3 RELAÇÃO DE EMPREGO
3.3 Empregado e empregador
3.3.1 Empregado
3.3.1.1 Altos empregados
3.3.1.1.1 Ocupantes de cargos ou funções de confiança
Os empregados ocupantes de cargos ou funções de confiança são regidos pelo art. 62, II e parágrafo único da CLT, in verbis:
Art. 62 - Não são abrangidos pelo regime previsto neste capítulo: (…)
II - os gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gestão, aos quais se equiparam, para efeito do disposto neste artigo, os diretores e chefes de departamento ou filial.
Parágrafo único - O regime previsto neste capítulo será aplicável aos empregados mencionados no inciso II deste artigo, quando o salário do cargo de confiança, compreendendo a gratificação de função, se houver, for inferior ao valor do respectivo salário efetivo acrescido de 40% (quarenta por cento)122. (BRASIL, 1943).
Logo, empregado que exerce cargo ou função de confiança é aquele que possui atribuições de gestão, mando, fiscalização e punição, normalmente, sem limites, de forma autônoma, substituindo o próprio empregador e recebe 40% a mais do valor do salário percebido na função ou cargo efetivo. São caracterizados como altos empregados por se confundirem com o próprio empregador. Um único ato desses empregados poderá colocar em risco a atividade fim do empregador e sua
120 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 5. ed. São Paulo: LTr Editora, 2006, p. 347.
121 Ibidem, p. 348.
122 BRASIL. Decreto-lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Diário Oficial, Brasília, 1 mai. 1943. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm> Acesso em: 10 set. 2016.
existência. Esses empregados estão excluídos de qualquer limite de jornada, bem como de todo Capítulo II “Da Duração do Trabalho”123.
3.3.1.1.2 Ocupantes de cargos ou funções de confiança do segmento bancário
O parágrafo 2º do art. 224 da CLT estabelece que:
Art. 224 - A duração normal do trabalho dos empregados em bancos, casas bancárias e Caixa Econômica Federal será de 6 (seis) horas continuas nos dias úteis, com exceção dos sábados, perfazendo um total de 30 (trinta) horas de trabalho por semana.
(…)
§ 2º - As disposições deste artigo não se aplicam aos que exercem funções de direção, gerência, fiscalização, chefia e equivalentes, ou que desempenhem outros cargos de confiança, desde que o valor da gratificação não seja inferior a 1/3 (um terço) do salário do cargo efetivo.124 (BRASIL, 1943, grifo nosso).
A caracterização do cargo de confiança bancária é específica, não se confundindo com a caracterização tipificada no art. 62 consolidado.125
O empregado que exerce cargo ou função de confiança é aquele que possui atribuições de gestão, mando, fiscalização e punição e que perceba gratificação não inferior a 1/3 (um terço) do salário do cargo efetivo. Tem poderes restritos, com limitações ou alçadas, não importando a quantidade de afazeres de confiança, mas, sim, a intensidade desta, que é limitada. Atos desse tipo de empregado podem ocasionar enormes prejuízos, mas jamais colocam em risco a atividade fim do empregador e sua existência.126 Esses empregados estão excluídos da jornada de
seis horas e incluídos na regra geral de oito horas diárias.
3.3.1.1.3 Diretor
123 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 2. ed. Niterói: Editora Impetus, 2008, p. 314-317. 124 BRASIL. Decreto-lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Diário Oficial, Brasília, 1 mai. 1943. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm> Acesso em: 10 set. 2016.
125 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 5. ed. São Paulo: LTr Editora, 2006, p. 355.
Inicialmente, há de se distinguir o diretor, recrutado externamente à entidade empresarial com alta qualificação profissional, do empregado, alçado a diretor da mesma organização que sempre se vinculou empregaticiamente.127
O diretor possui “inquestionável soma de poderes, mando, gestão, representação, concentrando em sua pessoa o núcleo básico e central do processo decisório cotidiano da organização empresarial envolvida(...)”.128
No que tange ao empregado que é alçado a diretor da mesma organização que sempre se vinculou empregaticiamente, filia-se ao entendimento de Antero de Carvalho e Octavio Bueno Magano (1996) que sustentam que “a eleição não altera a situação jurídica do empregado que continua, como empregado, a desfrutar dos direitos inerentes a essa condição”.129 E, quanto ao diretor recrutado externamente,
deve-se verificar, no caso concreto, a existência de subordinação (se tidos como presentes os demais elementos fático-jurídicos da relação de empregado). É necessário que se comprove uma intensidade especial de ordens sobre o diretor recrutado, de modo a assimilar essa figura jurídica ao trabalhador subordinado.130
3.3.1.1.4 Sócio empregado
A figura do sócio e a do empregado podem se encontrar sintetizadas na mesma pessoa física. É o que ocorre em sociedades anônimas, sociedades limitadas ou sociedade comandita por ações.131
Todavia, em casos situados na zona grise, mostra-se necessário aferir a intensidade de afirmação de uma figura sobre a outra.132
Nesse sentido, Messias Pereira Donato (1981) assevera que: “Tudo depende da intensidade de sua participação. Perderá a qualidade de empregado no momento
127 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 5. ed. São Paulo: LTr Editora, 2006, p. 356-357.
128 Idem.
129 MAGANO, Octavio Bueno. Manual de Direito do Trabalho. v. II, 2. ed. São Paulo: Ltr, 1996, p. 117- 118.
130 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 5. ed. São Paulo: LTr Editora, 2006, p. 359.
131 BARRETO, Roberto Prado. Tratado de Direito do Trabalho. v. I, 2. ed. Sâo Paulo: Revista dos Tribunais, 1972, p. 88.
132 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 5. ed. São Paulo: LTr Editora, 2006, p. 361.
em que, pela sua interferência nos interesses da sociedade, nele sobrepujar o sócio, animado pelo affectio societatis”.133