3.5.1 Objectivos do EIA
Os principais objectivos da fase de EIA são os seguintes:
• Realizar os estudos de especialidade, de acordo com os TdR aprovados pelo MITADER;
• Avaliar os impactos ambientais associados com o projecto;
• Definir as medidas de mitigação para os impactos negativos e medidas de potenciação para os impactos positivos; e
• Integrar essas medidas num PGAS, na forma de medidas claras, praticáveis e aplicáveis às condições locais, baseando-se nas melhores práticas e na legislação pertinente.
3.5.2 Relatório de EIA
Para fundamentar os objectivos acima listados, o Relatório de EIA inclui a seguinte informação (conforme o Art.º 11 do Regulamento da AIAS):
• RNT, com as principais constatações, conclusões e recomendações do Relatório;
• Informação sobre o Proponente do Projecto, bem como sobre o consultor ambiental responsável pelo processo de AIAS;
• Enquadramento legal da actividade e o seu contexto dentro dos instrumentos de planificação existentes;
• Descrição das actividades a serem realizadas pelo Projecto proposto em todas as suas fases (planificação, construção, operação e, onde for pertinente, desactivação), bem como as alternativas consideradas;
• Definição das áreas de influência do Projecto;
• Caracterização da situação de referência do ambiente biofísico e socioeconómico receptor;
• Identificação e avaliação dos impactos ambientais e sociais do projecto;
• Definição das medidas de mitigação;
• Integração das medidas de mitigação num PGAS para a actividade, incluindo também os programas de monitorização e outros instrumentos de gestão, quando pertinente; e
• Relatório de PPP.
Alguns dos principais aspectos da fase de EIA, tais como os estudos de especialidade, a elaboração do PGAS e o PPP, são descritos com maior pormenor nos subcapítulos seguintes.
3.5.3 Estudos de Especialidade
Na fase de EIA serão realizados vários estudos de especialidade, em conformidade com os TdR elaborados na fase de EPDA e aprovados pelo MITADER. Estes estudos pormenorizados centram-se nos aspectos ambientais e sociais potencialmente afectados pelas actividades do Projecto. Os estudos de especialidade propostos para a fase de EIA, bem como o seu âmbito, são apresentados nos TdR (ver Capítulo 8 deste relatório).
Durante a fase de EIA, será incentivada a interacção entre os diferentes especialistas, com o objectivo de se explorarem plenamente as semelhanças e inconsistências entre os diferentes aspectos do ambiente biofísico e social e cada uma das respectivas avaliações.
3.5.4 Plano de Gestão Ambiental e Social (PGAS)
O PGAS é uma parte fundamental do Processo de AIAS. Os decisores externos dependerão das conclusões do EIA (e.g., os índices de significância atribuídos aos impactos residuais) no processo de tomada de decisão. Dado que o EIA se baseia em previsões, feitas antes de a actividade ter lugar, o mesmo parte do pressuposto de que o Projecto irá implementar as medidas de controlo e mitigação propostas. Se essas medidas não forem implementadas, a utilidade do EIA enquanto ferramenta para as partes interessadas e decisores externos é comprometida.
Deste modo, é crucial que estes pressupostos, i.e., as medidas de mitigação, se constituam como compromissos que serão implementados. Para tal, após os impactos serem avaliados e as medidas de mitigação serem desenvolvidas, acordadas com o Proponente e descritas no EIA, é necessário que as mesmas sejam integradas dentro do Projecto, de modo a garantir a sua futura implementação. O PGAS é a ferramenta que assegura esta função de integração das medidas de mitigação dentro do Projecto.
Como tal, na fase de EIA será elaborado um PGAS, que irá integrar as medidas de mitigação e monitorização dos impactos ambientais, conforme definidas no Relatório de EIA, num conjunto de programas de gestão temáticos. Estes programas de gestão temáticos poderão incluir planos de comunicação, educação ambiental dos trabalhadores, procedimentos para recepção e tratamento de queixas e reclamações, programas de gestão de resíduos e matérias perigosas e outros planos e programas cuja necessidade seja identificada no EIA. Para além disso, caso o EIA identifique a necessidade de estudos ou planos adicionais que devem ser desenvolvidos pelo Proponente, o PGAS fornecerá directrizes para a sua elaboração e execução.
A implementação de tais planos deverá permitir que qualquer impacto ou questão não previstos que vierem a surgir sejam abordados de forma eficaz, em conformidade com as leis e regulamentos de Moçambique, e com as boas práticas aplicáveis. Desta forma, as partes interessadas e os decisores externos deverão ter confiança no EIA enquanto uma ferramenta de apoio à tomada de decisão do Projecto.
3.5.5 Processo de Participação Pública do EIA
A fase de EIA também inclui um PPP (conforme o Art.º 15 do Regulamento de AIAS), com os seguintes objectivos principais:
• Actualizar a base de dados de PI&A’s compilada na fase da EDPA;
• Apresentar os resultados dos estudos de especialidade, os impactos avaliados, as medidas de mitigação definidas e o PGAS;
• Referir as questões levantadas pelas PI&A’s durante o PPP do EPDA, bem como a forma como foram consideradas no EIA;
• Dar às PI&A’s a oportunidade de participar efectivamente no processo e identificar quaisquer questões e preocupações adicionais associados com a actividade proposta, tendo em conta os estudos mais detalhados realizados na fase de EIA; e
• Obter comentários das PI&A’s em relação ao EIA e ao PGAS.
O PPP para o EIS seguirá a mesma metodologia global proposta para a fase de EPDA. Para fins de PPP, será compilado um Relatório Preliminar de EIA que será depois disponibilizado em locais estratégicos, para consulta e parecer das PI&A´s. As reuniões públicas serão divulgadas e realizadas, a fim de registar as questões e preocupações das PI&A´s e todas as actividades de PPP serão documentadas num relatório de PPP.
3.5.6 Submissão do EIA ao MITADER
Após o PPP, será compilado o Relatório Final de EIA, integrando os pareceres e contribuições das PI&A’s, e submetido à consideração do MITADER. Sujeito à aprovação do EIA e à emissão da licença ambiental para o Projecto, todas as actividades associadas serão regidas pelo PGAS, bem como por quaisquer condições adicionais estipuladas na licença ambiental.
O Proponente deverá adoptar o PGAS e posteriormente desenvolver o mesmo num Sistema de Gestão Ambiental e Social (SGAS) para o Projecto, de modo a assegurar que o Projecto seja conduzido e gerido de forma sustentável. O Proponente deverá ainda garantir que os seus empreiteiros cumpram com o disposto no PGAS, integrando este documento nas obrigações contratuais dos empreiteiros, sempre que aplicável e relevante.
4 Descrição do Projecto 4.1 Introdução
Este capítulo apresenta uma descrição do Projecto proposto – Projecto de Transporte de Energia da Espinha Dorsal do Sistema Nacional de Transporte de Energia (Projecto STE) - Fase 1:
Vilanculos - Maputo. A descrição do projecto de engenharia apresentada não pretende ser exaustiva, focando-se antes em fornecer uma compreensão global do empreendimento proposto e descrever as actividades que possam eventualmente causar impactos ambientais significativos.