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Antes de te Conhecer

No documento Como te conheci (páginas 110-115)

Quando era mais nova... uns dois anos de idade, vivia cercada de amor e carinho dos meus pais. Vivia na Floresta da Harmonia com eles junto as fadas elementais. Era um lugar lindo: cheio de brilho e vida. Suas gigantescas árvores serviam como moradia. As casas eram feitas com um musgo branco retirado da seiva das árvores, e quando secavam, viravam lindos cristais. Pequenos feixes de luz passavam pelo denso teto da floresta, e refletiam nos cristais a nossa volta, deixando tudo mais belo e brilhante. Era cheia de plantas lindas que cheiravam bem e que soltavam delicados brilhos coloridos. Nosso rio era como um espelho de tão limpo e tranquilo que podia-se ver o nosso reflexo no fundo, junto a seus animais nadando nele. Ele passava suavemente por nós, como um vento refrescante sobre as nuvens.

Todas as formas de fada elemental estavam lá presentes. Cada uma com o seu papel, para trazer equilíbrio a aquele lugar de paz e tranquilidade. As fadas de luz, iluminavam nossos lares e nossa floresta, enquanto davam esperança a aqueles que procuravam a salvação. As da escuridão, distribuíam brilho por todo o lugar, principalmente à noite e ajudavam a aqueles que temiam a escuridão. As da natureza mantinham as plantas e os animais vivos e saldáveis. As da água deixavam o rio sempre vivo e limpo. As fadas do amor mantinham a harmonia entre os seres vivos, enquanto as do fogo e as de gelo mantinham o clima húmido e fresco.

Tinham aquelas que possuíam mais de um elemento, como eu que são muito raras. Meus pais sempre diziam que eu era uma benção da deusa Luminos depois que nasci, por ter dois elementos: fogo e gelo.

± Gaga gugu ah ah ± eu era muito alegre, ficava observando aquelas lindas luzes passando sobre mim, sempre tentava pegá-las.

± Oi querida ± mamãe era muito amável, sempre me via com um sorriso.

± Ela é maravilhosa ± papai tentava manter sua pose, mas sempre acabava derretido ao ver minha fofura.

± Ah ah pa ah ± dentro do berço feito com gosma cristalina, me sentia uma princesinha.

Nós fadas, sempre mantivemos um forte vínculo de amizade com as sereias. Elas sempre iam cantar e se embelezar num lago próximo onde vivíamos. Certo dia, saio de meu berço e vou engatinhando, enquanto meus pais se distraiam ao fazerem um piquenique. Minhas asas ainda eram muito pequenas, não conseguia e nem sabia voar. Minhas antenas ainda não funcionavam e eu nem sabia fazer magia. Já nessa idade, era muito curiosa, e vou até um lago próximo de onde estava...

± Gaga ahah ± engatinho até a margem, admiro aquela linda paisagem brilhante na minha frente.

Vejo algo na água. Resolvo me aproximar mais para ver. Naquela época ainda não me dava por gente e fazia as coisas por puro instinto.

± Aaah babaAAAAH... ± caio na água e começo a me afogar. Vejo aquilo que estava observando vir em minha direção. Afundo tão rápido que mal podia chorar.

± Ech! Ech! Ah! Ah! BUAAA... ± tossindo, tento respirar mesmo sem folego e começo a chorar bem alto na margem do lago.

± Hã? Bu? Gaga? ± quando vejo, tinha uma sereia recém nascida ao meu lado que havia me salvo de me afogar.

± Hã? Eh, eh ± toco em seu rosto macio.

Ficamos observando e tocando uma a outra na margem. Não sabíamos falar, mesmo assim esse foi nosso jeito de nos comunicarmos.

± CHISANA! AMOR! ONDE VOCÊ ESTÁ? ± meus pais estavam me procurando, até chegarem ao lago.

± Ai está você, Chisana! ± quando papai se aproxima de mim, vê a pequena sereia ao meu lado desorientada, como o bebê que era.

± Quem é você, minha queridinha? ± ele me pega no colo e olha para o lago a procura de seus pais.

± Coitadinha, cadê seus pais? ± mamãe a carrega pelos braços.

Nós duas tentávamos nos comunicar nos colos de meus pais, mas ninguém entendia nada. Eles ficaram o resto do dia esperando a margem do rio pelos pais dela.

± Que sereia bonita ± meu pai faz cosquinha na barriga da dela.

± Onde os pais dela devem estar? ± mamãe preocupada com ela, me dava de mamá.

Chegando a noite, eles nos põe juntas em meu berço para dormir. Mamãe dorme ao nosso lado e papai fica de guarda a espera dos responsáveis dela.

± Pode dormir ± papai era muito gentil. Ele lança uma pequena esfera de luz no meio do lago, para poder visualizar melhor.

± Boa noite, durmam bem ± ela lança um delicado sopro de gelo. Papai era uma fada de fogo e mamãe era uma fada de gelo.

1RGLDVHJXLQWHHOHVYHHPDOJRYLQGRHPQRVVDGLUHomRGHEDL[RG¶iJXD(UDP os pais da sereia.

± Querida, ai está você! ± a mamãe dela fica feliz ao ver sua filha sã e salva. ± Olá! Muito obrigado por achar nossa filha! ± fala o papai dela.

± Não foi nada! Mas quem a encontrou, foi sua filha ± papai fala colocando-a na água rasa.

± Ah! Ah! ± resmungo tentando encostá-la, enquanto ficava nos braços de minha mãe.

± Que linda a sua filha ± a mamãe dela elogia com sua filha ao seu lado tentando nadar.

± A sua também. Qual o seu nome? ± mamãe pergunta. ± Sirena ± ela responde.

A partir daquele dia, eles passam a se encontrar para conversar e a deixa eu e a Sirena brincarmos um pouco. Três anos se passam. E agora quase todo dia nos encontrávamos naquele lago para brincar.

± Lalalaaa... ± ouvir Sirena praticar seu canto era muito relaxante.

± La... la... laaa...? ± tentava acompanhar seu ritmo, mas era um pouco difícil. ± Tente relaxar. Vai ± ficávamos o dia todo praticando. Sorte a minha que fadas da minha subespécie não eram afetadas pelos cantos hipnóticos das sereias. ± Ai! Quase lá! ± estava aprendendo a andar sobre o ar na ponta dos pés. ± Quase lá! ± ela sempre me apoiava.

± Só mais um pouco... Quase láAAAA... ± morria de medo ao tentar aprender certas habilidades básicas de fadas, mesmo caindo tantas e tantas vezes. ± Você está bem? ± ela vai até onde eu tinha caído no lago.

± Hihi! Toma! Toma! ± brincado de tacar água nela.

± Há, é? Toma! Toma! ± ela virava de costas e começava a mandar água com sua calda.

Alguns dias praticava meus poderes de gelo e fogo, e ela seu nado e canto. Outros, praticava minha fusão com a mente coletiva e ela praticava seus ataques, sendo o principal dela: o ataque com chicote de algas.

Os dias iam passando, e ficar com ela só despertava o meu desejo de explorar o mundo. Mais três anos se passam...

± Oi, Sirena! ± chego até ela, bem alegre como sempre. ± Bom, snif, dia ± ela estava triste com alguma coisa. ± O que houve? ± pergunto preocupada.

± Meus pais vão se mudar. Snif. Snif ± ela me dá a notícia, de que iríamos nos separar.

± Para onde você vai? ± pergunto com meu coração batendo bem forte. ± Vamos para o mar ± ela responde.

Depois daquele dia nunca mais a vi, e continuei seguindo minha vida. Eu já era muito estudiosa e curiosa, então depois de nossa despedida, fico ainda com mais vontade de sair e explorar o mundo. Mas meus pais sempre achavam perigoso e me alertavam sobre o que podia haver lá fora. Como eu era uma fada muito obediente e carinhosa, compreendia suas preocupações.

Passei meus dias seguintes estudando e observando sobre outras espécies e novas habilidades. No ano seguinte, meus pais veem que já havia aprendido muitas habilidades avançadas de fada em pouco tempo. Então, passo a acampar

algumas vezes no Lago das Fadas para praticar e a brincar sozinha. Até construir uma casa dentro de um tronco de árvore perto do Lago das Fadas e morar lá. Poucos dias depois de completar dez anos, me divertindo sobre o lago, esperando uma oportunidade ou alguém para poder finalmente sair dali e explorar o mundo, escuto uma voz pedindo socorro entre as árvores e a neblina do lago.

Me aproximo bem devagar. Vejo alguém muito ferido e cambaleando até cair no chão pedindo por socorro, até desmaiar de cansaço. Quando fico de frente, vejo que era um indivíduo parecido com um humano, só que possuía chifres e calda que estava gravemente ferido. Percebo que se tratava de uma demônia. A princípio, fico com um pouco de medo, mas quando minhas asas brilham ao me aproximar, percebo que era uma boa pessoa. Tento levá-la, mas meu corpo era muito frágil. Foi então que tive a brilhante ideia de nos fundir, assim conseguindo levá-la até minha casa para cuidar de seus ferimentos.

Fundida com ela, vejo suas memórias, e percebo que ela estava tentando fugir com seus pais e que estava sofrendo muito pela fome e miséria. Uso meus poderes para não a deixar morrer e a deixo dormindo. Saio de casa para procurar plantas e ervas para fazer remédio. Quando volto, a vejo caída no chão ainda muito ferida, tentando alcançar a cesta de frutas que havia deixado para ela comer quando estivesse melhor.

Mesmo sendo uma teimosa, tento ajudá-la de qualquer maneira. Depois de dar comida na boca dela, como um bebê, levo-a até o lago e tomo banho com ela. Fedia muito. Mas no final, consigo curá-la completamente de todo o mal que tinha em seu corpo. Era bem tímida e curiosa como eu. Passamos um tempo juntas trocando ideias e ficamos amigas.

Alguns dias se passam e ela ia entrar em uma aventura para procurar seus pais que havia perdido. Percebo que aquela era minha oportunidade de finalmente poder sair dali e realizar meu sonho.

Andando pela estrada, ela fica espantada com minhas atitudes de depredação ao meu próprio corpo. Mesmo assim, compartilho meu conhecimento com ela e fomos parar na primeira cidade. Ficamos surpresas ao ver aquele novo mundo gigantesco na nossa frente.

Conhecemos alguns amigos que nos acolheram. Dormimos pela primeira vez juntas em um quarto humano. Criamos nossa primeira identidade, como um único indivíduo. Percebo que seus traumas ainda a atingiam, e tento ajudá-la como posso.

Fizemos nossa primeira missão juntas numa fazenda na beira de uma praia. Lá conhecemos um garoto muito gentil e amável, junto a seus pais. Lá passamos nossa primeira noite juntas, como amantes e perdendo nossa virgindade. Pela primeira vez utilizamos nossos poderes para ajudar alguém.

Ao terminar a missão, voltamos para a cidade e lá esbarro em alguém de nível social elevado. Fico com um pouco de medo, mas ele foi gentil comigo. Alguns

dias depois, lutamos contra pessoas amaldiçoadas e ganhamos a confiança do povo.

Passamos cinco anos protegendo-os do perigo. Ao ver minha amiga muito agarrada ao nosso laço de amizade, faço com que ela aprenda a se virar sozinha e a ser o que a espécie dela é sem machucar ninguém. Soubemos que a maldição de antes estava se espalhando e várias espécies estavam entrando em guerra por conta disso.

Fomos ajudar uma embarcação a chegar ao seu destino. Mostro a minha amiga que ela podia se soltar sem se preocupar com nada. E finalmente ela se torna madura. Dias depois reencontro minha velha amiga amaldiçoada. Luto com todas as minhas forças para salvá-la. Mas não resisto. Quem nos salva, é minha nova amiga.

No documento Como te conheci (páginas 110-115)