ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
AS REFORMAS POMBALINAS
A exploração de ouro e diamantes no Brasil permitiu ao governo português resolver por bom tempo o problema do déficit de sua balança comercial: a anomia portuguesa era dependente das importa- ções, sobretudo de trigo e têxteis.
O Tratado de Methuen, firmado em 1703 entre os governos português e inglês, favoreceu em grande medida essa transferência, pois isentava de tributos os tecidos de lã britânicos vendidos em Portugal e, em contrapartida, os vinhos portugueses exportados para a Grã-Bretanha. Porém, Portugal precisava muito mais de tecidos do que a Inglaterra de vinhos. E, não satisfeitos, os mercadores ingleses também contrabandeavam barras de ouro em seus navios de guerra, oficialmente isentos de vistoria. Assim, grande parte do ouro foi transferida para outros reinos, principalmente a Grã-Bretanha.
Além disso, o longo reinado de D. João V foi um período de extravagâncias, em que foram erigidas construções imponentes — como as do Palácio, do Real Convento de Mafra, e do Aqueduto das Águas Livres. Além disso, foram criadas magníficas bibliotecas, como a de Coimbra, a de Mafra e a do Colégio Oratoriano de Lisboa. Nas duas audiências públicas semanais, o rei dava moedas de ouro aos pobres. Em outras palavras, a maior parte do ouro arrecadado pela Coroa foi utilizada em obras suntuosas de elevado custo. Muitos estrangeiros, na época, criticavam essa escolha, pois achavam que o rendimento do ouro deveria ser investido na economia.
A Coroa portuguesa continuou dependente dos rendimentos de suas colônias de além-mar e das importações, para suprir as necessidades do mercado interno. D. João V morreu, em 1750, deixando o governo atolado em dívidas. O reino que D. José I assumiu naquele ano estava economicamente comprometido. Várias autoridades das Minas Gerais já informavam que a produção do ouro estava em declínio.
Período Pombalino
Quando em 1750, o rei de Portugal, D. José I, escolheu Sebastião José de Carvalho e Melo — conde de Oeiras e futuro Marquês de Pombal — para ocupar o cargo de primeiro-ministro, começava ali uma nova fase da história do Brasil. Pombal ficou conhecido pelo conjunto de reformas realizadas tanto na metrópole como nas colônias portuguesas. Sua posse como secretário de Estado do Reino de Portugal ocorreu em meio à crise do Antigo Regime e à emergência do Iluminismo.
Na Europa, vários países — entre eles, Portugal — passaram a combinar elementos do período ab- solutista, como o fortalecimento do poder real, por exemplo, com reformas que buscavam diminuir as diferenças socioeconômicas em relação a outros Estados, como França e Inglaterra, principalmente. Foi o chamado “despotismo esclarecido” ou “absolutismo iluminado”.
Apesar da sua importância, o marquês de Pombal nem sempre foi bem visto pela Coroa portuguesa. Nascido em Lisboa, no dia 13 de maio de 1699, Pombal foi nomeado para seu primeiro cargo público aos 39 anos: seria embaixador de Portugal em Londres. Pouco depois da morte da sua primeira mulher, em 1737, Pombal casou-se novamente. Dessa vez, com a condessa Maria Leonor Ernestina Daun, filha do marechal austríaco Leopold von Daun — comandante militar da Áustria na Guerra dos Sete Anos. O casamento fora arranjado pela rainha de Portugal, a também austríaca D. Maria Ana Josefa de Áustria, amiga íntima da condessa. Assim, com a morte do rei D. João V, a rainha-mãe interveio a favor
de Pombal junto a seu filho, D. José I, sucessor do trono. Com a coroação de D. José, em 1750, o Marquês de Pombal foi nomeado secretário de Estado do Reino de Portugal.
Ao tomar posse no cargo de primeiro-ministro, Pombal assumiu não apenas a administração do Es- tado português, mas também das suas colônias, incluindo o Brasil. Daí porque a era pombalina, como ficaram conhecidos os quase 30 anos em que esteve à frente da Secretaria de Estado do Reino, reper- cutiu de maneira decisiva sobre o destino brasileiro. Àquela altura, já havia ficado evidente para a Coroa portuguesa a importância da sua colônia na América. Afinal, em meados do século 18 o Brasil já tinha mais peso econômico e demográfico que a própria metrópole. Por isso, as reformas de Pombal, que na Europa tiveram o objetivo de equiparar Portugal às demais potências do Velho Continente, no Brasil visaram a racionalizar o processo de produção e envio de riquezas para a metrópole.
As medidas de Pombal na administração da colônia
Desde o século XVII, os produtores eram obrigados a destinar uma parte do ouro à Coroa portugue- sa. Em sua administração, Pombal reestruturou a cobrança de impostos sobre a produção aurífera, especialmente o “quinto” e a “derrama”. O quinto era uma taxa “per capita” de 20% sobre o ouro produzi- do na colônia, a ser mandada para Portugal. Durante o período pombalino, o quinto foi fixado em cerca de 1.500 quilos. Evidentemente, com o declínio da produção, tornara-se cada vez mais difícil atender à cobrança do Real Erário português, criado por Pombal para centralizar a fiscalização. Quando o quinto não era pago ou era pago parcialmente, a diferença ficava acumulada. A cobrança dos valores atrasa- dos — chamada de derrama — logo passou a ser realizada pela metrópole. Para receber os valores a que tinha direito, Portugal chegou a confiscar as rendas e propriedades dos devedores. A intensificação das cobranças foi um dos principais motivos da Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789 — mesmo ano em que, na Europa, tinha início a Revolução Francesa.
Por fim, outra importante reforma realizada pelo marquês de Pombal foi a expulsão dos jesuítas do Brasil, como extensão da medida tomada também em Portugal. O objetivo foi não apenas confiscar as propriedades da Igreja como também, no caso da colônia, aprofundar o controle político-econômico nas regiões administradas pelos jesuítas. À expulsão, seguiu-se uma profunda reforma educacional, até então sob responsabilidade da Igreja. De um lado, a medida tomada por Pombal fundamentou-se na secularização do Estado português, numa clara influência iluminista. De outro, era parte de um con- junto de outras decisões, como a abolição da escravidão indígena, em 1757, e o fim da perseguição aos chamados “cristãos-novos”, em 1773. Diante dessas reformas, os jesuítas pareciam representar o que havia de mais atrasado, aquilo que precisava ser modernizado, reformado - ainda que de maneira limi- tada. Em síntese, todos esses fatores explicam o motivo da sua expulsão.
Responda segundo o texto:
1 — Como Pombal se torna um importante administrador em Portugal?
2 — Cite as principais medidas de Pombal na administração da colônia.
EIXO TEMÁTICO:
Mundo Moderno, Colonização e Relações Étnico-Culturais (1500-1808).
TEMA:
Das crises no sistema colonial ao Período Joanino.
HABILIDADE:
Compreender e analisar a crise do sistema colonial em seus processos internos e em suas conexões como ideário liberal.
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
A construção dos processos de independência do Brasil.
INTERDISCIPLINARIDADE:
Geografia, Sociologia, Filosofia.
TEMA: A Inconfidência Mineira DURAÇÃO: 1h40 (2 horas/aula)
Caro (a) estudante! Nessa semana você vai conhecer um pouco mais sobre a Inconfidência Mineira.
Então, para você entender as lutas que provocaram o processo de Independência do Brasil é necessário co- nhecer a Conjuração Baiana e a Inconfidência Mineira
FIQUE POR DENTRO DOS CONCEITOS...
Inconfidência: alta, abuso de confiança, revelação de segredo; indiscrição; quebra de sigilo; vazamento
de informação sigilosa
A Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira, foi como ficou conhecida a revolta de caráter separa-
tista que estava sendo organizada na capitania das Minas Gerais no final do século XVIII. Essa revolta foi organizada pela elite socioeconômica de Minas Gerais e acabou sendo descoberta pela Coroa portu- guesa antes de ser iniciada. Tiradentes foi um dos envolvidos nessa revolta.
Inconfidência Mineira
Fonte: https://www.ebc.com.br/cultura/2013/04/alem-da-inconfidencia-mineira-conheca-outras-revoltas-do-periodo-colonial. Acesso: 10 jul de 2020.
Inconfidência Mineira
Fonte: https://www.clickestudante.com/inconfidencia-mineira.html. Acesso em: 10 jul de 2020.