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Capítulo 3 – O ensino mediado por tecnologia

3.1. As TIC e o ensino

Vivemos numa sociedade cada vez mais tecnológica.

A educação não passa ao lado deste fenómeno, tendendo a ser cada vez mais tecnológica pelo que se torna necessário investir no conhecimento e utilização das tecnologias (Bastos, 2012).

Mendes (2011) refere que a fomentação do uso do computador é um desafio para os professores na busca de novos processos de ensino, devendo o computador ser utilizado na sala de aula e as escolas serem equipadas com laboratórios de informática. Os alunos

quando confrontados com um ensino mediado por computador, apresentam melhores resultados, pois devido ao pensamento cognitivo da criança, sentem uma motivação acrescida relativamente ao ensino tradicional (Mendes, 2011).

Moran (2013) considera que, atualmente, já não é suficiente a existência de laboratórios com computadores para uso esporádico durante algumas atividades letivas. Os alunos e professores visam cada vez mais a possibilidade de uma aprendizagem em qualquer espaço, seja presencial ou digital, pelo que a disponibilização de computadores em sala de aula se torna indispensável. Este investigador na área de ensino, refere ainda a necessidade de existência em todas as salas de aula, de um projetor multimédia, no sentido de propiciar condições dignas a professores e alunos, referindo no entanto o facto de esta realidade ainda não se verificar em muitas salas de aula, e apresenta como sala ideal, aquela que além do conforto e de uma boa acústica, disponha de tecnologias desde as mais simples às mais sofisticadas, referindo como exemplo, o acesso a vídeo, DVD e pontos de acesso à internet para consulta em tempo real a sites educacionais (Moran, 2013).

Em Portugal, tem-se assistido a alguns esforços no sentido de dotar as escolas com tecnologias, estando no entanto longe de uma realidade como referida por Morgan.

Neste sentido, em 1985, surge o primeiro programa governamental - o Programa MINERVA, ao qual outros se seguiram promovendo o apetrechamento tecnológico das escolas, distribuição de computadores pelos alunos e a formação de professores.

A dinamização de centros de competências para divulgação e utilização das TIC, ligação das escolas à internet com banda larga, distribuição e fomentação do uso de plataformas de e-learning, a integração das TIC nos contextos de aprendizagem, além da distribuição de videoprojectores e quadros interativos, foram outras das ações mediadas por estes programas de incentivo às tecnologias no ensino.

No entanto, em 2009 um relatório do GEPE, começa a dar indicações desfavoráveis à evolução que se vinha verificando, referindo que “os rácios de utilização das TIC na escola portuguesa, com objetivos pedagógicos, não são ainda os desejados, nem pelos alunos, nem pelos professores (GEPE, 2009). Este estudo, faz uma análise na perspetiva do professor relativamente ao uso das TIC no ensino, que refere que 65% dos professores são de opinião que as TIC tornam mais fáceis as suas práticas de lecionação, 68% consideram que as TIC lhes exigem novas competências na sala de aula, sendo que 62% afirmam que as TIC tornam as aulas mais motivadoras para os alunos, 52% reconhecem

que as TIC encorajam os alunos a trabalhar colaborativamente e 72% consideram que estas ajudam os alunos a adquirirem conhecimentos novos e efetivos (GEPE, 2009). De referir o programa de intervenção Portugal 2020, que tem como meta, entre outras a educação e formação numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida, abrangendo todos os níveis e contextos de aprendizagem (Ministério da Educação e Ciência, 2015). Fruto dos variados programas de incentivo esperava-se que a escola, os professores e os alunos fizessem um uso mais regular e efetivo das tecnologias e dos recursos educativos digitais, mas tal não parece estar a acontecer, pois segundo Ramos, Teodoro & Ferreira (2013), o uso das tecnologias encontra-se ainda muito limitado criando uma barreira à inovação educativa. Os mesmos autores, referem ainda que uma das maiores dificuldades enumeradas no quadro da investigação educacional é, sem dúvida, a escassez de

software e de recursos digitais além de que os atuais tempos de crise económica, obrigam

a cortes orçamentais e reestruturações do funcionalismo público, assistindo-se a um aumento do número de alunos por turma, extinção de disciplinas e projetos, e redução de um corpo docente de qualidade (Ramos, Teodoro, & Ferreira, 2013).

Com uma realidade onde o que predomina é a redução efetiva de custos para as escolas, verifica-se a proliferação de projetos, criando versões digitais dos manuais escolares, acompanhados muita vezes por CD-ROM com disponibilização de materiais digitais e interativos e que na sua maioria não necessitam do recurso à internet. Na realidade, ainda que seja uma mais-valia, o recurso à rede acarreta custos que as escolas não podem muitas vezes suportar. Com estas plataformas e atendendo a que cada vez mais, os alunos têm à sua disposição meios como o computador, tablets, smartphones ou equiparados, através dos quais podem utilizar novos recursos para a aprendizagem, parece possível a fomentação e aposta num ensino com uma base tecnológica com ou sem acesso à rede.

Desta forma parece possível, no mínimo, que o ensino siga o método misto, ou seja, o ensino tradicional na sala de aula mas sempre que possível apoiado por recursos digitais em aulas laboratoriais ou em ambiente familiar. Esta não é de todo a solução ideal, pois à partida ficam excluídos os alunos, ainda que poucos, que não tem acesso a estes meios. Assiste-se assim a uma limitada integração das tecnologias em contextos educativos, pois as propostas pedagógicas não transformam verdadeiramente os processos de ensino/aprendizagem. Este facto pode ser limitador enquanto o processo educativo não sofrer as mudanças necessárias, nomeadamente no que refere ao conhecimento técnico e

pedagógico dos professores em tecnologias, a confiança dos professores no uso das mesmas e a existência de recursos potencialmente inovadores, que permitam de facto a concretização desta nova abordagem” (Ramos, Teodoro, & Ferreira, 2013).

Tavares & Barbeiro (2011) fazem notar que o discurso entre a escola e as tecnologias é contraditório, pois, se por um lado, se responsabilizam as tecnologias pela perda de hábitos de leitura e de trabalho das crianças, por outro lado, considera-se que basta equipar todas as escolas com computadores e acesso à internet para que as crianças aprendam.

Cabe à escola mediar o processo de transformar a informação em conhecimento. É certo que as tecnologias de informação e comunicação têm permitido novas e variadas formas de aprender e de ensinar e, como tal, devem criar-se novos modelos pedagógicos que fomentem a aprendizagem de uma forma atraente de acordo com as necessidades de quem os utiliza, tendo presente a inovação e as potencialidades tecnológicas de cada época. Salgueiro (2013) refere que, no modelo tradicional de ensino/aprendizagem, a aprendizagem baseava-se na memorização, onde o aluno era um sujeito passivo na receção de informações e o ensino reduzia-se à transmissão de conhecimentos

O professor na sua missão de ensinar para a sociedade do futuro, poderá inventar muitas formas de utilização das ferramentas digitais para uma nova forma de ensinar com novas metodologias (Jesus, 2007).

O sistema de ensino na escola é inevitavelmente alterado levando à integração de novas metodologias que abarquem a nova realidade e tornem eficaz a gestão da aprendizagem, segundo este novo paradigma com vertente tecnológica. O professor terá sempre que garantir a melhoria do desempenho do aluno, o que pode levar a que determinados conteúdos suportados numa determinada ferramenta tenham que ser revistos e alterados quando disponibilizados através de outras plataformas tecnológicas, garantindo que os alunos adiram a estes novos meios e obtenham melhores resultados, indo assim de encontro às espectativas criadas.

A realidade é distinta da que se vivia há uns anos atrás, em que o aluno apreendia o que o professor "ensinava" e com obrigatoriedade de utilização de um determinado contexto de estudo.

Hoje, aprender deixa de ser um ato passivo e passa a ser um ato de criação. É um grande desafio, quer para o professor, quer para o aluno – estamos perante um novo paradigma

de aprendizagem - "o aprender a aprender". Aprender é reinventar, é recriar e reescrever e, enfim, tornar-se autor do conhecimento (Jesus, 2007).

Assim, se for facultada ao aluno a possibilidade de opção entre várias ferramentas para aprendizagem de um determinado conteúdo, desde que as opções sejam do seu domínio, estes poderão optar pela que mais se adequa ao trabalho a realizar e também ao seu perfil, permitindo-lhe a construção do conhecimento. Por exemplo, podemos falar de trabalhos colaborativos em que é dada a possibilidade ao grupo de alunos envolvidos da escolha da ferramenta que achar mais confortável para o seu desenvolvimento, dentro de um leque de possibilidades apresentadas pelo seu professor.

Salienta-se a importância, em primeira linha, da disponibilização das ferramentas adequadas aos conteúdos e contextos, à comunidade de aprendizagem; a apetência e aquisição de competências dos professores para uma nova realidade nos métodos de ensino, com a introdução das diferentes ferramentas digitais e o espirito aberto dos alunos a novas formas de aprendizagem.

Esta realidade permite que o aluno participe ativamente na construção do seu conhecimento, pois tem à sua disposição conteúdos, objetivos e ferramentas para desenvolvimento da sua própria aprendizagem. Ele terá que adquirir capacidades de perceção e análise critica, de opção, de produção, de armazenamento e organização da informação, além de partilha e participação em trabalhos colaborativos que possa ser chamado a fazer. Poderá ainda ter a possibilidade de fazer a sua autoavaliação e criticar o seu trabalho podendo melhorar os seus métodos caso necessário. O aluno está ávido das novas tecnologias e portanto, de "portas abertas" ao uso das ferramentas digitais que lhe são apresentadas nos novos modelos de ensino. O aluno passa a investigar e produzir o seu conhecimento, só ou em grupo, e partilhar as suas experiências e saberes – ele é o autor do seu conhecimento.

O processo de ensino/aprendizagem a que atualmente um aluno deve estar sujeito, pauta- se por um modelo construtivista, onde aprende, fazendo. Como a maior parte da informação se encontra on line, é necessário saber distinguir o que e útil e para tal, saber o que procurar, saber pesquisar, saber processar e saber como utilizar a informação na concretização das mais variadas tarefas. O aluno é ele próprio o construtor das suas próprias estruturas mentais. Há que elaborar conteúdos programáticos que façam com que estas tecnologias se tornem verdadeiros instrumentos de ensino, o que pressupõe, da parte dos professores, vontade de questionar as suas práticas pedagógicas.