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Princípio 8 – Capacidade para trabalhar efetivamente em parceria

6.1. ASPECTOS BIOLÓGICOS E FÍSICOS 1 Biodiversidade

Santo André é um dos 633 municípios do estado de São Paulo que se encontram inseridos no Domínio Mata Atlântica, mas conta com a especificidade de possuir a totalidade de sua área nesse domínio. Além disso, o município abriga parte da reserva da Biosfera do Cinturão Verde, integrada ao sistema da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e do Cinturão Verde da cidade de São Paulo (Programa MAB – Man and Biosphere), reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO, como uma importante área de conservação e garantia da diversidade do Planeta (CAPOBIANCO e WHATELY, 2001).

Segundo a Prefeitura de Santo André, a vegetação de Mata Atlântica6, do local é caracterizada principalmente por mata secundária, que se mostra conservada em várias áreas, principalmente nas vertentes da Serra do Mar e particularmente as não afetadas pela poluição gerada pelo pólo industrial de Cubatão, nas nascentes dos rios Grande e Pequeno. Em outros setores de vegetação mostra-se alterada, em áreas afetadas pela poluição oriunda de Cubatão, tal como ocorreu em partes do vale do rio Mogi, junto à vila de Paranapiacaba, ou em áreas ocupadas por loteamento como Parque Represa Billings, Parque Miami e Jardim Riviera (PMSA, 2006b).

6 O Bioma Mata Atlântica apresenta uma variedade de formações, engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acompanhando as características climáticas da vasta região onde ocorre, tendo como elemento comum a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano. Esta distribuído por 17 Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Devido a séculos de destruição ambiental, o bioma foi reduzido a menos de 8% de sua extensão original, dispostos de modo esparso, ao longo da costa brasileira e no interior das regiões Sul e Sudeste, além de fragmentos no sul dos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul e no interior dos estados do Nordeste. A dinâmica da destruição foi mais acentuada durante as últimas três décadas, resultando em sérias alterações para os ecossistemas que compõem o bioma, devido, em particular, à alta fragmentação do hábitat e perda de sua biodiversidade.

73 Em face da importância do Bioma Mata Atlântica na zona de proteção dos mananciais encontram-se três unidades de conservação: Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, Parque Estadual da Serra do Mar e a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba (PMSA, 2006b).

Na área urbana, restaram matas em alguns locais junto ao Parque do Pedroso (Figura 4) e em pequenas manchas em áreas com declividade mais acentuada (PMSA, 2006a). Há 10 Parques Urbanos na Macrozona Urbana, somando uma área de 532 m2 680 m2.

Figura 4 - Divisa da área urbana do município com o Parque do Pedroso.

Fonte: PMSA 2006a, adaptado por ABDUCH, 2008.

Nas várzeas predomina vegetação rasteira típica de campos, que pode ser bem observada na região de Campo Grande. Essa característica se deve aos seguintes fatores: lençol freático próximo da superfície, chegando a aflorar em muitos casos, mesmo nas épocas mais secas; temperaturas baixas; altitude; ventos e acidez do solo.

74 A região conta também com rica fauna, tendo grande diversidade de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, artrópodes e insetos. Parte dos animais integra a lista oficial do IBAMA de espécies brasileiras ameaçadas de extinção, sendo exemplos o gato- maracajá (Leopardus wiedii) e o pássaro soldadinho (Tangara cyanocephala).

6.1.2. Hidrografia

O Município possui cinco bacias hidrográficas, sendo três localizadas na Área Urbana e duas na Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais. As bacias hidrográficas na zona urbana apresentam características bastante diferenciadas daquelas inseridas na área de mananciais, pois são permanentemente afetadas por problemas de poluição e assoreamento provocados pelos esgotos domésticos e industriais. Já as bacias localizadas na área de mananciais têm importância fundamental não só para o Município, mas também para toda a Região Metropolitana, pois tem como função o abastecimento de água, produção de energia elétrica e abastecimento industrial (PMSA, 2006b)

As bacias localizadas na área urbana são, do Ribeirão Oratório, do Ribeirão dos Meninos e do Rio Tamanduateí. A bacia do Rio Tamanduateí abrange 53% da hidrografia na área urbana e o restante da região urbanizada é subdividida pelas bacias do Ribeirão Oratório e do Ribeirão dos Meninos.

As duas bacias hidrográficas situadas na área de proteção aos mananciais são as bacias do Rio Mogi e da Billings, sendo a última divida em duas sub-bacias formadas pelo Rio Grande e Rio Pequeno.

A bacia do Rio Mogi escoa suas águas rumo ao mar, suas nascentes descem as encostas formando um vale profundo, com muitas corredeiras e cachoeiras. O vale do

75 rio Mogi, cujas nascentes se encontram próximas da Vila de Paranapiacaba, no extremo sul-suldeste do município, recebe contribuição de vários córregos ainda dentro do território de Santo André. Parte de sua área está contida no Parque Estadual da Serra do Mar e na Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba.

A sub-bacia do Rio Grande, um dos principais contribuintes da represa Billings, tem suas nascentes nas matas do entorno da vila de Paranapiacaba, nos contrafortes da serra do Mar, extremo leste do município. Boa parte das glebas vazias existentes na região se localiza nesta sub-bacia (Figura 5).

As nascentes da sub-bacia do Rio Pequeno estão situadas no extremo sul do município, nos contrafortes da serra do Mar cujas matas são limítrofes ao Parque Estadual da Serra do Mar. Forma um dos braços da represa Billings, próximo à divisa com o Município de São Bernardo do Campo (Figura 5).

Figura 5 - Hidrografia na região de Paranapiacaba e Parque Andreense.

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