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AS REDES NO CONTEXTO DA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

Trazendo esta discussão para o tema central da pesquisa, a sustentabilidade nas universidades, partindo do viés da educação ambiental, as redes também existem e cumprem um papel importante de comunicação entre os diferentes atores envolvidos na trama. Elas atuam nos três níveis de articulação descritos acima e se tornaram importantes ferramentas aos educadores e às instituições, para o aperfeiçoamento das suas práticas educacionais.

A partir da Rio-92, elas ganharam um espaço importante nas organizações, com a finalidade de apoiar e proporcionar meios de cooperação na formação de educadores ambientais em espaços coletivos dinâmicos e auto-organizados (BRASIL, 2008, p.373) que promovem a interação, discussão e a partilha de experiências e saberes sobre temas ambientais.

No Brasil, a Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA) surgiu nos anos 90, nos Fóruns de Educação Ambiental que antecediam a Rio-92 e foi formada principalmente por professores universitários, movimentos ecológicos e ONGs ambientais reunidos pela militância nestes eventos, “com uma história que passa pela tensão entre o individual e o coletivo e a inserção de educadores ambientais oriundos de diferentes territórios” (LABREA, 2009, p. 52). Após se consolidar em 1993, adotou como princípios norteadores o Tratado de Educação Ambiental para

Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, documento que se constitui como marco referencial da Educação Ambiental no Brasil ratificado na Rio-92. Em 1995, durante a realização do III Fórum de EA que reuniu educadores ambientais de todas as regiões, a REBEA ganhou força e assumiu a coordenação deste evento ampliando-o a nível nacional, uma vez que até o momento era realizado apenas em São Paulo. A partir deste momento, os Fóruns Nacionais foram precedidos por Fóruns Regionais, que expandiram a REBEA pelas distintas regiões do país, fortalecendo as metodologias e práticas voltadas para a EA no país e propiciando a criação de novas redes (AMARAL, 2003).

Entre 1997 e 2004 tanto a REBEA quanto a educação ambiental brasileira ganharam força e posição, tendo a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei n° 9795 de 1999) e o seu Órgão Gestor instituídos (Decreto 4281 de 2002), fortalecendo políticas públicas em educação ambiental em nosso país (MATOS, 2009, p.67). A partir de significativos eventos de EA no país, outras redes foram de constituindo, como a Rede de Educação Ambiental de São Carlos- SP, Rede Mineira de Educação Ambiental - RMEA, Rede Mato-grossense de Educação Ambiental, Rede de Educação Ambiental da Paraíba – REA/Pb, Rede de Educação Ambiental da Bacia do Vale do Itajaí – REABRI e Rede Paulista de Educação Ambiental – REPEA, dando ainda mais força para a educação ambiental no Brasil e em seus Estados (LABREA, 2009, p. 52).

Em 2000, quando possuía cerca de 50 integrantes espalhados pelo Brasil, surgiu a proposta, na Reunião Culturas de Redes e EA no Rio de Janeiro, da REBEA se tornar uma rede de redes de educação ambiental, assumindo a função de tecer uma malha nacional, conectando redes estaduais e locais (AMARAL, 2007). Esta reorganização da rede foi também beneficiada pela formação do grupo de mensagens eletrônicas em 2001, que permitiu maior articulação entre os membros.

Em 2004, após extenso intervalo sem realização dos Fóruns (o último havia sido em 1997) devido a falta de financiamento e pela dificuldade em reunir os educadores, foi realizado o V Fórum Brasileiro de Educação Ambiental em Goiânia, com auxílio do Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, universidades, ONGs e associações particulares e com recursos obtidos de diferentes fontes, entre eles a Petrobrás, o Ministério da Educação (MEC) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), Caixa Econômica Federal de Goiás (CEF –

GO), Banco da Amazônia (BASA) e a Companhia Vale do Rio Doce (MATOS, 2009, p.68). Com financiamento adquirido, a organização do evento bem estruturada e empenhada e com as mudanças que a educação ambiental estava vivendo no Brasil naqueles anos, o evento atraiu cerca de quatro mil pessoas sob três eixos de discussão: a Política Nacional de Educação Ambiental, a Formação de Educadores Ambientais e as Redes Sociais de Educação Ambiental e teve como objetivos:

Contribuir para uma avaliação e fortalecimento da Política Nacional de Educação Ambiental: Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA), Sistema Brasileiro de Informação em Educação Ambiental (Sibea), e outros.

Proporcionar aos educadores ambientais do Brasil, espaços de convivência para diálogos e trocas e oferecer espaço para apresentação de pesquisas, vivências e experiências em EA, além de convidar novos sujeitos sociais à participação na EA.

Reforçar o papel das redes de EA na construção de sociedades sustentáveis, com responsabilidade da inclusão social e da proteção ambiental.

Revelar e documentar o estado da arte da EA no Brasil. Difundir a cultura de redes (REBEA, 2004, p.2)

Este evento representou um marco na história da REBEA e a articulação conquistada a partir dele transformou os fóruns em espaços importantes para o diálogo da educação ambiental nos distintos cenários brasileiros. Os fóruns seguem acontecendo com periodicidade de dois anos e são os eventos mais importantes no que tange a educação ambiental no Brasil.

Para Sanchez (2009, p.9), a REBEA teve uma participação importante na formação dos quadros ministeriais do Governo Federal, de suas linhas de atuação, programas e ações. A ponte construída entre a rede e o governo serviu como “eixo propagador, disseminador das políticas e ações de governo, criando tensões e aproximações características que marcam o cenário da EA brasileira”.

A nova organização em redes da RUPEA conta atualmente com cerca de 500 membros e por mais de 60 redes93, subdivididas em:

7.1.1 Redes Territoriais

Redes estaduais, regionais e locais.

93

Disponível em: www.encontrorebea.blogspot.com.br/p/as-redes-da-malha-da-rebea.html

Sudeste

 Rede de Educação Ambiental do Rio de Janeiro – REARJ

 Rede Capixaba de Educação Ambiental – RECEA

 Rede de Educação Ambiental de São Carlos – REA-SC

 Rede Mineira de Educação Ambiental – RMEA

 Rede Paulista de Educação Ambiental – REPEA

 Rede de Educação Ambiental da Bacia do Rio São João – REAJO

 Rede de Educação Ambiental da Região dos Lagos – REA-LAGOS

 Rede de Educadores Ambientais da Baixada Fluminense (RJ)

 Rede de Educadores Ambientais da Baixada de Jacarepaguá (RJ)

 Rede Estrada Parque – Barbacena (MG)

 Rede de Educadores Ambientais de Niterói e Leste da Baia de Guanabara (RJ)

 Rede de Educadores Ambientais do Médio Paraíba do Sul (RJ)

 Rede de Educação Ambiental do Litoral Norte (SP)

 Rede de Educação Ambiental de Ribeirão Preto – Rede Proseando (SP)

 Rede de Educação Ambiental da Baixada Santista (SP)

 Rede de Educação Ambiental da Serra dos Órgãos (RJ)

Nordeste

 Rede Nordestina de Educação Ambiental

 Rede Cearense de Educação Ambiental

 Rede Baiana de Educação Ambiental – REABA

 Rede de Educação Ambiental da Paraíba – REAPB

 Rede de Educação Ambiental de Pernambuco – REAPE

 Rede de Educação Ambiental de Sergipe – REASE

 Rede Alagoana de Educação Ambiental – REAL

 Rede de Educação Ambiental do Rio Grande do Norte – REARN

 Rede de Educação Ambiental do Maranhão – REAMA

Centro-Oeste

 Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental – REMTEA

 Rede Pantanal de Educação Ambiental – AGUAPÉ

 Rede de Educação Ambiental do Cerrado – REA Cerrado

 Rede de Educação Ambiental de Mato Grosso do Sul – REAMS

 Rede de Educação do Distrito Federal

Norte

 Rede Paraense de Educação Ambiental – REDEPAEA

 Rede Acreana de Educação Ambiental – RAEA

 Rede Carajás de Educação Ambiental

 Rede de Educadores Ambientais da BR 222 (PARÁ E MARANHÃO)

 Rede de Educação Ambiental de Rondônia

 Rede Voluntária de Educação Ambiental (Belém- PA)

Sul

 Rede Educação Ambiental da Bacia do Itajaí – REABRI

 Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental – REASUL

 Rede de Educação Ambiental Linha Ecológica / Bacia Hidrográfica do Rio Paraná III – Linha Ecológica

 Rede Paranaense de Educação Ambiental – REA-PR

 Rede Regional de Educação Ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos

 Rede de Educação Ambiental Gaúcha Integradora – REAGI

7.1.2 Redes Temáticas

Grupos de diferentes Estados trabalhando a educação ambiental em um contexto específico.

 Rede Universitária de Programas de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis – RUPEA

 Rede de Educação Ambiental Escolar IIDEA (RJ)

 Rede ECOSURFI

 Rede de Centros de Educação Ambiental – REDE CEAS

 Rede do Grupo de Educação Ambiental da Internet - REDE GEAI

 Rede de Educação Ambiental do Ensino Superior do Espírito Santo – Teia Universitária

 Rede Universitária de Educação e Meio Ambiente de Brasília – RUEMA

 Rede de Educação Ambiental Costeira e Marinha- REACOMAR

 Rede Materiais de Educação Ambiental

 Rede de Educação Ambiental da Primeira Infância - REAPI

 Rede de Educação Ambiental Inclusiva

7.1.3 Redes de Juventude

Formadas por grupos de jovens de vários locais do Brasil em torno das temáticas ambientais, baseados na participação para colaborar com a construção das políticas públicas de meio ambiente e de juventude (CINTRA, 2011). São elas:

 Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – REJUMA

 Rede Cearense de Juventude e Meio Ambiente - RECEJUMA

 Rede Olhares da Juventude

7.1.4 Redes Internacionais de Educação Ambiental

Dialogando e compartilhando sobre as experiências ambientais além dos limites nacionais

 Rede Amazônica de Educação Ambiental – REDE AMAZÔNICA

 Rede Latino-Americana de Educação Ambiental – EALatina

 Rede Ibero-Americana de Educação Ambiental e Turismo - REA-Tur

 Rede Lusófona de Educação Ambiental – REDELUSO

Atualmente a REBEA não possui uma coordenação específica, contudo, cada rede que compõem sua malha é representada por seus “elos”, que são dois facilitadores nacionais de cada rede. E é através destes seus “elos” ou facilitadores que a REBEA tem promovido a articulação com o Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental na concretização dos programas e projetos e na elaboração

das Políticas Estaduais de EA (GUERRA et al., 2007, p.3), ocupando um espaço no Comitê Assessor da Política Nacional de EA.