O próximo ambiente de negócio que iremos estudar é o ambiente logístico e suas interferências no processo produtivo, visto que a logística é uma grande aliada da administração da produção. Uma logística não gerida corretamente aumenta as chances de que problemas produtivos ocorram, como a falta de matéria prima, excesso de movimentação, armazenagem incorreta e ineficiência na entrega. Isso faz com que dediquemos um espaço em nossos estudos para tratar da logística no processo produtivo.
Primeiramente, quando pensamos em logística, é comum que nos remetamos a transporte, mas ela vai muito além disso. Vamos imaginar um exemplo prático para entendermos a abrangência logística: quando se realiza uma compra pela Internet, assim que é confirmado o pagamento ou pedido, vários processos logísticos são acionados, tais como armazenamento, separação, movimentação, conferência e embalagem. Dessa forma, toda uma gestão de estoque é realizada para ocorrer a expedição e, posteriormente, o transporte e a entrega do produto requisitado pela compra na Internet, sem deixar de lado uma logística reversa.
Assim, percebe-se a abrangência da logística, que faz parte do “ponta a ponta”
do negócio da organização. Para Caxito (2014, p. 4):
A logística faz-se presente em todos os momentos, sejam eles profis-sionais ou pessoais, armazenando, transportando, distribuindo objetos, recursos, informações, suprimentos, produtos acabados, semi-acaba-dos, matérias-primas, um simples e-mail ou telefonema.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Com esse início de tópico, percebe-se o quanto a logística é importante para as empresas e até mesmo para o nosso dia a dia. Vamos, agora, trazer um con-ceito de logística para ampliar o nosso conhecimento. Em Conuncil of Logistics Management, define-se logística como o efetivo relacionado ao fluxo de armaze-nagem de matéria-prima, material em processo e produto acabado, bem como do fluxo de informações, do ponto de origem ao de consumo, com o objetivo de atender às exigências do cliente.
Laugeni e Martins (2015, p. 198) explanam que:
A antiga visão da logística concentrava-se no transporte e distribuição física. Atualmente, envolve os métodos e modelos que permitem locali-zar estruturas físicas (fábricas, depósitos, armazéns, centros de distribui-ção), gestão dos materiais e dos suprimentos e o planejamento, a progra-mação e controle da produção, além das atividades de distribuição.
Esse envolvimento da logística com os pro-cessos da administração da produção é o que mais nos interessa nesse momento. O planejamento da produção, o qual veremos com mais detalhes nas próximas unidades do nosso livro, é uma das atividades que se relaciona com a logística por meio da gestão de estoques. Dessa forma, a logís-tica fornecerá um conjunto de atividades e controles para suprir a necessidade de materiais necessários para a execução daquilo que foi planejado na produção.
Outra etapa a qual ocorre dentro da Logística e que se relaciona com os pro-cessos produtivos é o processamento de pedidos. É por meio desse processamento de pedidos que a administração da produ-ção, na etapa de planejamento, controle e produção, terá como mensurar a demanda.
Figura 2 - Gestão de estoque da logística relacionado aos processos produtivos Fonte: os autores.
Figura 3 - Processamento de pedidos da logística relacionado aos processos produtivos
Fonte: os autores.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A armazenagem, movimentação e distri-buição que ocorre dentro da logística, se geridas de forma eficiente, irão auxiliar nos processos produtivos, a fim de disponibi-lizarem o produto de forma correta, com fácil visualização e diminuição de movi-mentações excessivas.
Gestão de valor em equipe da Ford Motors
Os gerentes de compras são um elo vital entre a operação e seus fornece-dores. Eles trabalham melhor quando estão em conjunto com os gerentes de operações, os quais sabem do que a operação realmente necessita, es-pecialmente, se assumem, entre eles, o papel de questionar as suposições feitas anteriormente. Essa é a base por trás da abordagem da “gestão de valor em equipe” (Team Value Mangement - TVM). Reputa-se, o início dessa abordagem, ao gerente global de compras da Ford, David Thursifeld, quan-do descobriu que um rack projetaquan-do para o capô de um quan-dos carros peque-nos da Ford era feito de UM alumínio coberto de plástico o qual era capaz de suportar uma carga de 100 kg. Isso levantou as seguintes questões: “Por que o rack era coberto de plástico?” e “Por que alguém iria colocar 100 kg sobre o capô de um carro tão pequeno?”
Assim, David constatou que ninguém havia se questionado sobre a espe-cificação original. Quando a Ford passou a usar um rack de aço capaz de suportar menos peso, o custo caiu pela metade. “É importante checar se a empresa está conseguindo o melhor preço pelas peças e matérias-primas, e que essas ofereçam o nível de desempenho adequado sem serem muito caras”, afirmou.
Fonte: Slack, Brandon-Jones e Johnston (2013).
Figura 4 - Armazenagem, movimentação e distribuição da logística em relação aos processos produtivos
Fonte: os autores.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A LOGÍSTICA DE FORMA INTEGRADA
Para finalizarmos esse tópico, iremos tratar, agora, da logística integrada, que abrange os fornecedores dos fornecedores e os clientes dos clientes, e é, tam-bém, conhecida como Supply Chain Management (SCM). Venanzi e Silva (2013) explanam que a SCM envolve a integração dos processos de negócios por meio da cadeia de suprimentos, abrangendo a coordenação de atividades e processos não apenas dentro de uma organização isolada, mas entre todas as que com-põem a cadeia de suprimentos.
O administrador da produção não pode pensar, de forma isolada, apenas no seu negócio. Uma integração com os fornecedores e clientes minimiza muitos erros de programação da produção e gera uma melhor logística integrada entre os participantes. Para a obtenção de um melhor entendimento, iremos ilustrar, com a figura a seguir, as relações de uma logística integrada:
Fornecedor Fornecedor Fábrica/ Distribuidor Cliente Final
Montadora
Figura 5 - Logística de forma integrada Fonte: adaptado de Pires (2004).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A logística integrada visa facilitar o fluxo de informação e materiais durante toda a cadeia produtiva dos produtos, desde a sua origem até o consumo pelo cliente final. Para isso, vários elementos ocorrem dentro e fora da organização, assim como foi ilustrado na figura, por meio de uma logística de abastecimento, uma logística interna e uma logística de distribuição.
Para Laugeni e Martins (2015), a gestão da cadeia de suprimentos diz respeito às práticas de gestão que são necessárias para que todas as empresas agreguem valor ao cliente, desde a fabricação dos materiais, passando pela produção de bens e serviços, a distribuição e a entrega final. Com esse conceito, faremos uma conexão com o que estudamos no primeiro tópico, que é o ambiente da entrega de valor, com o ambiente da logística: a junção e utilização desses cuidados fará com que os processos da produção se tornem mais eficientes e eficazes, reduzindo custos e aumentando a satisfação do cliente, entregando-lhe o que tem valor.
Gemba é uma palavra de origem japonesa e que significa ir até onde as coisas acontecem. Na indústria, isso significa ir até o chão de fábrica para identificar o que está, ou não, agregando valor ao processo, para que seja descartado.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.