A aprendizagem é o processo de aquisição de capacidade de se usar o conhecimento, que ocorre como resultado da prática e da experiência crítica e que produz uma mudança relativamente permanente no comportamento.14
O conceito acima situa a aprendizagem como um processo, isto é, dotado de um movimento contínuo e dinâmico, onde o indivíduo enfrenta a realidade que o cerca de modo crítico. Desse modo, a aprendizagem trabalha, basicamente, com a aquisição e prática do
14
CARAVANTES, Geraldo Ronchetti & PEREIRA, Maria José Lara B. Aprendizagem organizacional versos estratégia de mudança organizacional planejada. Rio de Janeiro: Revista de Administração de Empresas da FGV, nº15, vol.2, p.24, abril/junho de 1981.
conhecimento. O conceito de Caravantes e Pereira aborda, ainda, o efeito da aprendizagem, uma modificação relativamente permanente no comportamento de quem aprende.
Na análise do enunciado de Caravantes e Pereira, deve-se levar em conta que o indivíduo, antes de aprender de fato, adquire idéias, conhecimentos e valores necessários à aprendizagem integral; esta diz respeito à própria conduta da pessoa, enquanto a aquisição de conhecimento não tem outro propósito senão a própria aquisição.
A aprendizagem, então, só se completa na medida em que a posse do conhecimento pelo aprendiz permite a mudança de seu comportamento, conforme diz o psicólogo comportamental norte-americano R. E. Mayer: a aprendizagem é a mudança relativamente permanente no conhecimento ou no comportamento de uma pessoa por causa da experiência.15.
3.1. Princípios de aprendizagem no treinamento
Ensinar, segundo Caravantes significa, essencialmente, estimular, guiar, orientar, dirigir o processo de aprendizagem. Assim, em termos de treinamento, pode-se afirmar que a função central do instrutor é dirigir a aprendizagem que se manifesta no treinando. Não são exatamente os métodos e técnicas de capacitação profissional, por melhores e mais atualizados que sejam, que irão promover a aprendizagem, mas sim a atividade e o esforço do treinando.
• O sistema de formação deve verificar o que o treinando já sabe sobre o assunto objeto de formação, pesquisando suas necessidades de formação.
• Os objetivos de treinamento devem estar diretamente relacionados às necessidades específicas de capacitação.
• Após a fixação de objetivos, o treinando deve viver (mudanças de atitudes e de comportamento) certas experiências indispensáveis ao seu aprendizado, as quais ocorrem nos níveis cognitivo, afetivo e motor.
À luz do processo de formação profissional e resumindo o que foi apresentado até agora sobre o tema, podemos caracterizar a aprendizagem como sendo o modo de ganhar uma
habilidade ou ofício para o qual se reconhece necessário possuir conhecimentos e técnicas específicas para considerar-se qualificado profissionalmente.16
Assim, a finalidade do processo de capacitação é possibilitar a aprendizagem. Quando é estabelecido e montado um programa de treinamento, espera-se que seus participantes, com a experiência adquirida durante a situação de formação, manifestem mudanças de comportamento no exercício de suas atribuições. Essa modificação é resultado do processo de aprendizagem. O treinando adquire constantemente novos conhecimentos, habilidades e hábitos de natureza profissional, seja ele um vendedor, um contador na elaboração de seus balanços ou um mecânico de linha de produção. Todos eles, por necessidade de trabalho, manipulam técnicas, relatórios e instrumentos. E como essas atividades não são estáticas, mas estão sempre adquirindo novos métodos e procedimentos, seus executores estão, igualmente, sempre aprendendo a lidar com essas novas formas de trabalho.
O dia-a-dia empresarial envolve uma série de processos que permitem ao funcionário adquirir ou modificar condutas (aprendizagem profissional), com vistas ao aumento da produtividade e qualidade na execução do trabalho.
Sendo a empresa um núcleo econômico e social de natureza essencialmente dinâmica, seus colaboradores estão constantemente assimilando novas habilidades, ou aprimorando as que já possui, ou ainda, substituindo habilidades que já não são mais adequadas às novas funções.
O processo de capacitação profissional envolve a assimilação, pelo treinando, de atividades motoras, cognitivas e em emocionais. William James (1842-1910), pensador e psicólogo norte-americano, identifica essas manifestações como sendo formadoras de uma corrente da consciência. Assim é que, continuamente, desfila em nosso mundo mental uma infinidade de sensações, reações lembranças, idéias, sentimentos, emoções pensamentos e desejos de toda a espécie. Pode-se afirmar, então, que o treinando é submetido, durante o seu processo de treinamento, a uma verdadeira “corrente da consciência”, que age continuamente sobre o seu mundo mental.
15
MAYER, R. E. Learning in: Encyclopaedia of education research. Vol.2, New York: McMillan, p.1040, 1982.
16
BLEIKEN, Bleick von. Manual para adiestramiento del personal. México: Herrero, Hermanos, Sucs., p.191, 1971.
As novas e rápidas conquistas científicas e tecnológicas exigem do profissional de hoje, em qualquer área onde tenha de atuar, uma reciclagem permanente de conhecimento e atitudes acerca de novos métodos e técnicas de trabalho.
3.1.1. Freqüência do treinamento
O treinando, por mais bem dotado que possa ser, nem sempre assimila integramente novas habilidades que lhe são apresentadas uma única vez, principalmente se o assunto for objeto de modificação no comportamento profissional do treinando. Para obter uma compreensão e assimilação completa do treinando, o instrutor precisa recorrer à freqüência do treinamento, a qual está intimamente associada à formação de hábito nos treinandos. Para poder eliminar um hábito inadequado, é fundamental substituí-lo por outro adequado, concentrando-se o instrutor em sua formação na mente do treinando.
O hábito é uma disposição individual adquirida pelo treinando por atos reiterados; é um comportamento adquirido. É através de repetições que o treinando adquire um modo correto de formar seus hábitos. Estes são adquiridos com maior facilidade e rapidez quando o treinando concentra sua atenção, de maneira intensiva e contínua, sobre a atividade a ser repetida, a qual pode ser de natureza mecânica ou mental. Seguem alguns princípios ativos empregados na assimilação de novos hábitos.
• Princípio da iniciativa: Uma vez decidida a formação de determinado hábito, o treinando tem de reforçar sua decisão. Força de vontade, perseverança e entusiasmo para superar os eventuais primeiros insucessos no trabalho são as qualidades essenciais para o aprendiz tomar a iniciativa de assimilar um hábito relacionado à execução de suas novas tarefas. • Princípio da constância: O instrutor deve evitar que o treinando incorpore exceções ao
processo de seu aprendizado enquanto não dominar definitivamente o novo hábito em seu comportamento profissional. A firmeza no aprendizado de um novo hábito profissional é indispensável para que o aprendiz domine inteiramente técnicas e métodos de trabalho mais atualizados e complexos.
• Princípios da oportunidade: Desde que o treinando tenha decidido a adquirir um novo hábito em seu processo de formação profissional, é preciso cuidar que aproveite a primeira oportunidade que se lhe ofereça para agir de acordo com a decisão tomada (aprendizagem
de atitude). Esse critério didático visa aproveitar, de imediato, o impulso motivacional que é dirigido por ele para o hábito recém adquirido. O principio da oportunidade cria nele a necessidade de auto-avaliação profissional, eliminando falhas e aperfeiçoando seu desempenho funcional.
• Princípio da manutenção: É indispensável manter no treinamento a capacidade viva do esforço voluntário na prática de um hábito profissional adquirido em seu processo de capacitação e treinamento.
3.1.2. Intensidade do treinamento
Ao lado da necessidade de o treinamento ser freqüente, deve possibilitar ao treinando a necessária rapidez na assimilação do programa que lhe é destinado. Mesmo porque, caso contrário, os investimentos na área de treinamento tornam-se extremamente improdutivos. Por esse motivo, o treinando depende da intensidade dos estímulos que recebe durante o processo de formação. Para que a intensidade do treinamento possa melhor atingir seus objetivos, são necessários alguns cuidados como:
• Clareza, precisão e originalidade na apresentação do programa de treinamento. • Recursos instrucionais eficientes e adaptáveis ao treinamento.
• Plena participação dos treinandos no desenvolvimento dos temas propostos de formação.
3.1.3. Adequação dos métodos de ensino
Outra regra prática fundamental para o êxito do treinamento é o emprego de métodos e técnicas adequadas para transmissão de conhecimento e informações aos treinandos. Para uma adequação mais eficiente desses métodos e técnicas, espera-se:
• Que todos os instrumentos de avaliação do treinamento sejam adequados e identificados com os problemas específicos tratados no decorrer do processo de capacitação;
• Que o ritmo do treinamento se adapte aos aprendizes;
3.1.4. Continuidade do treinamento
A formação profissional é, essencialmente, um processo irreversível de aperfeiçoamento. O treinando necessita, constantemente, adquirir novos conhecimentos, habilidades e atitudes. Por essa razão, a continuidade da capacitação deve ser feita conforme a periodicidade exigida pela natureza das tarefas executadas pelo funcionário, ou seja, os princípios da aprendizagem no treinamento podem ser esquematizados com uma interdependência entre os princípios que levam a uma efetiva aprendizagem de novos hábitos, com conhecimentos e habilidades, cujo resultado final se traduz na mudança do comportamento do treinando.