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2.3 Eletroestimulação neuromuscular

2.3.3 Aspectos eletrofisiológicos

2.3.3.1 Aumento da força muscular

Muitas pesquisas foram realizadas, buscando conhecer o efeito de correntes elétricas nas fibras musculares. Os estudos se concentram em duas hipóteses principais:

aumento da força muscular e mudança no tecido muscular (EVANGELISTA et al, 2003A).

Sobre o aumento da força muscular, Starkey (1999) relata que a estimulação elétrica neuro-muscular (EENM) estimula os nervos motores de grande diâmetro do tipo IIb a se contraírem antes das fibras do tipo I, é fácil concluir que o vigor da contração aumenta, considerando-se que as fibras do tipo IIb são capazes de produzir mais força.

Quanto ao aumento de massa muscular com a prática de EENM, Robinson e Snyder-Mackler (2001), afirmam que possuem pouquíssimas informações, mas é marcante o aumento da força em indivíduos diferentes, em estudos selecionados. Separando alguns destes estudos, a média de ganho de força devido a EENM aparenta ser em torno de 20% em aproximadamente um mês.

Sob condições normais, o músculo pode ativar de 30% a 60% de suas unidades motoras dependendo da extensão do treinamento, cita Hoogland (1988 apud EVANGELISTA et al, 2003b) que confirmou a importância da EENM no ganho de força quando definiu alguns benefícios extras:

– consegue-se ativar 30% a 40% mais das unidades motoras com corrente elétrica de média freqüência que nos exercícios comuns e os tratamentos convencionais. Pois com a estimulação elétrica ocorre a modulação do nervo motor alfa e não despolarização do neurônio, como no movimento ativo, tendo assim, características de despolarização

artificial tornando possível ativar todas as unidades motoras simultaneamente;

– aumento da força em curto prazo.

2.3.3.2 Efeitos no metabolismo muscular e no fluxo sangüíneo

Para Andrews, Harrelson e Wilk (2000) a estimulação elétrica terá o mesmo efeito que a contração muscular normal voluntária para causar um aumento temporário no metabolismo muscular. Haverá conseqüências associadas de aumento na combustão de oxigênio e dióxido de carbono, ácido láctico e outros produtos metabólicos, bem como aumento de temperatura e de fluxo sangüíneo local.

Vários estudos demonstraram um aumento no fluxo sangüíneo, por exemplo, Currier et al (1986 apud LONGO; FUIRINI JÚNIOR, 2000) que quantificou um aumento de 20% da circulação sangüínea após um (01) minuto do início da aplicação da corrente elétrica e perdurou em torno de 5 minutos após seu término.

2.3.3.3 Fadiga muscular

Segundo os autores Evangelista et al (2003a) e Longo e Fuirini Júnior. (2000) a fadiga muscular como conseqüência de contrações voluntárias é bem conhecido, mas é um fenômeno complexo e não completamente compreendido. Inicialmente ela é devido à extinção do glicogênio muscular e da glicose sangüínea disponível com outras limitações bioquímicas. No final a taxa da utilização de oxigênio é importante.

Alguns autores (SELKOWITZ, 1985; KARLSSON et al, 1970; apud EVANGELISTA et al, 2003a), colocam como importante prática clínica à observação do tempo de repouso e tempo de contração devida o grau de duração da fadiga aparentar ser diretamente relacionado com a duração da estimulação elétrica. Brasileiro et al (2002) citam que possivelmente sustentações prolongadas podem levar a fadiga mais facilmente. Desta forma, o tempo de repouso deve ser um tanto quanto mais longo sendo mais comumente usado 10 segundos para a contração e 60 segundos para o repouso.

Fadiga a contrações submáximas é controlada pela variação de unidades motoras particulares envolvidas. Contrações prolongadas demonstram um recrutamento maior de unidades motoras para manter a mesma força muscular conforme a fadiga ocorre. Seria desta forma esperado que a estimulação elétrica dos músculos via o nervo motor levaria a uma fadiga muscular relativamente rápida, já que um conjunto fixo de unidades motoras é estimulado com as fibras fásicas de disparo rápido selecionadas preferencialmente (LONGO;

FUIRINI JÚNIOR, 2000).

A fadiga após o exercício, incluindo o exercício induzido eletricamente, pode ser um estimulo necessário para o fortalecimento muscular, mas se a estimulação de um músculo já fatigado é danoso ou não ainda não se sabe (EVANGELISTA et al, 2003a). A possibilidade de risco devido à estimulação elétrica funcional (FES) também foi considerada por Stokes e Cooper (1989 apud EVANGELISTA et al, 2003a), mas parece não haver nenhuma evidência de qualquer dano funcional ou estrutural devido à estimulação elétrica.

2.3.3.4 Mudança na estrutura das fibras musculares

Foi estabelecido, pelos autores Petty, Hoogland, Howard e Swinghedauw (apud

EVANGELISTA, 2003b), que a estrutura das fibras musculares mudam após estimulação por um longo período com correntes elétricas. Esta mudança aparenta depender primariamente da freqüência com que o nervo motor é despolarizado pela corrente elétrica. Na maioria dos casos, a velocidade de ativação das células musculares se reduz. A fibra muscular se torna mais vermelha (tônica) e a capilarização aumenta. A célula muscular também se torna mais sensível. A fibra muscular assume então um caráter de fibra tônica. Esta mudança não é sempre desejável, particularmente em músculos que devem ser capazes de trabalhar dinamicamente.

E ainda para os mesmo autores supra citados, a mudança na estrutura da fibra muscular é reversível, a mesma se adapta à função conforme o músculo é utilizado funcionalmente. Também foi estabelecido com alguma exatidão que a freqüência de despolarização do nervo motor é um dos fatores determinantes no desenvolvimento desta. Isto pode levar a conclusão que a freqüência de despolarização da fibra muscular é o fator determinante para as suas propriedades (EVANGELISTA et al, 2003b).

A conservação da mudança na estrutura da fibra muscular é principalmente determinada pelo uso funcional do músculo, relata Swinghedauw (1986 apud LONGO;

FUIRINI JÚNIOR, 2000). Se a função não se adequa a estrutura, então esta se adapta rapidamente. Isto se aplica particularmente para as fibras musculares brancas “fásicas.” Com estimulação elétrica pode-se influenciar a estrutura da mesma conforme se deseje com a variação da freqüência da estimulação elétrica. Aqui, a estimulação elétrica difere da terapia de exercício.

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