ocorrências 31 Sentidos identificados a partir de certos contextos de uso
S. Exa é acusado de ser «mensaleiro»? (CCB 054).
5.13. Amostra 13: cracker
cracker (Ing./craquer/) sm. Aquele que é especializado em sistemas e redes de
computador que burla a segurança de sistemas alheios para danificá-los, manipular ou roubar informações, valores, etc.
Figura 24 ― Verbete: cracker (Minidicionário da Língua Portuguesa, 2009, p. 243)
hacker (Ing./requer/) s.2g. Inf. Especialista em informática que invade sistemas ou
redes de computador. * haquear v.
Figura 25 ― Verbete: hacker (Minidicionário da Língua Portuguesa, 2009, p. 463)
Fragmento (CCB 177) <p>: O hacker não gosta de ser confundido com um cracker, pois, ao contrário deste, não invade sistemas com fins criminosos, mas para ampliar seus conhecimentos ou para ter a satisfação de detectar suas possíveis falhas de segurança.
Fragmento (CCB 178) <p>: O «cracker» é a pessoa que entra em um sistema para destruir os arquivos e roubar informações.
Fragmento (CCB 179) <p>: Os filmes ‘Matrix’ e ‘Cubo’ exploram a fronteira entre o que é e o que parece ser Cena de «Matrix», que conta a história de Neo, cracker que descobre que sua existência é virtual «MATRIX» Alexandre MARON da Sucursal do Rio Em um momento crucial do filme «Matrix», que acaba de ser lançado em VHS e DVD, o personagem Neo (Keanu Reeves) é obrigado a decidir entre a verdade sobre o mundo que o cerca, materializada em uma pílula vermelha, e a ignorância, representada pela azul.
Fragmento (CCB 180) <p>: Neo é um cracker (invasor de sistemas de computadores) que descobre (na cena das pílulas) que o mundo é uma realidade virtual (a Matrix do título) criada por uma raça de robôs, que escravizou a raça humana após vencê-la em uma guerra.
Fragmento (CCB 181) p>: (Aureliano Biancarelli) Arquivos da Unicamp são destruídos por pirata 21/04/95 O analista de sistemas Carlos Fernando Paniago, 38, da Embrapa, vítima do ' cracker ' Arquivos da Unicamp são destruídos por pirata Da Folha Sudeste Os arquivos de três faculdades da Unicamp e do Núcleo de Monitoramento Ambiental da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), em Campinas (99 km de SP) , foram destruídos por um «cracker».
Fragmento (CCB 182) <p>: As informações destruídas pelo «cracker» faziam parte de um banco de dados sobre monitoramento ambiental em todo país.
Tabela 27 ― (subs.) Cracker
Conforme acepção do MLP (2009, p. 243), o cracker é “Aquele que é especializado em sistemas e redes de computador que burla a segurança de sistemas alheios para danificá- los, manipular ou roubar informações, valores, etc.”, já hacker é o “Indivíduo hábil em enganar os mecanismos de segurança de sistemas de computação e conseguir acesso não autorizado aos recursos destes, ger. a partir de uma conexão remota em uma rede de computadores; violador de um sistema de computação” (Aurélio, s.u.), ou seja, o hacker é um
“Especialista em informática que invade sistemas ou redes de computador” (MLP, 2009, p. 463).
Costuma-se dizer que ambos têm as mesmas habilidades, mas o que se vê nos verbetes apontados é uma distinção, aparentemente, definida e clara. Não há dúvidas de que tanto um termo quanto o outro são estrangeirismos inseridos no léxico do português.
A frequência de uso destes itens está se tornando elevada e por essa razão, ambos podem se tornar neologismos por empréstimos e consequentemente passarem a ser encarados como empréstimos linguísticos.
No que se refere à estrutura dos itens, a quantidade de forma é quase a mesma, exceto por uma letra em cracker, que tem mais forma do que hacker. Ambas são palavras de outro sistema linguístico, porém o que difere uma da outra é que não há consenso, nos dicionários adotados, sobre a definição do segundo item38.
O substantivo cracker se encontra no Dicionário Oxford Escolar para estudantes
brasileiros de inglês (2007), mas o sentido é: “1. bolacha de água e sal. 2. (GB) (tb Christmas cracker) embrulho em forma de tubo, geralmente presenteado no Natal e que estala ao se
romper” (p. 418). Estas acepções nada lembram o sentido anterior, o que dificulta a identificação do outro sentido por um falante comum; para resolver o problema, o falante opta por defini-lo em comparação com hacker. As funções semânticas dos itens se misturam no uso geral.
Em um dos blocos do programa Conexão Repórter39, o âncora Roberto Cabrini aponta uma das definições para hackers. Segundo o repórter, estes são “os foras da lei do meio eletrônico”. Na reportagem cujo título era “A guerra do milênio”, discute-se sobre a vida e ações de hackers em todo o mundo. Durante a mesma reportagem, são ouvidas opiniões de profissionais no assunto, hackers profissionais, peritos na área e ex-hackers que veem os
hackers (como criminosos). Portanto o termo recebe valores negativos e positivos.
No fragmento CCB 177 do corpus encontra-se uma distinção explícita:
O hacker não gosta de ser confundido com um cracker, pois, ao contrário deste, não invade sistemas com fins criminosos, mas para ampliar seus conhecimentos ou para ter a satisfação de detectar suas possíveis falhas de segurança (CCB 177).
Este mesmo sentido está em CCB 181, CCB 178 e CCB 182.
38 Verbete hacker (sentido: “violador/a de sistemas”). In: Dicionário Oxford Escolar para estudantes
brasileiros de inglês (português-inglês/inglês-português). Brazil: Oxford University press, 2007, p. 496.
39 O programa Conexão Repórter vai ao ar todos os domingos, às 00h00min. Esta reportagem foi exibida no dia
A conduta de um cracker também é discutida em filmes como Matrix (fragmentos CCB 179 e CCB 180). Na amostra CCB 180 lê-se que:
Neo é um cracker (invasor de sistemas de computadores) que descobre (na cena das pílulas) que o mundo é uma realidade virtual (a Matrix do título) criada por uma raça de robôs, que escravizou a raça humana após vencê-la em uma guerra (CCB 180).
No entanto, para o público que assistiu à trilogia Matrix (Matrix, 1999; Matrix
Reloaded, 2003 e Matrix Revolutions, 2003), um cracker não é “mau”, mas apenas um
visionário, um expert em sistemas, capaz de acessar o mundo que se esconde por trás das redes de fibra óptica. Por esta razão, o pré-julgamento sobre o sentido de cracker ou hacker é impróprio, pois deve ser definido no contexto de uso.
Diante dos dados que foram analisados neste capítulo, algumas descobertas importantes foram depreendidas. As 182 amostras coletadas serviram para fundamentar as três hipóteses iniciais desta investigação. As discussões aqui apresentadas de maneira alguma esgotaram essa temática, mas, de certo modo, trazem já uma semente para tempos vindouros. No capítulo que se segue, os principais resultados serão discutidos.