7. Virtualização da educação no Brasil
7.2. Os passos da decolagem do e-learning no Brasil
Cada vez mais, as empresas precisam de funcionários em constante processo de atualização e aperfeiçoamento por meio de cursos de especialização. E cada vez menos, eles têm tempo para isso. Para resolver essa contradição, surgiu o e-learning - ensino a distância por meio da Internet - que promete disponibilizar o treinamento necessário a qualquer hora e lugar, com custos reduzidos. A qualquer hora é uma meta fácil de se atingir, uma vez que a Internet funciona 24 horas por dia. Em qualquer lugar, porém, é um ponto discutível, já que a maioria dos recursos oferecidos pelo e-learning requer alta velocidade de acesso às redes, não
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somente da rede local, intranet LAN57, mas da rede MAN58, da WAN59 e da própria Internet, a rede mundial.
Quanto aos custos, os especialistas no assunto afirmam que o ensino a distância até promove uma redução, mas que isso só ocorre em longo prazo. "O investimento inicial é elevado e só retorna a partir do segundo ano", diz Bonservizzi60. Outro empecilho para o e- learning decolar é a resistência à mudança por parte das companhias e dos próprios funcionários. A modificação no formato dos cursos já existentes tradicionalmente requer não somente a adequação para a Web, mas também toda uma readequação interna na companhia, principalmente nos departamentos de Informática e Recursos Humanos, além de uma avaliação e um planejamento minucioso do novo sistema.
Nesse caso, a solução é a própria empresa mudar sua mentalidade para desenvolver uma boa estratégia de curso on-line. Para realizar tal processo, pode contar com o auxílio de empresas de consultoria de treinamento ou de informática para escolher a ferramenta correta e, feito isso, uma agência de publicidade para divulgar o novo sistema aos funcionários. Cursos padronizados com conteúdos customizados podem ser criados de acordo com as necessidades de cada empresa, departamentos ou específico para um grupo de profissionais.
A parede que está barrando a entrada do e-learning no mundo real será destruída. Pelo menos no Brasil, há que se considerar que essa forma de educação é relativamente nova. Há alguns anos ela já vem sendo objeto de estudo em algumas universidades do país como na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde foi criada a Escola do Futuro. Mas a implementação de fato do e-learning tem poucos anos e, talvez seja este o motivo de a técnica ainda é pouco utilizada no país.
Outra barreira para sua implantação em larga escala é a infra-estrutura tecnológica insuficiente, que prejudica a interatividade do curso. O treinamento por meio da intranet, cuja velocidade mais alta permite a transmissão de áudio e vídeo com boa resolução, é comum. Porém, fora da empresa, essas ferramentas não são acessíveis com boa qualidade à maior parte dos usuários, devido à lentidão da Internet por acesso discado. Algumas soluções seriam
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LAN - Local Area Network
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MAN - Metropolitan Area Network
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WAN - Wide Area Network
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a adoção de sistemas de acesso mais rápidos, via cabo modem e ADSL61, e a implementação da banda larga.
A necessidade de treinar mais de 20 mil funcionários levou a Cisco Systems a desenvolver um sistema de e-learning. A companhia decidiu investir num projeto avançado de e-learning, consolidando todas as ferramentas existentes em alguns departamentos. Utilizando sua tecnologia IPTV (TV pela rede IP62), desenvolveu um portal dentro de sua intranet, onde ficam disponíveis todos os cursos, técnicos ou não.
Entre os recursos oferecidos está o video on demand (vídeo sob demanda), isto é, uma aula gravada em vídeo. Para esse serviço, a Cisco utiliza uma rede de 100 Mbps e um servidor IPTV. Outro recurso é o Broadcast, transmissão de vídeo ao vivo, que permite assistir a apresentações feitas em outros lugares. Isso exige uma ligação entre os dois locais de no mínimo 256 kbps para garantir uma qualidade aceitável de imagem - a Cisco utiliza 2 Mbps, podendo acessar até três programas simultaneamente e com qualidade de cinema. Além disso, por meio da VPN63, todos os funcionários podem acessar os cursos em seus computadores pessoais.
Para Azevedo Neto64 o trabalho e o capital inicialmente investidos no e-learning foram muito grandes, mas o resultado compensou. "É possível treinar muitas pessoas através de um sistema centralizado e prático", argumenta. O sistema de e-learning da Cisco também é utilizado pela GTE, empresa de telefonia norte-americana, e um sistema semelhante está disponível para os parceiros da Cisco. Já a Nortel Networks adotou o treinamento on-line após duas tentativas de cursos convencionais frustradas (cursos internos e terceirizados). A companhia optou pelo sistema de e-learning da irlandesa SmartForce Corporation (ex-CBT Systems), especializada em desenvolvimento de tecnologias para educação interativa. A Learning Solutions, representante da SmartForce no Brasil, foi a mediadora do processo que implementou e customizou o produto para uso pela Nortel.
Durante o período de teste do e-learning, a Nortel apontou detalhes que deveriam ser corrigidos pela Learning Solutions. As perguntas, por exemplo, deveriam ser randômicas, de forma que os usuários não decorassem as respostas. Com esses problemas corrigidos, foram determinadas metas mínimas de performance para as pessoas de cada departamento da
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Asymmetric Digital Subscriber Line
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IP - Internet Protocol
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VPN - Virtual Private Network ou Rede Privativa Virtual
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empresa e uma agência de publicidade cuidou de divulgar para os funcionários o novo sistema de treinamento, batizado de Projeto Crescendo.
Gonçalves65 cita como principal vantagem do e-learning a economia, tanto no departamento de informática, pois os cursos permitem que os funcionários resolvam pequenos problemas de informática sozinhos, quanto no próprio valor do treinamento. As desvantagens seriam operacionais, a necessidade de um gerenciamento grande, maior que num serviço terceirizado, além da necessidade de um gerenciador para o curso.
A Fundação Bradesco também apostou no e-learning como uma forma de atender mais profissionais sem a necessidade de construir mais escolas. Uma nova escola custaria por volta de R$ 4,5 milhões, sem contar o custo anual de manutenção de cada uma das 37 escolas da Fundação Bradesco: R$ 1,5 milhão.
O produto escolhido foi o TopClass Server, da irlandesa WBT Systems, provedora de softwares e serviços para treinamento em rede. Ao adaptar o software TopClass para a língua portuguesa, a MicroPower tornou-se sua representante no Brasil.
Atualmente, estão disponíveis somente treinamentos de qualificação para professores e funcionários, está previsto o lançamento do primeiro Curso Técnico de Informática via Internet, com duração de 100 horas, sendo 85% virtual e 15% presencial. Buscando aprimorar seu projeto, a Fundação Bradesco já adquiriu duas ferramentas auxiliares: o Symposium, da Centra, que colabora no uso dos recursos como vídeo, textos e áudio, e o Perception, da Question Mark, que realiza avaliação on-line.
O gerente departamental de tecnologia de informática e educação, Nivaldo Marcusso, garante que os planos da Fundação Bradesco são grandes. "Com o e-learning, poderemos chegar em locais onde não estamos fisicamente presentes. Através de parcerias com escolas públicas, entidades e prefeituras poderemos atender à população carente que, de outra forma, não teria acesso às informações." Utopia ou não, a Fundação trabalha em busca desse objetivo e participa, mensalmente, de um grupo de discussão junto com outras empresas interessadas no e-learning, como Coca-Cola e Xerox66.
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