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“A TRACT FOR THE TIMES” – AS REITH LECTURES DE

2.3. Art and Anarchy: As Reith Lectures de

longa série do Third Programme sobre a relação do artista de vanguarda com a sociedade129. O sucesso efetivo de crítica e público, contudo, viria apenas com o surgimento dos programas televisivos da corporação, marcos históricos da produção audiovisual sobre a questão artística, caso de Civilisation de Kenneth Clark (1969), Ways of Seeing de John Berger (1972), Power of Art de Simon Schama (2006) e A History of Art in Three Colours de James Fox (2016).

Após o breve interlúdio da Kunstgeschichte à inglesa de Pevsner, as Reith Lectures foram uma vez mais determinadas pelo binômio “política e ciência”, ainda que a segunda metade da década de 1950 tenha dado maior ênfase ao segundo elemento. Desse modo, o Nobel de física Edward V. Appleton comentou o estado do estudo científico na Grã-Bretanha em Science and the Nation e em 1957, o estadunidense George F. Kennan, historiador e diplomata especialista nas relações entre Estados Unidos e a União Soviética, explorou as possibilidades de relação entre os soviéticos e o mundo ocidental em Russia, the Atom and the West. Em parte como resposta ao escândalo midiático em relação a Kennan – difamado pela imprensa como um antiquado – a pressão por mentes arrojadas e ativamente engajadas em pesquisa aumentou, concomitantemente aos comentários sobre as dificuldades de se encontrar bons jovens conferencistas130. Em 1958, Sir Bernard Lovell, físico inglês notório por sua atuação no campo da radioastronomia expôs o estado atual dos estudos astronômicos em The Individual and the Universe, ao passo que em 1959, o espirituoso biólogo inglês nascido no Brasil, Peter Medawar, tido como “o pai dos transplantes” e conhecido como um notório popularizador científico, discorreu sobre a continuidade do processo evolutivo da humanidade em The Future of Man.

2.3. Art and Anarchy: As Reith Lectures de 1960

129 Art-Anti-Art foi produzida por Leonie Cohn e introduzida por Basil Taylor. A série foi transmitida de 2 de novembro de 1959 a 13 de março de 1960 ao longo de dezoito episódios. Art-Anti-Art se notabilizaria por transmitir entrevistas com expoentes da produção artística de vanguarda, caso de Marcel Duchamp em 13 de novembro de 1959 (Art-Anti-Art: Marcel Duchamp Speaks) e Allen Ginsberg em 6 de fevereiro de 1960 (Art-

Anti-Art: The Shape of my Mind).

Quando o conselho editorial do Talks Department se reuniu em 14 de outubro de 1959 para discutir as Reith Lectures de 1960, existia o desejo, motivado por uma sensação de estafa, de evitar questões científicas no futuro próximo, não obstante terem sugerido como tema – entre o lugar da mulher na mundo contemporâneo e o conceito de pecado – o impacto da ciência na sociedade131. A lista de sugestões no final desse mês apresentava ideias diversas, como o Estado de direito, as responsabilidades do Ocidente, mudanças na estrutura social britânica, os problemas de crescimento das instituições, estrutura democrática e vontade popular, educação e sociedade, literatura contemporânea e sociedade, arte abstrata, livre-arbítrio e responsabilidade e a função do filósofo na sociedade moderna132. O controller do Third Programme, o romancista, administrador e futuro vencedor do Booker Prize, Percy H. Newby, em resposta a uma consulta de John Green, sugeriu que o tema das artes não “fosse tratado de maneira muito estreita”, pois deveria se ver sujeito às questões fundamentais: “Qual é a relação entre o artista e a sociedade na qual ele vive? Porque a pintura e a música moderna são tão desconcertantes a não ser para um círculo íntimo de iniciados? Estamos no final de uma era em que o artista era considerado um rebelde?” Desse modo, propondo que o tema das Reith Lectures de 1960 fosse a conturbada relação entre arte e sociedade, Newby indagou: “Existe algum conflito fundamental entre a arte e a democracia total? Pode existir arte sem religião?”133

No mesmo dia resposta de Newby, Kallin criticou muitas das sugestões propostas ao ser consultada por John Green a esse respeito um dia antes134. Em relação à arte abstrata, por

131 D. Stewart (Assistant Head of Religious Broadcasting (A.H.R.B.)) [Memorando] 19 out. 1959, [S.l.] [para] C. R. McKay (Head of Religious Broadcasting (H.R.B.)), [S.l.], 2 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6.

132 J. Soupham (Head of Educational Broadcasting (H.E.B.)), [Memorando] 28 out. 1959, [S.l.] [para] J. Green, (Controller, Talks (C.(T.))). [S.l.], 3 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6.

133 “I suggest that it is important that the subject should not be treated too narrowly. If it is to have the general appeal that we require of the Reith Lecture series literature and music, as well as the visual arts, ought to be subjected to the fundamental questions – What is the relationship between the artist and the society he lives in? Why is modem painting and music so baffling except to an inner circle of initiates? Are we at the end of an age when the artist was thought of as a rebel? And are we now entering a period when official art - in the sense that Virgil's poetry is official art – is once again possible? Is there some fundamental conflict between the fullest democracy and art? Can there be art without religion?” Cf. P.H. Newby, (Controller, Third Programme (C.T.P.). [Memorando], 19 nov. 1959, [S.l.] [para] J. Green (Controller, Talks (Sound) (C.T(S.))), 1 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6.

134 J. Green (Controller, Talks (Sound) (C.T(S.))), [Memorando] 18 nov. 1959, [S.l.] [para] Anna Kallin; L. Cohn [S.l.], 1 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6.

exemplo, Kallin afirmou “céus, já não tivemos o suficiente disso? Um assunto empolado e ultrapassado?” Sugeriu amigos seus como conferencistas: o biógrafo de Marx, Isaiah Berlin, para discorrer sobre a compreensão contemporânea do marxismo, e Edgar Wind, notando que “nos últimos dois anos ele tem atraído para suas palestras audiências maiores do que as de qualquer outro palestrante nas – dizem-me da história das – mas, digamos, últimas décadas das duas grandes universidades [Cambridge e Oxford]”135. Embora Wind não fosse um radioconferencista experiente como Russell e Pevsner, possuía em seu currículo alguns programas para o Third Programme, quase todos sob a produção de Anna Kallin: as três falas sobre “Observations on Renaissance Imagery” em julho de 1950, outras três comunicações sobre Leonardo da Vinci em março de 1952, uma discussão entre Wind e seu colega oxoniano Stewart Hampshire sobre o juízo estético em abril de 1957 e, em 21 de novembro desse mesmo ano, uma fala sobre as posições contrastantes de Blake e Reynolds. Kallin também gravou a aula inaugural de Wind em Oxford de 1957, embora sua transmissão tenha sido posteriormente abortada.

A sugestão de Newby foi acatada por Green, que em 1˚ de dezembro enviou uma renovada lista de sugestões das Reith Lectures para seu superior, Sir Reginald Wellington (Director of Sound Broadcasting, ou D.S.B.). A proposta constava na lista como The Artist in Society; argumentava-se que “uma consideração do lugar do Artista na Sociedade seria oportuna. Embora o ecletismo e a dificuldade do público em apreciar novas ideias não sejam novidades, a pintura e a música raramente foram tão desconcertantes a não ser para um círculo íntimo de iniciados.”136 The Artist in the Society e Personal Responsibilities se

135 “Heavens, haven’t we had it? an inflated subject and passé? I’ve got two speakers to suggest: Again Sir Isaiah Berlin ‘Coming to Terms with Marxism’. And Edgar Wind, who for the last two years has drawn greater audiences to his lectures than any other lecturer in – I am told in the history of – but let us say in the last decades in the two great universities.” Cf. A. Kallin [Memorando] 19 nov. 1959, [S.l.] [para] J. Green (Controller, Talks (Sound) (C.T(S.))), [S.l.], 1 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6.

136 A descrição de The Artist in the Society enviada por Green para Wellington era, basicamente, o texto que Newby lhe tinha escrito: “A consideration of the place of the Artist in Society would be opportune. Although eclecticism and the failure of the public to appreciate new ideas is not new to the arts seldom have painting and music been so baffling except to the inner circle of initiates. Could the period of the artist as rebel give way to one of official art in the Virgilian sense? Is there a fundamental conflict between democracy and art and can there be art without religion?” Cf. J. Green (Controller, Talks (Sound) (C.T(S.))). [Memorando] 1 dez. 1959, [S.l.] [para] R. E. L. Wellington (Director of Sounds Broadcasting (D.S.B.)), [S.l.], 2 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6. A lista continha outras sugestões como: (1) Rule of Law; (2) The Practice of Democracy; (3) Education and Society; (4) Personal Responsibility; (5) China; (6) The Respsonsabilities of the West.

tornaram, devido à preferência de Wellington, as finalistas137; acreditava-se, não obstante, que o conferencista era mais importante para o sucesso de uma Reith Lecture do que o tema em si138. No início de janeiro de 1960, a decisão pairou entre Edgar Wind e o filósofo Franz von Weizsäcker, o primeiro em relação às artes e o segundo em relação à moral. A única preocupação corrente em relação a Wind dizia respeito à sua adequação ao foro público. Em resposta a essa inquietação, Green comentou que a “Srta. Kallin o conhece bem e acha que ele é capaz”139 e que “Wind falou no Third Programme em oito ocasiões. Pronunciou-se em geral sobre o Renascimento mas também se engajou em discussões teóricas sobre estética. É atualmente o líder de audiência como palestrante da graduação em Oxford, tendo, pelo que compreendemos, tomado essa posição de Sir Isaiah Berlin.”140 Uma reunião do Sound Broadcasting Committee em 26 de janeiro reiterou a opção por The Artist in Society, pois havia “uma concordância geral de que seria aconselhável um tema artístico para as Reith Lectures”141. Nessa ocasião, Newby defendeu Edgar Wind, lembrando de radioconferências anteriores nas quais sua personalidade radiofônica e seu amplo domínio do assunto o tornavam perfeitamente adequado para a situação142.

Um dos problemas, contudo, era seu sotaque estrangeiro: “ele [Newby] não soube dizer com certeza, sem novas consultas, se o sotaque estrangeiro de Wind seria inteiramente aceitável para as circunstâncias especiais das Reith Lectures”143. O sotaque era uma questão recorrente nas decisões da BBC e apontava para um problema de ordem tanto técnica quanto cultural: existia tanto uma preocupação com a compreensibilidade de um locutor estrangeiro

137 Cf. J. Green, (Controller, Talks (Sound) (C.T(S.))), [Memorando] 19 jan. 1960, [S.l.] [para] R. E. L. Wellington (Director of Sounds Broadcasting (D.S.B.)), [S.l.], 3 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6. 138 “Two subjects were being considered for the Reith Lectures in 1960: ‘The artist in society’ and ‘Personal

relationships’. The success of lectures on either depended largely upon the right selection of the speaker”. Cf. P. M. Ferguson (Secretary to Controller, Talks (Sounds)), [Memorando] 1 jan. 1960, [S.l.] [para] H.E.B.; H.S.B.(S); H.R.B; Chief Assistant, General Talks; H.C.A.T.(S); A.O.T.(S)., [S.l.], 1 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6.

139 J. Green (Controller, Talks (Sound) (C.T(S.))), [Memorando] 19 jan. 1960, [S.l.] [para] R. E. L. Wellington (Director of Sounds Broadcasting (D.S.B.)), [S.l.], 1 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6. 140 J. Green (Controller, Talks (Sound) (C.T(S.))), [Memorando] 12 fev. 1960, [S.l.] [para] R. E. L. Wellington

(Director of Sounds Broadcasting (D.S.B.)), [S.l.], 5 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6. 141 “It was generally agreed that it would be advisable to have an arts subject for the Reith Lectures and that ‘The

Artist in Society’ would be a good subject”. Cf. Sound Broadcasting Committee, BBC Broadcasting House,

Sound Broadcasting Committee: 26. 1. 1960 (Minutes), 26 jan. 1960, 1 f., in BBC Written Archives Centre

(WAC), R51/926/6.

142 “C.T.P., recalling a broadcast given by Wind in about 1955 believed that his broadcasting personality and his command of his subject as an aesthetician and moral philosopher would make him eminently suitable”. Cf ibid. 143 “\[…] he [Newby] was not able to say definitely, without further reference, that rind's foreign accent would be

em relação às audiências nativas quanto uma difusa xenofobia, de onde se pode lembrar a importância capital da pronúncia para a vida social inglesa. Desse modo, uma das críticas feitas às conferências de Wind era que “se sua audição é inglesa você tem o direito de não ter alguém [no ar] cujo sotaque é exótico […] não acredito que o ouvinte inglês comum é capaz de entendê-las [as conferências]”144. Com a exceção de Pevsner – que, não obstante, se

esforçou imensamente para superar as tonalidades germânicas de sua pronúncia145 – todos os

conferencistas anteriores eram anglófonos e, salvo Oppenheimer e Kennan, ingleses formados em Oxbridge (formados no linguajar toff). Essa questão do sotaque, por exemplo, impediu a Panofsky e Gombrich o acesso ao microfone da BBC146. A corporação tinha ela própria cultivada o “inglês da BBC”, alheio mesmo ao inglês falado em muitas regiões da Inglaterra147; que uma língua ferina descreveria como a voz de um morto falando, presumindo que o defunto fosse homem, branco, inglês e upper class148. Além da crítica ao sotaque de Wind, julgou-se que a audiência do Home Service poderia não apreciar Wind, talvez excessivamente recôndito, e que existia a “sugestão menos original de Sir Kenneth Clark”; pesava contra este, no entanto, o fato “de ter dado uma série de conferências ilustradas muito ordinárias para a ATV em março de 1958 sob o título ‘Is Art Necessary?’”, e de ser “primariamente um administrador e connoisseur somente das artes visuais, e não um esteta de amplo escopo. Sua abordagem pode ser considerada excessivamente prosaica e prática, e também se voltar demais para as artes como uma questão pública.”149

144 The Critics, Londres, BBC, 11 dez. 1960. Programa de rádio. A transcrição está disponível em: Oxford, Bodleian Library, MS. Wind 95, file 3. O programa The Critics teve início em 1947 e reunia críticos de áreas diversas (literatura, teatro, artes visuais, cinema e radio) que discorreriam cada um sobre um determinado tópico, seguido por uma discussão geral. Cf. S. Games, op. cit., p. 59.

145 Ibid, pp. 104, 204.

146 “As for asking Panofsky himself, I vas worried about his accent. I thought I heard somebody say that it was pretty ‘thick’ but I should be grateful for your own impressions. I can't think of anything we should like him to do just at the moment, but it would be nice to know that he can be counted amongst ‘potential speakers’. You understand that it is not the accent itself the Third Programme minds, but the difficulties of listening it can create. Thus we should love to put Gombrich on – but can’t, he agrees himself. Pevsner and Edgar Windt [sic] on the other hand do beautifully.” Cf. L. Cohn [Carta] 18 mar. 1954, [S.l.] [para] R. Walzer, Cambridge, 1 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), RCont. 1. Talks. Wind, Edgar (Prof.). 1949-1958.

147 S. Games, op. cit., p. 66. 148 L. Taylor, op. cit.

149 “If there should be any doubt about Wind coming down into the market place sufficiently for the Home Service audience, there is the less original suggestion of Sir Kenneth Clark. While I find no body of support for him I do know that Clark values highly invitations from the Third Programme and that he would be likely to work on the subject. He has formidable public qualifications. Against him is the fact that he gave a fairly ordinary series of illustrated lectures on ATV in March, 1958, under the title ‘Is Art Necessary?’ Moreover he is primarily an administrator and a connoisseur of the visual arts alone rather than a general aesthetician. He might be considered to have too prosaic and practical an approach and to veer too much to the arts as a public issue.” Cf. J. Green, (Controller, Talks (Sound) (C.T(S.))). [Memorando] 12 fev. 1960, [S.l.] [para] R. E. L. Wellington (Director of Sounds Broadcasting (D.S.B.)). [S.l.]. 5 f. In BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6.

O próprio John Green, contudo, notara em uma carta a Wellington de 12 de fevereiro de 1960, que havia “um grande interesse pelas artes visuais e pela música no momento presente, com paralelos também na poesia e na literatura” e, refletindo sobre o contexto desse interesse, comentou que o “impacto da nova mídia da televisão, do rádio e do gramofone sobre os padrões cambiantes da sociedade e do patronato; mudanças no sentimento nacional e local; e os vários movimentos antiartísticos […] criaram um novo desnorteamento”150.

Abordar essas questões exigia considerações “tanto à luz da história da arte quanto em termos de novidades na teoria estética. Trata-se, em suma, de chamar um Ruskin contemporâneo, mas tal figura não surge de maneira óbvia em horizonte algum.”151 Embora esse Ruskin redivivo não estivesse às vistas (feliz ou infelizmente), Green notou que “existe, contudo, um forte candidato caso a abordagem seja ligeiramente modificada e se o tratamento exaustivo que se tornou tradicional das Reith Lectures puder ser relaxado”152. Esse candidato era Edgar Wind, que “embora prioritariamente um especialista do Renascimento […] possui interesses católicos, que incluem música e poesia, e uma formação filosófica.”153 Comentando sobre o sucesso de Wind como conferencista em Oxford, Green observou que as “suas palestras avançaram comentários engenhosos, demolidores e construtivos sobre o estado de todas as artes, da avaliação de Picasso ao elogio de Auden e Tippett.”154 Convencido dos argumentos de Green, Wellington, em 17 de fevereiro, decidiu submeter à decisão do diretor-geral e do conselho de governadores da BBC apenas o nome de Wind e o tema do artista na sociedade (ao invés das três ou quatro sugestões usuais). Comentou que, em sua visão “a única possibilidade realmente excitante é o professor Edgar Wind […] algumas pessoas me disseram que ele possui uma mente interessante e vivaz. Parece-me que ele poderia nos dar algo diferenciado e incomum caso possa ser persuadido a assumir o trabalho”155.

150 “We recognise that there is excessive interest in the visual arts and in music at the present time with a certain parallel interest in poetry and literature. The impact of new media such as television, radio and the gramophone$ the changing pattern of society and patronage; changes in national and local sentiment; the various anti-art movements which have been protesting against society since the first World War, create a new bewilderment.” Cf. ibid.

151 “This requires consideration both in the light of art history and in terms of what is new in aesthetic theory. It really adds up to a call for a latter day Ruskin but such a figure does not appear obviously on any horizon.” Cf. ibid.

152 “There is, however, one very strong candidate if the approach was slightly modified and likewise if the exhaustive treatment which 1ms become something of a tradition with the Reith Lectures could be relaxed.” Cf. ibid.

153 “While primarily an authority on the Renaissance […] Wind also has catholic tastes which include music and poetry and a philosophic background.” Cf. ibid.

154 “I am told that his lectures have contained witty, demolishing and constructive comments on the state of all the arts from assessing Picasso to praise of Auden and Tippett.” Cf. ibid.

155 “In my view the one really exciting possibility is Professor Edgar Wind […] I hear from a number of people that he has an interesting and vivid mind. It seems to me that he might give us something distinguished and unusual if he could be persuaded to tackle the job.” Cf. R. E. L. Wellington (Director of Sounds Broadcasting (D.S.B.)).

Devido ao conjunto de suas características, pode-se presumir que a sugestão de Wind agradou tanto a “velha” BBC – oxoniana, acadêmica, erudita – quanto a “nova” BBC – liberal, progressista, multicultural – que emergia sob a diretoria de Greene. Wind detinha status acadêmico como primeiro professor de história da arte de Oxford e sua atuação docente era comentada por colegas, alunos e professores. Uma prova cabal desse prestígio foi o convite para proferir as Rede Lectures de Cambridge em abril de 1960. Essa relação entre o sucesso como conferencista acadêmico e o convite da BBC foi observada por um periódico após a primeira Reith Lecture. Em um artigo intitulado “Maestro do Playhouse”, observou-se que o “professor Wind, que deu a primeira das Reith Lectures da BBC deste ano sobre ‘Arte e Anarquia’ no domingo – um tópico típico de Wind – é um maestro da sala de palestras. O primeiro ocupante da cátedra de História da Arte recém-criada em Oxford, ele é sem dúvida o homem certo para o trabalho.”156 O artigo também notou que Wind “pertencia claramente à tradição de erudição alemã impecável e abrangente, pois combina um conhecimento de arte, psicologia e filosofia” e que, “muito consciente do efeito de sua inteligência, ele não se opõe a velhacarias, e seu rosto bicudo se alarga em um sorriso diante da perspectiva de uma reviravolta”157. Wind, pois, combinava prestígio em Oxbridge, filologia alemã e especulação polemista, folgazã na performance oratória; personificava, portanto, atributos que agradavam os mandarins da BBC e atendiam ao ideal das Reith Lectures.

Em 10 de março, Wellington informou a Green que o conselho de governadores tinha aprovado o nome de Wind, notando que o número de conferências não deveria ser menor que quatro e que Kallin deveria contatar Wind urgentemente para convencê-lo em aceitar a tarefa158. Seis dias depois, Kallin informou a Green que Wind, após uma “relutância inicial, ficou muito entusiasmado com a ideia”, afirmando que o assunto proposto – a relação entre o artista e a sociedade – era o mesmo de sua aula inaugural em Oxford que ele pretendia transformar em livro, notando, além disso, que o tema seria “muito relevante para os nossos

[Memorando] 17 fev. 1960, [S.l.] [para] H. C. Greene (Director-General (D.G.)), [S.l.], 1 f., in BBC Written Archives Centre (WAC), R51/926/6.

156 “Professor Wind, who gave the first of this year's BBC Reith Lectures on ‘Art and Anarchy’ on Sunday—a typical Wind topic —is a lecture hall maestro. The first holder of the newly created Oxford chair of the History of Art, he has certainly proved the right man for the job.” Cf. Maestro from the Playhouse. Time and Tide, [S.l.], 19 nov. 1960.

157 “he is clearly within the tradition of impeccable and comprehensive German scholarship, for he combines a