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6.4 SENTIMENTOS E EMOÇÕES

6.4.5 As causas do ganho de peso

No quadro 27 são apresentadas as causas que os sujeitos da pesquisa consideram para o seu ganho de peso. "Alimentação" foi a causa apresentada por três sujeitos da pesquisa para seu ganho de peso, como também a categoria "Ansiedade" foi mencionada por três dos entrevistados. "Gravidez" foi outro fator referido por duas entrevistadas como causa para o ganho de peso. Já as categorias "Falta de exercícios físicos", "Falta de apoio psicológico e nutricional", "Genética" e "Mudança na medicação"foram causas mencionadas por um sujeito da pesquisa para cada categoria, como causa de ganho de peso após terem realizado a cirurgia bariátrica.

(Continua)

Categoria Unidade de contexto elementar Ocor

Alimentação Acho que a alimentação. (E1)

Não sei! De repente de comer. (E3)

O motivo de voltar a ganhar peso eu atribuo a não seguir as orientações

nutricionais, quando tu diz eu vou comer uma bolachinha mesmo, aí não vai

na saladinha. (E5)

3

Falta de exercício físico

Da vida sedentária, eu não faço exercício físico. (E3)

Falta de apoio psicológico e

nutricional

De repente a falta de apoio psicológico e nutricional que sempre deve acompanhar a pessoa. As pessoas geralmente não procuram estes serviços,

nutrição, psicologia, que é bem interessante, gastam um dinheirão com a cirurgião mas não nestes acompanhamentos. (E1)

1

Genética Eu não atribuo a comida, que a comida não é o suficiente para engordar, eu

atribuo a minha genética de gorda. (E2) 1

Ansiedade Atribuo a minha ansiedade, não é uma ansiedade de gritar é uma ansiedade de

se conter. (E2)

Se eu entrasse numa academia, fizesse uma dieta, tomasse um remedinho para ser mais light, porque eu sou muito ansiosa. (E3)

Acho que é questão de ansiedade mesmo. Porque eu sou muito ansiosa. (E4) 3

Gravidez Eu achava que era por causa da gravidez do meu filho e que depois eu iria

perder. Na gravidez do meu filho, eu cheguei a 79 kg, então eu pensei, agora eu vou ficar como tenho que ficar, mas nada. (E3).

Outra causa foi a própria gravidez, é uma revolução hormonal, muita mudança no corpo no quadril, e tal. E pelo fato de poder comer qualquer coisa, você se apoia nas desculpas, estou grávida vou comer, depois que eu ganhar o bebe eu volto no que tenho que voltar (E5)

2

Mudança na

medicação

Eu tive que mudar por causa da gravidez o de centrum suplemento

vitamínico para o materna, eu notei que nesta troca eu ganhei peso,

apesar que a nutricionista disse que não tem nada haver, eu senti a diferença. (E5)

1

Quadro 27 - As causas do ganho de peso. Fonte: elaboração da autora, 2011.

Os entrevistados referiram ter mais de uma causa para o ganho de peso, vindo ao encontro do que pontua Donato et al. (2004) de que as causas do ganho de peso são de várias origens, podendo ser biológicas, psicológicas e sociais. Logo, para tratá-la se faz necessário a intervenção multiprofisional.

A alimentação e a ansiedade foram as causas mencionadas pela maioria dos entrevistados para o ganho de peso. É possível considerar que o aumento na quantidade de alimentação consumida ou a ocorrência de maus hábitos alimentares, como o beliscar, que foi um dos comportamentos alimentares relatados pelos entrevistados, podem estar diretamente relacionados à ansiedade. Pois, conforme Silva (1994, p.190), "para a aliviar a ansiedade a pessoa come e comendo busca compensar o desequilíbrio psicológico, embora muitas das vezes não tenha consciência disso e os que reagem dessa forma tem dificuldades de elaborar psiquicamente conflitos emocionais". Silva (2001, p. 265) também corrobora esta idéia quando diz que,

a comida na boca é prazerosa e parece reduzir os níveis de ansiedade nesse momento. Ela atua, imediatamente, como uma distração temporária para essa

sensação de ansiedade, funcionando, assim como reforçador negativo. Ao mesmo tempo que o comer proporciona um alívio imediato (o que fortalece o seu poder), assim que parar de comer, o sentimento volta associado à culpa por ter comido.

A autora ainda alerta para o fato de que este comportamento, de utilizar a comida para alivia a ansiedade, pode criar um ciclo vicioso, de que "Quando está ansiosa, come. Quando come engorda. Engordando fica ansiosa. Repetindo-se o ciclo." (SILVA, 2001, p.265).

Porém, além da ansiedade, há outros sentimentos e emoções que podem contribuir para o ganho de peso. Scavora, Oliveira (2011) afirmam que sentimentos e emoções, tais como, frustração, solidão, raiva, tristeza, medo podem contribuir para o aumento de peso. Isso pode acontecer, segundo Silva (2001, p. 267), "quando estes sentimentos, passam a ter status determinantes no comportamento de comer em excesso o que reforça a relação de estar mal e comer." Este tipo de repertório comportamental, comer em excesso, quando o sujeito não se sente bem, foi observado por Souza et al. (2005) na pesquisa que realizaram com pessoas com obesidade, cujo objetivo foi identificar aspectos comportamentais e sociais envolvidos na dificuldade de perder peso. Por isso, Souza et al. (2005) salientam a importância de que estes sujeitos, que buscam perder peso, sejam acompanhados por equipe mutiprofissional, dentre eles o psicólogo. Pois, segundo Silva (2001) o psicólogo pode intervir sobre o comportamento de autocontrole deste sujeito, identificando e modificando hábitos alimentares, além de identificar as funções que o comer assume para a pessoa, as condições emocionais e relações entre elas, etc.

Os sujeitos da pesquisa referiram ainda, como causas do ganho de peso, a "falta de exercício físico", a "falta de apoio psicológico e nutricional", e "gravidez" e o "uso de medicamentos". É possível considerar que estas causas mencionadas pelos sujeitos poderiam ser controladas a partir de um "posicionamento" do próprio sujeito frente a essas situações como, por exemplo, começar a fazer atividade física, buscar atendimento profissional, etc..

Porém, eles também referiram a genética, como causa de ganho de peso. Esta causa não está sob controle do indivíduo. E, nesse sentido, Silva (2001, p.266) diz que "ao se avaliar uma pessoa que está ganhado peso é necessário considerar a predisposição genética ou determinantes biológicos". Entretanto, o autor alerta para o fato de que, as causas para o ganho de peso não podem ser vistas isoladamente, mas a partir do contexto geral da vida de cada indivíduo.

Recine e Radaelli (2011) trazem a discussão de que, no caso das doenças multifatoriais, como o caso da obesidade, é difícil distinguir os efeitos dos genes dos efeitos

ambientais, como hábitos alimentares e sedentarismo em indivíduos que vivem no mesmo ambiente. Por isso, saber que a obesidade é multideterminada é importante para compreender sobre que aspectos da obesidade é possível intervir e sobre quais isso não é possível. É importante que essa compreensão ocorra, inclusive, do ponto de vista do próprio sujeito com obesidade, a fim de que não atribua somente à genética a causa da obesidade para justificar o manter-se obeso.