2. A CONJUNTURA URBANA DA ÁREA CENTRAL DE NITERÓI E A
3.1 As verticalidades das ações do poder público municipal
As ações do poder público e sua relação com a sociedade civil e os empresários do setor de construção e imobiliário têm sido cercadas por diferentes intencionalidades, ou seja, seu papel na gestão do espaço urbano é estabelecer privilégios a grupos sociais e econômicos específicos. Neste sentido, recorre-se às condições apresentadas por Harvey (2008) e Santos (2009) para elucidar o papel do Estado enquanto agente importante na atuação e regulação dos usos do espaço.
O sistema capitalista de produção está, desde a década de 1970, inserido no chamado neoliberalismo78 e também é marcado pela expansão da globalização associada aos meios tecnocientíficos informacionais79. Nesta conjuntura, o capital tende a se reproduzir de diversas formas, atuando geograficamente em todo o planeta com a difusão dos setores produtivos em escala global, na qual poucos grupos econômicos exercem o controle e se expandem, seja nos mercados centrais ou nos mercados periféricos.
A partir desse período as cidades ao redor do mundo passam a implantar o chamado planejamento estratégico, por meio do qual o espaço urbano sofre profundas transformações.
Conforme Carlos nos alerta (2011), o espaço se torna lócus de produção e produto do capital.
Para tanto, os promotores imobiliários buscam lugares onde as condições políticas e econômicas sejam favoráveis. O Estado assume sua posição frente às pressões do neoliberalismo e, por meio das parcerias público-privadas, ascendem suas formas de regular e
“privatizar” espaços específicos da cidade.
Para Harvey (2008), o chamado Estado para o neoliberalismo deve atuar para
“favorecer formas de direitos individuais à propriedade privada, o regime direto as instituições de mercado de livre funcionamento e de livre comércio” (p.75). O mesmo atua para garantir as liberdades e os monopólios das empresas privadas. Assim, o Estado deve se organizar internamente como forma de atrair e aumentar a capacidade competitiva, nem que para isso deva lançar mão das forças legais e coercitivas.
A política econômica neoliberal provocou a necessidade de adaptação do poder público e este passa a atuar para criar condições para que o espaço geográfico assuma seu papel de “mercadoria” e zela pela ausência de conflitos para que as contradições não se evidenciem. Para isso,
78 Teoria e prática econômica na qual há a efetiva participação do setor privado no controle e gestão da economia. Recomenda-se Harvey (2008).
79 Recomenda-se Santos (2001).
o Estado Neoliberal típico tende a ficar do lado do clima de negócios favorável em detrimento seja de direitos (e qualidade de vida) coletivos do trabalho, seja da capacidade de auto-regeneração do ambiente (HARVEY, 2008, p.81).
Essa atuação do Estado neoliberal se faz presente via “parcerias”. Assim, o Estado, até então responsável por mediar e atender interesses coletivos típicos de sua administração assume o papel de empreendedor. Ou seja: promove a governança da cidade se articulando diretamente com a iniciativa privada (o ente individual). Este posicionamento traz implicações às organizações coletivas de classe, que podem ser coagidas e perdem a força de atuação a partir do momento em que o agente mediador agora tem um compromisso com um lado da força.
Na perspectiva do setor privado, o poder público continua a ter seu papel importante de mediador dos usos do espaço, garantindo a “ordem”, direcionando as políticas públicas e legislando para a sua livre atuação. No caso do Brasil, as possibilidades encontradas nas legislações urbanísticas foram inteligentemente apropriadas pelos promotores imobiliários, que se articula para reproduzir suas ações no espaço urbano.
Alinhado a entidades da sociedade civil, a iniciativa privada vem atuando junto ao poder público com a possibilidade de manipulá-lo por meio de projetos em parceria público- privada. Os projetos visam a valorização econômica de determinadas áreas através de ações que garantiriam o ordenamento e a “limpeza” do espaço urbano. Este Estado agora,
produz tipicamente legislação e estruturas regulatórias que privilegiam as corporações e em alguns casos interesses específicos (...) Em muitos casos das parcerias público-privadas, em especial no nível dos municípios, o governo assume boa parte dos riscos enquanto o setor privado fica com a maior parte dos lucros (HARVEY, 2008, p.87).
Em Niterói o poder público municipal tende a atender as demandas apresentadas pelas três empresas que propuseram o projeto de requalificação da área central. Tais fatos se evidenciariam em muitos pontos do projeto da OUC-Centro na qual o poder público direciona para quem e quais são os instrumentos / ações a serem implementadas. Como nos lembra Santos (2009), as verticalidades espaciais são evidentes nas ações do poder público, pois produzem “pontos no espaço que, separados uns dos outros, asseguram o funcionamento global da sociedade e da economia” (p.284).
As verticalidades conduzidas pelas chamadas forças centrífugas tendem a privilegiar as “forças hegemônicas”, já que direcionam para o espaço da cidade os “vetores de uma racionalidade superior e do discurso pragmático dos setores hegemônicos [neste caso os
promotores imobiliários], criando um cotidiano obediente e disciplinado” (SANTOS, 2009, p.286).
A ação vertical do poder público pode ser vista antes da aprovação do projeto, durante os debates e posteriormente com a “vitória” em aprovar o projeto mesmo com os problemas evidenciados. Os alertas feitos pelos profissionais e técnicos foram ignorados em grande parte, como nos aponta Glauco Bienenstein;
Minha preocupação se diz do ponto de vista estratégico, porque a prefeitura a cada reunião que a gente participa, a prefeitura parece que incorpora possíveis sugestões, eles entendem muito disso, o que acaba legitimando a discussão da própria Operação Urbana Consorciada. Embora esta reunião não tenha o caráter deliberativo, mas me parece que é sumamente importante sair daqui algo que vale efetivamente de uma retirada deste projeto, o que seria uma decisão. Isto aponta consequentemente para a retomada da discussão do plano diretor e consequentemente dos planos urbanísticos. Depois desta discussão, se tiver projetos em disputa e a prefeitura quiser efetivamente bancar uma iniciativa desta, que seja a discussão nestes planos urbanísticos regionais. Mas nós não podemos, aceitar que este projeto venha de cima para baixo, temos que tomar cuidado porque a cada reunião que a gente participa, a secretaria e os demais membros da prefeitura falam o seguinte “Nós estamos incorporando as ideias” e não se trata de incorporar as ideias, o que se trata é a rejeição do projeto, o que me parece também, que o Ministério Público já viu a consistência deste projeto. Quem está aqui desde o início viu que o projeto é totalmente inconsistente (BIENENSTEIN, 2013)80.
A articulação do poder executivo municipal com os empresários do setor da construção civil, além das representações da sociedade civil, favorece o discurso pró-requalificação, uma possível solução para a área central, com um projeto que “irá redesenhar o centro de Niterói, melhorando a mobilidade e a qualidade de vida” (PMN)81.
Mesmo com as audiências públicas e os debates em torno do projeto, a prefeitura conseguiu respaldo do legislativo para aprova-lo, o defendendo de maneira integral onde os benefícios são vistos, apresentados e, claro, valorizados. Tal falha se viu no processo de produção e discussão do EIV.
O poder público municipal evoca os pontos positivos de um projeto que foi, de longe, discutido com poucos usuários. Este Estado neoliberal traz como consequências para a área central de Niterói explicitamente a gentrificação82 e a segregação socioespacial83. Estes
80 Glauco Bienenstein, Professor do Departamento de Arquitetura da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF.
Diálogo estabelecido no debate promovido no Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro em 11/07/2013.
81 Frase citada no vídeo institucional de apresentação da OUC-Centro feito pela Prefeitura de Niterói.
82 Conceito criado por Glass (1964) foi trabalhada por Smith (1996). Se refere ao processo de saída de habitantes de uma determinada área por conta do enobrecimento das áreas “revitalizadas” com valorização imobiliária e a presença de novas edificações. É resultado da privatização dos espaços da cidade e da exclusão socioespacial (SANCHEZ, 2003).
83Segregação socioespacial entendida como um processo de rompimento entre dois grupos distintos, a partir da atuação de sujeitos sociais e que se revela a partir da dinâmica do plano espacial. (SPOSITO, 2013). No caso da OUC-Centro, a atuação de alguns sujeitos sociais por meio de normas e legislações que ratificam as remoções e segregam, de fato, grupos sociais daquela área.
processos decorrem a partir da retirada de moradores dos morros através dos discursos de urbanização de favelas que, em experiências anteriores no nosso país, evidenciaram os impactos negativos das remoções84.
Nem a intervenção do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro nem a presença de professores e profissionais qualificados alertando os possíveis impactos negativos conseguiram modificar em plenitude a proposta da OUC em seus moldes atuais. A possibilidade de construir espaços seletivos dentro da cidade, na qual os pobres ficaram à margem do processo de produção do espaço, ratificando o distanciamento dos moradores das favelas ao direito ao uso dos bens da cidade. Assim, há
[uma] tentativa de implementação de ações, amparadas por significativa hegemonia ideológica entre a classe média, que tem a premissa tácita a ideia de que a presença dos pobres nas áreas centrais é um obstáculo a ser removido, em prol da
“modernização”, do “desenvolvimento urbano” (SOUZA, 2013, p.140).
Algumas ações independentes do projeto da OUC demonstram o sentido de ordem e limpeza: em 2013 foi lançada a “operação calçada livre” realizada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública que retirou e reprimiu a presença de moradores em situação de rua, promoveu a retirada de trabalhadores em situação irregular tais como vendedores ambulantes e lava-jatos e proibiu o estacionamento irregular e propagandas nas principais ruas do Centro da cidade.
Além disso, houve em 2015 o “reordenamento” dos vendedores ambulantes que foram cadastrados pelos órgãos municipais. Os vendedores cadastrados receberem uma barraca com tamanho único padronizados na cor laranja e com logomarca da prefeitura. Aqueles que não fizeram o cadastro foram duramente reprimidos, demonstrando o caráter segregador em relação àqueles que não puderam se legalizar.
Figura 9: Vendedores ambulantes com um novo “ordenamento”
Fonte: Jornal O Fluminense
84Segundo dados do Guia do Estudante (2016) foram 2,5 mil famílias removidas por conta OUC-Porto Maravilha no Rio de Janeiro. Recomenda-se a literatura de Diniz (2014)
É perceptível que a proposta da OUC-Centro evidenciou sua principal intenção: a defesa de um projeto privado pelo poder público para beneficiar um grupo hegemônico (OAS, Odebrecht e Andrade Gutierrez, que têm atuação além da escala nacional), com explícitos interesses na reprodução de capital via crescimento imobiliário / valorização do espaço urbano,
que interferem na dinâmica da cidade, ligando partes dela [neste caso, a área central de Niterói] ao âmbito global, num processo que responde aos interesses e aos requerimentos de fluidez e da reprodução do capital, enquanto outras partes da cidade são deixadas à margem ou desconectadas dessa dinâmica (SOBRAZO, 2009, p.371).
A relação que se estabelece é uma relação multiescalar na produção do espaço. Além dos players que atuam no espaço urbano dominarem seus mercados e serem agentes globais, o próprio modelo de cidade que se propõe o planejamento urbano estratégico homogêneo em seu discurso e práxis, evidencia o movimento global de competitividade entre as cidades para atração de novos investimentos. Harvey (2006) analisa esta questão da homogeneidade dos modelos de planejamento e gestão do espaço como sendo uma das marcas da globalização.
Para o autor,
o que está em jogo, é um relacionamento mais complicado através das escalas, em que iniciativas locais podem alcançar uma escala global e vice-versa, ao mesmo tempo que certos processos, dentro de uma definição específica de escala- competição interurbana e inter-regional sendo os exemplos mais evidentes – podem reelaborar as configurações local/ regional da globalização. Portanto, não se deve ver a globalização como uma unidade indiferenciada, mas sim como uma padronização geograficamente articulada das atividades e das relações capitalistas globais (Harvey, 2006, p.230e 231).
Neste movimento, Niterói se insere nesta dinâmica e entra de vez na “guerra dos lugares”, tanto condicionada por esta ordem global de planejamento a partir de um Estado voltado para o neoliberalismo quanto no suporte nacional mediante a legislação vigente. Para Sanchez (1997),
vimos uma ordem global para este tipo de empreendimentos, há também, racionalidades nacionais que traduzem o país como norma, seja na forma de incentivos fiscais, flexibilidades regulatórias, liberalização comercial, suporte técnico e infra-estrutural, isenções, possibilidades de parcerias, enfim condições favoráveis ou não para as transformações. A hegemonia do capitalismo na reformulação mundial da economia não elimina conflitos de interesses entre os múltiplos atores nem a necessidade de normatização dos processos. Ao contrário, mais do que nunca adquirem força e importância as dimensões institucionais e normativas, tornando instrumentos de poder, tanto a nível internacional quanto a nível de estado-nação (Sanchez, 1997, p.135).
Diante deste panorama, a Operação Urbana Consorciada- Centro nos contempla com um impasse político-ideológico quanto ao modelo de planejamento em ação: o planejamento estratégico tecnocrático e racional que propõe o ordenamento pragmático do espaço urbano gerando uma “limpeza social”. Isto seria contraditório, pois uma operação urbana é um instrumento de caráter redistributivo que estabelece ações de caráter democrático na qual, o planejamento urbano alternativo seria contemplado juridicamente na Constituição Federal e que tem como pilar a função social da propriedade e o enfrentamento das questões ligadas a desigualdades sociais, da acessibilidade e dos usos da cidade.
3.2 A relação cidade e capital: o modelo de gestão do city marketing em Niterói.
A OUC - Centro, por meio das transformações quanto à forma e conteúdo da área central de Niterói, idealiza a produção do espaço urbano no capitalismo contemporâneo que se apoia na produção de bens imóveis cuja necessidade é produzida por e a partir do mercado imobiliário. O intuito é a reprodução do capital via valorização do espaço com os novos empreendimentos socialmente seletivos e excludentes.
Percebe-se por parte do poder público a negligência quanto aos impactos negativos alertados por técnicos, acadêmicos e relatos de outras experiências trazidas de operações urbanas já implementadas com os mesmos propósitos. O poder do marketing e da gestão empreendedora se torna conflituosa quando o poder local e as empreiteiras tratam com relatividade os problemas que podem ocorrer com a OUC. Resumidamente, Cota (2011) nos alerta ao que na prática tem ocorrido nesta relação, pois:
[a OUC] estaria sendo apropriado para viabilizar interesses privados- via formas renovadas de produção imobiliária do espaço- além de abarcar uma função estritamente arrecadadora, com objetivos estratégicos, servindo para o poder público municipal promover as condições necessárias para a cidade se inserir no ambiente da competição global (COTA, 2011, p.303).
Tal processo fica evidente quando se compreende o posicionamento do poder público em audiência pública sobre o sentido da OUC para Niterói. Por meio do discurso de recuperar a autoestima, a OUC viabiliza a inserção da cidade no circuito da globalização e da “guerra dos lugares”:
Toda cidade que tem uma frente marítima revitalizada, que passou por um processo de revitalização, requalificação ou não, se vê a importância de ter uma arquitetura de exceção na sua frente marítima, aquela que difere do resto, marcante na sua frente marítima. A gente vê alguns exemplos, podem ser torres sozinhas, torres gêmeas, edifícios em forma de conchas, em forma de navio como foi feito em Amsterdã, até roda gigante. É uma arquitetura marcante. É diferente. Essas arquiteturas podem ser horizontais como Bilbao, ou verticais como Londres e Barcelona. Essas orientações vem desde as cidades clássicas como Veneza passando pela Londres industrial, até chegar a cidades contemporâneas. Niterói já teve esta experiência de se ter uma
arquitetura marcante, para colocar a cidade num lugar para aumentar a autoestima (BARANDIER,09/07/2013).85
A OUC-Centro estabelece uma relação entre capital – Estado de natureza política.
Segundo apontamentos feitos por Valdetaro, Gomes e Azevedo86 nas audiências públicas, as empresas envolvidas não só já tinham o projeto encaminhado aos candidatos à eleição municipal de 2012, como também doaram, legalmente, recursos para a campanha eleitoral do candidato vencedor Rodrigo Neves (ex-PT e atualmente no PV- Partido Verde).
O financiamento privado de campanha, aliado à apresentação da proposta conforme reportagem já mencionada no capítulo 2, pode ter colaborado para que o projeto logo ganhasse lobby do prefeito e seus aliados (leia-se secretários do executivo e o legislativo municipal). A força do questionado financiamento privado de campanha87, também estaria influenciando as políticas urbanas nas cidades conduzindo a “privatização” de partes da cidade para grupos sociais seletos.
Como nos aponta Moreira (2002) o papel do poder público municipal estabelece relações de natureza política e econômica, na qual a centralidade e a alteridade proporcionam o ordenamento da área central e legitimam a atuação dos agentes e seus conflitos. Com a OUC-Centro, o poder público municipal normatiza e legitima as ações feitas por e para um grupo restrito pertencente à iniciativa privada numa parte da cidade, com efeitos em sua totalidade.
A centralidade do econômico, que no arranjo infraestrutural é realizada pela cidade em seu papel organizador dos territórios pelos laços do mercado, na forma seja das regiões homogêneas, seja nas regiões polarizadas, como ordenamentos territoriais espaço temporalmente datados, é aqui refundida e consolidada pelos aparelhos jurídicos-políticos e ideológico-culturais segundo os quais se organizam a sociedade civil e o Estado (MOREIRA, 2002, p.83).
O binômio prefeitura- empreiteiras deixa claro, por meio da requalificação, que a regulação e as intervenções se pautam num projeto mais amplo: a construção de uma cidade que possa atrair mais recursos via turismo, atração de novas empresas e pela realização de eventos nacionais e internacionais. “Vender” a cidade através da criação de sua imagem
85 Renato Barandier Junior, subsecretário de urbanismo de Niterói, em sua apresentação na 1° audiência pública realizada na Câmara Municipal no dia 09/07/2015.
86As colocações de Carlos Valdetaro do CCOB, José Azevedo do CCOB e Paulo Eduardo Gomes vereador do PSOL são referentes à gravação de um debate eleitoral realizado em 2012, na qual um dos candidatos afirma que os mesmos já tinham em mãos o projeto para a “requalificação da área central”. Da mesma maneira, as empresas apresentaram logo no primeiro mês de gestão do candidato vencedor, Rodrigo Neves, o projeto, conforme reportagem já citada neste trabalho.
87 A partir das eleições de 2016 entraram em vigor as novas formas de financiamento privado de campanha. A partir deste ano é proibida a doação financeira por parte de empresas a candidatos a cargos políticos e a limitação de doação por pessoas físicas em no máximo 10% do rendimento público.
(sobretudo pela proximidade com uma cidade global – o Rio de Janeiro- e a presença da faixa litorânea que traz consigo a amenidade e a beleza natural das curvas do relevo) para agregar um perfil socioeconômico mais elevado.
Como ressalta Ferreira (2011), a relação do poder público com o capital privado (neste caso, imobiliário) se dá por uma questão de “solidariedade” na qual ambos se beneficiam. O crescimento da cidade se faz a partir da circulação de capital que afeta o mercado. Sem esta
“solidariedade” a cidade automaticamente se desvaloriza ao perder investimentos.
Como ressalta Alvarez (2015), o Estado é o grande “regulador” destes projetos urbanos, assumindo o papel de agente empreendedor. Na atual conjuntura, o poder local niteroiense, ao aceitar e propor uma operação urbana em caráter emergencial, assume seu projeto de cidade, semelhante às experiências anteriores de OUC no Brasil.
Para o poder público cabe o oferecimento de vantagens:
(...) através de investimentos públicos em infraestrutura e da redução dos custos locais por subsídios - como renúncia fiscal, crédito facilitado e cessão de terrenos.
Importa ter em conta que o barateamento dos custos de transporte, acompanhado da redução das barreiras espaciais para circulação de mercadorias, informações, pessoas e moedas, fortaleceu o papel das diferenças entre lugares no cenário da competição interurbana do capitalismo (FERREIRA, 2011, p. 139).
Nas propostas apresentadas para a área central de Niterói, verifica-se a construção de novos empreendimentos verticais com o potencial mínimo de pavimentos maior do que os atuais permitidos, sendo negociados via Cepac’s (e/ou outorga onerosa do direito de construir). Há ainda a previsão de profundas mudanças na mobilidade urbana, além de obras arquitetônicas contemporâneas na “entrada” da cidade com a possibilidade de dois prédios de 40 pavimentos que seriam “símbolos” do novo momento da cidade.
O sentido de cidade moderna, aliado ao desenvolvimento tecnocientífico-informacional, corroboram com as intencionalidades do poder local em oferecer a cidade ao capital imobiliário. Na conjuntura atual, o desenvolvimento do capitalismo é facilitado pelas
O sentido de cidade moderna, aliado ao desenvolvimento tecnocientífico-informacional, corroboram com as intencionalidades do poder local em oferecer a cidade ao capital imobiliário. Na conjuntura atual, o desenvolvimento do capitalismo é facilitado pelas