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Apoio a Ações Socioeducativas

No documento Capoeira, política cultural e educação (páginas 84-91)

CIDADE 1 Capoeira arte e luta-projeto social-educacional com crianças e

3- Capoeira Viva 2007:

3.1 Apoio a Ações Socioeducativas

NOME PROJETO CIDADE

1 Maria Luisa Bastos Pimenta Neves

Capoeira É Nossa Cor: O Berimbau e O Caxixi

Salvador

2 Antônio Cesar de Vargas Encontro e Vivência – Capoeira um veículo educacional. 3ª Edição

Rio de Janeiro

3 Gustávio da Silva Pinheiro Quilombo de Angola Cidade de Góias

4 Valdemiro Pereira Filho Projeto Sócio Cultural Quilombola “Capoeirando com as crianças e adolescentes”.

Florianópolis

5 Ivanildes Teixeira de Sena Palmares em Nós Salvador 6 Jorge Estevão Ferreira Capoeira Angola: Estudos e

Práticas

Olinda

7 Raphael Alves Vieira da Silva Projeto de Educação e Cultura Terra Brasil

Palmas

8 Valter da Rocha Fernandes Projeto Capoeira Cidadã Rio de Janeiro 9 Rodrigo Bruno Lima Casa Mestre Ananias – Centro

Paulistano de Capoeira Tradicional, Convivência e Cidadania

São Paulo

documentação sobre o desenvolvimento da capoeira

NOME PROJETO CIDADE

1 Helio José Bastos Carneiro de Campos

Uma Vida Na Capoeira Regional: Os Seguidores de Mestre Bimba

Salvador 2 Elto Pereira de Brito - Mestre

Suino

A História da Capoeira De Goiás Contada Por Seus Pioneiros: Mestre Osvaldo E Mestre Sabú

Goiânia 3 Roberto Augusto A. Pereira As Rodas de rua na capoeira do

Maranhão da década de 1970.

São Luiz

3.3 Categoria: Apoio a Acervos Documentais

N NOME PROJETO CIDADE

1 Raimundo César Alves de Almeida

Acervo Mestre Itapoan Salvador 2 Frederico José de Abreu Acervo Frede Abreu - Instituto Jair

Moura ou Memorial da Capoeira Pernambucana.

Salvador 3 José Tadeu Carneiro

Cardoso

Acervo Mestre Camisa Rio de Janeiro 4 João Ferreira Mulatinho Memorial da Capoeira Pernambucana Recife 5 Adegmar José da Silva MUSCAP – Museu da Capoeira do

Paraná

Colombo 6 Rodrigo Bruno Lima Casa Mestre Ananias – Centro

Paulistano de Capoeira e Tradições Baianas

São Paulo

3.4 Ações relacionadas à capoeira por meio de mídias e suportes digitais, eletrônicos e audiovisuais, incluindo filmes, vídeos, exposições, instalações, sítios, portais e jogos eletrônicos, software livre e produtos correlatos e iniciativas de produção e difusão.

N NOME PROJETO CIDADE

1 Ioná Pizzi Dourado Pernas para Voar São Paulo 2 Antônio Liberac Cardoso

Simões Pires

Pesquisadores da Capoeira Muritiba 3 Raimundo Muniz Carvalho Punga, Marimba e Pernada – Aspectos

da capoeiragem na cultura popular do Maranhão.

São Luiz

4 Matthias Röhrig Assunção Capoeira de Cacete Rio de Janeiro

4 Políticas de Patrimônio

Dentre os depoentes que contribuíram com nossas reflexões relacionadas às políticas de patrimônio, destacamos Gestores: Morena Salama e Franciane Simplício; Coordenadores: Maurício Barros de Castro e Wallace de Deus Barbosa;

Lemos Belluco; – Salvador: Amélia Conrado e Adriana Albert Dias; – Recife: Vânia Fialho, Izabel Cordeiro e Maria Jaidene Pires; Consultores: Frederico Abreu e Matthias Röhrig Assunção.

Nossa pesquisa de campo foi fundamental para compreendermos o processo que envolveu as políticas culturais voltadas para a capoeira. Esforçamo-nos para envolver os cinco territórios brasileiros, com o objetivo de perceber o impacto das políticas voltadas para a capoeira em nosso país. A investigação buscou ouvir sujeitos que participaram, direta e indiretamente, destes processos, nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Nosso trabalho divide-se em seis momentos. No primeiro momento, realizamos pesquisas no Estado da Bahia, na capital, Salvador, e no interior, em Cachoeira, Feira de Santana e em Bom Jesus da Lapa, efetuando entrevistas e levantamentos em fontes primárias, na Biblioteca Pública do Estado. Vale destacar nossa participação em eventos que discutiram o nosso objeto de estudo, como o VI

e o VII Fórum de Políticas Culturais, ocorridos em Salvador, e Diálogos Culturais, na

cidade de Cachoeira.

O segundo momento abarcou três viagens ao Rio de Janeiro. Na primeira viagem, cursamos um seminário/disciplina intitulado Capoeira: cultura, patrimônio e

identidade, no Programa de Pós-Graduação de História Comparada, do Instituto de

História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ministrado pelo professor-doutor Luís Renato Vieira.

Estabelecemos contato com o Museu da República e realizamos levantamentos e pesquisas na biblioteca Amadeu Amaral, do Museu do Folclore. Na segunda visita ao sudeste do país, fizemos entrevistas nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói e pesquisamos materiais bibliográficos e midiáticos, novamente na biblioteca do Museu do Folclore, além de recolhermos materiais produzidos no PCV e no processo de reconhecimento da capoeira como patrimônio imaterial.

Ademais, assistimos à aula da disciplina Cultura e Política: Sociologia da

Cultura – IFC02906, ministrada pelos professores Myrian Sepúlveda dos Santos144 e Maurício Barros de Castro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Recolhemos algumas referências trabalhadas na disciplina e participamos das discussões que se acrescentaram a

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nossas reflexões sobre cultura, memória e diversidade. Também aproveitamos para realizar coleta de material no grupo de pesquisa Arte, Cultura e Poder.

Em nossa última visita ao Rio de Janeiro, conversamos com o coordenador da primeira edição do PCV, Rui Fernando Rodrigues Pereira, e levantamos documentos do projeto, antes inacessíveis, resgatando uma memória que até então permanecia perdida. Aproveitamos o ensejo e realizamos mais duas entrevistas com responsáveis por projetos aprovados na segunda experiência do PCV: um deles na categoria de mídia e outro socioeducativo.

No terceiro momento, nos dirigimos a Goiás, Tocantins e a Brasília. Na cidade de Goiânia e na Cidade de Goiás, antigo Arraial de Sant’anna, realizamos entrevistas e recolhemos materiais produzidos através dos editais do PCV. Em Tocantins, realizamos entrevistas no município de Arraias e na capital, Palmas.

Em Brasília, visitamos o IPHAN e realizamos levantamento e análise de documentos institucionais, bem como entrevistas com envolvidos diretamente nas ações do primeiro edital do PCV e de salvaguarda, além de gestores.

Em seguida, fomos a Recife e tivemos a oportunidade de entrevistar os pesquisadores envolvidos na produção do dossiê sobre o inventário da capoeira, tendo em vista o seu reconhecimento como patrimônio imaterial. Também conversamos com dois participantes do segundo edital do PCV, que tiveram seus projetos aprovados.

Visitamos o sul do país, realizando duas entrevistas nessa região. Recolhemos depoimentos no Estado do Paraná, onde, na capital, Curitiba, pudemos ouvir um dos contemplados no segundo edital do PCV e, em seguida, nos dirigimos a Santa Catarina, onde, também na capital, Florianópolis, realizamos entrevista com um mestre de capoeira que obteve êxito em seu projeto.

Encerramos nossa pesquisa de campo, realizando duas entrevistas em São Paulo e mais duas no Maranhão, ambas com contemplados da primeira e segunda experiência do PCV. Um dos nossos entrevistados da região paulistana e outro da região maranhense tiveram suas propostas aprovadas em todas as edições. No segundo edital, o nosso entrevistado, na terra da garoa, conseguiu ter dois projetos atendidos, fato que merece destaque.

Imagem 1: mapa da pesquisa.

Nossa análise documental recaiu também sobre o material produzido para o reconhecimento da capoeira, enquanto patrimônio imaterial, momento histórico para a trajetória da capoeira. Esta, em especial, se encontra cada vez mais divulgada, espalhando-se pelo mundo. Já os detentores do seu saber, em especial os mestres, é que precisam ser valorizados e cuidados, principalmente após a salvaguarda do ofício de mestre de capoeira.

Enfim, além das análises e do trabalho que envolve toda pesquisa desta natureza, foram realizadas quatro viagens municipais, nove viagens estaduais, uma viagem ao distrito federal, computando 48 entrevistas e quatro levantamentos em arquivos e bibliotecas. Nossa pesquisa tentou englobar todas as regiões do Brasil. As entrevistas e análises de materiais contemplaram todas as cinco regiões do país e envolveram 10 pesquisadores em formação, o que nos auxiliou na fase de

Punga, Marimba e Pernada – Aspectos da capoeiragem na cultura popular do Maranhão. As Rodas de rua na capoeira do Maranhão da década de 1970. Memorial da Capoeira Pernambucana.

Capoeira Angola: Estudos e Práticas. Capoeira Frevendo na Tela. Patrimônio e Salvaguarda. Projeto de Educação e Cultura Terra Brasil Projeto Criança Capoeira, Esporte e Cultura. Patrimônio e Salvaguarda e PCV. Capoeira de Cacete. Projeto Capoeira Cidadã. Acervo Mestre Camisa. Patrimônio e Salvaguarda Acervos: Fred Abreu e Mestre Itapoan.

Pesquisadores da Capoeira.

Palmares em Nós. Capoeira É Nossa Cor: O Berimbau e O Caxixi. Patrimônio e Salvaguarda. MUSCAP – Museu da Capoeira do Paraná. Capoeira arte e luta-projeto social- educacional com crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais. Pernas para voar. Mestre Ananias/Casa do Mestre Ananias Projeto Sociocultural Quilombola: “Capoeirando com as crianças e adolescentes” Livro – Fundamentos da Capoeira. A História da Capoeira De Goiás Contada Por Seus Pioneiros: Mestre Quilombo de Angola

preparação do material de análise.

Para estabelecer uma avaliação desses materiais, utilizamos princípios da Análise do Discurso (AD), como técnica de análise, assim como reflexões, na perspectiva dialética. Nosso objetivo foi estabelecer uma ponderação crítica, pois a AD constitui-se a partir de “uma proposta crítica que busca problematizar as formas de reflexão estabelecidas” (ORLANDI apud MINAYO, 2008, p. 319).

Nossa opção está relacionada a uma ideia da obra Concepção dialética da

história, quando o autor destaca: “Se é verdade que toda linguagem contém os

elementos de uma concepção do mundo e de uma cultura, será igualmente verdade que, a partir da linguagem de cada um, é possível julgar da maior ou menor complexidade da sua concepção do mundo” (GRAMSCI, 1966, p. 13).

Antes da AD, pensava-se que as palavras, as expressões tinham um fim em si mesmas. Era como se elas tivessem vida própria e falassem por si. Pêcheux (2006) irá nos esclarecer exatamente o contrário, destacando que o seu sentido se formulará a partir da realidade concreta do contexto societal que se vive e das condições objetivas de quem as pronuncia.

O sentido de uma palavra, expressão, proposição não existe em si mesmo (isto é, em sua relação transparente com a literalidade do significante), mas é determinado pelas posições ideológicas colocadas em jogo no processo sócio-histórico em que palavras, expressões, proposições são produzidas (isto é, reproduzidas). (PÊCHEUX, 1997, p. 160)

A palavra forma um texto. Nessa lógica, este não significa simplesmente um texto. Para a AD, texto é uma unidade complexa, com variados significados. Assim, o texto se configura a partir de várias possibilidades: de uma palavra somente, como já explicitado, a um documento completo. Distingue-se, ainda, de discurso, pois este último se constrói aqui a partir de um conceito analítico.

O discurso é a linguagem em interação, com seus efeitos de superfície e representando relações estabelecidas. O texto consiste no discurso acabado para fins de análise [...], porém, o texto é infinitamente inacabado: a análise devolve sua incompletude, acenado para um jogo de múltiplas possibilidades interpretativas, para o contexto que o gerou, para ideologia nele impregnada e para a ideologia nele impregnada e para as relações dos atores que o tornam possível. (MINAYO, 2008, p. 321)

Orlandi (2007) afirma que o texto possui a totalidade, sendo um espaço privilegiado para observar o fenômeno da linguagem. Minayo (2008) revela que sua

totalidade possui três dimensões de argumentação: (1) a relação de força entre locutor e interlocutor; (2) a relação de sentido, interligando o atual aos outros discursos; e (3) a relação de antecipação, que prevê as implicações da fala no ouvinte.

Para nós, estas questões são de fundamental importância tendo em vista efetivarmos uma avaliação dos discursos oficiais do MinC, diante das políticas culturais para a capoeira. Assim também avaliaremos os discursos daqueles que representam diretamente essa manifestação (os capoeiras), e/ou indiretamente, em relação à gestão pública e suas consequências.

A partir de outro trato, as políticas que abordam prioritariamente a cultura, emergem de forma significativa do contexto da sociedade brasileira, no governo do presidente Lula da Silva. A discussão sobre a capoeira e qual a postura que os poderes públicos e a sociedade brasileira devem ter diante desta manifestação ressurge com força significativa na agenda política de alguns ministérios. O principal deles é o MinC,145 que toma para si a responsabilidade principal de gerir as políticas públicas146 direcionadas à capoeira. Toda essa movimentação suscitou a importância de se acompanhar e pesquisar esse momento histórico e suas implicações para a sociedade.

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Outros ministérios também desenvolveram discussões e (ou) ações voltadas para a capoeira como: Relações Exteriores, Educação, Esporte e Previdência Social.

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No documento Capoeira, política cultural e educação (páginas 84-91)