2.4 Pacotes UML
2.4.7 Programas de medidas
2.4.7.1 Diagrama de classes sobre programas de medidas
Na definição do desenho do MDG referente ao programa de medidas, colocaram-se sobretudo duas grandes opções:
1. considerar-se-ia a representação geográfica da aplicação das diversas medidas (de base, suplementares e adicionais), atribuindo-lhes uma representação geográfica consoante o tipo de medida em causa;
2. considerar-se-ia a associação de cada medida com as massas de água, pressões significativas, zonas vulneráveis, zonas de máxima infiltração e outras entidades geográficas a que se aplicam as medidas.
Dada a infinidade de potenciais representações geográficas que o universo de medidas potenciais poderia assumir, optou-se por caracterizar alfanumericamente as medidas potenciais (que constituem o catálogo de medidas potenciais a aplicar) e associá-las, quando aplicáveis, às classes de entidades geográficas já consideradas no modelo (opção 2). Neste sentido, apesar das medidas possuírem sobretudo um carácter de implementação espacial, dado que são implementadas ao nível de uma região hidrográfica ou parte desta, o seu relato, perante o WISE, é sobretudo alfanumérico. Assim, apesar dos programas de medidas não possuírem uma representação geográfica directa, possuem evidentemente uma associação às entidades geográficas às quais se aplicam. A título de exemplo, a
Proc. 0602/1/18095, 0607/541/5756 75 delimitação dos perímetros de protecção a captações pode ser alvo da medida (de base) de condicionamento da edificação. Pelo que, apesar da medida não possuir em si uma expressão geográfica, está relacionada com o perímetro de protecção da captação, o qual possui uma expressão geográfica própria. A Figura 42 ilustra a hierarquia entre os programas de medidas.
A interpretação no diagrama de classes representado na Figura 42 revela que cada programa de medidas poderá conter uma ou mais medidas. Cada programa de medidas é caracterizado por um identificador numérico e por um código textual público nacional, estando relacionado com a região hidrográfica a que se aplica, através de um código que relaciona o programa de medidas com a região hidrográfica. Neste sentido, cada região contém programas de medidas próprios, que no entanto se podem repetir em outras regiões hidrográficas.
As medidas são também caracterizadas por um identificador numérico único no domínio da base de dados, e por um código textual nacional permanente. Apesar da abordagem metodológica na definição de medidas poder ser distinta entre regiões hidrográficas, distinguem-se, de um modo geral, as tipologias de medidas a adoptar.
Figura 42. Diagrama de classes respeitantes aos programas de medidas
As medidas de base são caracterizadas adicionalmente pelas referências ao enquadramento legal que as suporta (englobando estas as directivas europeias e os diplomas normativos nacionais), e ainda por uma descrição sumária da medida. As medidas de base subdividem-se em:
• medidas que se destinam a condicionar as actuações e utilizações susceptíveis de perturbar os objectivos específicos das massas de água, materializadas na classe
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• medidas de protecção, de melhoria e de recuperação das massas de água, materializadas na classe MedProtRecuperacaoMA;
• medidas de prevenção ou redução do impacto de casos de poluição acidental, materializadas na classe MedImpactoAcidental;
• medidas a serem tomadas na sequência de derrames de hidrocarbonetos ou outras substâncias perigosas, materializadas na classe MedDerrameHidrocarbonetos;
• medidas de promoção do uso eficiente e sustentável da água, materializadas na classe
MedUsoEficienteAgua;
• medidas para a recuperação dos custos dos serviços da água, incluindo os custos ambientais e de escassez, materializadas na classe MedRecCustosAgua.
As medidas base de objectivos específicos relacionam-se directamente com as entidades geográficas de protecção especial:
• Perímetros de protecção a captações e zonas adjacentes;
• Zonas de infiltração máxima;
• Zonas vulneráveis à poluição por nitratos.
Estas associações estão caracterizadas no pacote UML Objectos, no diagrama de classes referente a medidas de protecção especial.
O n.º 6 do art.30º da LA refere que os PGBH integram outras medidas suplementares para conseguir uma maior protecção ou uma melhoria adicional das águas abrangidas pela presente lei sempre que tal seja necessário para o cumprimento de acordos internacionais relevantes. Já o art. 5.º do Decreto- Lei 77/2006, referente às medidas a incluir nos programas de medidas determina que podem ser adoptadas as seguintes medidas suplementares:
a) Instrumentos legislativos; b) Instrumentos administrativos; c) Instrumentos económicos ou fiscais; d) Acordos ambientais;
e) Controlos das emissões; f) Códigos de boas práticas;
g) Recriação e recuperação de zonas húmidas; h) Controlos das captações;
i) Medidas de gestão da procura, nomeadamente para promoção de métodos de produção agrícola
j) adaptados, como, por exemplo, culturas com baixas exigências de água em zonas afectadas pela seca;
k) Medidas de eficiência e de reutilização, nomeadamente promoção de tecnologias eficazes em termos de utilização de água pela indústria e de técnicas de irrigação que permitam
poupanças de água; l) Projectos de construção; m) Instalações de dessalinização; n) Projectos de reabilitação; o) Recarga artificial de aquíferos; p) Projectos educativos;
q) Projectos de investigação, desenvolvimento e demonstração; r) Outras medidas relevantes.
Além das medidas de base e das medidas suplementares está previsto o registo das medidas adicionais, definidas pelo art. 32º da LA. Estas medidas são complementares das constantes nos PGBH e têm por objectivo:
a) A conservação e reabilitação da rede hidrográfica, da zona costeira e dos estuários e das zonas húmidas;
b) A protecção dos recursos hídricos nas captações, zonas de infiltração máxima e zonas vulneráveis;
c) A regularização de caudais e a sistematização fluvial;
d) A prevenção e a protecção contra riscos de cheias e inundações, de secas, de acidentes graves de poluição e de rotura de infra-estruturas hidráulicas.
Optou-se por denominar este tipo de medidas por adicionais, sendo que o seu registo é feito na classe MedidasAdicionais.
De notar que todas as tipologias de medidas se encontram associadas a um centro de custos onde está previsto serem registadas as análises custo-benefício e custo-eficácia das medidas definidas (classe CustosProgMedidas).