• Nenhum resultado encontrado

5. BRASIL, UM ESTADO TERRITORIAL E COMERCIAL: PERÍODO DA

5.1 PRIMEIRO PERÍODO: ESTADO TERRITORIAL E COMERCIAL (1822-1889).103

5.2.4 Análise sobre o segundo período (1889-1930)

No final do século XIX e início do século XX, através do Barão do Rio Branco, é

possível ver uma nova estratégia geopolítica adotada pelo Estado, que visava trazer para o

campo de influência brasileiro tanto os países andinos (Bolívia e Peru) quanto platinos

(Uruguai) por meio de acordos, cessões e compra de territórios, não adotando mais uma postura

de conquista por meio da guerra e sim pela influência e “amizade”. A geopolítica agora era de

influência, e não mais de guerra, deixando de ser um estado territorialista-militar e passando a

ser, exclusivamente, um Estado Comercial, ampliando suas relações com o Cone-Sul e demais

países da região. Apesar da rivalidade entre Brasil e Argentina continuar no século XX em torno

da disputa de liderança na América do Sul, aumentaram também as relações comerciais entre

os dois países. A partir de então, as disputas se tornam tanto geopolíticas quanto

geoeconômicas.

Também, é no início do século XX que os ingleses começam a perder sua influência

hegemônica na América do Sul para os Estados Unidos; os Congressos Pan-americanos, os

acordos bilaterais e a Primeira Guerra Mundial contribuem para o estabelecimento da influência

norte-americana no subcontinente. O Brasil começa então a querer estabelecer-se como

liderança regional (variável antecedente Z) sob o protetorado dos Estados Unidos, procurando

manter cada vez mais afinidades com este.

Em relação às infraestruturas de transportes, o crescimento das ferrovias foi lento

durante todo o Império, a partir da República começa multiplicar a quilometragem; porém, não

foram suficientes para suprir a demanda dos principais produtos para o transporte até os portos

de exportação, muito menos para a integração nacional. Grande parte das ferrovias foi

concedida ou privatizada como mostrou Jeruá (2012), algo semelhante ao que ocorreria na

década de 1990. Outros meios de transportes - barcos, carroças - e vias de comunicações -

estradas, hidrovias - continuavam a tentar solucionar a defasagem dos transportes modernos.

Esse ritmo continuou durante as primeiras décadas do século XX, com a novidade que em 1920

as rodovias ganham espaço no transporte de mercadorias.

A integração aos países vizinhos por meio das ferrovias, ou por meio delas com

baldeação ao porto fluvial, só foi possível a partir da construção da E. F. Uruguaiana (durante

o império, no século XIX), que chegava ao limite com a Argentina, precisando de baldeação, a

E. F. Madeira-Mamoré com a Bolívia no início do século XX. Então, pode-se concluir que a

circulação de mercadorias da época, com os países vizinhos e limítrofes, era feita

majoritariamente pelas navegações fluviais e marítimas, durante todo o século XIX e início do

século XX.

Então, no início do século XX, as estratégias geopolíticas (variável independente X)

atuaram de certo modo em conjunto com as estratégias geoeconômicas (variável independente

x²) e influenciaram em uma incipiente integração aos países vizinhos. A geopolítica de

influência e definição de limites e fronteiras de Rio Branco abriram margem para o

estabelecimento de ferrovias (variável dependente Y) com teor geoeconômico e geopolítico que

propiciaram a integração com a Bolívia.

É interessante notar que a multiplicação da quilometragem das ferrovias se concentrou

nas áreas que já estavam adensadas com esse tipo de infraestrutura, como Sudeste, Nordeste e

Sul. Sendo assim, em áreas que já estavam inseridas no processo de produção do capital

nacional, isso nos leva à compreensão de que essas ferrovias foram resultado das estratégias

geoeconômicas em voga desde o Império. Apesar do Plano da Comissão de 1890, do Plano

Schnoor e outros, não foi concretizado nenhum projeto de integração nacional pelas

infraestruturas de transportes.

Cabe mencionar o caráter estratégico das ferrovias sulinas e da construção da E. F.

Noroeste do Brasil. A E. F. do Brasil foi construída para atender os fins estratégicos de defesa

territorial; sua implementação também propiciou migrações, o desenvolvimento de cidades e o

desenvolvimento da pecuária.

E a participação nas reuniões Pan-americanas contribuiu para melhor aproximação

com os países sul-americanos e demais países latino-americanos, mas muito mais para

aproximação com os Estados Unidos. As reuniões e tratados Pan-americanos que ocorreram

durante as duas primeiras décadas do século XX incentivam à aproximação com congressos

científicos, congressos para reformas sanitárias, congressos ferroviários, congressos

rodoviários. Em relação às questões de natureza prática e materiais, resultantes dos congressos

pan-americanos, foi a política sanitária adotada no país, principalmente na capital do Rio de

Janeiro com saneamento básico.

Outra questão prática foi a questão geopolítica e diplomática, nesse período o país não

se limitou à região platina como ocorreu no período do Império; há inúmeros relatos oficiais da

política que se iniciou na República, de sua aproximação com os países americanos e da

geopolítica de influência aos países sul-americanos. A troca de ofícios entre o diplomata

Joaquim Nabuco e o Barrão do Rio Branco demonstrou que o Brasil tinha relações especiais

com os Estados Unidos e Chile, pelo fato de não poder atuar como árbitro na questão litigiosa

em torno dos dois países devido à sua aproximação com eles. E com a Argentina, as relações

comerciais aumentam como a política de amizade, embora não esteja de todo resolvido a velha

rivalidade, ficando claro pelos anseios argentinos na questão da equiparação de armamento

proposta por Zeballos. Mas o Brasil procurava cumprir o seu tratado de paz, adesão ao

arbitramento e não a guerra.

É interessante destacar ainda o papel que o país ocupava na Liga das Nações,

mostrando tanto seu alinhamento com os EUA, como sua posição como uma potência

sul-americana de destaque, que zelava pela paz no subcontinente.

Portanto, esse foi o período em que o Estado brasileiro mantém seus objetivos de se

tornar uma potência na região (variável antecedente Z) só que agora utilizando-se de estratégias

geopolíticas de influência (variável independente X) na região sul-americana, através da

diplomacia e de práticas não-hegemônicas (intervenção, territorialista-militar), podendo dizer

que sua tentativa era de se tornar uma potência preponderante conforme o conceito de Mello

(1996); e mantendo a estratégia geopolítica de defesa do território nacional; também utilizando

de estratégias geoeconômicas (variável independente X¹). Essas estratégias geopolíticas e

geoeconômicas (variáveis independentes X e X¹), adotadas pelo Estado, resultaram a compra

de territórios, definição de limites e acordos, e de maior influência para com países vizinhos.

Também trouxeram novas materializações no território como o caso das ferrovias

Madeira-Mamoré e Noroeste do Brasil (variáveis dependentes Y), sendo a primeira fruto das duas

estratégias, geopolítica de influência e motivações econômicas, e a segunda destinada à

geoestratégia de defesa territorial, mas que acabou por incentivar o surgimento de cidades e

favorecer a economia regional no transportes de mercadorias.

A falta de uma política dirigida para integração territorial e desenvolvimento

econômicos por parte do Estado para regiões deprimidas, e de sua estratégia política e

geoeconômica (variável independente X) voltada a favorecer as elites agrárias, os agentes do

poder hegemônico, agroexportação já em vigor, resultou a densificação das materializações já

existentes no território, aumentando a quantidade de objetos técnicos e de fixos, ou seja, as

empresas aumentaram o número da quilometragem de ferrovias (variável dependente Y) que

atendiam as principais regiões agroexportadoras do país.

6. TERCEIRO PERÍODO, A CONSTRUÇÃO DA POTÊNCIA: UM ESTADO