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Análise de riscos

No documento . (páginas 127-132)

2.4 Pacotes UML

2.4.10 Análise de riscos

Os fenómenos naturais extremos não se traduzem necessariamente em risco para os indivíduos e sistemas sociais. Só o são quando a sua manifestação ameaça a normalidade de uma qualquer colectividade ou dos recursos que valoriza (Paiva et al., 2006).

No relatório de análise de requisitos do MDG (Charneca et al., 2010) foi prevista a produção cartográfica dos temas relativos aos riscos naturais e tecnológicos, nomeadamente:

• Alterações climáticas;

• Secas;

• Erosão hídrica e transporte de material sólido;

• Erosão costeira e capacidade de recarga do litoral;

• Movimentos de massas;

• Sismos;

• Infra-estruturas;

• Poluição acidental.

Os riscos naturais são aqueles causados por fenómenos naturais, como os meteorológicos, geológicos e geofísicos. Os riscos tecnológicos são aqueles que resultam de sistemas ou intervenções humanas, como é o caso de uma rotura de barragem. (Consórcio Riscos, 2009).

O guia metodológico para a elaboração dos PGRH da região hidrográfica sob jurisdição da ARH do Centro refere, quer riscos tecnológicos, quer riscos naturais. O pacote UML referente à caracterização e análise de riscos pretende suportar os riscos identificados como objecto de estudo. O diagrama de classes correspondente é apresentado na Figura 64.

Proc. 0602/1/18095, 0607/541/5756 107 O diagrama de classes sobre análise de riscos, inserido no pacote UML Riscos, modela sete classes geográficas: duas relativas a zonas inundáveis ou ameaçadas pelas cheias (naturais ou originadas pela rotura de infra-estruturas hidráulicas); duas relativas à erosão – costeira e hídrica; duas relativas ao risco sísmico, onde se representam as áreas susceptíveis de serem afectadas por tsunami e as zonas sísmicas; e uma relativa ao risco geológico, que se distingue em dois tipos: instabilidade de vertentes e deslizamento de vertentes.

Classes relativas ao risco de inundação e cheias

Sendo que o principal objectivo da DQA não é a redução do risco de inundações, justificou-se produzir a nível europeu uma directiva própria para esta problemática. Surgiu assim a Directiva 2007/60/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de Outubro de 2007, relativa à avaliação e gestão dos riscos de inundações (DAGRI). Actualmente, a obrigatoriedade de implementação da DAGRI, transposta para a ordem jurídica nacional pelo Decreto-Lei n.º 115/2010 de 22 de Outubro, é da responsabilidade do INAG, ARH, Autoridade nacional de Protecção Civil e IGP. Este Decreto-Lei não revoga no entanto o Decreto-Lei n.º 364/98, de 21 de Novembro, no âmbito se estabelece o regime para a elaboração da carta de zonas inundáveis nos municípios com aglomerados urbanos atingidos por cheias.

Os principais instrumentos de planeamento da DAGRI serão os planos de gestão do risco de inundação (PGRI), que em conjunto com os PGRH, constituem dois elementos-chave da gestão integrada das bacias hidrográficas. A avaliação preliminar dos PGRI está prevista para 2011, sendo que os PGRI estão previstos ser elaborados até Dezembro de 2015. Estes planos devem estar focados na prevenção e protecção contra as inundações, e devem estabelecer a estratégia de preparação da resposta a este tipo de ocorrências.

A DAGRI contempla duas principais definições, nas quais se baseia o MDG desenvolvido: a definição de inundação, e a de risco de inundação. Entende-se assim por Inundação “a cobertura temporária

por água de uma terra normalmente não coberta por água. Inclui as cheias ocasionadas pelos rios, pelas torrentes de montanha e pelos cursos de água efémeros mediterrânicos, e as inundações ocasionadas pelo mar nas zonas costeiras, e pode excluir as inundações com origem em redes de esgotos”. Entende-se por risco de inundação “a combinação da probabilidade de inundações e das suas potenciais consequências prejudiciais para a saúde humana, o ambiente, o património cultural e as actividades económicas”. As cartas de zonas inundáveis e de risco de inundações são elementos

centrais do processo de planeamento de recursos hídricos, pelo que se optou também por as considerar no MDG.

Também a LA prevê no seu artigo 40º, medidas de protecção contra cheias e inundações, em que se lê no seu ponto 1 que “constituem zonas inundáveis ou ameaçadas pelas cheias as áreas contíguas à

margem dos cursos de água ou do mar que se estendam até à linha alcançada pela maior cheia com probabilidade de ocorrência num período de retorno de um século”. Refere também no seu ponto 2

que “as zonas inundáveis ou ameaçadas pelas cheias devem ser objecto de classificação específica

e de medidas especiais de prevenção e protecção, delimitando-se graficamente as áreas em que é proibida a edificação e aquelas em que a edificação é condicionada, para segurança de pessoas e bens”. Optou-se assim por considerar duas tipologias de zonas inundáveis:

1. as zonas inundáveis que implicam a cobertura temporária de uma área territorial causada por cheias ocasionadas pelos rios, pelas torrentes de montanha e pelos cursos de água efémeros, e as inundações ocasionadas pelo mar nas zonas costeiras, das quais se excluem aquelas originadas pelo colapso total ou parcial de uma infra-estrutura hidráulica significativa, e as que têm origem em redes de esgotos;

2. as zonas inundáveis por rotura, total ou parcial, de uma infra-estrutura hidráulica significativa, ou pela plena abertura de comportas.

Ambos os tipos de zonas inundáveis são caracterizados no modelo de dados pela extensão máxima da inundação, (dada naturalmente pela sua representação geográfica), e para as quais ficam previstas zonas de edificação condicionada e zonas de edificação interdita, de acordo com o risco associado a cada tipo de zona de inundação.

O risco de inundação pode assim ser estudado com base no conhecimento das zonas inundáveis, no que respeita ao número potencial de pessoas afectadas e ao tipo de actividades económicas prejudicadas. Em relação a estas, podem ainda ser tidas em conta as instalações abrangidas pela Directiva PCIP. Esta análise determinará assim quais as zonas inundáveis que terão interdição total à edificação, ou que terão uma restrição parcial ao tipo de edificações. A Figura 64 apresenta o diagrama de classes respeitante às zonas inundáveis em que se distinguem as zonas de edificação condicionada e as zonas de edificação interdita.

As zonas inundáveis por acidentes ou incidentes em infra-estruturas hidráulicas decorrem sobretudo do regulamento de segurança de barragens (RSB) actualmente em vigor, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 344/2007 de 15 de Outubro, dado que tanto a DQA, como a LA, são omissas em relação a este tipo de zonas inundáveis. O actual RSB classifica as barragens em função dos dados potenciais associados à onda de inundação no vale a jusante, existindo para o efeito três classes de risco (I, II, e III).

O modelo de dados faz referência ao diploma legal que institui as zonas inundáveis calculadas e se as mesmas zonas inundáveis estão cobertas por um sistema de aviso à população e alerta aos serviços e agentes de protecção civil. Estas são propriedades da classe abstracta que dá origem às classes de zonas inundáveis previstas. Entende-se que estas classes registarão o conhecimento mínimo a partir de qual é possível produzir uma análise custo - benefício do controlo de cheias, e uma avaliação do seu impacte ambiental.

O cálculo das zonas inundáveis obtém-se através da simulação hidrológica e hidráulica dos sistemas de águas superficiais, de acordo com as diversas características biofísicas da bacia hidrográfica e tendo em conta as séries temporais de precipitação, de pressão atmosférica e de agitação marítima.

Na simulação hidrológica e hidráulica é necessária a disponibilidade das secções transversais que caracterizam o leito e zonas adjacentes das massas de água. Neste sentido, as secções transversais propostas no modelo de dados podem servir de base ao cálculo das zonas inundáveis e ao seu respectivo mapeamento, podendo ser usadas na caracterização das alturas de água para os vários cenários calculados. A Figura 65 ilustra a associação entre as secções transversais e os limites de

Proc. 0602/1/18095, 0607/541/5756 109 zonas inundáveis calculadas para um certo período de retorno (Tc). No âmbito dos PGRH serão avaliados e apresentados caudais de ponta de cheia para distintas probabilidades de ocorrência, para períodos de retorno de 5, 20, 50 e 100 anos.

Figura 65. Limites de zonas inundáveis associados a secções transversais

Dado que as secções transversais são implementadas como um elemento geográfico tridimensional com coordenadas de medida implícitas (coordenadas M), a operação de afectação dos limites de zonas inundáveis a um ponto da secção transversal implica por si a atribuição de uma altura de água. Uma outra vantagem na utilização da segmentação dinâmica aplicada às secções transversais é a possibilidade que oferece na afectação de coeficientes de rugosidade distintos ao longo da representação da secção transversal e em cada uma das margens.

2.4.10.1 Diagrama de classes sobre risco de seca meteorológica e agrícola

Assume-se que os riscos de seca meteorológica e agrícola sejam calculados para as sub-bacias hidrográficas (equivalentes às bacias hidrográficas de massas de água). A associação da classe referente às secas meteorológicas e agrícolas será declarada no pacote UML

Figura 66. Diagrama de classes da associação das secas meteorológicas e agrícolas à classe respeitante às unidades de resposta hidrológica

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