Tal como referido anteriormente, o processo de AIAS está a ser desenvolvido não só em conformidade com as normas e regulamentações nacionais, mas também em linha com as melhores práticas internacionais, nomeadamente a política ambiental e social e os requisitos de desempenho definidos pelo Banco Mundial (BM) / Corporação Financeira Internacional (IFC). As principais normas e directrizes internacionais aplicáveis a este Projecto são descritas abaixo.
2.6.1 Politicas Operacionais de Salvaguarda do Banco Mundial
Os promotores de desenvolvimento que procuram financiamento junto do BM devem cumprir com as políticas operacionais de salvaguarda ambientais e socais do BM aplicáveis. Um resumo dos principais objectivos das políticas de salvaguarda ambientais e sociais aplicáveis do BM é apresentado a seguir.
• Política Operacional 4.01 – Avaliação Ambiental: visa identificar, evitar e mitigar os potenciais impactos ambientais negativos associados às operações de empréstimo do BM.
Fornece um quadro para as políticas de salvaguarda ambiental do BM e descreve a instrução do processo e categorização do projecto para determinar o nível de avaliação ambiental exigido. Para os projectos de Categoria A, devem ser conduzidas consultas públicas e a divulgação no âmbito do Processo da AIAS. Requer a implementação de planos de gestão ambiental e social;
• Política Operacional 4.04 – Habitats Naturais: procura assegurar que a infra-estrutura e outros projectos de desenvolvimento apoiados pelo BM levem em conta a conservação da biodiversidade, bem como os serviços e produtos ambientais que os habitats naturais proporcionam à sociedade humana. Descreve a política do BM sobre a conservação da biodiversidade, tendo em conta os serviços do ecossistema e a gestão e utilização dos recursos naturais por parte das pessoas afectadas pelo projecto. Os projectos devem avaliar os potenciais impactos sobre a biodiversidade. A política restringe estritamente as circunstâncias em que pode ocorrer a conversão ou a degradação de habitats naturais;
• Política Operacional 4.11 – Recursos Culturais Físicos: Estabelece requisitos para evitar ou mitigar impactos adversos nos recursos culturais;
• Política Operacional 4.12 – Reassentamento Involuntário: visa evitar o reassentamento involuntário na medida do possível ou minimizar e mitigar os seus impactos sociais e económicos adversos. Quando for necessário proceder com a aquisição de terras ou de outros bens, esta política requer que haja participação no planeamento do reassentamento, compensação dos bens a custo de reposição e melhoria dos rendimentos e padrões de vida das pessoas afectadas ou, pelo menos, a sua restauração aos níveis pré-projecto;
• Política Operacional 4.36 – Florestas: visa reduzir o desflorestamento, aumentar a contribuição ambiental das áreas florestadas, promover o reflorestamento, reduzir a pobreza e estimular o desenvolvimento económico;
• Política do Banco 17.50 – Política de Divulgação Pública: suporta o processo de tomada de decisão do Banco e do cliente, através da divulgação de pública de informação sobre os aspectos ambientais e sociais dos projectos.
2.6.2 Padrões de Desempenho do IFC
Os Padrões de Desempenho (PD) da IFC sobre Sustentabilidade Ambiental e Social, publicados em Janeiro de 2012 (IFC 2012), são reconhecidos como sendo os padrões mais abrangentes disponíveis para as instituições financeiras internacionais que trabalham no sector privado. Os princípios fornecem um quadro para uma abordagem internacional aceite para a gestão de questões sociais e ambientais.
Os sete PD da IFC aplicáveis ao Projecto proposto são:
• PD 1: Avaliação e Gestão de Riscos e Impactos Sociais e Ambientais, enfatiza a importância de gerir o desempenho ambiental e social de um projecto ao longo do seu ciclo de vida. O PD 1 requer que o cliente realize um processo de avaliação ambiental e social e estabeleça e mantenha um Sistema de Gestão Ambiental e Social (SGAS), adequado à natureza e escala do projecto e proporcional ao nível dos riscos e impactos ambientais e sociais;
• PD 2: Condições Laborais e de Trabalho, reconhece que a procura do crescimento económico através da criação de emprego e geração de receita deve ser acompanhado pela protecção dos direitos fundamentais dos trabalhadores;
• PD 3: Eficiência dos Recursos e Prevenção da Poluição, reconhece que o aumento da actividade económica e da urbanização produzem frequentemente níveis crescentes de poluição para o ar, água e terra e consomem recursos finitos de uma forma que pode ameaçar as pessoas e o ambiente a nível local, regional e global;
• PD 4: Saúde, Segurança e Protecção Comunitária, reconhece que as actividades, equipamentos e infra-estruturas do projecto podem aumentar a exposição da comunidade a riscos e impactos;
• PD 5: Aquisição de Terras e Reassentamento Involuntário, reconhece que a aquisição de terras relacionadas com o projecto e as restrições no uso da terra podem ter impactos adversos nas comunidades e pessoas que usam essa terra;
• PD 6: Conservação da Biodiversidade e Gestão Sustentável dos Recursos Naturais Vivos, reconhece que a protecção e a conservação da biodiversidade, a manutenção dos serviços do ecossistema e a gestão sustentável dos recursos naturais vivos são fundamentais para o desenvolvimento sustentável;
• PD 8: O Património Cultural, reconhece a importância do património cultural para as gerações actuais e futuras.
O PD 1 estabelece, assim, a importância de (i) uma avaliação integrada para identificar os impactos, riscos e oportunidades ambientais e sociais dos projectos; (ii) uma participação eficaz
com as comunidades locais sobre assuntos que as afectam directamente; e (iii) a gestão do desempenho ambiental e social do cliente durante o ciclo de vida do projecto.
Os PD 2, 3, 4, 5, 6 e 8 da IFC apresentam requisitos para evitar, reduzir, mitigar ou compensar os impactos sobre as pessoas e o ambiente e para melhorar as condições, onde aplicável. Onde os impactos sociais ou ambientais são antecipados, o cliente é obrigado a geri-los através do seu SGAS consistente com o PD 1.
Os PD da IFC são complementados com as respectivas Notas de Orientação, que fornecem orientação sobre os requisitos dos padrões e sobre boas práticas de sustentabilidade, para ajudar os promotores a melhorar o desempenho do projecto.
2.6.3 Directrizes de Ambiente, Saúde e Segurança do Banco Mundial/IFC
As Directrizes de Ambiente, Saúde e Segurança (EHS – Environmental, Health and Safety) do BM são documentos técnicos de referência com exemplos gerais e específicos das Boas Práticas Industriais Internacionais, para cada sector de actividade, conforme definidas no PD 3 da IFC sobre Eficiência de Recursos e Prevenção de Poluição.
As Directrizes ESH contêm os níveis de desempenho e as medidas que são normalmente aceitáveis para a IFC e que são geralmente consideradas viáveis em novas instalações, recorrendo a tecnologias existentes de custos razoável. Para os projectos financiados pela IFC, a aplicação das directrizes de ESH para instalações existentes pode implicar o estabelecimento de metas específicas para cada local, com um cronograma adequado para a sua realização. O processo de avaliação ambiental pode recomendar níveis alternativos (superiores ou inferiores) ou medidas que, se aceitáveis pela IFC, tornam-se requisitos específicos do projecto ou da instalação.
As Directrizes da IFC relevantes e aplicáveis ao Projecto proposto incluem:
• Directrizes Gerais de EHS;
• Directrizes de EHS para Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica.
2.6.4 Princípios do Equador
Os Princípios do Equador constituem um conjunto de directrizes voluntárias, elaboradas por instituições financeiras de destaque, para a gestão de questões ambientais e sociais na concessão de créditos de financiamento de projectos. Os Princípios exigem que o desenvolvimento de projectos em países não-membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) seja feito em cumprimento dos PD's e das Directrizes de EHS da IFC. Estas directrizes fornecem uma abordagem para determinar, avaliar e gerir o risco ambiental e social no financiamento de projectos. Os Princípios do Equador incluem:
• Princípio 1: Análise e Categorização;
• Princípio 2: Avaliação Ambiental e Social;
• Princípio 3: Padrões Ambientais e Sociais Aplicáveis;
• Princípio 4: Sistema de Gestão Ambiental e Social e Plano de Acção dos Princípios do Equador;
• Princípio 5: Envolvimento das Partes Interessadas;
• Princípio 6: Mecanismo de Reclamação;
• Princípio 7: Revisão Independente;
• Princípio 8: Obrigações Contratuais;
• Princípio 9: Monitorização Independente e Divulgação de Informações;
• Princípio 10: Divulgação de Informações e Transparência.
2.6.5 Grupo de Energia de África Austral
O Grupo de Energia de África Austral (SAPP – do inglês Southern African Power Pool) é um corpo regional formado em 1995 através de um tratado da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), com o objectivo de optimizar o uso dos recursos energéticos disponíveis na região e de promover a inter-ajuda regional durante emergências. O SAPP é composto de doze países membros da SADC, representados pelas respectivas Empresas de Energia Eléctrica.
Moçambique faz parte do grupo, sendo representado pela EDM.
O Subcomité de Ambiente da SAPP tem vindo a desenvolver um conjunto de directrizes de gestão ambiental, com o objectivo de assegurar que as actividades do sector de energia sejam desenvolvidas de forma sustentável. Na presente AIAS foram tidas em conta as seguintes directrizes do SAPP:
• Directrizes de ESIA para Infra-estruturas de Transporte para a Região da SAPP (Setembro, 2010) – estabelecem um quadro estrutural e um guia para uma abordagem sistemática da prática de ESIA para projectos de infra-estruturas de transporte de energia na região da SAPP;
• Directriz da SAPP para Saúde Operacional, Segurança e Meio Ambiente (Novembro, 2007).
3 Metodologia Global de AIAS 3.1 Considerações Gerais
O Processo de AIAS, conforme definido no Regulamento de AIAS, é um instrumento de gestão ambiental preventivo, que visa identificar e avaliar, tanto quantitativa como qualitativamente, os efeitos ambientais positivos e negativos de um projecto proposto, e definir as medidas de mitigação necessárias, de modo a minimizar os efeitos negativos e a potenciar os efeitos positivos.
O presente Capítulo apresenta uma breve descrição da metodologia global do processo de AIAS e do processo que foi seguido até à data. A metodologia de AIAS adoptada está em conformidade com todos os requisitos legais ambientais aplicáveis em Moçambique e está em linha com as directrizes e políticas internacionais relevantes.