…).