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As políticas públicas ambientais e de turismo no Litoral Sul de Pernambuco

As políticas públicas no contexto ambiental e turístico têm sido aplicadas ao longo das últimas décadas de forma desarticulada e desintegrada, surgindo sempre verticalizadas, terminam ocasionando uma materialidade diferenciada do lugar, pois cada lugar possui suas especificidades. Portanto, mesmo as leis sendo ambientais ou turísticas, precisam respeitar a identidade cultural do lugar, por isso que o papel do poder público é de gerenciar o conflito, isto é, aplicar o modelo de gestão ambiental e turística em dado território, mas esta aplicabilidade está atrelada à esfera municipal.

As decisões de implementação das políticas ambientais e de turismo, “[...] apesar de toda importância atribuída às decisões tomadas na esfera federal, sabe-se que é na unidade municipal que ocorrem ou não, as determinações legais e as diretrizes dos instrumentos máximos da gestão pública” (GOMES et al, 2011, p. 5). Carvalho (2001, p.131) ressalta, por exemplo, que “o Estatuto da Cidade mantém a divisão de competência entre os três níveis de governo, concentrando na esfera municipal as atribuições de legislar em matéria urbana”.

Sendo os problemas de ordenamento das cidades evidenciados numa escala maior, ou seja, em nível local, o poder público aparece como principal responsável e sujeito para gerir os conflitos existentes, de fato como mediador do processo de gestão ambiental Quintas (2006).

O Brasil, até a década de 1990, possuía como principal mediação do processo de gestão ambiental, a esfera pública federal. A centralização do planejamento e do processo decisório, na esfera federal, contribuía para a construção de planos, programas e projetos hierarquizados e sem conexão com a localidade que seria aplicada, portanto favorecia para o surgimento de conflitos socioambientais.

O Governo Federal deu inicio a um processo de descentralização da gestão, por meio da Lei no 7.661, de 1998, que instituiu o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – PNGC, cujo objetivo foi contribuir com uma maior eficiência nas ações realizadas para o gerenciamento local. Desse modo, os municípios e estados passaram a instituir e subsidiar seus próprios planos, programas e projetos para o gerenciamento costeiro, consequentemente passaram a dividir/compartilhar as atribuições no tocante ao ordenamento do uso e ocupação do espaço que antes era apenas centralizada na esfera federal.

O Estado de Pernambuco apoiado nas decisões do PNGC aprovou o Decreto no 21.972, de 29 de dezembro de 1999, que origina o Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro do Litoral Sul do Estado, cujo objetivo, constitui a promoção do desenvolvimento sustentável dessa parcela do território, tendo como foco programas de desenvolvimento social, centrados nas atividades que protejam e conservem os ecossistemas naturais essenciais à biodiversidade, especialmente os recursos hídricos, na perspectiva de melhoria da qualidade de vida da população envolvida.

Os planos, programas e projetos criados pelo governo do Estado de Pernambuco para o Litoral Sul orientam para uma gestão ambiental e turística, porém estas ações são hierarquizadas e implantadas desconectadas da materialidade do lugar. Os municípios pouco participam da elaboração dos planos, programas e projetos, logo contribuindo para conflitos no uso do espaço.

O Litoral Sul de Pernambuco é alvo estratégico das políticas públicas e gestão ambiental e turística, pois nessa área estão localizados o Complexo Industrial e Portuário de SUAPE e as praias de Porto de Galinhas e dos Carneiros, respectivamente pertencentes aos municípios de Ipojuca e Tamandaré. O Estado de Pernambuco têm realizado planos, programas e projetos (Quadro 01) na perspectiva de contribuir com o crescimento do Litoral Sul e mitigar possíveis conflitos socioambientais oriundos da utilização do espaço.

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Quadro 01 - Síntese dos planos, programas e projetos para o Litoral Sul - PE. Planos/Programas/Projetos Objetivos

AGENDA 21 do Estado de Pernambuco

Estabelecer uma estratégia de ação do Estado, baseada em compromissos de mudanças, democratização e de descentralização.

Descentralização do Controle e Gestão Ambiental – Municipalização do Controle Ambiental dos Empreendimentos de Impacto Local

Desenvolver critérios e condições para repasse de algumas das atividades de controle ambiental para os municípios.

Caminhos para o Desenvolvimento

Implantar infraestrutura viária.

Gestão Integrada dos Ambientes Costeiros e Marinhos de Pernambuco

Implementar a gestão ambiental integrada no litoral sul de Pernambuco, através do ordenamento territorial, bem como a dinamização do desenvolvimento sustentável, a eficiência econômica e a melhoria da qualidade de vida da região.

Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo

Promover o desenvolvimento do turismo integrado à conservação ambiental e à valorização cultural, dinamizando a economia e ampliando a oferta de trabalho para a população local.

Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da Zona da Mata de Pernambuco – PROMATA

Promover a mudança e o desenvolvimento da região da Mata pernambucana, historicamente vinculada à economia da cana-de-açúcar, cujos indicadores de pobreza estão entre os mais baixos do Estado, através da construção de estratégias participativas que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da população dos seus 43 municípios.

PRODETUR I Promover, de forma sistêmica, o desenvolvimento do Setor Turismo da Região Nordeste, a partir da disponibilização de infraestrutura de apoio ao Turismo, priorizando ações que mantenham e expandam o turismo.

PRODETUR II Melhorar a qualidade de vida da população permanente nos municípios integrantes dos Pólos de Desenvolvimento Integrado de Turismo prioritários, gerar emprego e renda e a qualidade do meio ambiente

Programa de Gerenciamento Costeiro de Pernambuco – GERCO

Avaliar e orientar o processo de ocupação e uso do solo, através do planejamento participativo e da implementação de ações integradas de gestão da zona costeira de Pernambuco.

Projeto Áreas Estuarinas de Pernambuco - Proposta de Diagnóstico e ZEE -

A promoção do desenvolvimento sustentável dessa parcela do território pernambucano , com o intuito de potencializar as oportunidades e minimizar os impactos negativos, bem como a superposição de ações.

Fonte: CPRH, 2003b – Adaptado.

O Estado de Pernambuco direcionou planos, programas e projetos relacionados à gestão ambiental e turística, todavia há uma desarticulação entre as secretarias que executam estes, bem como não há uma inter-relação direta com os municípios, logo fomenta uma gestão ineficiente, desestruturada e desconectada do lugar na qual se materializa as ações propostas pelo ESTADO. Foi por meio do ZEEC Litoral Sul que o Estado de Pernambuco procurou promover o desenvolvimento sustentável, contudo não estimulou o envolvimento e o empoderamento da população local, representadas nesta instância pelos municípios, por conseguinte contribuiu apenas para geração de conflitos socioambientais.

A transversalidade e interfaces das várias ações elencadas no ZEEC Litoral Sul devem ser analisadas, discutidas e aprofundadas pelos agentes do espaço turístico, com vistas a potencializar as oportunidades e mitigar os impactos negativos, assim como a superposição de ações (CPRH, 2003b).

As políticas públicas ambientais e de turismo para o Litoral Sul do Estado de Pernambuco têm contribuído para o surgimento de conflitos socioambientais, pois é desarticulada e não colabora com o processo de gestão eficiente, apesar da descentralização acontecida por meio do PNGC e da constituição do ZEEC Litoral Sul.

4. DINÂMICA DO TURISMO NO MUNICÍPIO DE

TAMANDARÉ-PE

4 DINÂMICA DO TURISMO NO MUNICÍPIO DE TAMANDARÉ-PE

O presente capítulo visa discutir a dinâmica turística no município de Tamandaré, buscando compreender as principais contribuições econômicas, sociais e ecológicas que o turismo tem propiciado. Para embasar a discussão foi realizada uma pesquisa bibliográfica, documental e visita de campo, no intuito de localizar no tempo e espaço, entender a história local relacionada ao Estado de Pernambuco, descrição dos aspectos sociais, econômicos e físicos, como também foi destaque o uso e ocupação do solo e sua relação com o turismo, e por fim foi realizado um perfil institucional e turístico do município de Tamandaré.