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1.2 MATERIAL E MÉTODOS

1.2.7 Análise dos dados

1.2.7.1 Análise qualitativa

O primeiro tipo de análise teve por base os princípios da Análise de Conteúdo, assim definida:

A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise de comunicações.

Não se trata de um instrumento, mas de um leque de apetrechos: ou, com maior rigor, será um único instrumento, mas marcado por uma grande disparidade de formas e adaptável a um campo de aplicação muito vasto: as comunicações (BARDIN, 2011, p. 37).

Este tipo de análise é largamente utilizado no âmbito das pesquisas qualitativas, sua função principal diz respeito à exploração propulsora a descobertas no campo de estudo que se propõe abordar, à elaboração de questões e de afirmações provisórias (BARDIN, 2011). Nesta pesquisa buscou-se ―[...] a partir dos próprios textos, apreender as ligações entre as diferentes variáveis, funcionam segundo o processo dedutivo e facilitam a construção de novas hipóteses‖ (BARDIN, 2011, p. 129), tendo por foco a abordagem da Teoria das Inteligências Múltiplas, da terapia fonoaudiológica e da aquisição e desenvolvimento da linguagem verbal.

Neste sentido, a análise de conteúdo por categorias, que dentre outros, ―funciona por operações de desmembramento do texto em unidades, em categorias segundo reagrupamentos analógicos‖ (BARDIN, 2011, p. 201), possibilitou a interpretação dos resultados, sendo que ―[...] o método das categorias, espécie de gavetas ou rubricas significativas que permitem a classificação dos elementos de significação constitutivos da mensagem [...]‖ (BARDIN, 2011, p.43). Tal desmembramento com posterior reagrupamento dos dados embasa-se na

observação e compreensão dos atributos comuns entre os elementos que os compõem.

A apreciação temática foi realizada ―a partir das significações que a mensagem fornece‖ (BARDIN, 2011, p.167). Na categorização dos recursos e estratégias utilizados nas terapias, bem como do material dos questionários, as categorias temáticas que serviram a sistematização dos dados foram as oito inteligências. Este processo, no qual as categorias são escolhidas a priori, a organização do material segue o conhecimento teórico já existente (BARDIN, 2011), neste caso, a Teoria das Inteligências Múltiplas (GARNDER, 1994), com os saberes relativos a cada uma das inteligências, que permitiu reconhecê-las nos dados da pesquisa.

Quanto ao primeiro objetivo específico, com base na combinação da análise de conteúdo dos dados obtidos nas diferentes coletas (descritas no item 1.2.6.2), dentre estes a das questões abertas do questionário respondido pelos terapeutas e pelos pais ou responsáveis pelos pacientes, elaborou-se, respectivamente, o perfil da(s) inteligência(s) preferencial(is) de cada terapeuta e de cada paciente. O quinto objetivo específico foi contemplado pela categorização nos oito tipos de inteligência de todos os recursos e estratégias utilizados nas atividades desenvolvidas nas 1802 terapia estudadas. Já o sexto e último, que diz respeito às estratégias e recursos utilizados na terapia e, a(s) inteligência(s) relacionada(s) à esses, que mais favorecem o desenvolvimento da linguagem, foi contemplado em uma análise qualitativa e quantitativa. A primeira refere-se à análise do conteúdo das questões abertas do Roteiro de Estruturado de Evolução da Terapia, que continha o registro das descrições das estratégias terapêuticas e recursos contidos nos relatórios.

A análise de conteúdo de qual(is) inteligência(s) foi (foram) contemplada(s) em cada terapia esteve presente em todas as análises dos dados. Identificou-se a inteligência linguística quando o recurso central utilizado estava relacionado à mesma, por exemplo, um livro de contos, uma vez que esta sempre é contemplada na terapia de linguagem. Foram excluídos da análise os resultados das terapias nas quais não foi possível identificar a estratégia e/ou recurso utilizado, uma vez que não se poderiam abordar estes dados tanto na análise qualitativa, quanto na quantitativa, por exemplo, a descrição somente com a palavra ―brincadeira‖. Além disso, também não foram contabilizados, tão pouco registrados, os resultados das terapias nas quais o objetivo era a realização de avaliação.

Também foi feita uma revisão e retomada dos dados, por exemplo, ao ser utilizado um jogo por um terapeuta que já foi utilizado por outro, retomava-se a(s) inteligência(s) que foi (foram) identificada(s) nos recursos e estratégias utilizadas em cada terapia e, comparava-se à análise feita. Sobre os jogos que a pesquisadora não conhecia, foi realizada pesquisa na internet para conhecer o material e funcionamento dos mesmos, por exemplo, os jogos Palavra Secreta e Halli Galli.

Após o reconhecimento da(s) inteligência(s) contemplada(s) em cada terapia, proporcionado pela análise do conteúdo dos registros da descrição da atividade e recursos (materiais) utilizados, estas foram transformadas em códigos para que utilização destes dados na análise estatística. Para tanto, seguiu-se as regras de enumeração (BARDIN, 2011), inicialmente com o reconhecimento dos elementos que compõem determinada mensagem e registro desses por meio de números.

Foi estipulado um número de identificação para cada inteligência(s) contemplada(s) em terapia: 1- Linguística, 2- Lógico-matemáticas, 3- Espacial, 4- Cinestésico-corporal, 5- Musical, 6- Interpessoal, 7- Intrapessoal e 8- Naturalista. Estas eram constatadas combinadas ou não entre si, por meio do sistema de presença/ausência de determinada inteligência (BARDIN, 2011). No Quadro 3 constam três exemplos da codificação das inteligências contempladas na terapia, isolada ou combinadas, para facilitar a visualização desta análise:

Quadro 3 - Exemplo de análise de conteúdo para definição da(s) inteligência(s) contemplada(s) na atividade e codificação

Descrição da atividade9 Inteligência contemplada no recurso e/ou estratégia terapêutica

Código atribuído

Jogo da memória. Espacial. 3

Jogo boliche com figuras das palavras- alvo.

Cinestésico-corporal e Espacial. 43 Jornal para fazer chapéu e música com

vídeo marcha soldado.

Cinestésico-corporal, Espacial e Musical.

345 Vídeo musical, instrumento musical e

dedoches dos três porquinhos, carinhas com expressões faciais.

Cinestésico-corporal, Espacial, Musical e Interpessoal.

3456

Fonte: Elaborado pela autora.

Por fim, foi realizada a análise do conteúdo da questão aberta do Roteiro de Evolução da Terapia relativa ao registro do(s) objetivo(s) do atendimento. Esta análise possibilitou elencar as categorias temáticas sobre os tipos de objetivos previstos para a terapia fonoaudiológica de linguagem, logo neste processo de

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análise [...] o sistema de categorias não é fornecido, antes resulta da classificação analógica e progressiva dos elementos (BARDIN, 2011, p.149).