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Elementos da historiografia do socialismo chileno

O tema do socialismo chileno adquiriu espaço considerável na historiografia daquele país, porém com contornos pouco diferenciados no que se refere às abordagens adotadas. Em geral, encontram-se trabalhos destinados a analisar o sistema político nacional, preocupados com o seu desenvolvimento a partir das influências e relações entre os diferentes partidos que o compuseram, entre eles, os partidos de esquerda.

Em geral, as avaliações acerca da esquerda se remetem à trajetória dos seus partidos, e, pautam-se nas mesmas categorias analíticas adotadas no período analisado, de maneira a apontar os limites e os desvios políticos de suas escolhas, visto que grande parte desses trabalhos é elaborada por protagonistas daquele processo30; além de compilações de documentos referentes a diferentes períodos dessas trajetórias.31

É possível destacar também trabalhos dedicados ao Partido Socialista que buscaram identificar suas principais características, e, numa abordagem que abarca a sua trajetória desde a sua fundação até o seu governo, em 1970, analisa a sua participação no sistema institucional, numa avaliação que adquiriu poucas variações. Dentre elas, podemos destacar comparações com o Partido Comunista e, principalmente, a indicação de “desvios” na sua prática política, especialmente no que se refere a sua atuação político-institucional, bem como as deficiências táticas na transição ao socialismo no governo da Unidade Popular.

Uma das análises mais significativas desta concepção de deficiência tática na condução do governo para a construção do socialismo é a abordagem presente no trabalho de Ignácio Walker, cuja hipótese central sustenta que a ausência de uma concepção socialista democrática privou Allende do necessário apoio político no interior da coalizão de partidos

30 ALTAMIRANO, Carlos. Dialética de uma derrota: Chile 1970-1973. São Paulo: Editora Brasiliense, 1979.

Neste trabalho, Altamirano tece duras críticas à UP por sua “inadequada percepção política da inevitabilidade do conflito”; Alejandro Chelén, liderança intelectualmente próxima a Altamirano, publicou Trayectória del Socialismo: apuntes para una historia critica del socialismo chileno. Trata-se de um trabalho que expressa significativamente a posição “inconformista”, que se opôs às participações governamentais em coalizões pluripartidárias do PS e cobrou uma posição confrontacional do partido.

31 Além das compilações utilizadas neste trabalho, podemos citar El socialismo y la unidad: (cartas del Partido

Socialista al Partido Comunista). Colección Documentos, n.1, Santiago, 1966, publicada pela Secretaria de Educação Política do PS.

que o conduziu ao poder, o que teria contribuído para o fracasso da “via allendista” ao socialismo.32

Numa leitura teleológica da trajetória do Partido Socialista, Walker entende que o desfecho do processo do governo socialista esteve determinado pela supremacia de uma estratégia que pregava a “inevitabilidade do conflito” no interior do partido composto por diferentes correntes e que evoluiu do populismo para o leninismo. O que se pode observar é que estas análises estão condicionadas pelo desfecho da “experiência chilena”, cuja imagem de tragédia é apresentada como um fato inexorável devido à trajetória e composição do seu principal representante político, o Partido Socialista.

Para o autor, havia uma tensão entre a retórica (revolucionária) e a prática (populista) no partido, marcando a sua história de contradições. Suas características nacional-popular, antiimperialista e antioligárquica demonstrariam, de acordo com Walker, a decisiva influência que o fenômeno populista teria exercido sobre o socialismo chileno, assim como a concepção de “segunda independência nacional” e a idéia da união entre os trabalhadores manuais e intelectuais, elementos centrais da Declaração de Princípios do PS. Mas a crítica ao partido se remete, especialmente, à participação do Partido Socialista no governo de cunho modernizador da Frente Popular.

Numa tentativa de explorar as possibilidades e tensões em torno da viabilidade de um projeto socialista democrático no interior de um partido marcado pelas diversidades internas e que teve um papel central na política chilena ao longo do século XX, o autor, equivocadamente, aponta para a sua inviabilidade, pautando-se numa concepção determinista da trajetória do movimento socialista chileno, como um resultado lógico na história de um grupo “cuja postura democrática havia sido marginal desde a sua formação”.33

Outro nome significativo dessa abordagem é o de Paul Drake, cujo trabalho se fundamenta na análise do que o autor define como uma “relação instável do PS com o sistema político”, apontando características do grupo, tais como uma liderança caudilhista-

32 Cf. WALKER, Ignácio. Del populismo al leninismo y la “inevitabilidad del conflito”: el Partido Socialista

de Chile (1933-1973). Santiago: Cieplan, 1986. (Documento de Trabajo).

carismática, o conflito ideológico, as incoerências táticas e estratégicas, expressas na dualidade radicalismo ideológico-eleitoralismo político.34

Para Drake, a participação do Partido Socialista na Frente Popular, bem como o seu esforço para adaptar-se a sua realidade, às condições nacionais específicas, como a tradição cultural, a estrutura social e o subdesenvolvimento econômico do país, acarretando um desvio das suas interpretações fundamentais das metas marxistas, são elementos que demonstram a sua inserção no modelo do populismo latino-americano. Frente à participação do Partido Socialista no processo de modernização e transformação política da sociedade se estabeleceu a identificação do grupo com o denominado populismo através dos seguintes elementos definidores:

Dentro de seu partido, os socialistas chilenos mantinham técnicas de campanha, propostas de programas e alianças sociais altamente populistas nos anos 30. Além disso, formaram coalizões multipartidárias e pluriclassistas que aspiravam a programas populistas de desenvolvimento nos anos 40. [tradução nossa]35

Drake utiliza elementos de definição do denominado populismo de maneira a identificar o socialismo chileno como parte desse modelo político. Em especial, o autor utiliza três aspectos: estilo de mobilização, liderança e campanha, enfoque que daria maior espaço ao paternalismo, ao nacionalismo e à gratificação das massas; a coalizão heterogênea, que se refere em geral à classe trabalhadora, mas que inclui setores significativos das classes médias; a associação a um conjunto eclético de políticas adotadas durante períodos de modernização, programas de integração nacional correspondentes aos problemas de subdesenvolvimento, incorporando os trabalhadores ao processo de industrialização acelerada através de “medidas redistributivas leves”.

Contraditoriamente, o autor destaca as características socialistas do grupo, em especial a sua marca “anti statu quo”, a ênfase na classe trabalhadora e os objetivos socialistas revolucionários. Tais características teriam sido acentuadas ao longo da sua trajetória devido às insuficiências do governo de coalizão para realizar as transformações desejadas, causando, nas suas palavras, a decadência do partido, para retomar um rumo mais independente a partir

34 DRAKE, Paul. Socialismo y populismo – Chile 1936-1973. Valparaíso: Universidad Católica de Valparaíso,

1992.

da década de 1950. Ainda que o grupo tenha enfatizado a sua ideologia, como o conflito de classes, a manutenção da sua atuação no marco institucional reafirmaria sua característica populista.

Estas afirmações contraditórias não permitem a inserção do partido no radicalismo socialista ou na conciliação populista, tais como a questão da presença dos setores médios como fator de moderação e flexibilidade para a formação de alianças com diferentes setores. Ao mesmo tempo em que os intelectuais, que também são parte desses extratos médios do grupo, são apontados como elementos que contribuíram para a radicalidade ideológica do partido.

Primeiramente, podemos apontar a generalidade de um conceito que é utilizado para definir movimentos políticos e correntes ideológicas as mais diversas surgidas em regiões tão diferentes. Entendido como uma forma particular de ideologia ou um tipo de movimento, o que se deve notar, especialmente nesta abordagem, é a demasiada atenção voltada para o papel carismático e manipulador exercido pelos líderes políticos que canalizam anseios populares e são beneficiados pela inexperiência política de seus representados.

O termo populismo, surgido na década de 1950, com o propósito de expressar a singularidade da história latino-americana, foi utilizado na maioria das vezes como forma de generalização de diferentes experiências políticas por meio do enquadramento destas em modelos estabelecidos. Para os analistas, o termo faria referência especificamente ao processo de reestruturação das relações políticas e econômicas das sociedades latino-americanas e que visava essencialmente a integração subordinada de diferentes grupos sociais na nova ordem política que emergia. Especialmente, o populismo serviria como salvaguarda contra eventuais tendências revolucionárias das classes populares num momento em que essas passaram a desempenhar um inédito papel político e social.36

36 O objetivo do presente trabalho não é alongar-se na discussão acerca do conceito de populismo, mas de

apontar para a indevida utilização que é feita do termo para desqualificar a trajetória de diferentes movimentos ou personagens políticos, neste caso, especialmente, do socialismo chileno, preferindo negligenciar as

especificidades que contribuíram para a composição da sua cultura política. Cf. ANDRADE, César Ricardo de. O conceito de populismo nas ciências sociais latino-americanas. Estudos de História, Franca, v. 7, n. 2, p. 69- 84, 2000.

Entende-se aqui, que a compreensão da trajetória do socialismo chileno deve partir da concepção de que a formação do Partido Socialista se deu no contexto de emergência de uma diversidade de atores sociais e políticos com um conjunto de projetos contestadores da ordem, bem como uma nova orientação para o desenvolvimento. Ao mesmo tempo em que instituições estruturadas pelo liberalismo mostraram insuficiência para acomodar conflitos e promover integração social no momento de emergência das massas. De acordo com Aggio:

Num país da periferia do mundo como o Chile e numa época em que os supostos do liberalismo, que haviam florescido e fulgurado no século XIX, encontravam-se inteiramente questionados, a reestruturação do papel do Estado assumia, sem dúvida, o lugar central como elemento definidor das ações políticas. Em relação a isso, não seria incorreto observar que um pano de fundo único estruturava os projetos políticos, dando um sentido propositivo ao final da década de 1930. Cada ator político, à sua maneira, realçava o papel do Estado no sentido de estimular, intervir ou nacionalizar a economia, regular e proteger o social, afirmar e incrementar a autoridade dos governos [...]37

O movimento modernizador que mobilizou parcela significativa da sociedade teve a sua explicação política no conceito do populismo. Considerando que a passagem para a modernidade na América Latina não se deu por meio de revoluções, a recorrente utilização do conceito denota sobretudo o seu contrário, isto é, o antipopulismo.38 Nota-se nesse caso específico que a utilização do conceito denota o rechaço à opção política do grupo que atuou no marco das negociações institucionais, de maneira a rejeitar o modo de ação política do Partido Socialista. Entendemos, no entanto, que é preciso ver a história da América Latina e da formação desses grupos políticos no sentido de capturar a complexidade dessa história, bem como a singularidade de cada um dos projetos políticos na região.

Nascido de um contexto de lutas políticas antagonistas que marcaram os anos vinte e trinta no Chile, o PS se tornaria, a partir do final da década de 1930, um partido de perfil concertacionista, fundado numa base reformista, e que, paulatinamente, e de acordo com as conjunturas históricas, viveu a predominância do caráter confrontacional. Caráter do qual seus intelectuais foram idealizadores, em meio a um mosaico de teorizações no interior do partido que tinha um programa revolucionário e buscava assentar suas idéias no modelo do socialismo científico.

37 AGGIO, op. cit., 1999, p. 89. 38 ANDRADE, op. cit., p. 80.

Deve-se observar que o PS foi importante para colocar questões urgentes na pauta política chilena, canalizando reivindicações sociais para realizações positivas para a população no quadro institucional, tornando-se um dos principais representantes políticos dos setores sociais emergentes que requeriam o seu espaço; características que Drake insere no denominado populismo. Trata-se, portanto, de um partido que se tornou anti-reformista, mas que ajudou na realização de reformas.

É possível afirmar que o PS exerceu desde o início da sua atuação funções sociais múltiplas, assim como grande parte dos movimentos sociais e políticos, tais como a mediação entre a sociedade e o sistema político no momento de emergência de novos sujeitos sociais, na contribuição para a formação de uma certa estruturação da opinião pela difusão da sua ideologia, exercendo pressão sobre as autoridades em nome das categorias que ele defendeu, bem como na expressão de conflitos e de anseios populares.

Para além das conquistas sociais, é preciso destacar o principal elemento negligenciado nas abordagens de Walker e Drake. Diferentemente dos denominados governos populistas, como o de Getúlio Vargas, no Brasil, a conquista obtida a partir da década de 1930, no Chile, se deu, principalmente, no plano político, pautado numa nova dinâmica conciliatória, flexível e pragmática implementada pelos governos radicais (Partido Radical), e que passou a ser referência central na vida política do país.

Em relação à esquerda, os partidos Comunista e Socialista não somente conseguiram assegurar o seu papel de representantes dos trabalhadores, como também puderam aumentar suas bases e seu prestígio para atuarem como forças proeminentes do processo político nacional. Isso lhes permitiu assegurar a autonomia política e organizativa das classes subalternas no processo de modernização que o país viveria a partir deste período, diferentemente do caráter manipulador atribuído às lideranças populistas.39

A definição do partido como socialista é tratada como retórica para obter vantagens eleitorais, como nota-se na afirmação de Drake:

O nacionalismo socialista tirava proveito do antiimperialiismo. Como o partido já havia notado, o “socialismo” e o “nacionalismo” eram as duas mercadorias políticas

mais populares dos anos 30 e quase todos os candidatos tratavam de ter vantagem às custas desse sentimento. Os líderes do Partido Socialista lutavam para superar a seus concorrentes comunistas, falangistas [Falange Nacional] e nazistas para reclamar os símbolos populistas do socialismo e do nacionalismo.40

Apropriadamente, Moulian afirma que descartar a priori os discursos através dos quais os atores políticos dão sentido às suas ações para colocar em seu lugar “a essência destilada do analista” (a radiografia que “revela” os interesses reais que ocultaria a retórica) pode obstaculizar a compreensão de certas maneiras de época de fazer política.41 Partindo dessa concepção, é possível afirmar que abordagens, como a realizada por Drake, não foram capazes de compreender a imbricação de elementos que compunham a cultura política do socialismo.

Esta postura se evidencia numa divisão estanque da história desse movimento em períodos de maior ou menor cunho revolucionário, condizente ou não com as teses da teoria revolucionária do comunismo internacional, de maneira a encarar sempre a participação dos grupos de esquerda na política institucional como errática, e atribuindo-lhe negativamente a denominação de populista.

Nesta historiografia encontra-se ainda a apreciação do desenvolvimento do sistema político chileno, entre 1932 e 1973, a partir da participação dos partidos marxistas no centro de análise, especialmente as influências mútuas entre sistema e partidos socialista e comunista. Ainda inserindo o movimento socialista no fenômeno do populismo, Julio Faúndez caracteriza a trajetória institucional do PS como errática e oportunista42, e, assim como as abordagens anteriores, ainda se pautam pelas mesmas categorias com que estes processos foram analisados por seus personagens.

Ainda que o livro de Faúndez descreva passagens importantes de toda a história dos dois partidos, com uma minuciosa relação com o movimento comunista internacional, a abordagem comparativa das suas atuações não permite adentrar com maior profundidade nas perspectivas teóricas e ideológicas que animavam o socialismo chileno.

40 DRAKE, op. cit., p. 128.

41 MOULIAN, op. cit., 1983, p. 243.

É importante destacar que, para Faúndez, o desfecho desta trajetória, o governo da Unidade Popular, representou o momento ideal para comunistas e socialistas concretizarem suas teses acerca da revolução socialista. No entanto, “ambos aceitaram a tese de uma transição através da institucionalidade democrática existente sem avaliar suas conseqüências políticas”. Nas suas palavras:

Se ambos os partidos tivessem estudado com atenção as possibilidades de uma transição pacífica, poderiam ter adotado uma posição menos cândida acerca das virtudes do sistema vigente e uma atitude mais flexível com o Partido Democrata Cristão. Esta incapacidade do PS e do PC para prever as conseqüências da via ao socialismo que estavam propondo lhes impediu dispor de um critério para determinar a política do governo e calcular seu ritmo e alcance; nem a moderação comunista, nem o extremismo socialista foram convincentes. [tradução nossa]43

Pode-se observar neste excerto a permanência de uma perspectiva muito recorrente nas diferentes análises do período do governo socialista, que consiste em apontar os componentes imediatos da crise, em termos de problema de “condução política”, como “incoerências de condução” ou “incoerências estratégico-táticas”. Como afirma Garretón, estes problemas não são devidamente relacionados a uma questão teórico-ideológica mais geral da esquerda, e se atribui, assim, os problemas à condução política do processo.44

Esta distinção entre correção do projeto ideológico-político e erros de condução política parece estar na raiz de um modo de reflexão que se pergunta por funcionamento e procedimentos, colocando, portanto, as soluções em nível de “ajustes e reajustes, e não pelas tensões e contradições que estão na base ou na origem histórico-estrutural de um projeto político”.

É possível apreender uma discussão acerca da origem destas tensões na análise realizada por Alberto Aggio. O autor tem como preocupação entender o projeto da via chilena ao socialismo no interior do processo conhecido como “a experiência chilena”, ou seja, numa

43 FAÚNDEZ, op. cit., p. 286-287.

44O autor defende a tese de que, no período em questão, o socialismo se caracterizava por um vazio teórico-

ideológico, que, grosso modo, significa a ausência de uma teorização do caráter concreto e específico da fase histórica da revolução chilena, e um recurso permanente a um conjunto de categorias que obscureceram a compreensão daquele processo. No entanto, acreditamos que, ao contrário de um vazio, houve uma importante formulação teórica e ideológica, carregada de diversos elementos que compunham uma dada leitura daquela realidade, e que acarretou na formação e predominância de uma determinada cultura política que teve as suas conseqüências conhecidas. GARRETÓN, Manuel A. Continuidad y ruptura y vacío teórico ideológico. Dos hipótesis sobre el proceso político chileno. 1970-1973. Revista Mexicana de Sociologia, [s.l], v. 39, n.4, p. 1292, oct./dic. 1977.

diferenciação entre projeto e processo. Essa diferenciação visa possibilitar o entendimento do lugar ocupado pelo projeto da via chilena ao socialismo no seio da esquerda articulada na Unidade Popular, a partir da compreensão dessa tendência política desde o início da sua trajetória.

Aggio destaca que havia no movimento da esquerda chilena elementos bastante convencionais e consensuais que formavam a sua cultura política. Elementos indicativos das dificuldades e das limitações da esquerda para consubstanciar a via chilena em uma via democrática, uma vez que se encontravam assentados muito mais numa visão já cristalizada do socialismo do que em subsídios fundadores de uma via nova e original para a construção socialista. E, mais importante, demonstra por meio das discrepâncias internas da UP, os fundamentos teóricos e ideológicos que compunham a cultura política da esquerda naquele momento, cujos objetivos centrais, evidenciados no governo da UP, foram destacados no seguinte excerto:

O socialismo era concebido pela Unidade Popular como uma construção histórica da classe operária em luta antagônica contra a burguesia, o que implicava, como solução deste antagonismo, a conquista pela classe operária do poder de Estado para, em seguida, transformar o seu caráter de classe. Tornando-se classe dominante, a classe operária procederia à socialização dos meios de produção que, ao lado do poder operário, criariam as condições para a extinção tanto do Estado como da sociedade de classes [...]45

Ainda que o objeto central do seu estudo seja o governo da coalizão, a discussão tem grande importância para o presente trabalho na medida em que o autor reconstrói o