Na América Latina, o debate político passou a ser liderado, principalmente após o segundo pós-guerra, por intelectuais socialistas.1 O pensamento de esquerda formou-se representado pela intelectualidade que se destacou na interpretação dos processos históricos e na formulação de projetos políticos para seus países ou para o subcontinente como um todo. Foram homens que buscaram desenvolver propostas para a transformação da sociedade a partir das suas perspectivas teóricas. A atuação intelectual e política de Julio César Jobet se enquadra nesse contexto de difusão do marxismo no subcontinente.
Visualizamos nos itens anteriores que o desenvolvimento da esquerda chilena se desenhou principalmente na busca de alternativas que superassem as contradições entre a estabilidade política e a questão social do país. Foram debates que se ampliaram de acordo com o desenvolvimento do seu pensamento político, e que indicariam ao longo do século as diferentes vias de transformação, em especial teorias ligadas à tradição revolucionária da esquerda pós-1917.
O que podemos destacar é que o processo de radicalização da esquerda chilena teve como um dos seus principais fatores a atuação dos seus intelectuais na realização de uma renovação das orientações internas, buscando reconstituir as principais categorias analíticas e do pensamento político que foram mobilizadas para concretizar um determinado projeto socialista. Esta investigação apresenta os intelectuais como figuras centrais, como protagonistas numa defesa de tradições políticas e de esquemas ideológicos que significou um rompimento com a cultura concertacionista característica do socialismo chileno até os anos quarenta.
O Chile é um país que se destaca pela constante atuação dos seus teóricos na esfera política e, principalmente, no movimento socialista, que conferia especial espaço aos seus intelectuais na organização e difusão das idéias e debates políticos. Como afirma Jocelyn- Holt, a este protagonismo se deve, dentre outras questões, o diagnóstico crítico da sociedade
1
RICUPERO, Bernardo. Caio Prado Jr. e a nacionalização do marxismo no Brasil. São Paulo: Editora 34, 2000.p. 26.
senhorial, a visão histórica do Chile como país economicamente atrasado, a radicalização ideológica, a crítica às instituições públicas, que passaram a ser vistas como obstáculos oligárquicos que impediam efetuar as mudanças estruturais.2
Buscamos indicar até aqui, em meio às inflexões ideológicas que marcaram a política chilena, as atuações dos principais intelectuais socialistas representantes dessa nova fase do socialismo chileno. Nomes como o de Oscar Waiss, Alejandro Chelén, Raul Ampuero e Julio César Jobet, bem como as orientações que buscaram imprimir nas ações do Partido Socialista, no intuito de demonstrar que a sua participação teve influência direta nessa mudança de postura que ocasionou uma radicalização dos seus pressupostos.
De acordo com Federico Gil, os profissionais e intelectuais constituíam um grupo de especial importância nos assuntos partidários. Tinham respeito e prestígio na organização, e seus trabalhos nas diversas comissões internas tinham forte peso. Além disso, esses intelectuais desempenhavam importantes funções como representantes intermediários entre o partido e as instituições públicas e privadas, como a CORFO (Corporación de Fomiento), a CEPAL e a Universidade do Chile, bem como em grupos de pressão daquela sociedade, como a Sociedade Nacional de Agricultura.3
Além disso, a atuação destes intelectuais era de fundamental importância na formação teórica dos militantes, e se via favorecida pela estrutura de funcionamento do partido, dividido em núcleos, cujo objetivo era o de formação política das suas bases. As atividades se davam, sobretudo, com o estudo coletivo e individual do marxismo e das publicações do partido e dos seus membros.4
Dentre esses intelectuais, Julio César Jobet merece destaque devido a sua vasta produção, tanto historiográfica, como política. Não por acaso, Jobet é reconhecidamente uma das maiores referências intelectuais do socialismo chileno, na medida em que traduziu em
2 LETELIER, Alfredo J H. Os intelectuais-políticos chilenos: um caso equivocado de protagonismo contínuo: os
intelectuais e a política na América Latina. Cadernos Adenauer, Rio de Janeiro, ano 4, n. 5, p. 65-97, 2003, p. 66.
3 GIL, Federico. El sistema político de Chile. Santiago: Ed. Andrés Bello, 1969, p. 310. 4 SARGET, op. cit., p. 94.
seus trabalhos os princípios e categorias que orientaram este processo de busca de uma nova identidade para o socialismo, e que sempre se posicionou como um porta-voz do partido.
Entendemos que a atuação de maior importância de Julio César Jobet se dá no contexto do final dos anos cinqüenta. A historiografia identifica nesse período, em setores da sociedade chilena, a difusão de uma espécie de decepção generalizada a respeito das possibilidades de mudança no tipo de dinâmica política baseada nos pactos e na sua real capacidade para conduzir as transformações na sua estrutura econômica e na sua organização social, que ainda apresentavam aspectos da sua ordem tradicional.
A década de 1950 marcaria o colapso do modelo político que governou o país desde os anos trinta, caracterizada por políticas de coalizão durante os governos radicais (Partido Radical), que favoreciam acordos entre as diferentes tendências políticas. Tratava-se então de um momento de negação de um processo construído desde o final dos anos trinta, denominado por Eugenio Tironi como “arreglo democrático”, caracterizado por um entendimento entre as forças sociais e políticas do Chile e pela congregação do desenvolvimento com pautas integradoras no plano social, no qual o Estado assumia o seu papel central; elementos que constituíam o que havia de essencial na particularidade chilena.5
Conforme indicamos no capítulo anterior, a década de 1950 foi marcada pela nova configuração que passou a adquirir o sistema político chileno, na qual o sistema institucional sofreu alterações devido à nova postura assumida pelos partidos políticos e, ao mesmo tempo, pela busca de novas alternativas distintas da prática de acordos políticos, vivenciada desde a década de 1930.
Como decorrência, teria emergido na primeira metade da década de 1960 uma generalizada sensação de crise e de desenvolvimento frustrado, aumentando o terreno de aceitação da idéia de que a sociedade chilena necessitava passar por mudanças profundas. Nesse sentido, a esquerda assumia uma oposição aberta ao governo e ao seu “reformismo”, fazendo reaparecer, sob o impacto da Revolução Cubana (1959), a temática da iminência do
socialismo, e contribuindo ainda mais para a polarização ideológica do sistema político chileno. 6
No meio intelectual, a generalização da idéia de atraso e do desajuste entre a estrutura política e a sócio-econômica se constituiu numa das principais características dos debates e das formulações teóricas e políticas que viriam a animar os grupos de esquerda nos próximos anos. As obras do economista Aníbal Pinto, Chile, un caso de desarrollo frustrado, de 1956, e a obra intitulada Ni estabilidad, ni desarrollo: la política del Fundo Monetario, publicada em 1960, são trabalhos que se tornaram referência para a esquerda e para os partidos de centro do país.
A crítica de Pinto à política do governo Jorge Alessandri (1958-1964) baseada no constrangimento do protagonismo do Estado e das limitações protetoras à produção nacional seria interpretada pela esquerda como uma manifestação antiimperialista e pelo centro como nacional-desenvolvimentismo.7 Para o autor, o descompasso entre a infraestrutura e a superestrutura havia se tornado insustentável no contexto de crise social que vivia o país, o que tornava imprescindível a concretização de uma alternativa política capaz de refundar o desenvolvimento chileno em outros moldes para superar o atraso.
Obra de impacto na historiografia e na análise estrutural do país foi o Ensayo crítico del desarrollo económico social de Chile, de Jobet, publicada em 1951. Esta publicação teve grande repercussão porque além de resgatar temas da denominada “questão social” e seus principais autores e momentos das lutas operárias, o trabalho teceu duras críticas à ordem tradicional e à democracia do país, destacando os limites daquele sistema. A visão da América colonizada e dependente, como herança da sua formação histórica é reforçada e dá o tom das idéias e propostas socialistas na versão do antiimperialismo e da Segunda Independência Nacional e Continental.
No entanto, trabalhos como o de Jobet e o de Pinto buscaram tecer críticas às estruturas daquele país e ao alcance da democracia, sem propor um novo tipo de compromisso
6 AGGIO, op. cit., 2002, p. 103.
7 COSTA, Janaína Capistrano. As relações entre executivo e legislativo no contexto da crise da democracia chilena em 1973. 2005. 230f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais)- Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2005, p. 55.
político capaz de realizar transformações significativas dentro da lógica política daquela sociedade. O que veremos adiante é que Jobet propôs um projeto político de legitimação de um patrimônio ideológico partidário baseado em concepções bastante convencionais da esquerda mundial, abstraindo-se da realidade política do seu país e das exigências que aquela sociedade trazia consigo.
Como um historiador marxista vinculado a um partido político, uma das questões que despontam como mais interessantes e importantes refere-se à maneira como se relacionam, em Julio César Jobet, suas concepções historiográficas e seus posicionamentos políticos. Como historiador, Jobet concebeu os fatos do passado e buscou as origens das questões que o inquietaram no seu tempo. A partir dessas considerações, visamos indicar as principais características do seu pensamento e as idéias políticas subjacentes, para apreendermos a sua proposta para o projeto socialista que se tornou uma das linhas de maior expressividade nesse processo de radicalização da esquerda.
O seu trabalho historiográfico começou a se destacar a partir da década de 1940 e se enquadrou num período de mudanças de enfoque, acompanhada de uma nova abordagem metodológica apreendida pelas novas gerações de historiadores. Entre outros métodos de análise, esses novos intelectuais assimilaram o marxismo como concepção de mundo e forma de construção do conhecimento histórico, influência fortalecida pelo seu engajamento no movimento socialista. Seu trabalho veio representar uma proposta de ruptura com a historiografia predominante.
Visualizar no trabalho de Jobet a questão da relação do intelectual com o seu meio não é uma tarefa muito difícil, já que o historiador, como um marxista e dirigente partidário, evidenciou em seus escritos que o trabalho teórico serve de ferramenta para a atividade política e social. Entendia que o historiador é um homem de uma época e de uma classe social determinada, portanto, influenciado pelas paixões e anseios de classe.8 Cabe destacar que buscamos não priorizar o enfoque à discussão do seu trabalho historiográfico, já debatido em
trabalho anterior9, visando discutir mais o seu protagonismo político. Dessa forma, articulando as suas idéias com o seu projeto socialista em um contexto determinado.
A análise da história chilena é empreendida por Jobet no sentido de identificar as continuidades e as principais características que marcaram o seu processo histórico desde o período da colonização até o momento vivido pelo historiador. É possível observar que seu trabalho sofreu a influência de diferentes momentos políticos que culminaram em oscilações em toda a sua abordagem histórica.
Para compreender a formação chilena, Jobet ocupou-se da discussão em torno do caráter da colonização do país realizada pela Espanha e que delineou a estrutura política, econômica e social chilena. Para o historiador, ao chegarem à América no século XVI, Espanha e Portugal viviam uma transição para o sistema capitalista no âmbito econômico, mas permaneciam com traços feudais nas relações políticas e sociais. O mais importante para o presente trabalho é que Jobet realiza uma análise das questões do seu tempo buscando estabelecer sua relação com a formação histórica nacional, realizada a partir da análise do nexo colônia-nação.
Nesta dimensão, Jobet se aproximou das idéias de Mariátegui a respeito da colonização peruana, no sentido de indicar a coexistência dos sistemas feudal e capitalista naquela sociedade. Podemos afirmar que Jobet não foi capaz de transcender idéias que já se mostravam questionáveis por outros intelectuais, como Caio Prado Jr e André Gunder Frank. Comparativamente, é possível dizer que, evitando caracterizar o sistema vigente no Brasil como um modo de produção específico, Caio Prado Jr indicou como aspecto fundamental da colonização o peso dos fatores externos na formação da sociedade. Dessa forma, ele superou teses em voga no período, ao não procurar um feudalismo local.
Em sua abordagem, Jobet também evitou prender-se a um modelo explicativo com o intuito de demonstrar autonomia, como afirmou o próprio autor, e realizou uma miscelânea conceitual ao conceber as relações sociais de caráter feudal e a produção para a Metrópole como mercantil; utilizou, dessa forma, termos como “semifeudalismo” na caracterização do
9 CURY, Márcia Carolina de O. Entre o passado e o futuro: a análise da história chilena e o projeto
sistema de exploração instaurado no Chile, e formulou teses superadas e debatidas no momento mesmo de sua produção.
A interpretação histórica de tendência denominada conservadora, com a qual Jobet empreende os primeiros debates, indica que a conquista e colonização da América tiveram a motivação idealista de estender a civilização cristã. Historiadores como Diego Barros Arana, Francisco A Encina, Alberto Edwards e Jose Toribio Medina são alguns dos principais nomes da historiografia do final do século XIX citados por Jobet.
Além da defesa da colonização, predominava nas idéias desses autores a concepção da superioridade branca. Para eles, o sangue espanhol teria se concentrado nas altas classes sociais, o que justificava o combate à mestiçagem, encarada como a responsável pela origem das classes populares e pelo “atraso na evolução” do povo chileno. A principal advertência do historiador marxista se deu no sentido da ausência dos setores populares como sujeitos históricos nessas investigações, de forma que a evolução e o desenvolvimento do país se confundiram exclusivamente com a trajetória e os interesses das classes dominantes.
Outro tema bastante desenvolvido por Jobet é a consolidação do liberalismo no país, que, segundo ele, expandia-se e consolidava-se em razão do desenvolvimento de uma burguesia mineira e comercial vinculada às transformações econômicas que se iniciaram por volta de 1860. O caráter dual que assumiu esse processo, que teve, de um lado, o ataque às instituições conservadoras do país e, por outro, a aliança burguesa com a oligarquia local no âmbito econômico, caracterizaram, na leitura de Jobet, a singularidade do liberalismo chileno.
O historiador concebeu esta primeira fase do liberalismo nacional como o desenvolvimento de uma economia classista atrasada, feudal-capitalista, como expressão de um “falso liberalismo”, à medida que foi importado das nações européias e era alheio à realidade econômica e social do país. Assim, o novo sistema teria servido para fortalecer os grupos que detinham a riqueza e para intensificar a exploração de uma classe sobre a outra.
Com a sua perspectiva totalizante da história, Jobet se dedicou a examinar a consolidação da classe burguesa e o processo de sua afirmação na arena política. Pois, o processo de estruturação econômica da burguesia “demo-liberal” teria constituído a base do
desenvolvimento correlativo da sua consolidação política. Assim, somente quando essa classe se integrou como tal, independentemente, com base em recursos econômicos próprios e ao apresentar-se a conjuntura favorável, surgiu com força para conquistar o poder político, “indispensável para consagrar juridicamente sua hegemonia”.
Esta análise norteia uma das principais características do seu trabalho, e que influenciaria as proposições políticas de Jobet voltadas ao caráter da revolução socialista e à democracia chilena, na medida em que Jobet visualiza neste setor a classe inimiga dos trabalhadores e um dos principais obstáculos para a revolução socialista, o que caracteriza a concepção classista da sua proposta política.
Sua análise se pautou na idéia de que nas sociedades divididas em classes antagônicas, a conquista do poder político se apresenta como objetivo das classes novas ou em formação. Por essa razão, a ação da burguesia nacional buscou ocupar o governo e implementar seu programa democrático liberal. O processo econômico que constituiria o nascimento dessa burguesia foi marcado pelo desenvolvimento das ferrovias, maior exportação de produtos agrícolas, aumento do comércio e, principalmente, pelo auge da mineração, com destaque para a exploração do cobre. Para o autor, esse foi o momento de transição da economia semifeudal para a capitalista, bem como o desenvolvimento da burguesia e do movimento demo-liberal que esta representava.
Para o historiador, o Chile vivenciou um desenvolvimento significativo, porém em desarmonia com seu verdadeiro caráter econômico e social, ou seja, sem uma conexão com os “verdadeiros anseios e perspectivas nacionais”, na sua concepção, identificados sempre com os anseios populares. O país passou a ser um vasto mercado de produtos manufaturados estrangeiros e provedor de matérias-primas, especialmente minerais. Jobet visualizou a manutenção dessa situação ao longo de um século por favorecer a determinados setores que controlavam a economia e o Estado, mas que resultava negativa para o país no seu conjunto e espoliadora para os trabalhadores.
Para Jobet, a forma assumida pelo liberalismo no Chile significou a manutenção da economia colonial do país delimitada pela agricultura, denominada semifeudal, e pela
exploração do minério para exportação, baseada na proeminência de um mineral em diferentes períodos: ouro na colônia, prata no segundo terço do século XIX (denominada república conservadora), cobre até a Guerra do Pacífico (república liberal), salitre desde fins do século XIX (república parlamentar e penetração do imperialismo inglês), cobre novamente desde a ditadura de Carlos Ibáñez del Campo (domínio do imperialismo norte-americano).10
A introdução do liberalismo representou, portanto, a efetivação da dependência de fatores externos e a exploração estrangeira e, ao mesmo tempo, o fortalecimento da burguesia e da oligarquia nacional com o desenvolvimento da indústria extrativa, do comércio e a manutenção da estrutura latifundiária. A abordagem de Jobet indicou que a formação de uma burguesia forte aliada ao imperialismo impediu a formação de grandes capitais nacionais necessários para o desenvolvimento industrial independente no país. O Estado deveria ser capaz de administrar as riquezas nacionais no sentido de promover as transformações estruturais necessárias para a “libertação do povo”.
A intervenção estatal deveria ser realizada por “verdadeiros estadistas ocupados da questão nacional” para empreender uma ampla reforma agrária, grande industrialização, a nacionalização das riquezas minerais, dos meios de transporte, de comunicação e de crédito. A planificação da economia deveria ocorrer conjuntamente à reforma educacional, indicada como requisito básico para o funcionamento de uma “democracia fecunda e disciplinada”.11
Na sua leitura, no momento de romper com o modo de produção semifeudal, o liberalismo econômico e político deu um passo decisivo no progresso nacional. Mas a formação de uma classe dirigente de domínio político e econômico trouxe consigo um perigo para a autonomia nacional: o capital imperialista favorecido pela adesão daquela classe aos princípios do liberalismo de não-intervenção. Essa questão teria se traduzido na incapacidade da classe dirigente ao não utilizar a riqueza nacional para o desenvolvimento interno. A sua hipótese apostava no papel decisivo do Estado na acumulação de capital e no gerenciamento desse processo que, tanto poderia destinar-se ao desenvolvimento nacional, quanto aos interesses de uma minoria, havendo prevalecido, na sua concepção, esse último.
10 JOBET, op. cit., 1951, p. 52. 11 Ibidem, p. 77.
Não obstante a oposição à idéia da revolução por etapas, Jobet não fugiu à regra da concepção que predominava na esquerda latino-americana da necessidade de superação do feudalismo local. Além disso, a visão de um Estado técnico e gerenciador a favor do progresso e desenvolvimento nacional revela mais uma perspectiva que Jobet compartilhou com os intelectuais marxistas do seu tempo, além de não se diferenciar da perspectiva presente nas proposições do Partido Radical e da Frente Popular.
Por outro lado, assim como Mariátegui e Caio Prado Jr., o historiador chileno afirmava buscar compreender sua realidade concreta para elaborar projetos de ação específicos. Da mesma maneira que Ricupero avaliou em relação ao pensamento daqueles intelectuais, nota-se no pensamento de Jobet que, ao indicar o passado colonial como obstáculo ao desenvolvimento da nação, o socialista observou que as revoluções burguesas não seguiram a “via clássica” de ruptura; ao mesmo tempo em que não proporcionaram um