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ASPECTOS DO TREINAMENTO DE VOO EM SIMULADORES CASEIROS QUE

Os simuladores escolhidos apresentam algumas características que, se não levadas em conta, podem caracterizar riscos ao desenvolvimento de habilidades da prática de voo. Em suma, os aspectos aqui elucidados envolvem:

1 – Navegação Visual; e 2 – Seriedade do instruendo. 2.3.1 - NAVEGAÇÃO VISUAL

Os simuladores aqui estudados contam com um sistema de renderização de texturas, os quais constroem o relevo mundial e o aspecto visual das diversas regiões do planeta, cobrindo toda a extensão do globo terrestre. Desta forma, ambos os simuladores são capazes de simular grande parte dos aeroportos existentes no mundo de forma relativamente real. Existem, contudo, algumas diferenças entre aquilo que se vê no simulador e o que se encontrará no

mundo real, as quais devem ser levadas em conta, e nesse aspecto visual os simuladores deixam a desejar quando se pretende simular voos baseados em referências visuais.

É compreensível a complexibilidade de se gerar um ambiente virtual 100% igual à topografia real. Um dos motivos que ainda impedem esse tipo de progresso é a necessidade de se terem grandes capacidades de armazenamento em memória nos computadores pessoais, o que ainda inviabiliza a cobertura mundial no ambiente virtual com a qualidade que se deseja. Outro percalço seriam as frequentes atualizações de plantas de cidades, referências virtuais, novos aeroportos que vão surgindo, possíveis reformas nos mesmos, etc. .

Apesar disso, existe uma tentativa dos simuladores estudados em manter ao menos algumas referências básicas, porém, ainda sim, estas se mostram deficitárias. A figura 10 faz uma comparação entre as referências encontradas nos simuladores e as reais (Google Maps, 2016), onde se observam as questões aqui levantadas:

Figura 10 – Diferenças entre a planta real e a simulada no Flight Simulator X, trecho entre Anápolis e Goiânia

Fontes: Google Maps e Flight Simulator X.

No canto superior direito encontra-se a cidade de Anápolis - GO e, no inferior esquerdo, Goiânia - GO. Entre elas observa-se uma estrada que as ligam, a BR-153, em ambas as imagens. Contudo, as sinuosidades das pistas, quando observadas mais de perto, apresentam discrepâncias. A posição relativa entre esta referência visual (estrada) e a pista de Anápolis também é diferente no simulador. A figura 11 mostra uma vista mais aproximada da cidade de Anápolis no Flight Simulator X:

Figura 11 – vista aproximada de Anápolis, no Flight Simulator X

Fonte: Flight Simulator X.

Nesta figura acima, observa-se no canto direito superior a pista de pouso do aeroporto civil de Anápolis (designativo SWNS), onde se nota que a supracitada estrada passa pela direita da pista de pouso. Contudo, a planta real mostra que a BR-153 fica à esquerda da mencionada pista de pouso. A figura 12 mostra o mapa da região real.

Figura 12 – Aeroporto de Anápolis

Este é um exemplo, entre vários que podem ser encontradas comparando-se o mapa real e os dos simuladores.

Outra diferença a qual julga-se ser importante de mencionar é a do rumo magnético das pistas de pouso. Com o passar dos anos, é sabido que, devido à variação da declinação magnética de cada região do mundo, o rumo magnético das cabeceiras das pistas sofre variações. Obviamente, os simuladores por si só não acompanham esta variação, apresentando, por vezes, valores diferentes dos reais. Existem, entretanto, programas paralelos que visam corrigir estas defasagens nos simuladores.

2.3.2 - SERIEDADE DO INSTRUENDO

Observando-se o histórico de desenvolvimento dos simuladores aqui estudados, acredita-se que, por esses programas estarem disponíveis ao público em geral, por valores monetários acessíveis, e por serem vendidos em lojas as quais não sejam, por muitas vezes, especialistas em produtos aeronáuticos, criou-se uma abstração mental empírica por parte de alguns, a qual atribui-se a utilização dos simuladores unicamente como entretenimento. Neste segmento existem modismos, como por exemplo dizer-se que os usuários aprendem unicamente a operar GPS, sendo unicamente este o propósito do dito “jogo de avião”. Esse pensamento provavelmente é fomentado pelo contato de muitos alunos de pilotagem real, os quais já se utilizaram dos artifícios dos simuladores aqui estudados, com o pessoal da aviação mais antigo no ramo. Estes alunos muitas das vezes apresentam vícios adquiridos nos simuladores, evidenciados pelos seus instrutores, e por esse motivo, criam-se preconceitos aos simuladores nessas situações.

É evidente que a utilização dos simuladores não prepara, por si só e na sua plenitude, o futuro piloto. Porém, o objetivo deste trabalho corrobora para demonstrar que a utilização do artificio da simulação em computadores domésticos pode ser proveitosa, mas que isso exige disciplina e maturidade em compreender e saber diferenciar os aspectos que envolvem o real e o virtual.

Nesse sentido, deve-se ter em mente que o simulador deve ser levado em conta como ferramenta de estudo com objetivos e resultados a serem alcançados, não havendo mais espaços para outras formas de utilização. Tendo-se este panorama em mente, a figura do instrutor se faz necessária no sentido de guiar um plano de instrução que vise obter êxitos nas instruções reais, durante a prática do voo e também, em certas situações, de forma a exemplificar e massificar conceitos aprendidos na parte teórica dos cursos.

Assim sendo, é prudente observar o progresso que se tem em cada instrução prática e a avaliação da influência do simulador em cada atitude tomada em voo real. Este tipo de consciência, tanto por parte do aluno como do instrutor, são parâmetros que possibilitam a conclusão da real eficácia que se está tendo com o uso dos simuladores. Este tipo de instrospecção advém da seriedade e da maturidade com que se leva o treinamento, tanto na parte real como na virtual.

3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

O Exposto até aqui permite que se faça considerações acerca da real utilização dos simuladores em estudo como ferramenta didática de ensinamento a pilotagem, na forma de um programa de instrução como o que se propõe a seguir

3.1 PROGRAMA DE INSTRUÇÃO VOLTADO PARA SIMULADORES CASEIROS

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