dade
Nesta se ção far-se-á um estudo sobre anéis de polinómios numa indeterminada analisando
on eitoseresultadostais omoadivisibilidadeeafa torização. Começar-se-áporapresentar
umadeniçãoformal depolinómio numaindeterminada.
Denição 3.3.1. Seja
R
um anel. Uma su essãop = (a
i
)
i∈N
0
de elementos deR
tal quea
i
= 0
a partir de erta ordemm∈ N
0
, diz-se um polinómio. Sep = (a
i
)
i∈N
0
ea
i
= 0
, para todoi
∈ N
0
, es reve-sep = 0
. Pode-se es revera
1
,a
2
,a
3,
. . .
em vez de
(a
i
)
i∈N
0
. Dois polinómios(a
i
)
i∈N
0
e(b
i
)
i∈N
0
dizem-seiguaissee sóse,paratodo
i∈ N
0
,a
i
= b
i
.Denição 3.3.2. Dado um polinómio
p
6= 0
, hama-se grau dep
ao maiorm∈ N
0
tal quea
m
6= 0
.Se
p = 0
dene-se graudep
omo sendo−∞
. Um polinómioa
,0
,0
,. . .
diz-
se uma onstante e representa-se por
a
. No onjuntoP (R)
de todos os polinómios emR
, dene-se asseguintes operaçõesde adiçãoe multipli ação:paratodos
p = (a
i
)
i∈N
0
eq = (b
i
)
i∈N
0
,p + q = (a
i
+ b
i
)
i∈N0
onde
c
i
=
X
a
j
j+k=i
b
k
.
Proposição 3.3.3. Seja
R
um anel ( omutativo om identidade). EntãoP (R)
é um anel ( omutativo om identidade) eΦ : R
→ P (R)
denida porΦ(a) =
a
,0
,0
,. . .
,
para todo
a∈ R
é uma bije ção de anéis.Demonstração. Note-sequeo simétri odo polinómio
a
1
,a
2
,a
3,
. . .
é opolinómio
−a
1
,−a
2
,−a
3,
. . .
e
p = 0
é o zero do anelP (R)
. O resto da demonstração a ao uidadodo leitor.Seja
A
umanel omidentidade. onsidere-sex =
0
,1
,0
,. . .
,0
,. . .
. Pode-
seprovar fa ilmente que,paratodo
n∈ N
,x
n
=
0
,0
,. . .
,0
,1
,0
,. . .
.
Dena-se1 =
1
,0
,0
,. . .
a identidade de
P (R)
, pode-se veri ar que dadop =
a
0
,a
1
,. . .
,a
n
,0
,0
,. . .
,
p = a
0
+ a
1
x + a
2
x
2
+· · · + a
n
x
n
= a
n
x
n
+· · · + a
1
x + a
0
.
O polinómio
x
(de grau1)
hama-se indeterminada sobreR
. Com esta notação, o polinómiop
poderá denotar-se porp(x)
. Usar-se-á as duas notações sempre que isso for ne essário.Um elemento
p(x) = a
0
+ a
1
x + a
2
x
2
+· · · + a
n
x
n
deP (R)
diz-se um polinómio na indeterminadax
om oe ientes emR
. Sep(x)
tem graun≥ 0
,ao oe ientea
n
hama-se oe iente dire tor dep(x)
. Um polinómio diz-se móni o se o seu oe iente dire tor é1
. Representa-se o anelP (R)
,sendoR
umanel omutativo omidentidade,porR[x]
.Exemplo 3.3.4. Seja
R = Z
ep =
2
,−3
,0
,5
,0
,0
,. . .
. Entãop =
2
,0
,0
,. . .
+
0
,−3
,0
,0
,. . .
+
0
,0
,0
,5
,0
,. . .
= 2− 3x + 5x
3
.
Note-se que
R[x]
não é orpo, mesmo seR
for orpo. De fa to, neste aso, os úni os elementosinvertíveisdeR[x]
sãoospolinómios onstantesa
,0
,0
,. . .
, omo
a6= 0
. No quesesegueR
serásempre umanel omutativo om identidade.Denição 3.3.5. Sejam
R
um anel omutativo om identidade ep(x) = a
0
+ a
1
x + a
2
x
2
+
· · · + a
n
x
n
um polinómio om oe ientes emR
. à apli açãof
p
,f
p
:
R
→ R
c
→ a
0
+ a
1
c + a
2
c
2
+· · · + a
n
c
n
hama-se função polinomialdenida por
p
. Parac∈ R
es reve-sep(c)
em vez def
p
(c)
.Note-seque se
p(x) = c
é onstante,entãoa função polinomialf
p
:
R
→ R
a
→ p(a) = c
é onstante. Em parti ular, se
p(x) = 1
,entãop(a) = 1
,paratodoa∈ R
. Note-se ainda quedadosumanelR
epolinómiosp(x)
,q(x)∈ R[x]
,podemosterp(x)6= q(x)
ef
p
= f
q
. De fa to,veja-se o exemplo:Exemplo 3.3.6. Sejam
A = Z
2
,p(x) = 1 + x
eq(x) = 1 + x
3
. Logop6= q
, masf
p
:
Z
2
→ Z
2
0
→ 1
1
→ 0
ef
q
:
Z
2
→ Z
2
0
→ 1
1
→ 0
dondef
p
= f
q
.éimportante não onfundiro onjunto
R[x]
de todosospolinómios om oe ientesnum anelR
om o onjunto de todas as funções polinomiais. Note-se que a natureza dos seus elementosé diferente.
Segue-seagoraa denição de raízde umpolinómio.
Denição3.3.7. Sejam
R
um anel omutativo om identidadeep(x)∈ R[x]
. Um elementoα
∈ R
diz-se raíz do polinómiop
sep(α) = 0
, isto é,α
é um zero da função polinomialf
p
:
R
→ R
.Teorema 3.3.8. Seja
R
um anel omutativo om identidade. Sea
∈ R
, a apli ação de substituiçãoǫ
a
:
R[x]
→ R
p(x)
→ p(a)
Demonstração. A demonstração édeixada ao uidado do aluno.
Mais, hama-se a atenção que é útil que o anel dos oe ientes seja omutativo om
identidade. Viu-se que a identidade é ne essária para denir o elemento
x
. Quanto ao papelda omutatividade, ela permite denir ohomomorsmo de substituição paraqualquerelemento de
R
. Como exemplo, suponha-se queR
não era omutativo, e tomem-se dois elementosa, b∈ R
,e onsidere-se opolinómio(x− a)(x − b) = x
2
− (a + b)x + ab.
Seagorasubstituirmos
x
pora
,viria,naigualdadeanterior,0 = ab−ba
. épor ausadeste tipode problemasque,emanéisnão omutativos,sósedene homomorsmodesubstituiçãoparaelementosdo entrodoanel,istoé,paraelementosque omutem omtodososelementos
de
R
.Teorema 3.3.9. Seja
R
um anel omutativo om identidade. EntãoR[x]
é um anel omu- tativo om identidade. SeR
é domínio deintegridade entãoR[x]
tambémo é.Demonstração. Demonstre-seapenasquese
R
não temdivisoresde zeroentãoR[x]
também não tem. Suponha-se então queR
é umdomínio deintegridade. Sejamp(x) = a
n
x
n
+· · · +
a
1
x + a
0
6= 0
eq(x) = b
m
x
m
+ b
m−1
x
m−1
+· · · + b
1
x + b
0
6= 0
, omgrau p(x) = n
egrau
q(x) = m
. Entãoa
n
, b
m
6= 0
ep(x)q(x) = a
n
b
m
x
n+m
+· · · + (a
0
b
1
+ a
1
b
0
)x + a
0
b
0
.
Como
R
nãotem divisoresdezero,obtém-sea
n
b
m
6= 0
e,portanto,p(x)q(x)6= 0
. LogoR[x]
não temdivisores de zero.Corolário 3.3.10. Se
R
é um domínio de integridade ep(x), q(x)∈ R[x]\{0}
têm graun
em
respe tivamente, entãop(x)q(x)
tem graun + m
.Deummodogeral, se
R
éumanel arbitrário,dadosp(x)
,q(x)∈ R[x]
tem-segrau (p(x) + q(x))≤ max{grau p(x), grau q(x)},
grau (p(x)q(x))≤ grau p(x) + grau q(x).
Re orde-se que o grau do polinómio nulo foi denido om sendo
−∞
, assim, o orolário anteriorfaz sentido mesmoquandop
ouq
sãopolinómiosnulos.3.3.1 Divisibilidade
Nestasubse çãovamosdemonstrar queno aneldospolinómios om oe ientes num orpoé
válido umalgoritmode divisão muitosemelhante ao queé válido nosinteiros.
Lema 3.3.11. Sejam
f, g∈ R[x], f, g 6= 0
. Seo oe iente dire tordef
,ouo deg
, foruma unidade, entãof g6= 0
egrau (f g) = grau (f ) + grau(g)
.Teorema 3.3.12. Sejam
R
umanel ef, g∈ R[x]
. Suponha-sequef
6= 0
e que o oe iente dire tor def
é uma unidade deR
. Então existemq, r∈ R[x]
, univo amente denidos, tais queg = qf + r
egrau r < grau f.
Demonstração. Se
grau g < grau f
, entãog = 0f + g
é uma de omposição nas ondições pretendidas. Senão, tome-sem = grau g
≥ n = grauf
e usa-se agora indução emm
. Sejaf (x) = ux
n
+ ax
n−1
+· · ·
,e
g(x) = bx
m
+ cx
m−1
+· · ·
onde
u
é umaunidade, por hipótese, eb6= 0
. Considere-seentãoo polinómiobu
−1
x
m−n
f
omúltiplo de
f
quesubtraídoag
lhefarádiminuir ograu. Temos então,g
1
=
g− bu
−1
x
m−n
f
=
(bx
m
+ cx
m−1
+· · · ) − bu
−1
x
m−n
(ux
n
+ ax
n−1
+· · · )
=
0x
m
+ (c− bu
−1
a)x
m−1
+· · ·
Tem-seentãoque
grau g
1
< grau g
,portanto,porindução,existemq
1
er
taisqueg
1
= q
1
f +r
, omgrau r < grau f
. Assim,g = g
1
+ bu
−1
x
m−n
f = (q
1
+ bu
−1
x
m−n
)f + r.
Pondo
q = q
1
+bu
−1
x
m−n
tem-seaexistên iadade omposiçãonas ondiçõespretendidas.
Restavera uni idade. Suponha-se então que
g = q
′
f + r
'egrau r
′
< grau f.
Entãor− r
′
= (q
′
− q)f
. Seq
′
− q 6= 0
,então omoo oe ientedire torde
f
é umaunidade,(q
′
− q)f 6= 0
pelolema anterior, e
donde
grau (r
− r
′
)
≥ grau (q − q
′
) + grau f
, o que é falso. Assim,
q = q
′
e portanto
r− r
′
= (q
′
− q)f = 0
er = r
′
.
Apresenta-se ainda oTeorema doResto:
Teorema 3.3.13. Seja
R
um anel omutativo om identidade. Sef (x)
∈ R[x]
ea
∈ R
, entãoo restoda divisãodef (x)
pelo polinómiox− a
éf (a)
.Demonstração. Usa-se o algoritmo da divisão em
R[x]
para dividirf
porx− a
. Repare-se queo oe iente dire tordex− a
é umaunidade. Tem-sef (x) = q(x)(x− a) + r(x),
om
grau r < 1 = grau (x− a)
, ou seja,r
é uma onstante. Substituindoa
em ambos os polinómios, obtém-sef (a) = r
,queerao pretendido.Como onsequên iatem-se:
Corolário 3.3.14. Se
R
é um anel omutativo om identidade,f (x)∈ R[x]
ea∈ R
, entãox− a
dividef (x)
se e só sef (a) = 0
.Corolário3.3.15. Sejam