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De acordo com o enfoque e objetivo específico deste estudo, e tendo como referencial teórico Lüdke & André (1986) e Thomas & Nelson (2002), os dados terão características qualitativas e quantitativas, realizado por meio de análise descritiva. Trataremos de codificar e representar em porcentagens as freqüências de ocorrências das respostas coletadas e comportamentos observados, os quais serão explicitados e apresentados conjuntamente, por meio de tabelas de freqüência, no capítulo RESULTADOS E DISCUSSÃO.

Capítulo VI

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Trataremos aqui de descrever, analisar e discutir os dados coletados nas fichas de observação, objetivando identificar: os conteúdos trabalhados; a metodologia utilizada nas aulas; as possíveis relações existentes entre a ação do professor, as interações sociais presentes nas aulas e suas possíveis implicações, quanto à participação ou distanciamento dos alunos nas aulas de Educação Física. Acreditamos que, dessa forma, caracterizaremos a presença de ações que configurem, ou não, o processo de inclusão, tendo como referência as considerações teóricas contidas neste trabalho.

O quadro inicial, dos resultados desse estudo, revela-nos os seguintes aspectos:

QUADRO 1 – Contexto geral

Contexto do estudo

Número de escolas observadas 27

Número de horas aula observadas, por escola 10

Número total de horas/aula observados 270

Média de alunos presentes por aula 29

Média de alunos participantes, de fato, por aula 23 Média de alunos presentes e não participantes, por aula 6

Quanto ao gênero: as turmas são mistas na sua totalidade.

Quanto ao espaço para as aulas de Educação Física: Das 27 escolas integrantes desse estudo, 20 apresentaram local considerado adequado, para as aulas de Educação Física e 07 foram considerados inadequados.

Em relação à participação dos alunos nas aulas, um dado curioso nos chamou a atenção, embora não estivesse categorizado em nossa ficha de observação: pudemos perceber que dentre os alunos, participantes de fato, existe uma parcela que não demonstra interação/participação efetiva durante as aulas.

Mesmo considerando os diferentes interesses e expectativas individuais, observou- se que o conteúdo desenvolvido, na aula, parece influenciar na participação do aluno.

A tendência de se obter uma maior participação, quando esses conteúdos estão relacionados às atividades esportivas, pôde ser observada. Entretanto a metodologia e as ações adotadas, pelo professor, mostraram-se ainda mais decisivas nesta participação. Assim, refletindo acerca desses aspectos, podemos, inicialmente, pressupor e destacar a influência da ação docente na participação ou distanciamento dos alunos, nas aulas de Educação Física.

Em relação à análise das atividades desenvolvidas, durante as aulas, os resultados apontam uma incidência elevada de componentes predominantemente voltados para o desenvolvimento de habilidades esportivas. Os dados sugerem, ainda, que esse conteúdo tem sido desenvolvido sob diferentes roupagens e diferentes abordagens, em geral, representado por um bloco extenso de atividades, porém com poucas variações e com tratamento, nem sempre, pedagógico. Este contexto pode ser considerado preocupante, em decorrência da complexidade da aprendizagem de habilidades motoras, relativas às modalidades esportivas, o que, pode resultar, muitas vezes, em conteúdos inadequados para determinada população escolar.

FIGURA 4 – Freqüência e porcentagem dos “conteúdos/atividades” desenvolvidas, presentes nas aulas de Educação Física do Ensino Fundamental(270 horas/aula observadas):

Conteúdo/Atividades Desenvolvidas 39 14% 67 25% 24 9% 61 23% 79 29% Jogo Formal Jogos Pré-Desportivos Habilidades Específicas Jogos e Brincadeiras de rua/Habilidades motoras gerais Outros

A análise dos dados da FIGURA 4 revela-nos que, no presente estudo, o conteúdo esporte, por meio do jogo formal, com regras institucionalizadas, constitui-se no principal conteúdo desenvolvido nas aulas de Educação Física Escolar, juntamente com os jogos e brincadeiras de rua. Este aparente equilíbrio entre as atividades pode ser considerado um aspecto positivo, já que, os jogos e as brincadeiras de rua, segundo Freire (1989), constituem-se em atividades que permitem alcançar, no que se referem aos objetivos propostos, aprendizagens significativas à criança. Entretanto, podemos observar, também, que os “jogos pré-desportivos”, seguido das atividades que desenvolvem “habilidades específicas de modalidades esportivas”, incorporam-se ao conteúdo esporte, aumentando a prevalência desse conteúdo no meio escolar.

Somando-se a freqüência de atividades que envolvem o conteúdo esporte (jogo formal + jogos pré-desportivos + habilidades específicas de modalidades esportivas), obtemos um total de 66% das atividades desenvolvidas. Estes dados podem representar, inicialmente, uma formação do professor, ainda, no modelo esportivista ou, por outro lado, apontam certa tendência do professor na manutenção ou na reprodução de experiências vivenciadas e adquiridas durante o período de formação acadêmica.

Queremos enfatizar que não somos contra o esporte na escola, mas sim, questionamos a forma, como ele vem sendo conduzido, no ambiente escolar. Sendo, geralmente, transformado em prática esportivizada, nossa preocupação recai sobre as prováveis conseqüências dessa ação, não somente no aspecto motor, mas também, no aspecto cognitivo e principalmente no aspecto sócio-afetivo.

Em relação à categoria “outros”, referindo-se a outros conteúdos, desenvolvidos pela área, encontramos, em freqüência bastante reduzida, aulas realizadas no parque; jogo de dama; capoeira e dança de rua.

A partir da análise geral desses resultados, parece-nos que uma considerável, parcela de alunos, participantes dessas atividades, tem suas possibilidades reduzidas, no sentido de explorar, de exercitar e de desenvolver suas capacidades, suas potencialidades e suas habilidades, principalmente aqueles com necessidades educativas especiais.

Em razão da pequena diversidade de atividades oferecidas, a exploração do potencial motor e as interações sociais que podem decorrer dessas vivências, ficam minimizadas.

Esses dados indicam a necessidade e a importância de se entender as diferentes dimensões e possibilidades que envolvem os conteúdos acima elencados e sua aplicabilidade no ambiente escolar.

Quanto à metodologia, pudemos identificar, nesse estudo, uma significativa preferência, por parte dos professores, em utilizar o método diretivo, por meio de atividades dirigidas, na forma de comando/tarefa. Por outro lado, também foi possível observar certa preferência por atividades livres (atividades escolhidas pelos alunos), sendo a descoberta dirigida/explorativa a de menor preferência na ação docente.

FIGURA 5 – Freqüência e porcentagem da metodologia/estilos de ensino, utilizada pelos professores, nas aulas de Educação Física (270 horas/aula observadas):

Metodologia/ Estilos de Ensino

154 57% 21 8% 91 34% Atividades Dirigidas Descoberta Dirigida Atividades Livres

Analisando-se os resultados da FIGURA 5, pelo viés da formação profissional, podemos inferir que a ação do professor não tem sido influenciada pelas propostas pedagógicas, da Educação Física, disseminadas, principalmente a partir da década de 1980, como se esperava. Conforme também aponta Ferraz (2001), parece-nos que os currículos, dos cursos de Educação Física, especificamente os de licenciatura, nos moldes em que tem se desenvolvido, não tem sido suficientes para modificar essas ações, no sentido de preparar o professor para atuar adequadamente, no âmbito escolar, resultados que, também, encontramos nos estudos de Silva (2005)

A ênfase dada às metodologias diretivas, com o ensino centrado no professor, com pouca participação do aluno na construção dos conhecimentos, referenda esse posicionamento e análise.

Em relação à categoria “atividades livres”, pudemos observar que as atividades escolhidas pelos alunos, em grande parte, recaem sobre as atividades de recreação, sobre as brincadeiras e sobre as modalidades esportivas, fundamentalmente o futebol, para os meninos, e queimada ou vôlei, para as meninas.

Favorecer este espaço aos alunos, pode significar um momento positivo para as interações sociais, para as descobertas, em que, livremente, de acordo com seus interesses, suas possibilidades e suas capacidades, a criança possa entrar em contato com diferentes manifestações e práticas corporais.

Atividade livre, em uma dimensão lúdica, pode representar um momento importante na ação educativa, todavia, esse tipo de ação deve ser visto com cuidado, pois, favorecer este espaço, no contexto da educação escolarizada, não pode levar a uma atitude espontaneísta, por parte do professor, no sentido afastar-se de seu papel educativo como mediador e facilitador no processo ensino aprendizagem. Caso contrário o papel do professor, como agente mediador e transformador intencional no processo ensino- aprendizagem, estaria comprometido. Conforme aponta Ferraz (2001), o tempo livre para brincadeiras no parque, sem a devida intervenção do professor, não pode ser considerado Educação Física.

Quanto à categoria “descoberta dirigida/explorativa”, nossa análise nos leva a entender que, em razão dos blocos de atividades, concentrarem-se predominantemente no conteúdo esportivo (jogo formal, jogos pré-desportivos e habilidades específicas de modalidades esportivas) e considerando-se a especificidade das ações voltadas para o desenvolvimento desse tipo de conteúdo, esta metodologia de ensino tenha sido pouco explorada pelos professores. Esse tipo de ação também nos leva a perceber uma tendência das aulas se transformarem em prática esportivizada, descaracterizando o tratamento pedagógico.

FIGURA 6 – Freqüência e porcentagem quanto aos materiais utilizados em aula (270 horas/aula observadas): 146 54% 28 9% 65 24% 4 1,4% 17 6% 19 7% 8 3% 5 2% 7 2,5% 3 1% Bola Corda Bastão Arco Cone Coletes Rádio Giz Colchão Jornais/Revistas

A análise da FIGURA 6 revela, claramente, a opção pelo componente “bola”, como material mais utilizado nas aulas. A priori, essa opção parece estar diretamente associada aos aspectos motivantes e à questões culturais que envolvem esse material. Por outro lado, também podemos entender que os conteúdos desenvolvidos nas aulas, ou seja, as atividades vinculadas ao conteúdo esporte determinaram a opção por esse material.

Nessa questão, é importante esclarecer que, a disponibilidade, a variedade e a quantidade desse e de outros materiais não foi o foco principal de observação do presente estudo. Todavia, pudemos identificar que, mesmo tendo disponíveis outros materiais, a opção pelo elemento bola, foi sempre priorizada, em relação aos demais materiais. Mesmo considerando os aspectos motivantes do material em questão, acreditamos que a utilização e a exploração de diferentes materiais, poderiam ampliar as possibilidades e potencialidades motoras dos alunos, assim como as chances de interação entre os mesmos.

Uma das questões centrais desse estudo foi observar como tem se processado a ação do professor de Educação Física, no ambiente escolar.

Refletir sobre essa questão, especificamente, no sentido de identificar que ações têm sido implementadas, pelo professor, para favorecer, orientar e estimular a participação dos alunos nas aulas, implica em entender que a Educação Física está inserida em um processo de escolarização, com sua especificidade, sistematização de conteúdos e conhecimentos,

integrada a um projeto pedagógico. Portanto, as ações devem vir acompanhadas de intenções e objetivos a serem atingidos.

Assim, entendendo a escola como um ambiente, onde se pressupõe a transmissão sistematizada de conhecimentos, a presença do processo ensino-aprendizagem e considerando que esses aspectos implicam em desenvolvimento pessoal, social e afetivo, os dados encontrados nesse estudo, referentes à ação do professor, nas aulas de Educação Física, merecem nossa atenção.

FIGURA 7 – Freqüência e porcentagem da ação do Professor nas aulas de Educação Física (270 horas/aula observadas) 59 21% 91 34% 89 33% 31 11% 53 19% 94 35% 96 36% 27 10% 71 26% 118 44% 60 22% 21 8% 0 45 90 135 180 225 270

Favoreceu Orientou Estimulou

Frequente

As vezes

Raramente

Nunca

Analisando os dados da FIGURA 7, podemos perceber que as ações relacionadas à categoria “favoreceu a aprendizagem”, no sentido de dar oportunidades iguais de participação, não têm sido freqüentes. Levando-se em consideração à perspectiva, no mínimo, da não exclusão, parece-nos que esses resultados estão em desacordo com a proposta apontada pelo PCNs, de uma escola para todos, assim como em relação às outras abordagens da Educação Física apresentadas nesse estudo. É importante destacar que, ficar à margem das aulas, tendo suas possibilidades de participação minimizadas, via ação pedagógica, pode, também, significar restrição de experiências sociais, além de motoras.

Esse aspecto merece atenção, na medida em que reconhecemos no movimento a sua especificidade, na área da Educação Física e que o mesmo tem implicações fundamentais, nas diferentes dimensões que envolvem o desenvolvimento da criança. Assim, uma proposta que valorize a diversidade, requer ações que possam atender as diferentes necessidades, levando em consideração as possíveis limitações, mas, sobretudo, as possibilidades.

Em relação à categoria “orientou aprendizagem”, observamos que as ações não privilegiam a instrução e o feedback, durante, ou, após, as atividades. Podemos observar uma tendência das atividades serem precedidas de informações, mas, no seu desenvolvimento, a freqüência das orientações, das possíveis correções ou dicas sobre a execução ou desempenho tornam-se menores. Nossa análise, sobre essa questão, recai sobre uma possível distorção didático-pedagógica, da ação docente, que incide sobre os conhecimentos do “saber fazer” – “o que fazer” e não sobre o “como fazer”. Vale ressaltar discussão anterior (Capítulo III) sobre uma possível pedagogia fragmentada e a importância da articulação os conhecimentos do “saber fazer” com os conhecimentos do “como fazer”, “quando fazer” e fundamentalmente conhecimentos sobre “quem aprende”.

Quanto à categoria “estimulou a participação”, podemos observar que as ações nesse sentido, também, não são freqüentes ou sistemáticas. Considerando alguns elementos culturais e sociais que envolvem a prática de atividades físicas como prazer, liberdade, diversão, entre outros aspectos e por acreditar que a disciplina Educação Física esteja diretamente associada a estes aspectos, que, em geral, a participação do aluno nas aulas dá- se por este “gostar da aula”, a ação de estimular a aula, muitas vezes, passa desapercebida. Todavia, a defasagem de experiências motoras anteriores, as experiências motoras atuais, as experiências sociais, as experiências afetivas mal sucedidas, os diferentes interesses e expectativas das crianças, podem produzir um distanciamento dos alunos nas aulas. Esses aspectos necessitam ser reconhecidos e considerados nas ações pedagógicas na perspectiva de (re)inserir e/ou redimensionar a participação dos alunos nas aulas.

Outra preocupação desse estudo foi observar as possíveis relações existentes entre a ação pedagógica e às Interações sociais/ atitudes presentes durante as atividades:

Para identificarmos os efeitos da ação do professor (Favoreceu, Orientou e Estimulou), no contexto geral das aulas, e analisarmos esses efeitos nas interações sociais

presentes, classificamos essas ações em três categorias, as quais denominamos de: Ação Pedagógica Interativa; Ação Pedagogia Moderada; Ação Pedagógica Passiva.

Para conceituação e elaboração dessa classificação, para esse estudo, e de acordo com as ocorrências observadas, estabelecemos o seguinte critério para essa denominação:

Ação Pedagógica Interativa (API): ação em que o professor interage efetiva, freqüente e decisivamente favorecendo, orientando e estimulando a participação do aluno nas atividades propostas.

 Três ações presentes na escala “freqüente” ou,

 Duas ações presentes na escala “freqüente”, e uma ação presente na escala “às vezes”:

Ação Pedagógica Moderada (APM): ação em que o professor interage moderadamente (nem muito, nem pouco), de forma esparsa, no que se refere a favorecer, orientar e estimular a participação do aluno nas atividades propostas.

 Duas ações presentes na escala “freqüente” e uma ação presente na escala “raramente/nunca” ou,

 Uma ação presente na escala “freqüente” e duas ações presente na escala “às vezes”.

Ação Pedagógica Passiva (APP): ação em que o professor pouco ou nada interage durante a aula no sentido de favorecer, orientar e estimular a participação do aluno nas atividades propostas.

 Uma ação presente na escala “freqüente”, uma ação presente na escala “as vezes” e uma ação presente na escala “raramente/nunca” ou,

 Duas ações presentes na escala “raramente/nunca”, uma ação presente na escala “freqüente”, uma ação presente na escala “às vezes”.

Mediante essas ações, pudemos observar os seguintes aspectos, relacionados às interações sociais, e comportamentos presentes nas aulas:

FIGURA 8 – Ação Pedagógica Interativa (API) Do total de 270 aulas observadas, 72 aulas caracterizaram-se como API.

52 72% 12 16% 44 61% 46 64% 59 82% 9 12% 38 52% 6 8% 0 12 24 36 48 60 72

CNR CA D AC EGT D/I ExC EXCL

Ação Pedagógica Interativa

Em relação aos comportamentos observados, a análise dos dados, demonstra uma elevada incidência (acima de 60%) de respostas nas categorias Cumprimentos de normas e regras; Discussão (acordos e barganhas); Atitudes cooperativas; envolvimento geral da turma. No componente “exclusão”, os dados apontam a porcentagem de 8,3%. Especificamente no caso do componente exclusão, podemos inferir que o conteúdo esporte tenha se configurado como um elemento influenciador. Na análise geral dos dados, podemos inferir, a priori, que ação do professor influenciou positivamente na participação dos alunos, assim como na interação entre os mesmos.

Legenda

Sigla Interações/comportamentos

CNR Cumprimento de normas e regras CA Comportamentos agressivos

D Discussão (acordos/barganhas); AC Atitudes cooperativas

EGT Envolvimento Geral da Turma D/I Desinteresse/ indiferença ExC Excesso de competitividade EXCL Exclusão

FIGURA 9 – Ação Pedagógica Moderada (APM) - Do total de 270 aulas observadas, 106 aulas caracterizaram-se como APM.

59 58% 39 37% 56 57% 52 49% 80 75% 20 21% 58 55% 11 10% 0 20 40 60 80 100

CNR CA D AC EGT D/I Exc EXCL

Ação Pedagógica Mediativa

Analisando-se os comportamentos observados, nessa categoria, os dados revelam uma incidência moderada (máximo de 59%) de respostas nas categorias: Cumprimentos de normas e regras; Discussão (acordos e barganhas); Atitudes cooperativas. Quanto ao “envolvimento geral da turma”, o índice já sobe para 75%. No componente “exclusão”, os dados apontam um percentual de 10,3%. Especificamente no caso desse componente, podemos inferir que o conteúdo esporte, concomitantemente com uma ação pedagógica mais esparsa, tenha se configurado como um elemento influenciador para o aumento desse comportamento. Em linhas gerais, podemos inferir que ação do professor, mesmo podendo ser considerada ativa, não teve uma influência efetiva na participação dos alunos, assim como na interação entre os mesmos.

Legenda

Sigla Interações/comportamentos

CNR Cumprimento de normas e regras CA Comportamentos agressivos

D Discussão (acordos/barganhas); AC Atitudes cooperativas

EGT Envolvimento Geral da Turma D/I Desinteresse/ indiferença Exc Excesso de competitividade EXCL Exclusão

FIGURA 10 – Ação Pedagógica Passiva – Do total de 270 aulas observadas, 92 aulas caracterizaram-se como APP.

22 23% 43 46% 28 30% 17 18% 53 57% 48 52% 51 55% 25 27% 0 30 60 90

CNR CA D AC EGT D/I ExC EXCL

Ação Pedagógica Passiva

Ao contrário da API e da APM, a análise dos resultados da FIGURA 8, apontam uma incidência elevada de respostas nas categorias: Comportamentos agressivos; Desinteresse/indiferença; Exclusão. Especificamente no componente “exclusão”, os dados apontam um aumento na ordem de 120% quando comparado a API e APM. Esses resultados mostram-se preocupantes na medida em que observamos uma diminuição acentuada dos comportamentos: Cumprimentos de normas e regras; Discussão (acordos/barganha); Atitudes cooperativas, que podemos considerar elementos desencadeadores de interações sociais positivas. A análise geral desses dados nos leva a inferir que uma ação pedagógica desvinculada de intencionalidade e do compromisso com o processo de ensino-aprendizagem, parece exercer influência direta na participação ou distanciamento dos alunos, assim como na interação entre os mesmos.

Legenda

Sigla Interações/comportamentos

CNR Cumprimento de normas e regras; CA Comportamentos agressivos

D Discussão (acordos/barganhas); AC Atitudes cooperativas

EGT Envolvimento Geral da Turma D/I Desinteresse/ indiferença ExC Excesso de competitividade EXCL Exclusão

Para melhor refletirmos sobre essas questões, apresentamos a seguir um quando comparativo, dos comportamentos observados, mediante as respectivas ações pedagógicas.

FIGURA 11 – Quadro comparativo entre API, APM, APP e os comportamentos observados em cada ação pedagógica. (em porcentagem %)

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

CNR CA D AC EGT D/I ExC EXCL

API APM APP

Conforme os dados da FIGURA 11 sugerem, as ações passivas (APP) ou as ações ativas de pouca intencionalidade (APM), não exercem o papel esperado no que se refere ao processo de escolarização. Daquilo que se espera de uma disciplina, essas ações parecem que não contribuem para a formação integral do cidadão, nas suas diferentes dimensões.

Contudo, vale ressaltar, que não podemos afirmar que estas ações sejam mais efetivas ou menos efetivas, no que se refere ao processo educativo como um todo, já que, não estabelecemos correlação entre API, APM e APP e a metodologia (estilos de ensino) utilizada pelo professor. Esperamos poder aprofundar esses elementos em outro estudo.

Legenda

Sigla Interações/comportamentos

CNR Cumprimento de normas e regras; CA Comportamentos agressivos

D Discussão (acordos/barganhas); AC Atitudes cooperativas

EGT Envolvimento Geral da Turma D/I Desinteresse/ indiferença ExC Excesso de competitividade EXCL Exclusão

Nossa reflexão sobre as causas que interferem na ação pedagógica leva a discussão para o campo da: pesquisa e produção de conhecimento, formação profissional, formação continuada, mas, principalmente do Poder Público.

Mesmo estando contemplada nas leis internacionais e nacionais, como direito de todos, a Educação escolarizada precisa de condições adequadas para obtenção de qualidade. Essa qualidade só pode ser atingida se os Órgãos Públicos a garantirem de fato, já que a de direito, ao menos no discurso, está garantida.

Embora possa apresentar limitações, por se tratar de uma amostragem regionalizada, os dados coletados e as observações realizadas e analisadas, no presente estudo, sugerem que as atuais ações pedagógicas não têm contribuído favoravelmente quanto à participação

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