Nesta etapa, será descrita a realização da análise de dados. A coleta de dados para ulterior análise foi realizada mediante acesso ao site de cada periódico, apresentado no quadro 13. Foram coletados os seguintes metadados: título, autor, resumo e assunto. Os dois primeiros serviram de apoio à análise, tendo em vista que os dois últimos constituíram o corpus de análise.

A técnica utilizada foi a análise de conteúdo fundamentando-se em Bardin (1994).

Para a autora, a análise de conteúdo aparece como um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo. A técnica é aplicável a estudos de caráter linguístico e documental e tende a ser descritiva, embora essa não seja uma característica específica desta técnica. Essa descrição serve para elucidar os motivos da escolha desta técnica amplamente utilizada nas Ciências Sociais Aplicadas e adequada para o alcance dos objetivos delineados.

As etapas fundamentais indicadas pela autora para a organização e análise são: pré-análise; exploração do material; tratamento dos resultados, inferências e interpretação. A forma pela qual essas etapas foram utilizadas na presente pesquisa é descrita a seguir.

A primeira etapa, a “pré-análise”, tem como principal objetivo tornar os dados operacionais e sistematizar idéias iniciais de maneira a conduzir a um esquema preciso de desenvolvimento de operações sucessivas num plano de análise (BARDIN, 1994). Nessa fase, os artigos foram criteriosamente analisados. Efetuou-se o contato com o material coletado e se iniciou a análise dos artigos. Os artigos foram codificados em números arábicos para serem analisados. Posteriormente, foi verificado o número total de periódicos, artigos, edições e palavras-chave, com o intuito de obter a visão geral do corpus. Além disso, os artigos foram categorizados conforme os temas estabelecidos: I Organização da informação; II Organização do conhecimento; III Recuperação da informação.

Na segunda etapa, “exploração do material”, ocorre a análise propriamente dita.

Nessa etapa, os artigos já foram categorizados e pré-analisados (BARDIN, 1994). Nessa fase, foi conduzida a análise dos metadados resumo e assunto. Ressalta-se que em cada fase dessa etapa, os dados foram apresentados em quatro corpus de análise, cada um correspondente a

um tema adotado. A análise se deu primeiramente por tema e posteriormente foi geral. A seguir, estão descritos os procedimentos para a análise de cada metadado.

3.3.1 Metadado assunto

Inicialmente, foi efetuada a análise geral dos artigos. Foram verificados os termos adotados pelos autores para cada um dos quatro temas considerados. Com isso, foi possível verificar alguns aspectos que visam identificar as características dos termos por artigo:

número de vezes que o mesmo termo aparece;

quantidade de termos que aparecem apenas uma vez;

termos que aparecem com maior frequência em cada tema;

quantidade de termos por artigo;

termos que aparecem no singular e no plural.

Em seguida, efetuou-se a análise qualitativa dos termos de indexação com base na Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT). Verificou-se nos termos encontrados quais apresentam sinonímia e polissemia. A análise da sinonímia tomou como base o conceito da palavra-chave identificada no assunto e suas possíveis denominações existentes no próprio metadado assunto, no metadado resumo e no texto integral do artigo. A análise da polissemia recorreu à palavra-chave identificada no assunto e seus possíveis conceitos existentes no metadado resumo e no texto integral do artigo.

Posteriormente, foi efetuado um exame geral dessas denominações e conceitos com base na literatura da área, no Dicionário de Ciência da Informação de Cunha e Cavalcanti (2008) e no Glossário de Análise Documentária de Menezes, Cunha e Heemann (2004)9.

Utilizou-se, como critério de corte, as palavras-chave mais frequentes identificadas na amostra. Eventualmente, foram examinados casos que não estavam entre os mais frequentes, mas que foram considerados relevantes para a análise.

Para a análise qualitativa do metadado assunto, elaborou-se uma planilha de análise (Apêndice B), com base nas definições da Teoria Comunicativa da Terminologia de Cabré (1993). A planilha contém campos de identificação (tema, número do artigo, referência,

9 O Diconário...(2008) foi adotado nesta pesquisa para a análise do metadado assunto. O Glossário...(2004) foi utilizado de forma a complementar o primeiro, pois este último refere-se somente a termos sobre análise documentária.

palavras-chave) e campos destinados à análise da polissemia e da sinonímia (análise, contexto e observação).

O campo “análise” corresponde à análise dos termos dos artigos da amostra, retirados do metadado assunto, identificando-se sinonímia e polissemia, conforme a TCT. O “contexto”

complementa a análise dos termos, e mostra em que parte do artigo esta foi baseada. As observações incluem comentários sobre a análise e adequação dos termos em relação aos outros metadados e ao próprio texto.

3.3.2 Metadado resumo

A análise dos resumos ocorreu com base na metodologia elaborada por Kobashi (1994), com algumas adaptações. Esta metodologia, conforme descrito na seção 2.2.4, prevê a análise de resumos em sistemas de informação, com base na análise da superestrutura textual.

Para isso, a autora define três tipos de texto técnico-científicos, considerados argumentativos (dissertativos): tipo 1 = científico; tipo 2 = argumentativo; tipo 3 = expositivo. Cada tipo de texto possui uma estrutura que deve ser considerada para a construção e avaliação do resumo.

Para essa pesquisa foram considerados os três tipos de textos e se classificou os artigos conforme essa tipologia. A partir disso, foi analisado o resumo com base nos critérios referentes ao tipo. Não optou-se apenas pelo texto científico (tipo 1), embora esse possa parecer o tipo característico de artigo científico. Porém, ao se considerar que a análise se deu na área de Ciência da Informação, pertencente às Ciências Sociais Aplicadas, os textos de artigos podem também contemplar os tipos 2 e 3, o que justifica a consideração dos três tipos na análise proposta.

A opção por esta metodologia de Kobashi (1994) deve-se à sua completeza, uma vez que apresenta critérios bem definidos, e à sua clareza metodológica. A escolha se deve principalmente à sua aplicabilidade à analise do conteúdo aqui considerada e aos repositórios que utilizam a plataforma SEER.

Embora a ênfase da análise seja a organização textual, foram primeiramente observados aspectos gerais dos resumos: a extensão (número de palavras) e a tipologia (informativo, indicativo).

Em relação à metodologia, a análise seguiu algumas etapas básicas:

analisar o artigo científico;

identificar a categoria textual da qual o texto faz parte;

verificar, no resumo, a existência de elementos da superestrutura conforme o tipo de texto.

Para essa análise, elaborou-se uma planilha de análise, com base nos elementos da superesutrura de resumos proposta por Kobashi (1994). Essa planilha, apresentada no Apêndice C, contém os seguintes itens: tema, número do artigo, resumo, tipo de texto, tipo de resumo, extensão, análise da superestrutura e observações. Na análise da superestrutura, observou-se a existência dos elementos da superestrutura propostos por Kobashi (1994, 1997) no resumo efetuado pelos autores, conforme o tipo de texto. Além disso, verificou-se se os elementos da superestrutura do resumo estavam de acordo com o que foi proposto por essa autora.

Concluída a análise qualitativa do metadado resumo, foi possível ter uma visão geral dos resultados alcançados. Assim, obteve-se uma representação quantitativa e uma análise qualitativa desses resultados.

A terceira etapa, “tratamento dos resultados, inferências e interpretação”, proposta por Bardin (1994), foi realizada com base na análise da representação dos metadados resumo e assunto. Com isso, foi possível inferir sobre a forma pela qual os termos de indexação e os resumos foram inseridos pelos autores e verificar as implicações do auto-arquivamento na representação da informação de artigos científicos.

No documento ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM REPOSITÓRIOS DIGITAIS: IMPLICAÇÕES DO AUTO-ARQUIVAMENTO NA REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO (páginas 89-92)