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PROGRAMA DE INSTRUÇÃO VOLTADO PARA SIMULADORES CASEIROS

estudados deva priorizar aspectos de familiarização à operação da aeronave, memorização de procedimentos normais e de emergência e navegação por instrumentos, deixando a cargo da instrução prática, na aeronave real, a familiarização como os comandos da aeronave e manobras, e navegação visual previstas nos cursos de Piloto Privado e Piloto Comercial, devido às explicações feitas no capítulo 3.3 e a diferenças relativas às reações das aeronaves aos comandos das superfícies na aeronave real e na simulada, apenas se demonstrando, a título de introdução, quais manobras serão aplicadas e os pormenores que devem ser enfatizados

Outra possibilidade de emprego dos simuladores é a aplicação prática ligada à parte teórica de aprendizagem, dentro das matérias aplicadas nos cursos. Acredita-se que os simuladores têm a possibilidade de aliar o aprendizado teórico ao prático, de formar a exemplificar e fixar os conteúdos aprendidos. Contudo, ressalta-se que o uso dos simuladores tem caráter complementar, cabendo aqui seu uso em extensão, como mais uma forma de se obter resultados positivos ao aprendizado, e não a sua substituição por completo às formas já utilizadas comumente no ensino e adestramento de pilotos.

Assim sendo, na matéria de Regulamentos de Tráfego Aéreo, exemplificações referentes a leitura e aplicação de notams, ao funcionamento do espaço aéreo e suas delimitações e órgãos envolvidos, e aspectos relacionados ao regulamento de tráfego aéreo podem servir de material fixador de conteúdos aplicáveis a esta matéria. Voos nos simuladores utilizando-se de seções online, quando aplicável, podem servir de exemplificação prática que abordem as mais diversas situações as quais o instruendo irá se deparar, explicando as etapas do voo sob o ponto de vista dos regulamentos de tráfego aéreo e em vias de se obter uma ideia geral e mais precisa acerca da lógica e dinâmica da evolução dos voos em espaços aéreos controlados.

Em Meteorologia, a interpretação de METAR, TAF, SPECI, cartas de ventos e suas implicações com os voos podem ser explicadas no ambiente simulado, oferecendo ao aluno uma ideia mais clara e precisa da relação entre esta matéria e o voo seguro.

convencionais e a reação e seus parâmetros, são bons exemplos de assuntos aplicáveis ao ensinamento nos simuladores estudados.

Na matéria de teoria de voo, pode-se realizar explanação a respeito das forças envolvidas, tipos de aerofólios e aspectos referentes a aerodinâmica que sejam aplicáveis a esta matéria no simulador. Neste assunto, o X Plane 10 obtém melhor êxito, por ser um simulador mais realista quando comparado ao simulador da Microsoft por apresentar uma engenharia mais avançada de simulação aerodinâmica do voo, conforme apresentado neste trabalho.

Por fim, na matéria de navegação, pode-se obter uma introdução à navegação por instrumentos, instrumentos de navegação presentes nas aeronaves, tecnologias utilizadas na atualidade para emprego na navegação por instrumentos são os grandes trunfos dos simuladores estudados aqui. Neles é possível se ter um bom embasamento teórico que envolva o aprendizado da navegação aérea não só por ser possível utilizar-se de auxílios clássicos de navegação, mas também por introduzir as novas tecnologias de navegação presentes na atualidade. Acredita-se que a instrução referente à navegação visual seja prejudicada devido aos motivos expostos neste trabalho, mas que contudo, tendo em mente tais dificuldades, as referências visuais presentes nos simuladores podem ser utilizadas de forma a introduzir ao aluno a navegação visual.

A utilização dos simuladores para os fins acima citados tem a finalidade de ambientar o aluno ao voo e introduzir os conceitos que irá aprender na parte teórica, de modo que o mesmo possa otimizar seu aprendizado e para que, durante a prática real de voo, os conceitos que serão introduzidos no voo real não sejam novidades e o aluno possa aplicá-los de maneira intuitiva, e não de forma mecânica. A maior agilidade também pode ser um aspecto contributivo na defesa da utilização dos simuladores, que pode poupar valiosos minutos de voo e poderá ser lapidada pelo instrutor na parte prática. Ressalta-se, ainda, que a MCA 58-3 retrata a respeito das disciplinas que devem ser cursadas no curso de Piloto Privado e prevê outras matérias, além das mencionadas neste trabalho (DAC, 2004), mas que não foram relacionadas ao uso dos simuladores, sendo, por isso, não comentadas aqui.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que o uso dos simuladores é bastante propício ao treinamento IFR. A possibilidade de se manipular as condições climáticas, aliada ao relativo realismo que envolve o uso dos instrumentos de navegação e de voo, somado ao uso integrado com o recurso de controle de tráfego aéreo, são marcas positivas de ambos simuladores que sustentam sua admissibilidade como instrumentos para o treinamento de voo por instrumentos. Observa-se, contudo, que nem sempre os auxílios a navegação são atualizados em relação ao real, havendo discrepâncias como existência de auxílios no mundo real que não existam nos simuladores ou frequências diferentes daquelas encontradas no auxílio real. Assim, o treinamento é possível, mas é necessário que se verifique estas diferenças, caso se pretenda realizar um voo simulado baseado num voo real que irá ser realizado.

Outro ponto positivo a ser ressaltado é a familiarização a que os simuladores possibilitam com as aeronaves, principalmente as de pequeno porte, conforme mencionado neste trabalho. O uso do simulador propicia a padronização de procedimentos normais e de emergência tornando o treinamento prático real mais ágil e eficiente, quando bem dirigidos e orientados por um instrutor. Contudo, o objetivo aqui não é substituir o conteúdo programático referente a esta familiarização na aeronave real. A meta é que se adquira conhecimentos, extraídos dos simuladores, que tragam uma consciência situacional maior quanto à utilização da aeronave em questão, e que tragam um aprendizado mais eficiente quando voando no ambiente real.

Acredita-se que a simulação aérea, baseada em computadores pessoais, tem caminhado para tornar o conhecimento aeronáutico, no que diz respeito à pilotagem, mais amplo e acessível a todos. A busca por elementos que possam trazer mais segurança às operações aéreas deve sempre ser levada em consideração, e nesse ponto, a ideia primária que justifica a utilização de simuladores é a sua contribuição para a segurança de voo. É evidente, entretanto, que ainda existam deficiências que devem ser levadas em consideração em busca de se obter um adestramento eficiente para pilotos quando se utiliza estes dispositivos de treinamento, e talvez o investimento direcionado aos simuladores caseiros por parte de empresas de softwares e até de indústrias voltadas para o ramo aeronáutico seja uma premissa de uma perspectiva cada vez mais profissional para o uso dos simuladores como ferramentas de ensino.

O conteúdo deste trabalho tem como intenção justificar a utilização de mais uma ferramenta de ensino que fixe de maneira eficiente as bases de conhecimento de pilotos. Porém,

é necessário se enfatizar que os simuladores não devem substituir o treinamento teórico e prático, e a consciência do aluno deve estar sempre direcionada neste sentido. O apoio de um instrutor, que possa direcionar os ensinamentos também se faz presente sempre que possível no intuito de corrigir erros e direcionar os estudos de forma eficiente, lapidando o futuro profissional aeronauta.

REFERÊNCIAS

ANAC. Qualificação de Dispositivos de Treinamento – simuladores de voo (FSTD). Disponível em:< http://www2.anac.gov.br/simulador/qualificacao.asp>. Acesso em: 12 FEV 2016

ANAC. Qualificação e Aprovação de Dispositivos de Treinamento de Vôo Baseados em Computadores Pessoais (PCATD). Brasília, 2004. (IAC 061-1004)

DAC. Manual Do Curso De Piloto Privado - Avião. Brasília, 2004. (MCA 58-3) DAC. Manual Do Curso De Piloto Comercial - Avião. Brasília, 2004. (MCA 58-9)

_____. Dicionário Do Aurélio Online 2008-2016. Disponível em:<https://dicionariodoaurelio.com/jogo>. Acesso em 15 MAR 2016.

MATSUURA, Jackson Paul. Aplicação dos simuladores de vôo no desenvolvimento e avaliação de aeronaves e periféricos. São José dos Campos: ITA/IEEE, 1995.

PIOVESAN, Armando; TEMPORINI, Edméa Rita. Pesquisa exploratória: Procedimento metodológico para o estudo de fatores humanos no campo da saúde pública. Revista de Saúde Pública, 29 (4), 1995. São Paulo: FAPESP, 1995.

X PLANE. Ultra Realistic Flight Simulation. Disponível em <http://www.x- plane.com/pro/certified/>. Acesso em 31 MAR 2016

G1 - Falta De Pilotos Faz Empresas Aéreas 'Repatriarem' E Contratarem Militares. Disponível em <http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/07/falta-de-pilotos-faz-empresas- aereas-repatriarem-e-contratarem-militares.html>. Acesso em 31 MAR 2016

PMDG – PMDG 737 NGX. Disponível em:<

2016.http://www.precisionmanuals.com/pages/product/FSX/ngx8900.html >. Acesso em 17 ABR 2016.

MICROSOFT - Lockheed Martin-Microsoft Agreement to Bring Better Training to Warfighters. Disponível em <https://news.microsoft.com/2009/11/30/lockheed-martin- microsoft-agreement-to-bring-better-training-to-

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LOCKHEED MARTIN. Who We Are. Disponível em<

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