MATERIAL E MÉTODO
QUOCIENTE DE JARABAK (1985)
6.2 AMOSTRA E METODOLOGIA
Durante a seleção da amostra, vários fatores foram considerados, objetivando aumentar a confiabilidade dos resultados desta pesquisa.
Para isso, utilizaram-se indivíduos com a mesma faixa etária, entre 13 e 16 anos de idade, sendo que, cada grupo foi selecionado apresentando a mesma maloclusão ou oclusão normal.
Além disso, observou-se a seleção da amostra e divisão entre os grupos de modo a obter grupos o mais compatíveis possível em vários aspectos como: idade e distribuição com relação ao sexo, almejando uma amostra o mais homogênea possível.
Outros critérios de seleção da amostra foram; a presença de dentadura permanente sem mutilações e não tratados ortodonticamente, visto que essas condições podem interferir no desenvolvimento normal.
Sendo assim, a amostra se compôs de 200 indivíduos, 40 em cada grupo, o que pode ser considerado um número significante, gerando resultados seguros e confiáveis.
6.3 RESULTADOS
Comparando-se a frequência dos padrões Neutro, Hipodivergente e Hiperdivergente entre os tipos de maloclusão e oclusão normal, não houve diferença significante nesta distribuição entre os sexos masculino e feminino (Tabela 5.2). Em todas as maloclusões avaliadas, o padrão Hipodivergente foi o mais frequente (Tabela 5.2). A maior frequência desse padrão foi encontrada na Classe II divisão 2, com 87,5% (Tabela 5.2), o que já era esperado, pois esta maloclusão está sempre associada a características de um padrão mais horizontal, com sobremordida acentuada e incisivos centrais superiores verticalizados ou palatinizados. A segunda maior frequência do padrão Hipodivergente foi encontrada no grupo de oclusão normal, com 72,5%, seguido pela maloclusão de Classe II divisão 1, com 67,5%, pela Classe III, com 55% e por último, pela maloclusão de Classe I, com apenas 47,5% (Tabela 5.2), menos da metade dos pacientes deste grupo.
Esses resultados estão de acordo com os dados de SCANAVINI et al.56 (2001), que encontraram nos grupos de Classe II divisão 2 e de oclusão normal, um ângulo goníaco menor, com crescimento mais horizontal, ou seja, em outras palavras, um padrão mais Hipodivergente. No presente estudo os dois grupos com padrão mais Hipodivergente foram exatamente os mesmos, de Classe II divisão 2 e de oclusão normal.
O padrão Hiperdivergente foi o menos frequente na oclusão normal e em todas as maloclusões, exceto na maloclusão de Classe III (Tabela5.2). A maloclusão de Classe II divisão 2, não apresentou nenhum paciente com padrão
Hiperdivergente, evidenciando ainda mais a característica horizontal deste tipo de maloclusão. A frequência do padrão Hiperdivergente foi de 2,5% na oclusão normal, 10% tanto na maloclusão de Classe I como na maloclusão de Classe II divisão 1 (Tabela 5.2). A maloclusão de Classe III apresentou a mesma porcentagem de pacientes Hiperdivergente e Neutro, sendo 22,5% de cada um desses padrões (Tabela 5.2). Isso denota, a característica mais vertical presente nos casos de maloclusão de Classe III, muitas vezes gerando uma compensação desta maloclusão, pelo giro no sentido horário da mandíbula, melhorando a relação ântero- posterior entre as bases ósseas.
O padrão neutro variou de 12,5% na maloclusão de Classe II divisão 2 até 42,5% na maloclusão de Classe I, sendo que na oclusão normal foi de 25% e na Classe II divisão 1 foi de 22,5% (Tabela 5.2).
No estudo AIDAR & SCANAVINI1 (1989), os pacientes portadores de oclusão normal e maloclusão de Classe II divisão 2 apresentaram um padrão de crescimento facial hipodivergente.
SIRIWAT & JARABAK58(1985), realizaram um trabalho semelhante ao presente estudo, objetivando procurar possíveis associações entre os tipos de maloclusão de Angle e a morfologia facial identificada como padrões: Hiperdivergente, Neutro ou Hipodivergente. Os achados significantes foram: o padrão Neutro foi dominante nas maloclusões de Classe I e II, diferentemente do presente estudo. O padrão Hipodivergente, foi dominante nas maloclusões de Classe II divisão 2, se assemelhando ao presente estudo.
A tabela 5.3 mostra os resultados do teste de correlação de Pearson entre a medida GocMe.VT e as medidas da sínfise mentoniana a-b, c-d, Me-h e quociente de Jarabak. Não houve correlação significante entre o ângulo GocMe.VT e as medidas citadas acima na oclusão normal e nas maloclusões de Classe II divisão 1 e Classe II divisão 2.
Na maloclusão de Classe I, houve uma correlação positiva significante entre o ângulo GocMe.VT e o quociente de Jarabak (Tabela 3). Isso mostra que, quanto
maior o ângulo GocMe.VT, maior é o quociente de Jarabak, ou seja, mais hipodivergente.
Para a maloclusão de Classe III, houve correlação positiva significante entre o ângulo GocMe.VT e a medida a-b e o quociente de Jarabak (Tabela5.3). Isso indica que, quanto menos inclinado (mais verticalizado) o eixo da sínfise mentoniana, maior ângulo GocMe.VT, maior será a medida a-b, ou seja, maior será a menor largura da sínfise mentoniana. Isso demonstra que, quanto mais Hiperdivergente for o paciente, menor será a largura da sínfise mentoniana, e quanto mais Hipodivergente, maior a largura da sínfise mentoniana. Com relação ao quociente de Jarabak, quanto menos inclinado a sínfise mentoniana do paciente, maior o ângulo, maior será o quociente de Jarabak.
O teste de correlação para todas as maloclusões avaliadas em conjunto demonstrou que houve correlação do ângulo GocMe.VT com as medidas a-b e com o quociente de Jarabak (Tabela5.3), indicando o mesmo raciocínio, explicado no paragrafo acima, para a maloclusão de Classe III. Quanto menos inclinado (maior o ângulo) do eixo da sínfise mentoniana, menor será a largura da sínfise mentoniana (a-b), indicando que quanto mais Hiperdivergente for o paciente, menor será a largura da sínfise mentoniana, e quanto mais Hipodivergente, maior a largura da sínfise mentoniana. E quanto menos inclinado (maior o ângulo) o eixo da sínfise mentoniana do paciente, maior será o quociente de Jarabak, indicando que o paciente será mais Hipodivergente. E o contrário também se faz verdadeiro, quanto mais inclinado (menor o ângulo) o eixo da sínfise mentoniana do paciente, menor será o quociente de Jarabak, indicando que o paciente será mais Hiperdivergente.
Os resultados desse estudo corroboram os de GARIB et al.23 (2010), que, encontraram em pacientes com padrão de crescimento vertical (Hiperdivergentes), parecem apresentar menor espessura das tábuas ósseas vestibular e lingual, no nível do ápice dos dentes permanentes, quando comparados a pacientes com padrão de crescimento horizontal.
Da mesma forma, HANDELMAN25 (1996) encontrou larguras de sínfise finas em incisivos inferiores de grupos Classe I, II e III, com ângulo SN-MP altos, ou seja, Hiperdivergentes, e nesse estudo, apenas na maloclusão Classe III.
Corroborando com os achados desse estudo, TSUNORI, MASHITA & KASAI63(1998) encontraram que a cortical óssea vestibular foi mais espessa em indivíduos de face curta do que nos de face média e longa.
As tabelas 5.4, 5.5, 5.6, 5.7, e 5.8 mostram os resultados da comparação entre os sexos masculino e feminino, de todas as medidas, nos grupos de oclusão normal, e nas maloclusões de Classe I, Classe II divisão 1, Classe II divisão 2 e Classe III, respectivamente.
No grupo de oclusão normal, houve diferença significante entre os sexos masculino e feminino para as medidas c-d, N-Me, quociente de Jarabak e S-Goc (Tabela 5.4), sendo que, todas essas medidas se apresentaram maiores no sexo masculino do que no feminino. Isso indica que indivíduos do sexo masculino com oclusão normal apresentam maior largura da sínfise, maior altura facial anterior, maior quociente de Jarabak e maior altura facial posterior do que indivíduos do sexo feminino com oclusão normal.
No grupo de maloclusão de Classe I, houve diferença significante entre os sexos masculino e feminino apenas para a menor largura da sínfise (a-b), sendo que, a mesma foi maior no sexo masculino do que no feminino (Tabela 5.5).
No grupo de maloclusão de Classe II divisão 1, houve diferença significante entre os sexos masculino e feminino apenas para a medida S-Goc (Tabela 5.6). Indivíduos do sexo masculino com maloclusão de Classe II divisão 1, possuem maior altura facial posterior do que indivíduos do sexo feminino com a mesma maloclusão.
No grupo de maloclusão de Classe II divisão 2, houve diferença significante entre os sexos masculino e feminino para as medidas Me-h, N-Me e S-Goc (Tabela 5.7), sendo que, todas essas medidas se apresentaram maiores no sexo masculino do que no feminino. Isso indica que indivíduos do sexo masculino com maloclusão de Classe II divisão 2, apresentam maior altura da sínfise, maior altura facial anterior e posterior do que indivíduos do sexo feminino com a mesma maloclusão.
No grupo de maloclusão de Classe III, houve diferença significante entre os sexos masculino e feminino para as medidas c-d, N-Me e S-Goc (Tabela 5.8). Como
as medidas foram maiores para o sexo masculino, mostrando que, indivíduos do sexo masculino com maloclusão de Classe III, apresentam maior largura da sínfise, maior altura facial anterior e posterior do que indivíduos do sexo feminino com a mesma maloclusão.
No estudo de AIDAR & SCANAVINI1 (1989), e HUNTER27 (1967), também encontraram em geral, medidas maiores para o sexo masculino, quando comparado ao sexo feminino, com exceção das grandezas angulares e o Quociente de Jarabak.
Corroborando com os resultados desse estudo, SIRIWAT & JARABAK58 (1985) também encontraram que, os valores médios de todas as variáveis lineares foram maiores nos homens que nas mulheres.
Quando avaliados os tamanhos da sínfises durante o seu crescimento, GARN et al.24 (1963) investigaram a herança do tamanho da sínfise, encontraram que há uma simplicidade genética para a altura e a espessura da sínfise e a possibilidade de herança mendeliana da espessura da sínfise. Da mesma forma que o biotipo facial, a anatomia da sínfise mentoniana também tem herança genética, fator que não se pode deixar de considerar.
Torna-se muito importante saber a correlação entre os padrões faciais e os tipos morfológicos de sínfises, uma vez que a morfologia do rebordo alveolar constitui um fator limitante para a movimentação dentária e deve ser considerada, de forma individual, na realização do plano de tratamento ortodôntico (GARIB et al.23 2010).
CABRERA15 (2010) mencionou que, devido à correlação entre os biotipos faciais e suas respectivas sínfises, denominou-as de sínfises braqui, meso e dólico, ou seja, dos padrões Hipodivergente, Neutro e Hiperdivergente, respectivamente. Para este autor, a sínfise mais encontrada em indivíduos braquifaciais, ou seja, em indivíduos Hipodivergentes, é baixa verticalmente e larga horizontalmente, com um pogônio expressivo. Já a sínfise mais frequentemente encontrada em indivíduos dolicofaciais (Hiperdivergentes), é alta verticalmente e estreita horizontalmente, de acordo com nossos achados.
A morfologia da sínfise de acordo com de AKI et al.2 (1994), quando associada com a direção do crescimento mandibular, especialmente em homens, apresenta-se com a proporção da sínfise com uma relação mais forte, e uma mandíbula com direção de crescimento anterior foi associada com uma altura pequena, grande profundidade, proporção pequena, e ângulo da sínfise aberto. Reciprocamente, uma direção de crescimento posterior, foi associada a uma altura grande, profundidade pequena, grande proporção, e ângulo da sínfise fechado. Esses achados corroboram as afirmações acima de CABRERA15 (2010) e também aos resultados do presente estudo, que indicaram uma correlação dos padrões faciais com a morfologia da sínfise mentoniana.
Mesmo sabendo que a característica morfológica da sínfise está relacionada com o padrão facial do paciente, ela não está diretamente ligada com o tipo de maloclusão. Existem maiores prevalências de certos padrões faciais nas diferentes maloclusões, mas o tipo de maloclusão não está necessariamente correlacionado com a morfologia da sínfise mentoniana.
7
CONCLUSÃO
Baseado na amostra estudada, na metodologia empregada e nos resultados obtidos, torna-se lícito concluir que:
7.1) Quanto a classificação da morfologia:
7.1.1 O padrão facial Hipodivergente foi o mais frequente em cada classe de oclusão, sendo que, a maior incidência desse padrão foi na maloclusão Classe II, div.2.
7.1.2 O padrão facial Hiperdivergente foi o menos frequente em todas as classes de maloclusões e na oclusão normal, exceto na maloclusão Classe III.
7.1.3 O padrão Neutro foi mais frequente na maloclusão Classe I e apresentou percentuais próximos para a maloclusão normal e maloclusão Classe II, div. 1
7.2) Quanto ao dimorfismo sexual; quando comparados os grupos, não houve diferença estatisticamente significante entre os sexos e a classificação da morfologia.
7.2.1. Quando analisados os grupos separadamente, foram encontradas diferenças significantes entre os sexos, para as medidas c-d, N-Me, quociente de Jarabak e S-Goc, para o grupo de oclusão normal.
7.2.2. Para o grupo de Classe I, apenas para menor largura da sínfise, (a-b). 7.2.3 Para a maloclusão Classe II, div. I apenas para a medida S-Goc.
7.2.4. Para Classe II div. 2, apenas Me-h, N-Me e S-Goc.
7.2.5. Para a maloclusão Classe III, houve diferença significante para as medidas c-d, N-Me, S-Goc.
7.3) Quanto a sínfise mentoniana:
7.3.1 Houve uma correlação positiva significante entre a inclinação da sínfise mandibular e o quociente de Jarabak para a maloclusão Classe I e para a maloclusão Classe III.
7.3.2 Não houve correlação significante entre a inclinação da sínfise mandibular e o quociente de Jarabak para a Oclusão normal e para as maloclusões Classe II, div. 1 e 2.
8 REFERÊNCIAS
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