• Nenhum resultado encontrado

J.3 Modelo: GARCH (2,2)

4.3 An ´alise em VAR: Produc¸ ˜ao Industrial, IPCA e Spread

Por se tratar de um modelo vetorial, ´e gerado, para cada vari ´avel, uma equac¸ ˜ao estimada, que a relaciona com as demais vari ´aveis e com ela mesma, contemporaneamente e em defasagens.

4.3.1

Produc¸ ˜ao Industrial

Para a equac¸ ˜ao da Produc¸ ˜ao Industrial (PI), temos:

P It = 0, 2388831P It−1− 0.0053047IP CAt−1− 0, 0013965Spreadt−1 (4.6) −0.0708233P It−2+ 0.0070573IP CAt−2+ 0.0021722Spreadt−2 −0.0095855P It−3− 0.0068218IP CAt−3− 0.0021555Spreadt−3 −0.0490835P It−4+ 0.0150407IP CAt−4+ 0.0023630Spreadt−4 −0.0046371P It−5− 0.0216143IP CAt−5− 0.0010038Spreadt−5 −0.0629408P It−6+ 0.0129757IP CAt−6+ 0.0002349Spreadt−6+ at

Para uma an ´alise mais econ ˆomica, pode-se fazer estudos dos sinais re- tirados da equac¸ ˜ao acima. Os dados est ˜ao descritos na Tabela (4.2).

Tabela 4.2: Identificac¸ ˜ao dos Ciclos Econ ˆomicos - P.I Vari ´avel - Produc¸ ˜ao Industrial

Defasagens PI IPCA Spread

t-1 + - - t-2 - + + t-3 - - - t-4 - + + t-5 - - - t-6 - + +

Analisando o efeito do aumento da Produc¸ ˜ao Industrial para a pr ´opria s ´erie, temos que, em um primeiro momento, um aumento da Produc¸ ˜ao Industrial,

em t− 1, gera um aumento na pr´opria s´erie em t, por´em, aumentos na Produc¸˜ao

Industrial em t− 2, t − 3, t − 4, t − 5 e t − 6 geram uma queda na Produc¸˜ao Industrial no per´ıodo t. Isso ocorre possivelmente devido ao esgotamento da capacidade produtiva instalada, ou pela elevac¸ ˜ao excessiva de produtos estocados motivados pela elevac¸ ˜ao na produc¸ ˜ao nos per´ıodos anteriores .

Com relac¸ ˜ao aos efeitos do aumento do IPCA, dado a demanda cons- tante, um aumento do IPCA, em t− 1, gera uma diminuic¸˜ao da Produc¸˜ao Industrial em t. Isso possivelmente, porque, o Governo, para controlar a inflac¸ ˜ao, aumenta a taxa de juros, ac¸ ˜ao esta que estimula uma contrac¸ ˜ao da produc¸ ˜ao. Entre os per´ıodos de correlac¸ ˜ao inversa, por outro lado, h ´a per´ıodos de correlac¸ ˜ao positiva entre as duas vari ´aveis, IPCA e Produc¸ ˜ao Industrial, como se verifica nos per´ıodos

t− 2, t − 4 e t − 6. Nestes per´ıodos, tem-se por hip´otese uma in´ercia em relac¸˜ao as

decis ˜oes dos agentes, pois estes podem demorar para incorporar as informac¸ ˜oes em suas decis ˜oes. Esse incorporac¸ ˜ao foi estudada por Mankiw (2006) e chamada

de sticky information - rigidez da informac¸ ˜ao1. J ´a em t− 1 e t − 2 voltam a obedecer

a din ˆamica descrita acima .Tal din ˆamica pode-se chamar de Ciclo Econ ˆomicos. Sabe-se que o Spread aumenta, principalmente, por dois motivos:ou taxa de curto prazo cai; ou a expectativa em relac¸ ˜ao a taxa de longo prazo ´e de alta. A expectativa da taxa de longo ´e de alta, possivelmente, porque os agentes esperam um aumento na taxa SELIC (Taxa b ´asica utilizada como refer ˆencia pela Pol´ıtica Monet ´aria) no futuro, ent ˜ao comec¸am a retirar o investimento da Produc¸ ˜ao e o realocam no mercado de capitais onde render ˜ao os juros atrativos, ocasionando a diminuic¸ ˜ao da Produc¸ ˜ao Industrial, o contr ´ario ocorre quando o Spread aumenta pelo fato da taxa SELIC diminuir, esta diminuic¸ ˜ao faz com que o capitais volte para a produc¸ ˜ao.

Um aumento no Spread em t− 1, t − 3 e t − 5 gera uma diminuic¸˜ao da Produc¸ ˜ao Industrial em t. Isso ocorre, possivelmente, pela mudanc¸a na expectativa em relac¸ ˜ao a taxa de longo prazo. Em t− 2, t − 4 e t − 6, um aumento no Spread gera um aumento na Produc¸ ˜ao Industrial, possivelmente, pela diminuic¸ ˜ao da taxa b ´asica de juros de curto prazo. Este ´e ent ˜ao o Ciclo Econ ˆomico estabelecido entre a Produc¸ ˜ao Industrial e o Spread.

Na Figura (4.1), pode se observar, segundo a trajet ´oria da linha ponti- lhada azul, o quanto a estimac¸ ˜ao do modelo VAR (6), para a vari ´avel Produc¸ ˜ao Industrial, diverge dos dados reais (linha preta cont´ınua). Pode-se ainda observar o comportamento dos erros ocasionados pela estimac¸ ˜ao do VAR (6). Observa-se que, para movimentos bruscos da s ´erie, o modelo n ˜ao consegue captar de forma adequada o movimento, ocasionando um erro mais elevado que o padr ˜ao, quando a s ´erie segue um caminho mais est ´avel. Observa-se, ainda neste gr ´afico, que as func¸ ˜oes de auto-correlac¸ ˜ao e auto-correlac¸ ˜ao parcial indicam que os res´ıduos n ˜ao s ˜ao auto-correlacionados.

-0 .1 0 -0 .0 5 0 .0 0 0 .0 5

Diagram of fit and residuals for P.I.

0 20 40 60 80 -0 .1 0 -0 .0 5 0 .0 0 0 .0 5 0 2 4 6 8 10 12 -0 .2 0 .6 ACF Residuals 2 4 6 8 10 12 -0 .2 0 .1 PACF Residuals

Figura 4.1: VAR - Produc¸ ˜ao Industrial

4.3.2

IPCA

Para a equac¸ ˜ao do IPCA , temos:

IP CAt = −0.100185P It−1+ 0.697942IP CAt−1+ 0.083850Spreadt−1 (4.7) −2.349339P It−2+ 0.116849IP CAt−2+ 0.004687Spreadt−2 +0.843796P It−3+ 0.080762IP CAt−3+ 0.023007Spreadt−3 +1.346098P It−4− 0.067817IP CAt−4+ 0.005427Spreadt−4 −0.738061P It−5− 0.124986IP CAt−5+ 0.027033Spreadt−5 −2.224140P It−6+ 0.309382IP CAt−6+ 0.044257Spreadt−6+ at

Para uma an ´alise mais econ ˆomica da s ´erie composta pelo IPCA e an ´alise dos efeitos nas mudanc¸as do Spread e da Produc¸ ˜ao Industrial, pode-se fazer es- tudos dos sinais retirados da equac¸ ˜ao acima. Os dados est ˜ao expostos na tabela abaixo.

Tabela 4.3: Identificac¸ ˜ao dos Ciclos Econ ˆomicos - IPCA Vari ´avel - IPCA

Defasagens PI IPCA Spread

t-1 - + + t-2 - + + t-3 + + + t-4 + - + t-5 - - + t-6 - + +

Aumentos na Produc¸ ˜ao Industrial em t− 5 e t − 6 geram diminuic¸˜ao do IPCA em t. Isto ocorre, possivelmente, porque o aumento da Produc¸ ˜ao Indus- trial gera, consequentemente, a diminuic¸ ˜ao dos prec¸os gerando uma diminuic¸ ˜ao do IPCA. Mediante a Pol´ıtica Monet ´aria, o BACEN diminui os juros, e, seguindo a Din ˆamica Econ ˆomica, os investimentos s ˜ao realocados voltando para a Produc¸ ˜ao Industrial. Em t− 3 e t − 4, dois meses depois, a correlac¸˜ao se torna positiva, o que possivelmente reflete uma expans ˜ao da produc¸ ˜ao motivada por crescimento da demanda, precintando aumento da taxa de inflac¸ ˜ao.J ´a em t− 1 e t − 2 voltam a obedecer a din ˆamica descrita acima.

O aumento do Spread em t− 1, t − 2, t − 3, t − 4, t − 5 e t − 6 gera um aumento no IPCA em t. Como hip ´otese, isto ocorre porque as expectativas forma- das pelos agentes com relac¸ ˜ao as taxas de longo prazo, realmente, se concretiza- ram em t, dado que estes agentes sejam dotados de informac¸ ˜oes e entendam a din ˆamica econ ˆomica acerca da Pol´ıtica Monet ´aria exercida pelo Banco Central do Brasil.

Um aumento no IPCA, em t− 6, gera um aumento no IPCA em t. Isso ocorre, possivelmente, por inercia inflacion ´aria e ou indexac¸ ˜ao de prec¸os. Aumen- tos no IPCA em t− 4 e t − 5 geram diminuic¸˜ao no IPCA em t. Uma das explicac¸˜oes poss´ıveis ´e que os agentes, munidos de informac¸ ˜oes, acreditam que o governo to-

mar ´a medidas, para o controle da inflac¸ ˜ao em t, fazendo uso da Politica Monet ´aria, portanto, geram expectativas com base nesta din ˆamica. Isto s ´o ocorre porque o Banco Central do Brasil tem credibilidade e os agentes acreditam nas pol´ıticas de contenc¸ ˜ao inflacion ´aria aplicadas por ele.

Na Figura (4.2), pode-se, da mesma forma, observar o quanto `a estimac¸ ˜ao da func¸ ˜ao VAR(6) para a vari ´avel IPCA diverge dos dados reais. Observa-se que para o IPCA, a estimac¸ ˜ao ´e mais precisa do que a anterior. Observa-se ainda o comportamento dos erros ocasionados pela estimac¸ ˜ao do VAR(6). Pode-se ver a sua dispers ˜ao em torno do eixo zero, o que permite concluir que os erros ocasio- nados na estimac¸ ˜ao na m ´edia se situam em torno de zero. Pode-se ainda observar nos gr ´aficos ACF e PACF que os res´ıduos n ˜ao s ˜ao auto-correlacionados.

0 .0 1 .0 2 .0 3 .0

Diagram of fit and residuals for IPCA

0 20 40 60 80 -0 .4 0 .0 0 .4 0 .8 0 2 4 6 8 10 12 -0 .2 0 .6 ACF Residuals 2 4 6 8 10 12 -0 .2 0 .1 PACF Residuals

Figura 4.2: VAR - IPCA

4.3.3

Spread

Spreadt = +13.65067P It−1+ 0.58896IP CAt−1+ 0.22863Spreadt−1 (4.8) −0.77529P It−2− 3.40434IP CAt−2− 0.10106Spreadt−2 +1.17904P It−3+ 2.62339IP CAt−3− 0.01699Spreadt−3 −1.23529P It−4− 1.11399IP CAt−4+ 0.33630Spreadt−4 −4.37360P It−5− 1.97431IP CAt−5+ 0.13166Spreadt−5 −6.27156P It−6+ 2.75024IP CAt−6− 0.01519Spreadt−6+ at

Para uma an ´alise mais econ ˆomica da s ´erie composta pelo Spread e sa- ber quais os efeitos nas mudanc¸as da Produc¸ ˜ao Industrial e do IPCA, pode-se fazer estudos dos sinais retirados da equac¸ ˜ao acima. Os dados est ˜ao expostos na tabela abaixo.

Tabela 4.4: Identificac¸ ˜ao dos Ciclos Econ ˆomicos - Spread Vari ´avel - Spread

Defasagens PI IPCA Spread

t-1 + + + t-2 - - - t-3 + + - t-4 - - + t-5 - - + t-6 - + -

Variac¸ ˜oes positivas na Produc¸ ˜ao Industrial e no IPCA ocasionam, pra- ticamente, o mesmo movimento no Spread. Aumentos na Produc¸ ˜ao industrial em

t− 4, t − 5 e t − 6 geram uma diminuic¸˜ao no Spread em t. Tal movimento ocorre,

possivelmente, porque a taxa de curto prazo - SELIC sofre aumento devido a medi- das de car ´ater macroprudenciais tomadas pelos formuladores de pol´ıtica monet ´aria.

Spread tamb ´em em t. Isto ocorre, possivelmente, porque os agentes j ´a incorpo-

raram as mudanc¸as nas taxas de curto prazo e aumentaram as expectativas em relac¸ ˜ao as taxas mais longas. Em t− 2 e t − 1 ocorre a mesma dinˆamica descrita acima.

Na Figura (4.3), pode-se tamb ´em constatar o quanto a estimac¸ ˜ao da func¸ ˜ao VAR(6), para a vari ´avel Spread, diverge dos dados reais (linha preta cont´ınua). Pode-se ainda observar o comportamento dos erros ocasionados pela estimac¸ ˜ao do VAR(6), pode-se ver a sua dispers ˜ao em torno do eixo zero, o que nos permite concluir que os erros ocasionados na estimac¸ ˜ao na m ´edia se situam em torno de zero. Pode-se ainda observar as func¸ ˜oes de auto-correlac¸ ˜oes, FAC e FACP.

−5

0

5

10

Diagram of fit and residuals for Spread

0 20 40 60 80 −2 0 1 2 3 4 0 2 4 6 8 10 12 −0.2 0.6 ACF Residuals 2 4 6 8 10 12 −0.2 0.1 PACF Residuals

Figura 4.3: VAR - Spread

Seguiremos, agora, com a an ´alise dos res´ıduos da func¸ ˜ao estimada VAR(6), recorrendo ao teste Portmanteau, que ´e o teste Box-Pierce adaptado para o caso multivariado, visto que o teste de auto-correlac¸ ˜ao simples s ´o pode ser usado para an ´alise univariada. A hip ´otese nula do teste Portmanteau com n´ıvel de signi-

fic ˆancia de 5% indica que h ´a aus ˆencia de auto-correlac¸ ˜ao residual. Como o teste resultou em p−valor = 0, 1339, conclui-se que os res´ıduos estimados n˜ao s˜ao auto- correlacionados, o que garante que a s ´erie est ´a bem especificada pelo modelo, n ˜ao rejeitando-se portanto a hip ´otese nula.

Com relac¸ ˜ao a normalidade dos res´ıduos, com o p-valor igual a−2, 3493 encontrado, de acordo com o teste de normalidade Jarque-Bera, os res´ıduos se- guem uma distribuic¸ ˜ao normal, o que nos permite, tamb ´em, constatar que o modelo VAR(6) ´e uma boa representac¸ ˜ao da s ´erie.

4.3.4

Depend ˆencia entre as vari ´aveis: Produc¸ ˜ao Industrial, IPCA

e Spread

Pode-se fazer uma an ´alise interessante ao interpretar a figura(4.4) e as tabelas a seguir (4.5), (4,6) e (4.7). Observa-se como o quanto cada vari ´avel ´e influenciada pelas outras, nos determinados lags. A produc¸ ˜ao Industrial em t− 1 ´e influenciada 100% por ela mesma, em t− 2 a s´erie j´a passa a ser influenciada cerca de 0,2% pelo IPCA, essa influ ˆencia permanece muito pequena ao longo dos per´ıodos t− 3, t − 4, t − 5 e t − 6. O Spread influencia cerca de 1% em t − 4, t − 5 e

t− 6, estes dados est˜ao descritos na tabela (4.5). O que nos leva a concluir que as

vari ´aveis IPCA e Spread t ˆem uma influencia fraca na Produc¸ ˜ao Industrial.

O IPCA de t−1 influencia cerca de 98,25% o IPCA no tempo t, este sofre influ ˆencia tamb ´em de 1,7% da Produc¸ ˜ao Industrial. O IPCA no tempo t recebe cerca de 85,52% de influ ˆencia do IPCA no tempo t− 2, 10,6% de influˆencia do Spread e 3,38% da Produc¸ ˜ao Industrial. O que pode-se concluir ´e que h ´a uma influ ˆencia crescente do Spread dos per´ıodos t− 3, t − 4, t − 5 e t − 6. Por exemplo, o Spread dos meses de abril, maio, junho e julho influenciam, substancialmente, o IPCA de Novembro. Do mesmo modo, a Produc¸ ˜ao Industrial dos meses de abril, maio, junho e julho influenciam o IPCA de novembro.

O Spread em t ´e influenciado cerca de 90% pelo Spread em t−1 e 9,33% pela Produc¸ ˜ao Industrial tamb ´em em t− 1. Como exemplo, pode-se descrever que

o Spread de novembro foi influenciado em m ´edia 13% pela Produc¸ ˜ao Industrial dos meses de maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro. O spread de novembro foi influenciado ainda em m ´edia 7,17% pelo IPCA dos mesmos meses.

Pode-se concluir que o Spread ´e a vari ´avel do modelo mais vulner ´avel diante do comportamento das outras vari ´aveis e que seu comportamento ´e extre- mamente dependente da Produc¸ ˜ao Industrial e do IPCA.

1 2 3 4 5 6 Spread IPCA P.I. PI Lag P ercentual 0.0 0.4 0.8 1 2 3 4 5 6 Spread IPCA P.I. IPCA Lag P ercentual 0.0 0.4 0.8 1 2 3 4 5 6 Spread IPCA P.I. SPREED Lag P ercentual 0.0 0.4 0.8

Tabela 4.5: Porcentagem de influ ˆencia das vari ´aveis - Produc¸ ˜ao Industrial Produc¸ ˜ao Industrial - P.I.

PI IPCA Spread t-1 1,00000 0,00000 0,00000 t-2 0,99157 0,00288 0,00555 t-3 0,98819 0,00301 0,00880 t-4 0,98461 0,00307 0,01232 t-5 0,97642 0,00601 0,01756 t-6 0,97462 0,00781 0,01757

Tabela 4.6: Porcentagem de influ ˆencia das vari ´aveis - IPCA IPCA PI IPCA Spread t-1 0,01747 0,98253 0,00000 t-2 0,03867 0,85526 0,10606 t-3 0,03307 0,81219 0,15475 t-4 0,04202 0,74366 0,21432 t-5 0,06993 0,70019 0,22988 t-6 0,08432 0,62365 0,29203

Tabela 4.7: Porcentagem de influ ˆencia das vari ´aveis - Spread Spread PI IPCA Spread t-1 0,09338 0,00054 0,90609 t-2 0,16965 0,00989 0,82045 t-3 0,13508 0,21252 0,65240 t-4 0,13331 0,20276 0,66394 t-5 0,13002 0,21314 0,65684 t-6 0,11862 0,27574 0,60564

4.3.5

Func¸ ˜ao Impulso-Resposta Generalizada (GIR)

A Func¸ ˜ao Impulso-Resposta Generalizada (GIR), segundo Leichsenring (2004), leva em considerac¸ ˜ao a hist ´oria do modelo e compara a resposta din ˆamica m ´edia do modelo, dado um choque t´ıpico. Mais especificamente, a GIR compara a esperanc¸a condicional de uma vari ´avel no modelo dado um choque arbitr ´ario com a esperanc¸a condicional da vari ´avel. A func¸ ˜ao, portanto, verifica qual ´e a reac¸ ˜ao da vari ´avel a um choque “puro”nas demais vari ´aveis.

H ´a, portanto, uma Func¸ ˜ao Impulso-Resposta para cada uma das tr ˆes vari ´aveis do modelo, estas s ˜ao apresentadas abaixo.

GIR - Produc¸ ˜ao Industrial P .I . -5 0 5 1 0 IP C A -5 0 5 1 0 S p re a d -5 0 5 1 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Impulse Response from P.I.

Figura 4.5: Produc¸ ˜ao Industrial - Func¸ ˜ao Impulso-Resposta Generalizada (GIR)

Pode-se observar, na Figura (4.5), que um choque na Produc¸ ˜ao Indus- trial n ˜ao gera efeitos substanciais na pr ´opria vari ´avel. Haver ´a um pequeno impacto no primeiro m ˆes e logo depois a vari ´avel tende a retroceder para o patamar anteri- ormente verificado. Com relac¸ ˜ao ao IPCA, no primeiro m ˆes, o choque na Produc¸ ˜ao Industrial n ˜ao causa qualquer impacto na s ´erie, por ´em, no segundo m ˆes, pode-se observar uma queda seguida de um aumento no terceiro e quarto m ˆes. Do quarto ao sexto m ˆes, a vari ´avel ter ´a uma pequena queda, at ´e que se estabilize, ap ´os o sexto m ˆes em um patamar um pouco inferior ao inicial. A reac¸ ˜ao da s ´erie composta pelo Spread ´e a mais vol ´atil dentre as tr ˆes. J ´a no primeiro m ˆes sofre um aumento abrupto, seguido de uma queda tamb ´em abrupta no segundo e no terceiro m ˆes. No quarto m ˆes, h ´a uma pequena elevac¸ ˜ao frente ao primeiro m ˆes e logo em seguida uma queda. A s ´erie sofre ainda um aumento por mais dois meses, seguido de queda no m ˆes seguinte.

Pode-se concluir que a Produc¸ ˜ao Industrial n ˜ao tem uma mem ´oria longa ao impacto de choques na propria vari ´avel. O IPCA ´e ligeiramente afetado entre o segundo e o sexto m ˆes, informac¸ ˜ao esta j ´a estabelecida, anteriormente, quando observamos o quantil referente a influ ˆencia da Produc¸ ˜ao Industrial na s ´erie com-

posta pelo IPCA. Conclu´ımos tamb ´em que o Spread ´e, extremamente, vulner ´avel a choques na Produc¸ ˜ao Industrial. Observamos isto na equac¸ ˜ao VAR(6), onde a Produc¸ ˜ao Industrial e o IPCA ganham import ˆancia ao longo do tempo influenciando o comportamento do Spread. GIR - IPCA P .I . -2 -1 0 1 IP C A -2 -1 0 1 S p re a d -2 -1 0 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Impulse Response from IPCA

Figura 4.6: IPCA - Func¸ ˜ao Impulso-Resposta Generalizada (GIR)

Um choque no IPCA n ˜ao gera efeitos substanciais no comportamento da Produc¸ ˜ao Industria. Esta informac¸ ˜ao pode ser encontrada tamb ´em na an ´alise feita na equac¸ ˜ao VAR(6), onde observamos que a Produc¸ ˜ao Industrial ´e fracamente influenciada pelo IPCA. Um choque no IPCA ocasiona em primeiro momento um aumento da propria s ´erie, seguida de uma diminuic¸ ˜ao at ´e o quinto m ˆes. Isso ocorre, porque o IPCA no primeiro m ˆes ´e muito influenciado por ele mesmo e, a partir de ent ˜ao, a Produc¸ ˜ao Industrial e o Spread v ˜ao ganhando influ ˆencia na s ´erie. O

Spread por sua vez, recebe o impacto com um pequeno aumento seguido de uma

queda abrupta at ´e o segundo m ˆes. Depois a vari ´avel tende a retroceder para o patamar, anteriormente, verificado e logo tende a cair, novamente, dando in´ıcio no quinto m ˆes a um aumento substancial at ´e o s ´etimo m ˆes. Estes movimentos t ˆem a mesma explicac¸ ˜ao anterior, a de forte influencia da Produc¸ ˜ao Industrial e do IPCA.

GIR - Spread P.I. −0.2 0.2 0.6 1.0 IPCA −0.2 0.2 0.6 1.0 Spread −0.2 0.2 0.6 1.0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Impulse Response from Spread

Figura 4.7: Spread - Func¸ ˜ao Impulso-Resposta Generalizada (GIR)

Com relac¸ ˜ao ao Impulso-Resposta do Spread, pode-se verificar na Figu- ra (4.7) que um choque no Spread n ˜ao gera efeitos na s ´erie composta pela Pro- duc¸ ˜ao Industrial, que cont´ınua no patamar anteriormente verificado. J ´a o IPCA ´e afetado e sofre um pequeno aumento inicial e mant ˆem aumentos nos pr ´oximos meses. O pr ´oprio spread sofre um aumento inicial, seguido de queda acentuada no primeiro m ˆes, seguido de queda cont´ınua at ´e o terceiro m ˆes. Isso ocorre devido a influencia da pr ´opria vari ´avel nos tr ˆes primeiros meses. Nos meses seguintes a vari ´avel sofre um aumento at ´e o quarto m ˆes, seguido de uma queda at ´e o s ´etimo m ˆes, sofrendo depois um novo aumento que vai at ´e o nono m ˆes.

verifica-se, contudo, que a vari ´avel Produc¸ ˜ao Industrial ´e a que menos sofre influ ˆencia. por hip ´otese podemos destacar que a Produc¸ ˜ao Industrial ´e de- pendente de outras vari ´aveis como c ˆambio, saldos fiscais, juros internacionais, tor- nando sua determinac¸ ˜ao um pouco mais complexa. Cabendo, ent ˜ao, um novo es- tudo incorporando tais vari ´aveis. Os outros resultados foram satisfat ´orios compa- rando com os resultados descritos no referencial te ´orico.

Considerac¸ ˜oes finais

A figura (4.8) ilustra a din ˆamica dos resultados do modelo VAR(6). Nela se observa a influ ˆencia m ´utua entre as vari ´aveis: as setas pontilhadas indicam uma influ ˆencia fraca e as setas cont´ınuas influ ˆencia forte. Observamos que a Produc¸ ˜ao Industrial exerce forte influ ˆencia na vari ´avel IPCA, enquanto, esta exerce influ ˆencia fraca sobre a Produc¸ ˜ao Industrial.

Figura 4.8: Din ˆamica entre as vari ´aveis - Produc¸ ˜ao Industrial, IPCA e spread

O spread exerce forte influ ˆencia na vari ´avel IPCA, que, por sua vez, exerce forte influ ˆencia na vari ´avel spread, ou seja, ´e forte a influ ˆencia mutua en- tre estas duas vari ´aveis. A Produc¸ ˜ao Industrial exerce forte influ ˆencia na vari ´avel

spread, por ´em, o spread exerce influ ˆencia fraca na vari ´avel Produc¸ ˜ao Industrial.

Observa-se que a vari ´avel Produc¸ ˜ao Industrial recebe influ ˆencia fraca tanto do spread quanto do IPCA, ou seja, estas vari ´aveis possuem pouco poder explicativo sobre a vari ´avel Produc¸ ˜ao Industrial. Como hip ´otese pode-se lembrar que a cesta que comp ˜oe o ´ındice de Produc¸ ˜ao Industrial ´e complexa e, devido a este fato, a determinac¸ ˜ao da Produc¸ ˜ao Industrial torna-se mais dif´ıcil.

Como hip ´otese alternativa temos que, no caso brasileiro, a participac¸ ˜ao do Estado na economia atrav ´es de est´ımulos financeiros espec´ıficos, pela utilizac¸ ˜ao de linhas de cr ´edito direcionado, seja de administrac¸ ˜ao direta ou indireta, apresenta trajet ´oria crescente nos ´ultimos anos. Dados do Banco Central do Brasil indicam que a participac¸ ˜ao das operac¸ ˜oes de cr ´edito com recursos do governo, em 2010,

incluindo as linhas de financiamento do BNDES, totalizaram 19,4% do PIB. Nesse mesmo per´ıodo, as operac¸ ˜oes de cr ´edito realizadas por instituic¸ ˜oes privadas na- cionais e estrangeiras somaram 18,9% e 8,1% do PIB, respectivamente. Estas informac¸ ˜oes podem ser vistas na Figura (4.9).

10,0 20,0 30,0 40,0 50,0

Operações de Crédito do SFN (% PIB)

0,0

Instituições públicas Instituições privadas nacionais Instituições estrangeiras

Figura 4.9: A participac¸ ˜ao do Estado na economia atrav ´es de est´ımulos financeiros espec´ıficos.

As operac¸ ˜oes de cr ´edito banc ´ario direcionado, que de alguma forma re- cebem do governo direcionamento alocativo, no final do ano de 2010, corresponde- ram a 16,1% do PIB. Quanto `a origem desses recursos, eles se dividem em duas classes: cr ´edito direcionado com recursos fiscais e parafiscais; e cr ´edito direcio- nado com recursos do sistema banc ´ario.

Segundo Torres Filho (2006), o cr ´edito direcionado com recursos p ´ublicos (fiscais) ´e a retirada de parte da arrecadac¸ ˜ao fiscal para ser utilizada no financia- mento de investimentos de empresas ou fam´ılias. Nesse movimento, a poupanc¸a do setor p ´ublico ´e direcionada, sob a forma de empr ´estimos, por meio de meca- nismos compuls ´orios como impostos e contribuic¸ ˜oes aos investimentos em setores e atividades considerados priorit ´arios pela administrac¸ ˜ao p ´ublica. Uma alternativa a este mecanismo s ˜ao as poupanc¸as obtidas atrav ´es de mecanismos parafiscais. A diferenc¸a principal ´e que os recursos arrecadados por meio deste mecanismo

Documentos relacionados