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Ambientes Virtuais de Aprendizagem: tipos e modelos de design

5. Satisfação subjetiva o cursista considera agradável a interatividade com o sistema e se sente subjetivamente satisfeito com ele.

1.1.9 Ambientes Virtuais de Aprendizagem: tipos e modelos de design

Pensar a interface gráfica para AVAs é disponibilizar um espaço no qual o cursista possua uma relação ergonômica entre suas atividades e a interface de hipermídia (interatividade), como entre os demais cursistas, tutores, conteúdos e ferramentas (interação). Para isso, deve-se projetar sistemas que oportunizem a reunião e o acionamento de diferentes letramentos do cursista, já que o perfil deste contempla diferentes práticas sociais quando se trata do uso de computadores e internet. Segundo Behar (2009, p.35),

as interfaces dos materiais educacionais devem estar contextualizadas coma cultura do cursista, tanto em relação aos aspectos gráficos e ergonômicos quanto a respeito da lógica aplicada à organização do conteúdo e da estrutura interativa. O aluno deve ter oportunidade de percorrer livremente o material educacional de uma maneira não linear, ou seja, conforme a lógica que estiver construindo em cada momento. O equilíbrio entre fatores técnicos, gráficos e pedagógicos apoiará a interatividade entre aluno e material educacional, assim como também a interação aluno-aluno- professor. Deve-se ultrapassar o limite do design ilustrativo, possibilitando que o aluno encontre a liberdade suficiente para vencer a pressão do pensamento meramente racional e buscar o equilíbrio entre sentir, agir e construir.

Atualmente, podemos identificar, em uso na Internet, quatro tipos de ambientes virtuais voltados para as práticas educacionais.

1) Ambientes Virtuais Complementares: utilizam a Internet como meio de informação ou complemento às atividades ministradas;

2) Ambientes Virtuais Suplementares: as atividades de sala de aula tradicional são somadas à atividades em ambientes virtuais, que podem ser o sítio virtual da escola, blogs didáticos, ambientes virtuais educativos e ambientes virtuais de aprendizagem; 3) Ambientes Virtuais Pedagógicos: sítios e portais virtuais que veiculam material

pedagógico, sugestões de aulas com o apoio do computador e Internet e integração de cronogramas;

4) Ambientes Virtuais de Aprendizagem - AVA: portais que funcionam como escolas virtuais, nos quais são ministrados cursos a distância para diversos níveis de ensino. Neles os conteúdos são ministrados por módulos, veiculados em uma ou diferentes interfaces, como ofertados e ministrados por diferentes instituições de ensino.

Grotto e Terrazzan (2006, p. 2) caracterizam os Ambientes Virtuais de Aprendizagem como

um locus de convivência e inter-relação de sujeitos com objetivos e interesses similares, que se organizam em prol da coletividade através da colaboração mediada pelos suportes telemáticos digitais (propriamente a web), bem como a apropriação da linguagem hipertextual e não-linear presente nessas relações, em que todo e qualquer signo pode ser produzido e socializado no ciberespaço, compondo, assim, um processo de comunicação em rede, próprio dos AVA.

Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem apresentam os seguintes modelos:

Ambientes Instrucionistas: ambientes similares ao modelo aula expositiva, ou seja, centradas no conteúdo, que pode ser distribuído em livros ou apostilas impressas, e no suporte, tutoriais ou formulários enviados por e-mail. A tutoria é feita por um monitor que se corresponde individualmente com cada aluno. Este ambiente possui baixa interação;

Ambientes Interativos: são ambientes participativos voltados à interação on-line nos quais a discussão e reflexão são os pontos fortes. Os materiais utilizados são construídos ao longo do curso, sendo o professor o ponto de partida para a indicação de temas, discutidos em interações entre cursista-cursista-tutor, e ao final cada aluno é incentivado a escolher o material que mais se adéqua ao seu objetivo de estudo. Em meio às atividades pode haver a participação de conferencistas para aprofundamento do conteúdo ou estudos de caso. As ferramentas de discussão utilizadas são salas de bate-papo e fóruns de discussão;

Ambiente Cooperativo: baseado na tecnologia de sistemas desenvolvida para o trabalho em grupo via rede denominada Groupware (modelagem de sistemas baseados em computador, hardware e software) o Ambiente Cooperativo são sistemas de computador, que fornecem uma interface para um ambiente compartilhado, que suporta grupos de pessoas ligadas a uma mesma atividade ou idéia. Estas compartilham o mesmo ambiente virtual para trabalhar, em um mesmo espaço temporal ou não, e utilizar os mesmos servidores de infirmação. Os ambientes cooperativos disponibilizam mecanismos de comunicação que permitem aos seus participantes ver, ouvir, e enviar mensagens. (KENSKI, 2003);

Ambiente Colaborativo: ambiente que difere do cooperativo por não atuar apenas como um auxílio para a realização de alguma tarefa ou a indicação de formas para acessar uma determinada informação. O Ambiente Colaborativo permite que seus integrantes realizem atividades de forma coletiva. Todos dependem de todos para a realização de uma atividade. Segundo Kensky (2003), essa interdependência exige aprendizados complexos de interação permanente, respeito ao pensamento alheio, superação de diferenças e busca de resultados que possam beneficiar a todos. Cada

integrante do ambiente é responsável não apenas pelo seu desenvolvimento, mas pelo de todo grupo de pessoas com quem está em conexão. Em um grupo ocorrer a complementação de capacidades, de conhecimentos e de esforços individuais, e a interação entre pessoas com entendimentos, pontos de vista e habilidades complementares.

Em relação ao design dos AVA identificamos quatro tipos distintos:

Design instrucional e didático: dedicado ao planejamento de materiais educacionais (PALLOFF, 2004; AMARAL 2007);

Design educacional: voltado a fatores pedagógicos de materiais educacionais diversos ampliando situações de aprendizado (PAAS 2001);

Design de sistemas: planejamento, programação ou reprogramação do sistema que suporta o material educacional (ROMISZOWSKI, 2005);

Design pedagógico: voltado à aplicação de fatores gráficos (imagens), fatores técnicos (navegação e usabilidade) e fatores pedagógicos (BEHAR, 2009).

Nesses quatro tipos de design de AVA, percebemos que na elaboração do conteúdo educacional apenas o design pedagógico enfatiza a conexão entre um elemento não-verbal (só a imagem), a usabilidade e a navegabilidade. A aplicação dos demais elementos de hipermídia não é mencionada. O design instrucional e didático delimita a interatividade para as relações de diálogo entre desenho da interface e cursista, mas não descreve parâmetros ou atributos para o desenho gráfico do leiaute. O design de sistemas é voltado para a engenharia de sistemas educacionais em suportes mecânicos, elétricos ou eletrônicos. O design educacional ressalta que a criação de materiais educacionais devem considerar em suas arquiteturas as diferenças e as especificidades dos suportes, integrar múltiplas mídias, promover a mediação pedagógica, a interação e da interatividade. Apesar de mencionar os suportes e a interatividade não identificamos a delimitação de usabilidade para elementos de hipermídia para AVA.

Defendemos no presente trabalho que ausência de especificidade para a aplicação dos elementos de hipermídia regidos por atributos de usabilidade compromete a interação e a interatividade de um AVA ou módulo educacional de EaD via Internet. A aplicação desses atributos no leiaute de hipermídia dos modelos de design citados acima ampliaria a interatividade e as consequentes ações de interação.

CAPÍTULO II

2.1 O AVA "E-Proinfo" e os módulos do Programa Mídias na Educação: interatividade das interfaces de hipermídia

Esta seção é destinada à descrição do Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação e a análise da interatividade da interface de hipermídia do AVA "E-Proinfo" e dos quatro módulos do Ciclo Intermediário do citado Programa, ocasião em que faremos comentários críticos relativos à sua eficácia, eficiência e satisfação, na perspectiva dos atributos de usabilidade, navegabilidade e comunicabilidade aqui adotados.

2.1.1 O Programa Mídias na Educação: estrutura, funcionamento e objetivos de