Paulo J.Almeida
Enide Martins
1 Preliminares 1
1.1 Conjuntos esub onjuntos . . . 1
1.2 Relações . . . 4
1.2.1 Classi ação da RelaçõesBinárias: . . . 4
1.2.2 Relaçõesdeequivalên ia . . . 5 1.2.3 Partições . . . 7 1.2.4 Classesde Equivalên ia . . . 8 1.2.5 Conjunto o iente . . . 9 1.2.6 Exer í ios . . . 11 1.3 Funções . . . 14
1.3.1 Relação de Equivalên ia Asso iada aumaFunção . . . 14
1.3.2 De omposição Canóni a deumaFunção . . . 15
1.3.3 Exer í ios . . . 17
1.4 Con eitosBási os de Estruturas Algébri as . . . 18
1.4.1 OperaçõesInternas . . . 18
1.4.2 OperaçõesExternas . . . 20
1.4.3 Estruturas e Subestruturas Algébri as . . . 20
1.4.4 Grupóides,Semigrupose Monóides . . . 22
1.4.5 Homomorsmo deGrupóides . . . 24
1.4.6 Exer í ios . . . 26
2 Tópi os sobre Teoria de Grupos 29 2.1 Propriedades Elementares . . . 29
2.1.1 GruposFinitoseTabelas de Entradas . . . 32
2.1.3 Potên ias numGrupo . . . 37
2.1.4 Conjugado e Comutador . . . 38
2.1.5 Exer í ios . . . 40
2.2 Subgrupos . . . 42
2.2.1 Cara terização de Subgrupos . . . 44
2.2.2 Interse ção eUnião de Subgrupos. . . 47
2.2.3 Subgrupo Gerado . . . 49
2.2.4 Exer í ios . . . 50
2.3 Classes Lateraise Teorema deLagrange . . . 52
2.3.1 Exer í ios . . . 58
2.4 SubgruposNormais. DeniçãoeCara terização . . . 60
2.4.1 Exer í ios . . . 61
2.5 Homomorsmo de Grupos . . . 62
2.5.1 Exer í ios . . . 66
2.6 GruposCo iente . . . 67
2.6.1 Exer í ios . . . 68
2.7 Teorema Fundamental do Homomorsmode Grupos . . . 69
2.7.1 Exer í ios . . . 74
2.8 GruposCí li os . . . 76
2.8.1 Propriedades da Ordemde umElemento . . . 78
2.8.2 Cara terização dosSubgruposdosGruposCí li osFinitos . . . 81
2.8.3 Exer í ios . . . 84
2.9 O Grupo Simétri o . . . 86
2.9.1 Produto de Permutações . . . 87
2.9.2 Classe de Permutações Comutáveis . . . 88
2.9.3 De omposição deumapermutação num produto de i los . . . 89
2.9.4 PermutaçõesConjugadas . . . 92
2.9.5 Regra Práti a parao Cál ulode umaPermutação Conjugada . . . 93
2.9.6 Transposições . . . 93
2.9.7 Paridade de umaPermutação . . . 95
2.9.8 Teorema de Cayley . . . 97
3 Tópi os sobre Teoria de Anéis 103
3.1 Anéis e Homomorsmos . . . 103
3.1.1 Con eitosElementares . . . 103
3.1.2 Divisoresde ZeronumAnel . . . 106
3.1.3 Subanéis . . . 108
3.1.4 Homomorsmos de Anéis . . . 108
3.1.5 Nú leo de umhomomorsmode anéis . . . 110
3.1.6 AnelCo iente . . . 111
3.1.7 Exer í ios . . . 112
3.2 Ideais deumAnel . . . 113
3.2.1 Teorema Fundamental doHomomorsmo . . . 115
3.2.2 IdealGerado por umConjunto. Ideal Prin ipal . . . 119
3.2.3 Estruturade umIdealPrin ipal. . . 119
3.2.4 Ideais Primose IdeaisMaximais . . . 121
3.2.5 Exer í ios . . . 124
3.3 Anelde Polinómios sobre AnéisComutativos omIdentidade . . . 126
3.3.1 Divisibilidade . . . 130
Preliminares
1.1 Conjuntos e sub onjuntos
Chama-se onjunto a qualquer ole ção bem denida de obje tos, que serão hamados
ele-mentosdo onjunto. Aexpressão`bemdenida' éne essária, porque nemtodaa ole çãode
obje tos podeser onsideradaum onjunto,devidoao famosoparadoxode BertrandRussell:
Paradoxo: Seja
A
a ole çãodetodosos onjuntosquenãosãoelementosdesipróprios. Suponhamos queA
é um onjunto. SeA
for elemento deA
então por denição do onjuntoA
, obtém-se queA
não é elemento de si próprio. SeA
não é elemento de si próprio, então por denição do onjuntoA
tem-se queA
é elemento de si próprio. Portanto,A
não podeser um onjunto.
Os onjuntosserão representadosporletrasgrandeseosseuselementosporletras
peque-nas. A notação
a
∈ A
signi a que
a
é elemento deA
(oua
perten e aA
), A negação dea
∈ A
é denotada pora
6∈ A
. Conjuntospodemserdenidoses revendoosseuselementosentre havetas, omopor exemplo,{1, 7, 11}
ouatravés deuma des riçãoformaldosseus elementos, da formaA =
{a | a
tema propriedadeP
},
i. e., o onjunto
A
é formado pelos elementosque veri amuma ertapropriedadeP
. Chama-se ardinaldeA
aonúmero deelementosdo onjuntoA
eestenúmeroédenotado por|A|
.Dadosdois onjuntos
A
eB
,sequalquerelementodeA
perten eraB
,es revemosA
⊆ B
e dizemos queA
é umsub onjunto deB
ou queA
está ontido emB
. SeA
⊆ B
eB
⊆ A
entãodizemos queA
é igualaB
ees revemosA = B
.A um onjunto omzero elementos hamamos onjunto vazio. Claramente, um onjunto
vazio é sub onjunto de qualquer outro onjunto, e portanto, atendendo à denição de
igual-dadede onjuntos, há umúni o onjunto vazio,que denotamospor
∅
(ou por{}
). Alguns outros onjuntos tambémtêm umanotaçãoxa, omo por exemploN, Z, Q, R, C
eH,
que representam, respe tivamente, os onjuntos formados por números naturais
1, 2, 3, . . .
, por inteiros, porra ionais, por reais, por omplexose por quaterniões.Podemos obternovos onjuntosapartir de onjuntosdadosutilizandooperaçõesem
on-juntos. Vejamos algumasdestasoperações. Sejam
A
eB
onjuntos, então•
a união deA
eB
é o onjunto formado pelos elementos que perten em aA
ou aB
(podendo perten er aambos). Denotamoseste onjunto porA
∪ B
. Assim,A
∪ B = {x | x ∈ A
oux
∈ B};
•
a interse çãodeA
eB
éo onjunto formadopeloselementosqueperten emaA
eaB
, simultaneamente. Denotamoseste onjunto porA
∩ B
. Assim,A
∩ B = {x | x ∈ A
ex
∈ B};
•
a diferença entreA
eB
(ou omplemento relativo deB
emA
) é o onjunto formado peloselementosqueperten emaA
enãoperten emaB
. Denotamoseste onjunto porA
\ B
. Assim,A
\ B = {x | x ∈ A
ex
6∈ B};
•
a união disjuntaentreA
eB
é o onjunto formado pelos elementosque estãoemume um sódos onjuntosA
ouB
. Denotamos este onjunto porA
⊕ B
. Note-se queA
⊕ B = A ∪ B \ A ∩ B.
Dene-se também união e interse ção de ole ção arbitrária de onjuntos
{A
i
| i ∈ I}
, indexados num onjuntoI
,quedenotamospor[
i∈I
A
i
=
{x | x ∈ A
i
,
paraalgumi
∈ I}
e\
i∈I
A
i
=
{x | x ∈ A
i
,
paraqualqueri
∈ I}.
Em seguida,vamos listaras propriedades fundamentais da união, interse ção ediferença
de onjuntos, ujademonstração a omo exer í io.
Proposição 1.1.1. Sejam
A, B
eC
onjuntos e onsidere-se a ole ção{B
i
| i ∈ I}
. São válidas as seguintes armações:(i)
A
∪ B = B ∪ A
eA
∩ B = B ∩ A
; (ii)(A
∪ B) ∪ C = A ∪ (B ∪ C)
; (iii)(A
∩ B) ∩ C = A ∩ (B ∩ C)
; (iv)A
∪ A = A = A ∩ A
; (v)A
∪ ∅ = A
eA
∩ ∅ = ∅
; (vi)A
\
[
i∈I
B
i
!
=
\
i∈I
(A
\ B
i
)
eA
\
\
i∈I
B
i
!
=
[
i∈I
(A
\ B
i
) .
Dadauma ole çãonitade onjuntos
A
1
, A
2
, . . . , A
n
, hamamosn
-uploaumasequên ia de elementosa
1
, a
2
, . . . , a
n
tais quea
i
∈ A
i
,para adai
∈ {1, 2, . . . , n}
e denota-mo-lo por(a
1
, a
2
, . . . , a
n
)
. O onjunto de todososn
-uplos é denotadoporA
1
× A
2
× · · · × A
n
e édenominado por produto artesiano dos onjuntos
A
1
, A
2
, . . . , A
n
.Dadoum onjunto
A
, hama-separtesdeA
ao onjuntoformadoportodosossub onjuntos deA
,in luindoo onjunto vazioe opróprio onjuntoA
. Denota-se este onjunto porP (A)
.1.2 Relações
Noque sesegue
E
eF
sãodois onjuntosnão vazios.Denição1.2.1. Chama-serelação de
E
paraF
atodoo sub onjunto doproduto artesianoE
× F
.Denição1.2.2. Chama-serelaçãobinária(ousimplesmente relação) denidaem
E
a todo o sub onjunto do produto artesiano deE
× E
.Usualmente
E
2
signi a
E
× E
,E
3
signi a
E
× E × E
( onjunto dosternos ordenados de elementos deE
). Mais geralmenteE
n
signi a o onjunto dos
n
−
uplos ordenados deE
. Assim, hama-serelaçãon
−
áriasobreE
aqualquer sub onjuntodeE
n
,onde
n
éuminteiro positivo.Se
R
éumarelação bináriadenidaemE
,em termosde notaçãoes reve-se(a, b)
∈ R
oua R b,
paradesignarque
(x, y)
éumelemento deR
. Se(x, y)
nãoé umelemento deR
es reve-se(a, b) /
∈ R
oua
R b.
Exemplo1.2.3. Considere-seo onjunto
X =
{1, 2, 3}
. O onjuntoR =
{(1, 1), (2, 3), (3, 2)}
é uma relação binária denidaemX
pois é umsub onjunto deX
× X
.Mais,
(1, 1)
∈ R
mas opar(2, 2) /
∈ R
.Exemplo 1.2.4. Sejam
X =
{1, 2, 3, 4}
eR =
{(x, y) ∈ X × X : x + y ≤ 5}
. Tem-seR =
{(1, 1), (1, 2), (1, 3), (1, 4), (2, 1), (2, 2), (2, 3), (3, 1), (3, 2), (4, 1)} ⊆ X × X.
Então
R
é uma relação binária denidaemX
.1.2.1 Classi ação da Relações Binárias:
Seja
E
um onjunto eR
uma relaçãobináriadenidaemE
. Diz-se queR
é umarelação:1. Reexivaseparatodo
x
∈ E
,tem-sex R x
;2. Simétri a separaquaisquer
x, y
∈ E
queveriquemx R y
tem-sey R x
;4. Anti-simétri aseparaquaisquer
x, y
∈ E
,queveriquemx R y
ey R x
,tem-sex = y
;5. Tri otómi a separaquaisquer
x, y
∈ E
,tem-sex R y
ouy R x
,oux = y
.Denição 1.2.5 (Relação de equivalên ia). Diz-se que
R
é uma relaçãode equivalên ia seR
é reexiva, simétri a e transitiva.Denição1.2.6(Relaçãode ordem). Diz-seque
R
éuma relaçãodeordem seR
éreexiva, anti-simétri a e transitiva.1.2.2 Relações de equivalên ia
Exemplo 1.2.7. Seja
B =
{a, b, c, d}
eR =
{(a, a), (b, b), (c, c), (d, d), (a, b), (b, a), (c, d), (d, c)}.
A relação
R
é uma relação de equivalên ia.Exemplo 1.2.8. Sejam
P
o onjunto de todas as pessoas eD
a relação "ter o mesmo pai que". A relaçãoD
é uma relação de equivalên ia.Exemplo 1.2.9. Seja
Z
o onjunto dos inteiros. Dena-se∼
emZ
porx ∼ y
se e só sex
− y
é par. A relação∼
é uma relação deequivalên ia.Exemplo 1.2.10. (Congruên ia módulo
p
) Sejamh, k
∈ Z
en
∈ Z
+
. Diz-se que
h
é ongruente omk
módulon
see sóseh
− k
é divisível porn
, ouseja,h
− k = sn
,paraalgums
∈ Z
, e es reve-seh
≡ k mod n
(ouh
≡ k( mod n)
). De forma equivalente também se es reveh
≡ k mod n
, se e só se os restos das divisões deh
ek
porn
são iguais. A relação anterior é uma relação de equivalên ia.Defa to,
h
− h = 0 = 0 × n
,entãoh
≡ h mod n
paraqualquerh
∈ Z
; Assima relação anterioré reexiva.Sejam
h, k
∈ Z
tais queh
≡ k mod n
. Então, existeα
∈ Z
tal queh
− k = αn
. Mas então,k
− h = (−α)n.
Como
−α ∈ Z
entãok
≡ h mod n
e arelação anterior ésimétri a. Sejamagorah, k, w
∈ Z
tais queEntão, existem
α
1
∈ Z, α
2
∈ Z
tais queh
− k = α
1
n
ek
− w = α
2
n.
Consequentemente,(h
− k) + (k − w) = α
1
n + α
2
n.
Donde,h
− w = (α
1
+ α
2
)n.
Comoα
1
+ α
2
∈ Z
,entãoa relaçãoanterioré transitiva.Exemplo 1.2.11. Pretende-se mostrar que se
x
≡ x
′
mod n
ey
≡ y
′
mod n
entãox + y
≡ x
′
+ y
′
mod n.
Por hipótesex
≡ x
′
mod n
ey
≡ y
′
mod n
ou sejax
− x
′
= θ
1
n,
omθ
1
∈ Z,
y
− y
′
= θ
2
n,
omθ
2
∈ Z.
Pretendemos provar que então
(x + y)
− (x
′
+ y
′
) = θ
3
n
, omθ
3
∈ Z
. Ora(x + y)
− (x
′
+ y
′
) = x
− x
′
+ y
− y
′
= θ
1
n + θ
2
n = (θ
1
+ θ
2
)n = θ
3
n,
om
θ
3
= θ
1
+ θ
2
∈ Z
.Apresenta-se de seguida um exemplo duma relação binária quenão é relação de
equiva-lên ia.
Exemplo 1.2.12. Em
Z
a relação binária denidaporn R m
se e só senm
≥ 0,
nãoéuma relaçãodeequivalên ia. Defa to
R
é reexiva, poispara todoa
∈ Z
,tem-sea R a
uma vez quea
2
≥ 0
. Também é simétri a: Se
a R b
, entãoab
≥ 0
, e, portanto,ba
≥ 0
, pois emZ
a multipli ação é omutativa. Assimb R a
. No entanto,R
não é transitiva, por exemplo,−3 R 0
e0 R 5
mas−3
nãoestá rela ionado om5
.Exer í io1.2.13. Mostre que, em
Z
\ {0}
a relação bináriadenida porn R m
se e só senm > 0,
Exer í io 1.2.14. Seja
E
um onjunto não vazio. Prove que, seR
é uma relação binária denida emE
talque1.
a R a,
∀a ∈ E
;2. para quaisquer
a, b, c
∈ E
que veriquema R b
eb R c
tem-sec R a
.então
R
é uma relaçãode equivalên ia.Solução: De1. resultaque
R
éreexiva. Prove-se queR
é simétri a,ouseja,∀a, b ∈ E, a R b ⇒ b R a.
Sejamentão
a, b
∈ E
taisquea R b
. Por 1. tem-se queb R b
. Assim,dea R b
eb R b
resultab R a
,por 2..Prove-se agora a transitividade: Sejam
a, b, c
∈ E
tais quea R b
eb R c
. Por 2. temosc R a
. Como seprovouqueR
ésimétri a resulta quea R c
.Portanto,
R
é umarelaçãode equivalên ia.1.2.3 Partições
Uma partição dum onjunto
E
é uma de omposição deE
em sub onjuntos não vazios tais que todo o elemento deE
perten e a um e um só desses sub onjuntos. A ada um desses sub onjuntos hamamos elementosda partição. Apresenta-se a denição formal.Denição 1.2.15 (Partição de um onjunto). Uma partição de
E
é uma ole çãoP
de sub onjuntos deE
,P = (P
i
)
i∈I
, indi iados num onjuntoI
nãovazio, tais que1. Para qualquer
i
∈ I
, tem-seP
i
6= ∅
;2. Todoo elemento de
E
perten e a um e um sóP
i
, omi
∈ I
.Note-sequeoselementos dumapartiçãode um onjunto
E
são disjuntosdois adois.Exemplo1.2.16. Seja
E =
{1, 2, 3, 4, 5, 6}
. UmapartiçãodeE
éformadapelossub onjuntos{1, 6}, {3}
e{2, 4, 5}
. Os sub onjuntos{1, 2, 3, 4}
e{4, 5, 6}
não onstituem uma partiçãodeE
uma vez que o elemento4
perten e aos dois sub onjuntos. Os sub onjuntos{1, 2, 3}
e{5, 6}
não onstituem uma partiçãodeE
uma vez que o elemento4
não perten e a nenhum sub onjunto.Proposição 1.2.17. Sejam
E
eI
onjuntos nãovazios e(P
i
)
i∈I
sub onjuntos deE
. Então(P
i
)
i∈I
formamum partiçãodeE
see sóse as seguintes ondições forem válidas1. Para qualquer
i
∈ I
,P
i
6= ∅
;2.
E =
[
i∈I
P
i
;3.
P
i
∩ P
j
=
∅
para quaisqueri, j
∈ I
, omi
6= j
.Demonstração. Exer í io. Exemplo 1.2.18. Sejam
r
∈ R
eT
r
=
{x ∈ R : x
2
= r
}
. Então o onjunto:T = {T
r
: r
∈ R
er
≥ 0}
é uma partição deR
. 1.2.4 Classes de Equivalên iaSejaagora
R
umarelaçãodeequivalên iadenidaemE
. ArelaçãoR
determinaumapartição natural emE
,onde oselementosda partiçãosãodadospora =
{x ∈ E | x R a}.
(1.1)Note-sequea simetriade
R
permitees revera =
{x ∈ E | a R x}
. Em termosde notação tambémseusa[a]
R
ousimplesmente[a]
.Denição1.2.19. Ao onjunto (1.1) hama-se lassede equivalên iarelativa a
a
. Exemplo 1.2.20. No exemplo 1.2.7 tem-sea =
{a, b}, b = {a, b}, c = {c, d}, d = {c, d}.
Então a relação
R
referida parti iona o onjuntoB
em duas lasses:a = b =
{a, b}, c = d = {c, d}.
Exemplo1.2.21. Considere-se
R
arelaçãoparalelismono onjuntodasre tasdoplano. Esta relação binária é uma relação de equivalên ia. As lasses de equivalên ia são os onjuntosExemplo 1.2.22. Seja
n
∈ Z
+
. A relação de ongruên ia módulo
n
, determina emZ
uma partiçãoem lassesdeequivalên iadenotadaspor0, 1, . . . , n
− 1
,onde adai, i
∈ {0, 1, . . . , n−
1
}
é o onjunto dos inteiros da formakn + i, i
∈ {0, 1, . . . , n − 1}
, ou seja, o onjunto dos inteiros ujo resto na divisão porn
dái
. Por vezes usa-se a notação0, 1, . . . , n
− 1
, para representar as lasses0, 1, . . . , n
− 1
, respe tivamente. Cada lasse de equivalên ia para a relação de ongruên ia módulon
hama-se lasseresidual módulon
.Defa to,paratodo
i
∈ Z
,denote-sepori + nZ
o onjuntoi + nZ =
{i + kn : k ∈ Z}.
é fá il verque, dados
i, i
⋆
∈ Z
i
≡ i
⋆
mod n
⇔ i
⋆
∈ i + nZ,
peloque
i = i + nZ =
{. . . , −2n + i, −n + i, i, i + n, 2n + i, . . . }.
1.2.5 Conjunto o iente
Denição 1.2.23 (Conjunto o iente). Ao onjunto de todas as lasses de equivalên ia
de-terminadasem
E
pela relação de equivalên iaR
hama-se onjunto o ientee denota-seporE/R
, ouseja,E/R =
{a, a ∈ E}.
O onjunto de todasas lasses de equivalên ia determinadas em
Z
pela relação de on-gruên ia módulon
é{0, 1, . . . , n − 1}
.Exemplo 1.2.24. O onjunto o iente determinado no onjunto das re tas doplano para a
relação paralelismo é o onjunto detodas as dire ções.
Proposição 1.2.25. Sejam
x, y
∈ E
, entãox = y
se e só sex R y
.Demonstração. Exer í io.
Proposição 1.2.26. Sejam
x, y
∈ E
, entãox = y
oux
∩ y = ∅
.Demonstração. Exer í io.
Provar-se-á na proposição enun iada em seguida que o onjunto o iente é de fa to, a
Proposição1.2.27. Seja
R
umarelaçãodeequivalên iadenidaemE
. O onjunto o ienteE/R
é a partiçãodeterminada emE
porR
.Demonstração. Note-seque
x
∈ x
poisR
éreexivapeloquex
6= ∅
. Seguidamentemostre-se quex
∩ y = ∅
sex
6= y
. Por reduçãoao absurdosuponha-se queexistez
∈ x ∩ y
. Então, por deniçãode interse ção de onjuntos tem-sez
∈ x
ez
∈ y.
Por denição dex
ey
,vemz R x
ez R y,
mas,R
ésimétri a logo,x R z
ez R y.
Donde,pelatransitividade deR
,x R y.
PelaProposição 1.2.25,tem-se
x = y,
oqueé absurdo. Assim,
x
∩ y = ∅.
Prove-se agoraque
[
x∈E
x = E
. Claramente[
x∈E
x
⊆ E
. Defa to, sey
∈
[
x∈E
x
então existez
∈ E
tal quey
∈ z
. Maspor deniçãodez
,tem-sey
∈ E
.Prove-se agoraa in lusão ontrária, ou seja
E
⊆
[
x∈E
x
.Seja
y
∈ E
. ComoR
é reexiva,y R y
,ousejay
∈ y
. Assim,y
∈
[
x∈E
x
,donde se on lui queE
⊆
[
x∈E
x
.Dasduasin lusõesresultaque
[
x∈E
x = E.
Re ipro amente, dada uma partição
P = {P
i
, i
∈ I}
deE
podemos asso iar-lhe uma relaçãode equivalên iaR
,talqueas lasses deequivalên iadarelaçãosejamexa tamenteos elementosP
i
deP
,asaber:Proposição1.2.28. Arelação
R
denidaatráséumarelaçãodeequivalên iasobreE
. Mais,P = E/R
.Demonstração. Seja
a
∈ E
. Como[
i∈I
P
i
= E
,entãoexistei
∈ I
talquea
∈ P
i
,dondea R a
. PortantoR
é reexiva. A simetriaé imediata.Sejam agora
x, y, z
∈ E
tais quex R y
ey R z
. Então existemi
∈ I
ej
∈ I
tais quex, y
∈ P
i
ey, z
∈ P
j
. Comoy
∈ P
i
∩ P
j
,entãoP
i
∩ P
j
6= ∅
peloquei = j
. Logox, z
∈ P
i
e onsequentementex R z
. PortantoR
é transitiva. LogoR
érelação deequivalên ia.Prove-se agoraque
P = E/R
. Seja[a]
R
∈ E/R
. Comoa
∈ E
,entãoexistei
∈ I
talquea
∈ P
i
. Mostre-se que[a]
R
= P
i
. Seb
∈ [a]
R
entãoa R b
. Como{P
j
, j
∈ I}
é umapartição deE
ea
∈ P
i
,entãob
∈ P
i
. Logo[a]
R
⊆ P
i
.Re ipro amente,se
c
∈ P
i
,entãoc R a
e onsequentemente,c
∈ [a]
R
. Portanto,[a]
R
= P
i
e[a]
R
∈ P
. DondeE/R
⊆ P
.Mostre-seagoraque
P ⊆ E/R
. SejaP
i
∈ P
. PorqueP
i
6= ∅
,sejaa
∈ P
i
. Como já seviu,[a]
R
= P
i
,dondeP
i
∈ E/R
. LogoP ⊆ E/R
e onsequentemente,P = E/R
.Denição 1.2.29. A função
π : E
→ E/R
x
→
x
,
(1.2)
é hamada proje ção anóni a de
E
sobreE/R
(ou proje ção anóni a asso iada à relaçãoR
).Exemplo 1.2.30. Seja
R
a relação deparalelismo denidono onjunto das re tas doplano. Observou-se anteriormente queR
é uma relaçãode equivalên ia neste onjunto. Aproje ção anóni a asso iaa adare tadoplano asuadire ção, ouseja, a lassedasre tas que lhesãoparalelas.
éfá il provar queafunção denida anteriormente é sobreje tiva.
1.2.6 Exer í ios
1. Em ada umadasalíneasseguintesaverigue searelaçãobináriaindi adaéumarelação
de equivalên ia. Em aso armativodetermine o onjunto o iente.
1.1.
R =
{(1, 2), (2, 3), (3, 2)}
, no onjunto{1, 2, 3}
.1.2.
f Rg
se e só sef (0) = g(0)
,∀f, g ∈ F(R)
, ondeF(R)
designa o onjunto das funçõesreaisde variávelreal.1.3.
(x, y)R(z, t)
seesósext = yz
,∀(x, y), (z, t) ∈ Z × Z \ {0}
. 1.4.aRb
see sósea + b
é par,∀a, b ∈ N
.1.5.
aRb
see sósea
b
∈ Q
,∀a, b ∈ R \ {0}
. 1.6.(a, b)R(c, d)
seesósea
2
+ b
2
= c
2
+ d
2
,∀(a, b), (c, d) ∈ R
2
. 1.7.nRm
seesósenm
≥ 0
,∀n, m ∈ Z
. 1.8.nRm
seesósenm > 0
,∀n, m ∈ Z
. 1.9.xRy
se esósex
≥ y
,∀x, y ∈ R
. 1.10.xRy
se esóse|x| = |y|
,∀x, y ∈ R
. 1.11.xRy
se esóse|x − y| ≤ 3
,∀x, y ∈ R
. 2. SejaE =
{α, β, γ}
.2.1. Indique todosos onjuntos o iente distintosque podemdenir-se em
E
. 2.2. Dêum exemplodumarelação bináriadenidaemE
queseja:i. anti-simétri a esimétri a;
ii. reexiva,transitiva eanti-simétri a;
iii. relaçãode equivalên ia.
3. Seja
A = {A
r
| r ∈ R}
ondeA
r
=
{(x, y) ∈ R
2
| y = 2x + r}
, uma família de
sub onjuntos de
R
2
. Proveque
A
éumapartiçãodeR
2
edes reva-ageometri amente.
Indique também arelaçãode equivalên ia orrespondente.
4. Sejam
R
umarelaçãodeequivalên iasobreE
eS
umarelaçãode equivalên iasobreF
, ondeE
eF
sãodois onjuntosnão vazios. EmE
× F
dene-se uma relaçãobináriaπ
do modo seguinte:(x, y)π(x
′
, y
′
)
see sósexRx
′
e
ySy
′
.
4.1. Prove que
π
é umarelaçãode equivalên iaemE
× F
.4.2. Determine
(E
× F )/π
e prove que existe uma bije ção entre este onjunto e o onjunto(E/R)
× (F/S)
.5. Seja
p
umnúmero inteiro maiorouigual a 1. Considere a relaçãoR
denidaemZ
porxRy
ssep
dividex
− y, ∀x, y ∈ Z.
5.1. Mostre que
p
dividex
− y
se esósea divisão dex
ey
porp
dáo mesmoresto.5.2. Veriqueque
R
é umarelação deequivalên ia sobreZ
.5.3. Determineo onjunto o iente de
Z
sobreR
,onde:5.3.1.
R
éa relaçãode ongruên iamódulo3
; 5.3.2.R
éa relaçãode ongruên iamódulo5
.6. Sejam
R
1
eR
2
relações binárias denidas num onjunto não vazioE
. EmE
dene-se a relaçãobináriaU
(designada por reuniãodeR
1
omR
2
)do modo seguinte:xU y
see sósexR
1
y
ouxR
2
y,
paratodosx, y
∈ E.
Indique,justi ando, seasarmaçõesseguintes sãoverdadeiras oufalsas:
6.1. Se
R
1
eR
2
sãoreexivas, entãoU
éreexiva.6.2. Se
R
1
eR
2
sãosimétri as, entãoU
é simétri a.6.3. Se
R
1
eR
2
sãorelações deequivalên ia, entãoU
é relaçãode equivalên ia.7. Sejam
R
1
eR
2
relações binárias denidas num onjunto não vazioE
. Chamamos interse ção deR
1
omR
2
edenota-seporR
1
∩ R
2
àrelaçãobináriadenidaemE
do modo seguinte:x(R
1
∩ R
2
)y
see sósexR
1
y
exR
2
y,
paratodosx, y
∈ E.
Chamamos re ípro a de
R
1
e representa-se porR
−1
1
à relação binária denida emE
por:xR
−1
1
y
see sóseyR
1
x,
paratodosx, y
∈ E.
Chamamos relaçãoidentidade em
E
e denota-seporI
àrelaçãodenida por:xIy
se esósex = y,
paratodosx, y
∈ E.
Mostre que
R
1
é anti-simétri a see sóseR
1
∩ R
−1
1
⊆ I
.1.3 Funções
Denição1.3.1. Sejam
A
eB
onjuntos. Umafunção (ouapli ação) deA
paraB
, simboli- amentef : A
−→ B,
éumaregraque atribuia adaelemento
a
deA
umúni oelementof (a)
deB
,aquese hama imagem dea
porf
. Os elementos deA
são hamados obje tos. Os onjuntosA
eB
são o domínioe onjunto de hegadarespe tivamente.Denição1.3.2. Sejam
f : A
→ B
uma função eE
⊆ A
eF
⊆ B
. Ao onjunto,f (E) =
{f(x), x ∈ E},
hama-se onjunto imagem de
E
emB
porf
ou apenas imagem deE
. QuandoA = E
, o onjuntof (A)
também se denotaporℑf
. Ao onjuntof
−1
(F ) =
{x ∈ A : f(x) ∈ F }
hama-se imagem re ípro a de
F
emA
.Denição1.3.3. Seja
f : A
−→ B
uma função.Diz-seque
f
éinje tivasef (a) = f (b)
impli ara = b
,i. e. obje tosdistintostêmimagens distintas.Diz-se que
f
é sobreje tiva se qualquer elemento deB
for imagem dealgum elemento deA
através def
,i. e.ℑf = B
.Diz-se que
f
é bije tiva sef
for inje tiva e sobreje tiva.1.3.1 Relação de Equivalên ia Asso iada a uma Função
Seja
f
uma função de domínioE
. Pode asso iar-se af
uma relação binária, denotada porR
f
doseguinte modo:x R
f
y
see sósef (x) = f (y),
∀x, y ∈ E.
Arelaçãoanterioréusualmente onhe ida por relaçãodeequivalên ia asso iada à função
f
.Demonstração. Exer í io.
Dada uma relação de equivalên ia
R
denida emE
pode asso iar-se uma funçãof
de domínioE
tal que a relação de equivalên ia asso iada à funçãof
,R
f
, oin ide omR
. De fa to, aproje ção anóni aπ
asso iadaaR
preen he osrequisitos anteriores.Proposição1.3.5. Seja
R
umarelaçãodeequivalên ia denidaemE
. Aproje ção anóni aπ : E
→ E/R
é uma função denida emE
tal que a relação de equivalên ia asso iada aπ
oin ide omR
.Demonstração. Considere-sea função
π
denida omoem(1.2). Sejamx, y
∈ E
. Tem-se,xR
π
y
⇐⇒ π(x) = π(y)
por deniçãodeR
π
;⇐⇒ x = y
,por denição deπ
;⇐⇒ x R y
,pelaProposição 1.2.25. Assim,∀x, y ∈ E, x R
π
y
⇐⇒ x R y
ou seja,R
π
= R
.Ver-se-á em seguida de que forma o onjunto o iente intervém na fa torização duma
qualquer função.
1.3.2 De omposição Canóni a de uma Função
Proposição 1.3.6. Sejam
f : E
→ F
uma função eR
f
a relação de equivalên ia asso iada af
. Entãoexiste uma função∼
f : E/R
f
→ F
tal quef =
∼
f
◦ π
.Demonstração. Considere-seo diagrama:
E
→
f
F
π
↓
ր
∼
f
E/R
f
Dena-se∼
f
da seguinte forma:∼
f : E/R
f
→
F
x
→
f (x) = f (x)
∼
.Prova-se simultaneamente que
∼
f
está bem denidae é inje tiva. Sejamx, y
∈ E/R
f
tais que∼
f (x) =
f (y)
∼
⇐⇒ f(x) = f(y)
,por deniçãode∼
f
;⇐⇒ xR
f
y
,pordenição deR
f
;⇐⇒ x = y
,pelaProposição 1.2.25.Finalmente, prova-se que
∼
f
permite fa torizarf
omo se pretende. Tem-se então, para todox
∈ E
,∼
f
◦ π(x) =
∼
f (π(x))
,por deniçãode omposição de funções;=
∼
f (x)
, por denição deπ
;=
f (x)
,por denição de∼
f
. Provou-se assimque∀x ∈ E,
∼
f
◦ π(x) = f(x),
oqueequivale adizer que
∼
f
◦ π = f.
Note-seque∼
f (E/R
f
)
=
{
∼
f (x), x
∈ E/R
f
},
pordenição de onjunto imagem ;=
{f(x), x ∈ E} = f(E)
,porqueE/R
f
é umapartiçãodeE
;=
f (E)
.Corolário 1.3.7. Nas ondições da proposição anterior existe uma bije ção entre
E/R
f
ef (E)
.Demonstração. Claramente afunção
∼
f : E/R
f
→
f (E)
x
→
∼
f (x) = f (x)
éinje tivae sobreje tiva.
Corolário 1.3.8. Suponha-se que
f : E
→ F
é uma função sobreje tiva. Então existe uma bije ção∼
f
talquef =
∼
f
◦ π.
Considere-se
ι : F
→ F
a função identidade emF
. Claramente a restrição deι
af (E)
, denotada pori
,éumafunção inje tiva. Aessa função hama-seimersão anóni a.Corolário 1.3.9. Existe uma bije ção
g
deE/R
f
emf (E)
talquef = i
◦ g ◦ π
.Demonstração. Considere-seo diagrama:
E
→ F
f
π
↓
↑ i
E/R
f
−
→
g
f (E)
DoCorolário 1.3.7,afunçãog : E/R
f
→
f (E)
x
→ g(x) = f(x)
é umabije ção. Resta provar que
∀x ∈ E, i ◦ g ◦ π(x) = f(x).
Defa to,
i
◦ g ◦ π(x) = i ◦ g(π(x))
,por denição de omposição defunções;=
i
◦ g(x)
,por denição deπ;
=
i(f (x))
,por denição deg
e de omposição de funções;=
f (x)
,pordenição dei
.1.3.3 Exer í ios
1. Sejam
F(R)
o onjuntodasfunçõesreaisdevariávelrealeD(R)
o onjuntodasfunções reais de variável real que são deriváveis. Considere a funçãod :
D(R) → F(R)
, que a adaf
∈ D(R)
faz orresponderasua derivadaf
′
.1.1. Denaarelaçãodeequivalên iaasso iadaa
d
,R
d
,edetermineo onjunto o ienteD(R)/R
d
.1.2. Obtenha a de omposição anóni a de
d
. Prove dire tamente aspropriedades que enun iar,para ada umadasfunçõesintervenientes na de omposição.2.1. Denaarelaçãodeequivalên iaasso iadaa
f
,R
f
,edetermineo onjunto o ienteR/R
f
.2.2. Indique justi ando, umsub onjunto de
R
queestá embije ção omR/R
f
.3. Sejam
E
eF
dois onjuntos não vazios ef : E
→ F
umafunção.3.1. Dena relaçãode equivalên ia asso iada a
f
,R
f
, e verique queR
f
é, de fa to, uma relaçãode equivalên ia. Dena onjunto o ienteE/R
f
.3.2. Prove que
E/R
f
estáem bije ção omf (E)
.3.3. Diga o queentendeporde omposição anóni a de
f
.3.4. Suponha que
E = R
,F = R
+
0
ef (x) =
|x|
, para todox
∈ R
. Obtenha a de omposição anóni a def
. Justique su intamente.1.4 Con eitos Bási os de Estruturas Algébri as
1.4.1 Operações Internas
Denição 1.4.1. Chama-se operação binária em
E
, ou apenas operação emE
a toda a função⋆ : E
× E →
E
(u, v)
→ u ⋆ v
.
Aumaoperaçãobináriatambémse hamaleide omposição internaouoperaçãointerna.
Note-se que dizer que
⋆
é uma operação interna emE
signi a dizer que para todo(x, y)
∈ E × E
existe umeumsóz
∈ E
tal quez = x ⋆ y.
Diz-se também que
E
éfe hado para a operação.Exemplo1.4.2. Em
R, C
,Z, R
+
, Z
+
,aadiçãoemultipli açãousuaissãooperaçõesinternas.
Exemplo 1.4.3. Em
R
\{0}
a adiçãonão uma operação interna. Note-se que2 + (
−2) = 0
/
∈ R\{0}
.Exemplo 1.4.4. No onjunto
M
4
(C)
das matrizes de tipo4
× 4
om entradas emC
, a multipli ação de matrizesé uma operação interna.Exemplo 1.4.5. Seja
F
o onjunto das funções reais de variável real. A adiçãode funções é uma operação interna emF
.Note-sequea adiçãode funçõesé umaapli açãodenida daseguinteforma:
+ :
F × F
→
F
(f, g)
→ f + g
onde, paratodo
x
∈ R
,(f + g)(x) = f (x) + g(x)
. Note-se queaqui o símbolo+
tem aqui dois signi ados diferentes.Exemplo 1.4.6. Em
Z
+
,
⋆
, denidapora ⋆ b = min
{a, b}
é uma operação interna.Exemplo 1.4.7. Em
Z
+
,
⋆
, denidapora ⋆
′
b = a
é uma operação interna. Exemplo 1.4.8. EmZ
+
,⋆
′′
, denida pora ⋆
′′
b = ( a ⋆ b) + 2
, onde⋆
está denida no Exemplo 1.4.6 é uma operação interna.Exer í io 1.4.9. Em
R
onsidere denidaa operação internaθ
doseguinte modo:xθy = xy
− x − y + 2,
para todos os
x, y
∈ R
. Prove queθ
é ainda interna emR
\{1}
. Resposta: Sejamx, y
∈ R\{1}
quaisquer. Vamosprovar quexθy
6= 1.
Suponhamos que
xθy = 1
,isto é,xθy = xy
− x − y + 2 = 1
. Doanterior tem-se(x
− 1)y = x − 1.
Note-se que
x
6= 1
e portanto do anterior resulta quey = 1
o que não pode a onte er. Assim,xθy
6= 1.
Denição 1.4.10. (Operação omutativa) Uma operação binária
⋆
denida emE
diz-se omutativa se e só se∀a, b ∈ E, a ⋆ b = b ⋆ a.
Denição 1.4.11. (Operação asso iativa) Uma operação binária
⋆
denida emE
diz-se asso iativa se e só seExemplo 1.4.12. A adição e multipli ação são operações asso iativas e omutativas em
Z
mas a subtra ção nãoé omutativa nem asso iativa nesse onjunto.Exemplo 1.4.13. A omposição de funções reais de variável real é asso iativa mas não é
omutativa.
1.4.2 Operações Externas
Introduz-se agora o on eito deOperaçãoExterna. Defa to, já foidenidoeste on eito na
dis iplinade álgebra Lineare Geometria Analíti a eapresentam-se alguns exemplosquenos
sãofamiliares.
Denição1.4.14(Operaçãoexterna omdomíniodeoperadores
K
). SejaK
6= ∅
. Chama-seleide omposiçãoexterna omdomíniodeoperadoresK
ousimplesmenteoperação externa om domínio deoperadoresK
a toda a função“
•
denidadaseguinte forma,• : K × E →
E
(k, x)
→ k • x
.
Neste aso, diz-se também que
E
é fe hado para a operação externa om domínio de operadoresK
.Exemplo 1.4.15. Se
V
foro onjunto dos ve tores livres doespaço, a multipli ação por um es alar real é uma função deR
× V
emV
e portanto é uma lei de omposição externa om domínio deoperadoresR
.Denição 1.4.16. (Operação externa denida em
E
) SejaK
6= ∅
. Chama-se lei de om-posição externa denida emE
ou simplesmente operação externa denida emE
a toda a função“
•
denidadaseguinte forma,• : E × E →
K
(x, y)
→ x • y
.
Exemplo 1.4.17. O produto interno é uma função de
V × V
emR
e portantoé uma lei de omposição externa denidaemV
.1.4.3 Estruturas e Subestruturas Algébri as
Denição 1.4.18. A todo o onjunto munido de uma ou mais operações internas e/ou
Suponha-se que o onjunto
E
está munido duma operação interna,⋆
e uma operação externa•
relativamente a um onjuntoK
6= ∅
de operadores. Denote-se esta estrutura algébri a por(E, ⋆,
•)
.Denição 1.4.19. Uma subestrutura algébri a de
(E, ⋆,
•)
é um sub onjuntoS
6= ∅
deE
que é fe hado para as operações⋆
e•
deE
, isto é:∀x, y ∈ S, x ⋆ y ∈ S
∀α ∈ K, ∀x ∈ S, α • x ∈ S.
Duma forma geral, se
(E, ⋆
1
, ⋆
2
, . . . , ⋆
n
,
•
1
,
•
2
, . . . ,
•
m
)
é uma estrutura algébri a onde⋆
1
, ⋆
2
, . . . , ⋆
n
sãon
operaçõesinternase•
1
,
•
2
, . . . ,
•
m
sãom
operaçõesexternas,onden, m
∈
N
,dene-se subestrutura algébri ada estruturaanteriorda seguinteforma:Denição1.4.20. Umasubestrutura algébri a de
(E, ⋆
1
, ⋆
2
, . . . , ⋆
n
,
•
1
,
•
2
, . . . ,
•
m
)
éum sub- onjuntoS
6= ∅
deE
que é fe hado para as operações⋆
1
, ⋆
2
, . . . , ⋆
n
e•
1
,
•
2
, . . . ,
•
m
deE
, isto é, se para todosi
∈ {1, . . . , n}, j ∈ {1, . . . , m}
, setem∀x, y ∈ S, x ⋆
i
y
∈ S,
∀α ∈ K, ∀x ∈ S, α •
j
x
∈ S.
Sejam
P
1
, P
2
, . . . , P
l
, l
∈ N
, propriedades estruturais (propriedades ara terizadoras da estrutura) de(E, ⋆
1
, ⋆
2
, . . . , ⋆
n
,
•
1
,
•
2
, . . . ,
•
m
)
. Para queS
⊆ E
,e munido omasoperações induzidaspelasoperaçõesdeE
sejaumasubestrutura(domesmotipo)deE
temquesatisfazer igualmente aspropriedades estruturaisdeE
.Exemplo 1.4.21. Seja
(
V, +, •)
umespaçove torial sobreR
. O sub onjunto nãovazioS
deV
éumsubespaçove torial deV
se,paraasoperaçõesinduzidaspelasoperações deV
satiszer as propriedades estruturais deV
, ou seja osaxiomas deespaço ve torial.Se
S
é umasubestrutura algébri adeE
denota-seporS
≺ E
. Se além dissoS
satiszer asmesmas propriedades estruturais deE
diz-sequeS
éum subestruturado mesmo tipo deE
edenota-se porS
≤ E
.Denição 1.4.22. Chamam-se propriedades hereditárias a todas as propriedades de uma
estrutura algébri a válidas emtodos os seus sub onjuntosnão vazios.
Exemplo 1.4.23. A omutatividade e asso iatividadeda adiçãode números reais.
Denição1.4.24. Chamam-sepropriedadesnãohereditáriasatodasaspropriedadesdeuma
1.4.4 Grupóides, Semigrupos e Monóides
Denição 1.4.25. Chama-se grupóide a todo o par
(E, ⋆)
onde⋆
é uma operação interna denidaemE
. Sea operação é omutativa diz-seque o grupóide é omutativo.No quesesegue
(E, ⋆)
é umgrupóide.Denição 1.4.26. (Elemento neutro à direita) Um elemento
θ
∈ E
diz-se elemento neutro à direita para⋆
emE (
ou em relação a⋆
emE)
, sex ⋆ θ = x
,para todox
∈ E
.Denição1.4.27. (Elementoneutroàesquerda)Um elemento
µ
∈ E
diz-seelemento neutro à esquerda para⋆
emE
(ou emrelação a⋆
emE)
, seµ ⋆ x = x
,para todox
∈ E
.Denição1.4.28. (Elemento neutro) Um elemento
e
∈ E
diz-se elemento neutro para⋆
emE
(ou em relação a⋆
emE
),see ⋆ x = x ⋆ e = x
, para todox
∈ E
.Note-seque
e
ésimultaneamente elemento neutro à direitae àesquerda.Exemplo1.4.29. Oelemento
0
éelemento neutroàdireitaemrelaçãoàoperaçãosubtra ção emR
mas não é elemento neutro à esquerda. O elemento1
é o elemento neutro em relação à multipli ação emZ
.Denição 1.4.30. (Elemento invertível à direita) Um elemento
x
∈ E
diz-se invertível à direita se e só se existe um elementod
∈ E
talquex ⋆ d = e
.Denição 1.4.31. (Elemento invertível à esquerda) Um elemento
x
∈ E
diz-se invertível à esquerda se e só se existe um elementol
∈ E
tal quel ⋆ x = e
.Denição 1.4.32. (Inverso de um elemento) Um elemento
x
′
∈ E
, hama-se inverso de
x
∈ E
sex ⋆ x
′
= x
′
⋆ x = e
.Denição1.4.33. Um elemento diz-se invertível se possui inversoúni o.
Teorema 1.4.34. Dado um grupóide
(E, ⋆)
, seexistir elemento neutro este será úni o.Demonstração. Suponhamos que
e
ee
1
sãodois elementos deE
taisque, para todox
∈ E
,e ⋆ x = x ⋆ e = x
e,
Considere-se
e ⋆ e
1
. See
é o elemento neutro deE
tem-see ⋆ e
1
= e
1
. Mas, see
1
é o elemento neutro deE
,e ⋆ e
1
= e
. Assim,e
1
= e ⋆ e
1
= e.
Denição 1.4.35. Chama-sesemigrupo a todo o grupóide asso iativo,isto é, a operação do
grupóide é asso iativa.
Denição 1.4.36. Chama-se monóide a umsemigrupo omelemento neutro.
Exemplo 1.4.37.
(N, .)
é um monóide.Teorema 1.4.38. Seja
(E, ⋆)
um monóide om elemento neutroe
. Sea
∈ E
é invertível à direita e à esquerda, entãoesses inversos oin idem ea
é invertível sendo o seuinverso um desses elementos.Demonstração. Sejam
a
′
e
a
′′
osinversosde
a
à esquerdae àdireita respe tivamente.a
′
= a
′
⋆ e
=
a
′
⋆ (a ⋆ a
′′
)
,denição dee
ea
′′
;
=
(a
′
⋆ a) ⋆ a
′′
,pela asso iatividade de
⋆
emE
;=
e ⋆ a
′′
= a
′′
,pordenição dee
.Teorema 1.4.39. Sejam
(E, ⋆)
um monóide ea
,b
∈ E
. Suponha-se quea
é invertível. Então as equações linearesa ⋆ x = b
ey ⋆ a = b
têm soluçãoúni a.Demonstração. Primeiromostrar-se-áque
a
′
⋆b
éumasoluçãode
a⋆x = b
,ondea
′
éoinverso dea
. Note-se quea ⋆ (a
′
⋆ b)
=
(a ⋆ a
′
) ⋆ b
,pelaasso iatividadede⋆
emE
;=
e ⋆ b
,denição dea
′
;
=
b
,por denição dee
.Analogamente se mostra que
y = b ⋆ a
é uma solução dey ⋆ a = b
. Para mostrar a uni idadeda solução suponha-se quetemosduassoluçõesy
1
, y
2
tais quey
1
⋆ a = b
ey
2
⋆ a = b.
Então
Umavez que
⋆
é umaoperação,a
′
é oinverso de
a
e⋆
é asso iativa,aigualdade anterior éequivalente a(y
1
⋆ a) ⋆ a
′
= (y
2
⋆ a) ⋆ a
′
.
Que, tendo em atenção que
a
é invertível e, por denição de elemento neutro, o anterior é equivalente ay
1
= y
2
.
Denição1.4.40. (Can elamento à direita)Seja
(E, ⋆)
um grupóide. Se,∀x, y, z ∈ E, x ⋆ z = y ⋆ z ⇒ x = y,
diz-seque
z
é an elável (simpli ável ouregular) àdireita para a operação⋆
.Denição1.4.41. (Can elamento à esquerda) Seja
(E, ⋆)
um grupóide. Se,∀x, y, z ∈ E, z ⋆ x = z ⋆ y =⇒ x = y,
diz-seque
z
é an elável (simpli ável ouregular) àesquerda para a operação⋆
.Denição 1.4.42. (Elemento an elável) Um elemento diz-se an elável (simpli ável ou
regular) para a operação
⋆
sefor an elável (simpli ável ou regular) à direita e à esquerda.Denição 1.4.43. (Lei do Can elamento) Um grupóide
(E, ⋆)
goza da lei do an elamento oulei do orte se todos osseus elementos forem an eláveis.Exemplo 1.4.44. Em
(N, +)
é válida a lei do orte.Exemplo 1.4.45. Em
(R, .)
não é válida a lei do orte pois por exemplo,0
× 2 = 0 × 5
e2
6= 5
.1.4.5 Homomorsmo de Grupóides
Denição1.4.46. Sejam
(E, ⋆)
e(F,
•)
dois grupóides. Chama-sehomomorsmo de(E, ⋆)
para(F,
•)
a toda a funçãof : E
→ F
tal que∀x, y ∈ E, f(x ⋆ y) = f(x) • f(y).
Exemplo1.4.47. Sejam
(N, +)
e(2N, +)
dois grupóides. A funçãof : N
→ 2N
talque para todon
∈ N, f(n) = 2n
, é um homomorsmo degrupóides.Teorema 1.4.48. Sejam
(E, ⋆)
,(F,
◦)
dois grupóides. Sef : E
→ F
é um homomorsmo entre os dois grupóides entãof (E)
é fe hado para a operação◦
.Demonstração. Sejam
a, b
∈ f(E)
. Pordeniçãodef (E)
,existemu, v
∈ E
taisquea = f (u)
, b = f (v)
. Assim,a
◦ b = f(u) ◦ f(v) = f(u ⋆ v),
porque
f
éumhomomorsmodegrupóides. Note-seque omo(E, ⋆)
éumgrupóideu⋆v
∈ E
. Provou-se assim que∀a, b ∈ f(E), a ◦ b ∈ f(E).
Noque sesegue
E
eF
são onjuntos não vazios.Teorema 1.4.49. Sejam
(E, ⋆)
,(F,
◦)
dois grupóides. Sef : E
→ F
é um homomorsmo entre os dois grupóides então:(a)
Se⋆
é asso iativaemE
, então⋆
é asso iativa emf (E);
(b)
Se⋆
é omutativa emE
, então⋆
é omutativa emf (E);
(c)
See
é elemento neutro de(E, ⋆)
entãof (e)
é elemento neutro de(f (E),
◦);
(d)
Seem(E, ⋆)
,x
′
é o inverso de
x
, entãof (x)
é o inverso def (x
′
)
em
(f (E),
◦)
.Demonstração. Demonstrar-se-áapenasaalínea
(c)
. Asdemonstraçõesdasalíneasde(a), (b)
e(d)
serão deixadas omoexer í io.Seja
a
∈ f(E)
umelemento arbitrário. Por denição def (E)
,existe umelementou
∈ E
talquea = f (u)
. Vai-seprovarquea
◦ f(e) = f(e) ◦ a = a.
Tem-seentão,
a
◦ f(e) = f(u) ◦ f(e) = f(u ⋆ e) = f(u) = a,
umavezque
f
éumhomomorsmode grupóides ee
é oelemento neutrode(E, ⋆)
. Analoga-menteseprova quef (e)
◦ a = a
,paratodoa
∈ f(E)
.A
(f (E),
◦)
hama-se imagemhomomorfadeE
porf
.Teorema1.4.50. A omposição dehomomorsmosdegrupóides aindaé umhomomorsmo
Demonstração. Exer í io.
Denição1.4.51. Sejam
(E, ⋆)
,(F,
◦)
dois grupóidesef : E
→ F
um homomorsmoentre osdois grupóides. Diz-se quef
é:1. um monomorsmo se
f
é inje tiva; 2. um epimorsmosef
é sobreje tiva; 3. um isomorsmo sef
é bije tiva; 4. um endomorsmo seE = F ;
5. um automorsmo se
f
endomorsmo e isomorsmo.Quando existe umisomorsmo entre osdois grupóides, es reve-se
E
≃ F
e diz-se queos grupóidessão isomorfos.Suponha-se agora que em
E
,F
estão denidas duas operações externas•
e⊙
(relativa-mentea ummesmo onjunto deoperadoresK
6= ∅
respe tivamente).Denição 1.4.52. Chama-se homomorsmo de
E
paraF
(oude(E,
•)
para(F,
⊙))
a toda a funçãof : E
→ F
talque∀α ∈ K, ∀x ∈ E, f(α • x) = α ⊙ f(x).
1.4.6 Exer í ios
1. Para ada umadasregras seguintesindiqueasquesãooperaçõesinternas easquenão
são. 1.1.
a ⋆ b =
p|ab|
emQ
; 1.2.a ⋆ b =
a
b
emZ
; 1.3.(a, b) ⋆ (c, d) = (a + c, cb + d)
emR
2
; 1.4.a ⋆ b
=raiz daequaçãox
2
− a
2
b
2
= 0
emR
; 1.5.a ⋆ b = a log b
no onjunto{x ∈ R | x > 0}
; 1.6.a ⋆ b = a + b
emN
; 1.7.⋆
=subtra ção no onjunto{x ∈ Z | x ≥ 0}
. 2. Para asoperações⋆
emR
2
dasalíneas (a)e (b) denidas abaixo, indique se
⋆
veri a (ou não) aspropriedadesseguintes:2.2.
⋆
éasso iativa; 2.3.R
2
possuiumelemento neutro relativamente a
⋆
;2.4. Todo oelemento
(a, b)
∈ R
2
tem inverso relativamentea
⋆
;(a)
(a, b) ⋆ (c, d) = (ac, bd)
,∀(a, b), (c, d) ∈ R
2
;
(b)
(a, b) ⋆ (c, d) = (a + c, cb + d)
,∀(a, b), (c, d) ∈ R
2
.
3. Sejam
G
um onjunto não vazio e⋆
uma operação interna emG
. Dena elemento neutrode(G, ⋆)
.4. Suponha
G = R
e⋆
tal quea ⋆ b =
√
a
2
+ b
2
. Indique, justi ando, o valor lógi o da
seguinte proposição:
(G, ⋆)
temelemento neutro.
5. Seja
G =
{σ : Z → Z}
. Paraσ, τ
∈ G
dene-seσ ⋆ τ
omo sendo a apli ação tal que paratodon
∈ Z
,(σ ⋆ τ )(n) = σ(n)
· τ(n)
,onde·
designa o produto usual.5.1. Veriqueque
⋆
é umaoperaçãointerna.5.2. En ontre, asoexista,o elemento neutro de
(G, ⋆)
. 5.3. Indique oselementosde(G, ⋆)
quepossuem inverso.Tópi os sobre Teoria de Grupos
2.1 Propriedades Elementares
Denição 2.1.1. (Grupo) Um grupo
(G, ⋆)
é um onjunto fe hadopara a operação binária⋆
e que satisfazos seguintes axiomas:G
1
:
A operação⋆
é asso iativa;G
2
:
Existe um elementoe
∈ G
talquee ⋆ x = x ⋆ e = x
,para todox
∈ G
.G
3
:
Para todoa
∈ G
, existe umelementoa
′
∈ G
, tal que
a ⋆ a
′
= a
′
⋆ a = e
.Como já se viu, a
e
hama-se elemento neutro (ou identidade) deG
e aa
′
hama-se o
inverso de
a
. Paranão sobre arregaranotação por vezes denotar-se-áogrupo(G, ⋆)
apenas porG
.Denição 2.1.2. (Grupo abeliano) Um grupo
G
diz-se abeliano se a operação binária⋆
é omutativa.Apresentam-seagoraalgunsexemplosdeestruturasquesãogruposeoutrasquenãoestão
nas ondiçõesdo teoremaanterior.
Exemplo 2.1.3. Aestrutura
(Z
+
, +)
nãoé umgrupo pois não existe elemento identidade.
Exemplo 2.1.4. O onjunto dos números inteiros não negativos (in luindo o zero) om a
operação adição não é um grupo. Apesar de existir elemento identidade, não existe inverso
para o elemento
2
.Exemplo2.1.6. Aestrutura
(Z
+
,
×)
nãoéumgrupo. Apesardeexistirelementoidentidade,
o elemento
3
não possui inverso.Exemplo 2.1.7.
(R
+
,
×), (Q
+
,
×)
,
(Q
\{0}, ×), (R\{0}, ×)
e(C
\{0}, ×)
são grupos.Exemplo2.1.8. O onjunto dasfunçõesreaisdevariávelreal oma adiçãodefunções é um
grupo. Este grupo é abeliano.
Exemplo 2.1.9. O onjunto das matrizes de tipo
m
× n, m, n ∈ N
, om entradas emR
denotado porM
m×n
(R)
é umgrupo para a adiçãode matrizes. A sua identidadeé a matriz ujas entradas são todas nulas.Exemplo 2.1.10. O onjunto
M
n
(R)
de todas as matrizes de tipon
× n
om a operação multipli ação de matrizesnão é um grupo. A matrizde tipon
× n
ujas entradas são todas nulasnão tem inverso.Exemplo 2.1.11. O sub onjunto
S
deM
n
(R)
detodas as matrizesn
× n
invertíveis oma operação multipli ação dematrizes é um grupo. Este grupo nãoé abeliano.Nos exemplosanteriores apresentaram-se estruturas em que asoperações eram bastante
familiares. Apresenta-se agora um exemplo duma estrutura em que a sua operação binária
nãoé tãofamiliar.
Exemplo 2.1.12. Considere-se a estrutura
(Q
+
, ⋆)
onde
⋆
estádenida daforma seguinte:a ⋆ b =
ab
2
.
Então,(a ⋆ b) ⋆ c =
ab
2
⋆ c =
abc
4
,
e, damesma formaa ⋆ (b ⋆ c) = a ⋆
bc
2
=
abc
4
.
Assim,
⋆
é asso iativa. é fá il veri ar que2 ⋆ a = a ⋆ 2 = a,
∀a ∈ Q
+
,
e portanto,
2
é o elemento identidadepara⋆
. Finalmente,a ⋆
4
a
=
4
a
⋆ a = 2,
e portantoa
′
=
4
a
é o inverso dea
emQ
+
. Assim,Q
+
om a operação⋆
é um grupo.Proposição 2.1.13. Num grupo a identidadeé úni a e ada elemento possui inversoúni o.
Demonstração. Resultadasproposiçõesjá apresentadas.
Proposição 2.1.14. Num grupo é válida a lei do orte.
Demonstração. Exer í io.
Teorema 2.1.15. Seja
(E, ⋆)
umsemigrupo omidentidadeàesquerda,e
,(respe tivamente, direita) e em que todos os elementos têm inverso à esquerda (respe tivamente direita) então(E, ⋆)
é um grupo.Demonstração. Seja
a
∈ E
e sejaa
−1
oinversoà esquerdade
a
. Então(aa
−1
)
2
= (aa
−1
)(aa
−1
)
= a(a
−1
a)a
−1
= a(ea
−1
)
= aa
−1
Seja
r
o inverso àesquerda deaa
−1
,entãoaa
−1
= eaa
−1
= (raa
−1
)aa
−1
= r(aa
−1
)
2
= raa
−1
= e.
Portanto,a
−1
éo inverso àdireita de
a
. Agora, omoae = a(a
−1
a)
= (aa
−1
)a
= ea
= a,
podemos on luirque
e
éelemento neutro deE
. Provámos quetodo oelemento tem inverso bilaterale queE
temelemento neutro, logoE
é umgrupo.Deformaanáloga, on lui-sequeumsemigrupo omidentidade àdireita eemque todos
2.1.1 Grupos Finitos e Tabelas de Entradas
Denição2.1.16. Um grupo
G
diz-se nito se tiverum número nito deelementos.Em termos denotação usa-se:
|G| < ∞
ou
ard
(G) <
∞.
Se
G
for umgrupoinnito es reve-se|G| = ∞
.Denição2.1.17. Chama-seordem de
G
aonúmero deelementos deG
.Em termos denotação usa-se:
|G|
ouO(G).
Umgrupo nito,
(G, ⋆)
ondeG =
{x
1
, x
2
, . . . , x
n
}
pode ser representadopor umatabelan
× n
aduasentradasonde adaelemento (ouentrada)(i, j)
éoprodutox
i
⋆ x
j
. Umvez que umgrupotem pelo menos umelemento, asuaidentidade, um onjunto minimalque poderátera estrutura de grupo é o onjunto
{e}
. A úni a operação binária⋆
possível em{e}
está denidapore ⋆ e = e.
Claramente todososaxiomas de gruposãoveri ados.
Ir-se-áagora,num onjunto omdoiselementos,introduzirumaestruturadegrupo. Como
umdesses elementos desempenhará o papel de identidade do grupo e onsidere-se esse
on-junto iguala
{e, a}
. Paraes reverasuatabeladegrupoir-se-á listaroselementos namesma ordem, em linha e oluna onsiderando o elemento identidade em primeiro lugar omo seapresenta natabela:
⋆
e
a
e
a
,
Como
e
é oelemento identidade dever-se-á tere ⋆ x = x ⋆ e = x,
∀x ∈ {e, a}.
Assim,pode preen her-se aprimeira linha e olunada tabeladaseguinteforma:
⋆
e
a
e
e
a
a
a
Oelemento
a
deveráteruminversoa
′
tal quea ⋆ a
′
= a
′
⋆ a = e.
Observe-se quea
′
∈ {e, a}
. O asoem quea
′
= e
não fun ionapois nesse aso
a = e
,assim onsidere-sea
′
= a
. A tabela nalteráa forma:
⋆
e
a
e
e
a
a
a
e
.
(2.1)Osaxiomas
G
2
eG
3
sãoveri ados. OaxiomaG
1
terá queserveri ado aso a aso. Ir-se-áagoralistar algumas ondiçõesne essárias esu ientes paraqueumatabela ondeestádenidaumaoperaçãobinárianum onjunto nitodeverásatisfazerparaqueo onjunto
om essaoperaçãoestabeleça umestruturade grupo nesse onjunto.
1. Deveráexistirumelemento desse onjunto,denotadopor
e
,quedesempenhará opapel da identidade dogrupo.2. A ondição
e ⋆ x = x
signi a quena linha orrespondenteao elementoe
,oselementos do onjunto apare emna mesmaordem dedisposição emqueseen ontram nalinhadetopo.
3. A ondição
x ⋆ e = x
signi aquena oluna orrespondenteaoelementoe
,oselementos do onjunto apare em na mesmaordem de disposição em quese en ontram na olunaolo ada mais àesquerda databela.
4. Ofa todequetodooelemento
a
teminversoàdireitasigni aquenalinha orrespon-dente aa
o elemento identidade deveráapare er na entrada de ruzamento dessa linha oma olunaonde seen ontra esse inversoà direita.5. O fa to de que todo o elemento
a
tem inverso à esquerda signi a que na oluna or-respondente ao elementoa
apare e o elemento identidade na entrada de ruzamento dessa oluna om alinha onde seen ontraesse inverso àesquerda.6. Pelo Teorema 1.4.39 as equações