4 O PROCESSO DE ESCOLHA DO CONSUMIDOR
4.2 Aspectos do Consumidor Consciente
De acordo com o Instituto Akatu (2005), a crescente atenção dos consumidores pela ação das organizações e o consenso conceitual sobre o que se espera das grandes empresas, em termos de compromissos sociais e ambientais, proporciona o surgimento de consumidores conscientes, com predisposição a usar deliberadamente seu poder de compra como forma de pressionar o comportamento das empresas.
Entende-se como consumidor consciente aquele que, ao escolher os produtos que compra, leva em consideração, além das questões como marca e preço, o meio ambiente, a saúde humana e animal e as relações justas de trabalho. Dessa forma, esse consumidor, entende que seus atos têm impactos e que, mesmo como único individuo, ao longo de sua vida, produzirá resultados significativos na sociedade, podendo ser visto como um agente transformador da sociedade por meio do seu ato de consumo (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2014).
Coltro (2012) destaca que ser um consumidor consciente envolve ações cotidianas, pois mesmo o consumo de poucas pessoas, ao longo de suas vidas, faz diferença, tendo um impacto muito importante sobre a sociedade e o meio ambiente. O autor destaca que o consumo consciente pode ser praticado no dia-a-dia, por meio de gestos simples que levem em conta os impactos da compra, ou pela escolha das empresas das quais comprar, em função de seu compromisso com o desenvolvimento socioambiental.
Nota-se que ambos os discursos, do Ministério do Meio Ambiente e de Coltro, voltam-se para a preocupação com atitudes simples do cotidiano e os impactos que isso pode gerar no futuro.
Coltro (2012) acredita ainda que o simples ato de ir às compras é capaz de levar as pessoas a mudar o mundo. Assim, afirma que as pessoas, ao escolherem comprar produtos ou serviços de empresas socialmente responsáveis, as que não têm como objetivo apenas tirar proveito da sociedade, mas que a respeitam e dão algo em troca, levam em consideração a sociedade e o meio ambiente. Dessa forma, ao privilegiarem empresas como indústrias que não poluem o ar ou a água; ou produtores agrícolas que não exploram o trabalho infantil; ou ainda empresas que investem em suas comunidades, seus funcionários e suas famílias, o consumidor deixa clara sua escolha por organizações que ajudam a construir uma sociedade mais justa.
Segundo o site do Ministério do Meio Ambiente (2014), por meio de cada ato de consumo, o consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade, maximizando as consequências positivas e minimizando as negativas de suas escolhas de consumo, não só para si mesmo, mas também para as relações sociais, a economia e a natureza.
Fabi, Lourenço e Silva (2010) afirmam que o consumo consciente pode ser considerado uma decisão de compra ou uso de serviços, de bens industriais ou naturais, praticado por um indivíduo, levando em conta o equilíbrio entre satisfação pessoal, as possibilidades ambientais e os efeitos sociais de sua decisão. Assim, espera-se que consumidor perceba sua responsabilidade como ator na sociedade por meio do consumo socialmente responsável.
Além disso, é importante considerar o impacto deste perfil de consumo. Um consumidor responsável precisa ter vontade, informação e capacidade de decisão autônoma, de forma que faça sua opção de compra segundo critérios próprios, baseado no julgamento sobre suas necessidades pessoais, alinhado a fatores como a real necessidade de determinado produto, a satisfação com relação ao preço, a qualidade, a procedência e o impacto no ambiente. Entende-se o consumidor consciente como aquele que raciocina de forma diferente, tanto na hora de comprar, quanto na hora de consumir (SANTOS, 2014).
Entendendo a importância do seu papel no ato de consumir para benefícios de uma melhor sociedade, o consumidor consciente tende a disseminar o conceito e a prática do consumo consciente, fazendo com que pequenos gestos realizados por um número muito maior de pessoas promovam grandes transformações. Dessa forma, ao analisar o consumo consciente se vê como uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da vida no planeta (INSTITUTO AKATU, 2010).
Analisando os pontos expostos pelo Instituto Akatu e os autores acima, compreende-se que, ao comprar, o consumidor consciente destaca-se pela maneira de escolher os produtos e serviços que irá consumir, já que tende a analisar informações e perspectivas que atinjam suas expectativas almejadas, não só do produto/serviço, mas do impacto ocasionado pelas empresas responsáveis. É válido ressaltar ainda, que o consumidor consciente costuma transmitir seus ideais, ou seja, ele envolve outros consumidores na compreensão da importância de optar por empresas socialmente responsáveis, por meio da disseminação de informações das atitudes responsáveis destas.
Para o atual presidente do instituto Akatu, Hélio Mattar (2003), os consumidores se tornam cada vez mais conscientes de que, no momento da compra, eles exercem um ato de cidadania, e passam a indicar fortemente os atributos para que as empresas possam estabelecer esses vínculos e desenvolver suas identidades. De acordo com o presidente, o consumo está cada vez mais sendo exercido por identidade, ou seja, como o consumidor se identifica com a empresa ao fazer suas escolhas, e a responsabilidade social é um forte atributo para a construção dessa identidade organizacional, aumentando assim a adesão do consumidor.
Por meio de uma análise geral de tudo que foi exposto, cita-se Macedo (2005, p. 74), que conclui:
Os consumidores de hoje, não estão apenas preocupados com o ato de comprar, escolhendo por produtos de melhor qualidade, preço, serviço, distribuição, entre outros fatores. Eles agora estão deixando sua passividade, praticando e exigindo das empresas uma postura mais responsável em todas as suas ações e projetos. Novos valores estão sendo considerados e, agora, percebe-se que as empresas que não souberem atendê-los não resistirão às pressões destas novas mudanças.
Assim, nota-se que, da mesma forma que as empresas caminham cada vez mais para estratégias que envolvam ações socialmente responsáveis, os consumidores também passam a entender sua importância no ato da compra, passam a exigir mais das atitudes empresarias, ou seja, passam a buscar produtos e serviços de empresas que trabalhem essas ações adequadamente. Dessa forma, estima-se que empresas que assim trabalham conquistem uma parcela maior de consumidores, e as que ainda não estão inseridas nessas perspectivas, passem a entender a importância dessas estratégias e adotem as práticas socialmente responsáveis em suas decisões.