As tensões entre Coreia do Norte e Estados Unidos no período de 2017 a 2018 levaram muitos acadêmicos, cientistas políticos, analistas e jornalistas a fazer análises e previsões sobre as tensões identificadas. As discussões quanto à possibilidade de guerra entre dois estados nuclearizados tomaram conta da academia e dos jornais, sendo possível observar as publicações em periódicos como The Atlantic,, The Guardian, Foreign Affairs, Foreign Policy e The Intercept etc.
Eliot A. Cohen, doutor em Ciência Política pela Universidade de Harvard e reitor da Escola de Estudos Internacionais Avançados Johns Hopkins University, foi também membro conselheiro do Departamento de Estado americano durante o período de 2007 a 2009, publicou na revista The Atlantic, na qual é escritor e colaborador, no dia 03 de janeiro de 2018, seu artigo “Waiting for the Bomb to Drop”, cuja tradução livre é “Esperando a Bomba Cair”.
A publicação apontava para diversos fatos e eventos observados na crise diplomática entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, desde as ameaças mútuas
entre os líderes estatais por meio de pronunciamentos, às disponibilizadas no Twitter13, passando por entrevistas e discursos com retóricas inflamadas de ambos os governantes. Para Eliot, o mundo estava beirando à guerra e os acontecimentos citados eram sinais de que o planeta estava a ponto de sofrer um evento catastrófico (COHEN, 2018).
De modo a demonstrar sua conclusão, o autor apontou especialmente para a figura do presidente americano, Donald Trump, como responsável pela incerteza e receio internacional. De acordo com Cohen (2018), a polêmica decisão de mudar a embaixada americana em Israel para a cidade de Jerusalém, foi uma das razões para que Trump se considerasse um líder de sucesso na política internacional. O autor descreve como o presidente alicerçava uma profunda crença de ser excepcionalmente bem sucedido como político, visto que havia um mercado de ações em alta, corte nos impostos e ausências de mortes por acidentes aéreos no país. Cohen associa a figura do presidente como fundamental para a crise diplomática surgida e sugeriu que as ações do presidente acabariam por levar os Estados Unidos a um conflito nuclear com a Coreia do Norte (COHEN, 2018).
De acordo com a publicação, o presidente Donald Trump, ao utilizar o Twitter para proferir ameaças relacionadas ao seu botão nuclear ser maior e melhor do que o de Kin Jung-Um, já o qualificava como uma figura instável e capaz de levar o país a um conflito. As ações do presidente eram claros sinais de que a guerra seria iminente. Segundo o artigo, a figura confiante e controversa de Trump, com sua retórica agressiva e imprópria, causaria um sério problema para a política internacional, visto que o presidente governa a maior potência nuclear do mundo. As constantes ameaças trocadas por Washington e Pyongyang demonstravam que a situação era perigosa (COHEN, 2018).
Para o autor, as declarações de H. R. McMaster (Consultor de Segurança Nacional Americano), de que o Estado liderado por Kim Jung-Un estava e sempre esteve disposto a vender qualquer coisa a qualquer pessoa com dinheiro vivo e com intenção de comprar, seriam suficientes para acionar o alerta para um iminente conflito. Percebe-se uma associação natural, ou seja, de causa e efeito, nas
13 Em 2017, por meio de um tweet, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, respondeu a um pronunciamento de Kim Jong-Un com as seguintes palavras: “I too have a Nuclear Button, but it is a much bigger & more powerful one than his, and my Button works!” e “North Korea best not make any more threats to the United States [...] They will be met with fire and fury like the world has never seen”.
afirmações de Cohen pois, para o autor, o governo norte-coreano, por estar dentro do Eixo do mal14, estaria fadado até mesmo a vender armas nucleares para conseguir dinheiro.
Cohen não era o único a associar a possibilidade de um conflito aos governantes das nações envolvidas. Muitos analistas e acadêmicos partilhavam de tais suspeitas e passaram a publicar suas preocupações em revistas e jornais internacionais.
Scott Douglas Sagan, professor de Ciência Política na Universidade de Stanford e membro sênior do Centro de Segurança e Cooperação Internacional de Stanford, publicou na revista Foreign Affairs, em novembro de 2018, o artigo “Armados e Perigosos – Quando Ditadores Conseguem a Bomba15”.
Para o autor, quando ditadores assumem o poder, estão mais sujeitos a buscar armas nucleares e, em caso de sucesso em obtê-las, também mais suscetíveis de usá-las quando comparados a líderes democráticos. Sagan aponta que o mundo estaria vivenciando uma crise, já que cada vez mais países estavam obtendo armas de destruição em massa. Portanto, os Estados Unidos deveriam lutar, de forma ética e eficaz, para que isso não acontecesse. Segundo o autor, os estados governados por líderes antidemocráticos são mais propensos a utilizarem armas nucleares por não conhecerem limites dentro de sua política interna. Consequentemente, o comportamento se refletiria nas ações de política externa destas nações (SAGAN, 2018).
Sagan aponta que alterações na política nuclear americana seriam necessárias, já que em sua análise, os termos da dissuasão não mais se aplicariam para a realidade do sistema internacional. Dentre estas mudanças, seria imprescindível uma renovação tecnológica dos mísseis nucleares americanos, pois assim seriam carregados com um número menor de megatons, para que fosse possível obter uma bomba nuclear de menor expressão. O objetivo, segundo ele, seria deixar claro através de uma ação política seu propósito de atingir apenas os governantes e seus aliados, reduzindo o número de civis atingidos (SAGAN, 2018).
14 Expressão adota pelo presidente George. W. Bush ao referir-se a Estados considerados hostis e inimigos norte-americanos. Coreia do Norte, Irã e Iraque foram acusados de ajudar o terrorismo e possuírem armas nucleares.
Em seu texto, o autor detalha uma pesquisa capitaneada por ele e o cientista político Benjamin Valentino, no ano de 2015, cujo resultado aponta que cerca de 60% da população americana aprovava um primeiro ataque contra uma cidade iraniana com um número de aproximadamente dois milhões de mortos. O motivo, segundo o autor, seria evitar que uma nova guerra fosse lançada e causasse a perda de cerca de vinte mil soldados americanos. Sagan concorda com as falas de H.R McMaster, na qual o conselheiro sugere que uma mudança na doutrina nuclear americana seria necessária e que as bases da dissuasão já não suportariam o mundo com um estado como a Coreia do Norte (SAGAN, 2018).
A razão final para apoiar essa mudança na doutrina nuclear dos EUA é porque é a coisa certa a fazer. O arco da história deve ser dobrado, devagar, mas certamente, em direção à doutrina da guerra (SAGAN, 2018, n.p)
De fato, neste período estudado (entre 2017 e 2019) existia um receio por parte de acadêmicos, analistas, jornalistas e pessoas preocupadas com o rumo da política internacional. Observa-se que assim como nesta ocasião, quando se deparam com as declarações dos líderes de Estados Unidos e Coreia do Norte, essas preocupações ainda são vistas. A desconfiança é clara e pode ser facilmente subentendida quando se observa quem são os governantes dos países envolvidos.
No dia 17 de julho de 2017, Anna Weichselbraun (na época pós-doutoranda em Segurança Nuclear pelo Centro de Segurança e Cooperação Internacional da Universidade de Stanford), publicou no jornal The Guardian o artigo intitulado “Não assuma que Trump é mais responsável com armas nucleares do que a Coreia do Norte16” (tradução nossa).
Em sua análise, a autora aponta que nunca acreditou ser seguro confiar nas garantias da dissuasão nuclear de nações nucleares e nem as subentender como responsáveis quando o assunto são armas de destruição em massa. Para isso, basta- se olhar para o resultado das eleições americanas de 2016. De acordo com a publicação, seu resultado traria uma urgência em promover o desarmamento nuclear baseado na crença de que pessoas não deveriam ser confiadas com códigos de
16 “Don't assume Trump is more responsible with nuclear weapons than North Korea’’ – The Guardian
armas de destruição em massa - principalmente pessoas com “tendências autoritárias e irracionais”, como o presidente eleito Donald Trump (WEICHSELBRAUN, 2018).
A desconfiança da autora é pautada na convicção de que a qualquer momento o mundo poderia experenciar seu uso pelo simples fato de o armamento nuclear existir. Weichselbraun (2017) demonstra que não deveria ser confiado a ninguém o poder de controlar armas de destruição em massa, uma vez que humanos são frágeis e não estão livres de cometerem erros (WEICHSELBRAUN, 2018).
Nas palavras de Weichselbraun (2017) "a crença de que o presidente dos Estados Unidos é de alguma forma mais responsável do que o ditador norte-coreano é mal fundamentada”. A autora sugere que o Tratado de Não Proliferação Nuclear, ratificado em 1968, apenas legitimou o status quo das cinco nações nucleares na época – China, França, URSS, Reino Unido e Estados Unidos – e as condicionou a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Portanto, para a autora, o tratado serviu somente para validar que estes Estados fossem os únicos responsáveis de abster-se de utilizá-las justamente devido à condição de seu potencial destrutivo (WEICHSELBRAUN, 2017).
Para chegar a tal conclusão, Weichselbraun observa que aos países detentores de armas nucleares, basearam-se na premissa de que outras nações não são confiáveis para possuírem armas de destruição em massa. Portanto, as detentoras de tamanho poder deveriam estar atentas e garantir que a tecnologia nuclear não caia nas mãos de estados tidos como desonestos, antidemocráticos, instáveis e hostis à ordem geopolítica dominante (WEICHSELBRAUN, 2017).
Para reforçar seus pontos, a autora sinaliza que as eleições americanas levaram ao poder um presidente que possui características irracionais e autoritárias, similares as de líderes antidemocráticos. Sendo assim, Weichselbraun sugere que uma conscientização seroa necessária para gerar a discussão sobre o desarmamento nuclear de todas as nações. Tudo isso amparado pelo mesmo motivo: a crença de que humanos não são confiáveis. Para a autora, não importa quem está no poder, mas sim que armas de destruição em massa não poderiam estar nas mãos de qualquer pessoa, seja esta democraticamente eleita ou nas mãos de ditadores, pois o resultado é péssimo em todos os sentidos já que ficam sempre disponíveis para uso (WEICHSELBRAUN, 2017).
Em outro artigo relacionado ao tema, o jornalista e colunista do The Guardian, Jonathan Freedland (formado pela Wadham College, Oxford) publicou, no dia 09 de
agosto de 2017, o artigo intitulado “Trump nos levou à beira da guerra nuclear. Ele pode ser impedido?17”. Naturalmente, como a manchete aponta, o autor esperava um conflito nuclear iminente. Na publicação, o autor afirma que tanto Trump quanto Kim são imprevisíveis e isso seria prova suficiente para o resultado terrível que estaria por vir (FREEDLAND, 2017).
Para Freedland (2017), Trump age de forma impulsiva e inconsequente ao adotar uma retórica ofensiva que poderia ser facilmente mal interpretada por outro líder tão impulsivo e inconsequente quanto ele. De acordo com a publicação, demais líderes ao longo da história sempre trataram armas de destruição em massa com cautela, mas isto não se aplica à Donald Trump.
Dias depois, em outro artigo18 publicado no The Guardian, o autor sugere que o mundo poderia não ter muito tempo e que seria necessária uma nova eleição nos Estados Unidos para evitar um desastre internacional. Para Freedland, existe uma questão fundamental não avaliada em todo o problema: “o presidente dos Estados Unidos entende o ponto essencial de que é o destino do mundo que está em jogo?” (FREEDLAND, 2017, n.p.).
No dia 25 de outubro de 2017, Uri Friedman, editor-chefe e membro do conselho da revista The Atlantic, publicou o artigo “O impensável19”. Neste o autor afirma que “à medida que a crise norte-coreana aumenta, a possibilidade de guerra nuclear se torna repentinamente discutível - e não apenas uma questão teórica” (FRIEDMAN, 2017, tradução nossa20). Esta não é uma ideia isolada, de fato muitos acadêmicos, cientistas políticos e jornalistas temem a possibilidade de um cenário de guerra nuclear.
Em seu artigo, Friedman aponta que havia jornalistas com fortes ligações à Washington estimando quais eram as chances de um conflito. Os palpites variavam e havia sugestões de militares aposentados que chegavam a 30% para a ocorrência de um conflito. Na publicação, o editor revela suas dúvidas quanto à capacidade de dissuasão dos conselheiros militares de Donald Trump caso o presidente decidisse iniciar um conflito (FRIEDMAN, 2017).
17 “Trump has taken us to the brink of nuclear war. Can he be stopped?’’ – Publicado no The Guardian no dia 09/08/2017.
18 “Trump is the real nuclear threat, and we can’t just fantasise him away’’ - Jonathan Freedland - Publicado no The Guardian no dia 11 de agosto de 2017.
19 “The Unthinkable’’
20 “As the North Korean crisis escalates, the possibility of nuclear war suddenly become discussable – and not just theoretical’’
Ao encontro das demais afirmações publicadas, o escritor e jornalista Paul Mason, publicou “A guerra nuclear tornou-se possível novamente – precisamos de um lembrete do que isso significa21”, também no The Guardian. No artigo, diz que a maioria dos dispositivos nucleares capazes de destruir o mundo estaria nas mãos de pessoas com ímpeto de usá-las, sendo elas: Kim Jong-Un, Vladimir Putin e Donald Trump. O motivo, segundo o autor, seria que os políticos pós-Segunda Guerra Mundial entendiam e apostavam no multilateralismo, ao contrário dos líderes citados que apostam no unilateralismo (MASON, 2017).
Todas essas publicações dão fôlego para as preocupações que Cohen demonstrou no artigo “Esperando a Bomba Cair” (apresentado no início deste subcapítulo). Para ele a Coreia do Norte não respeita nenhuma norma internacional, passando por cima do Direito Internacional e cometendo atrocidades dentro de seu território. Aliado a isso, sua atuação irracional no Sistema Internacional colocaria o mundo em alerta. Segundo o autor, as atuações da nação norte-coreana são atrevidas e devem ser examinadas com atenção, pois seriam sinais de que a guerra estaria próxima. Eliot Cohen demonstra que o comportamento da Coreia do Norte não é totalmente culpa de Trump, mas sim consequência da relação histórica resumida em diplomacia, acordos, sanções e mais tensões. O problema, para ele, é que Trump piorava a situação a cada tweet onde reafirma sua retórica agressiva e desproporcional. Assim como muitos, Cohen teme que uma guerra preventiva fosse iniciada pelos Estados Unidos, já que as declarações eram ardentes e amedrontadoras. O autor vê risco em cada movimento irresponsável de Kim e Trump, afirmando que a tensão na península seria um perigo enorme para a paz no Sistema Internacional (COHEN, 2018).
O autor aproveita também para demonstrar uma preocupação quando apresenta um dado de que a população americana não acreditava em muitas das palavras do presidente, mas que isso não faria a menor diferença quando Donald Trump sentasse em sua mesa e se visse forçado a explicar o porquê de ter iniciado uma guerra com a Coreia do Norte (COHEN, 2018).
Mais adiante em seu artigo, o autor pondera quais seriam as possíveis consequências no cenário internacional em caso de uma hipotética invasão
21 “Nuclear War has become thinkable again – we need a reminder of what it means’’ – Paul Manson – Publicado no The Guardian no dia 17 de abril de 2017.
americana, considerando as atuações chinesas e sul-coreanas. Um cenário com uma China receosa de ter em sua fronteira um conflito perigoso, assim como uma população sul-coreana amedrontada e massacrada por um conflito tão imprevisível.
Em seguida, é trazido à tona por Cohen as declarações de McMaster, cuja intenção interpretada em seus discursos era ver uma Coreia do Norte desnuclearizada, seja de forma pacífica (através de uma rendição) ou pela força (por meio de uma guerra preventiva). Neste ponto, Cohen associa as alegações de McMaster à Donald Trump, ligando seu discurso aos tweets e opiniões do presidente. O autor entende que a função de Trump e McMaster é garantir a segurança dos Estados Unidos. Os testes dos mísseis nucleares norte-coreanos continuam ameaçando os Estados Unidos e seus aliados e, portanto, constituem uma ameaça que deveria ser combatida.
Posteriormente, o autor desloca sua atenção aos aliados, conselheiros e apoiadores de Trump ao demonstrar como a desconfiança que uma eventual guerra poderia trazer aos olhos destes. Para Cohen (2018), o apoio internacional de países historicamente ligados aos Estados Unidos poderia ser afetado e, por consequência, negado, uma vez que Austrália e Japão até poderiam decidir apoiar os americanos, mas sofreriam enorme resistência interna ao apoiar um governo centrado na liderança de Trump. O conflito, portanto, arruinaria as relações construídas ao longo da história e destruiria vidas coreanas e americanas. Ou seja, as próprias declarações de Trump minariam e seriam responsáveis pela falta de apoio internacional no caso de um potencial ataque.
Nas previsões de Cohen, apenas a Rússia poderia se beneficiar diante de um conflito de tamanha magnitude. Um conflito entre Estados Unidos e China danificaria as potências e as fariam perder forças e recursos na política internacional. A ocorrência de uma segunda guerra da Coreia seria resultado das ameaças e da irracionalidade dos dois líderes cujos pronunciamentos deixaram o mundo em alerta e converteriam a realidade a uma violência sem precedentes. Dentre as ameaças, identifica-se Trump afirmando que uma resposta americana viria com fogo e fúria, declarando Kim como um “homem-foguete em missão suicida” e a resposta do líder norte-coreano ao presidente americano como um “idoso com deficiências físicas e mentais”, também ameaçando o estado americano com afirmações de que seu “botão nuclear está sempre em sua mesa”.
O autor conclui que as ações chinesas na fronteira - que supostamente construíram campos de refugiados no local - aliado às declarações de autoridades americanas e junto ao aumento exponencial de gastos militares por países no cenário internacional seriam sinais suficientes para um conflito catastrófico. As polêmicas afirmações de Donald Trump seriam o bastante para iniciar uma guerra. O autor demonstra preocupação e sugere que um conflito internacional seria a oportunidade de o presidente americano ter um momento de glória, desviando as atenções da política interna - com a credibilidade afetada devido as denúncias de influência russa nas eleições que o elegeram. Por fim, Eliot descreve estes acontecimentos como sinais de que a guerra poderia ou não acontecer, mas que 2018 poderia ser o ano de uma guerra nuclear e tudo até o momento o levava a crer em um conflito.
Em outra publicação, desta vez no The Intercept, Mehdi Hasan, jornalista britânico e comentarista político, publicou, no dia 08 de fevereiro de 2018, o artigo intitulado “Donald Trump quer facilitar o início de uma guerra nuclear e isso deve nos petrificar22”, onde demonstra intensamente sua preocupação com as intenções de Trump no caso norte-coreano.
Para o autor, a decisão do governo Trump que alterou a postura nuclear norte- americana e implicou na renovação de seu arsenal militar, objetivando alcançar armas de destruição em massa de menor expressão seria um claro sinal da irracionalidade do presidente. Segundo ele, a atualização indicava que os Estados Unidos estariam sinalizando sua intenção de utilização, já que sua letalidade seria supostamente menor e, portanto, mais propensa a ser usada. Hasan informa que qualquer presidente na história americana que decidisse pela renovação do arsenal militar seria tratado com receio, mas que o problema era ainda mais complexo pois se trata de Donald Trump. Sendo assim, Trump não é uma ameaça apenas para os Estados Unidos, mas para o mundo inteiro (HASAN, 2018).
Para o jornalista britânico, confiar o poderoso arsenal militar americano à Trump colocaria o mundo em perigo. Hasan descreve o presidente americano como narcisista e conclui seu artigo com uma questão que vê como a mais importante no ano de 2018: “um Trump impulsivo e agressivo nos matará ao iniciar uma guerra nuclear? Todo o resto é barulho”.
22 “Donald Trump Wants to Make It Easier to Start a Nuclear War. This Should Petrify Us” – Publicado no The Intercept por Mehdi Hasan.
Como visto, as previsões de Eliot Cohen, Scott Sagan, Anna Weichselbraun, Jonathan Freedland, Uri Friedman e Mehdi Hasan apontavam para uma iminente possibilidade de conflito nuclear. Por razões diferentes, os autores concordaram que