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2.3 Eletroestimulação neuromuscular

2.3.4 Corrente russa

2.3.4.1 Definição

Segundo Braga, Darini e Mendes (2004), é um recurso bioelétrico que promove contrações musculares isométricas podendo se mostrar eficaz em disfunções de fibras musculares.

“A corrente russa é caracterizada por apresentar um sinal senoidal de freqüência igual a 2.500Hz modulada por uma freqüência de batimento de 50Hz com Duty Cycle de 50%.” (GUIRRO, 2000, p. 48).

Para Low e Reed (2001) a corrente russa é senoidal, mas chama-se de quadrática porque possui pulsos quadrangulares. É uma corrente bifásica, alternada e homogênea. Não tem pólos.

2.3.4.2 Efeitos da corrente russa

Low e Reed (2001) relatam que por ser uma corrente de média freqüência, a contração muscular com estimulação elétrica é similar à contração voluntária, porém melhora o trofismo e, de acordo com a corrente, aumenta o volume da massa muscular, além de auxiliar na oxigenação e no intercâmbio metabólico celular. A contração e o relaxamento exercem uma ação de bombeamento sobre os vasos venosos e linfáticos, dentro dos músculos

e situados próximos a eles, atinge fibras mais profundas, tem menos resistência e recruta mais fibras musculares, promovendo assim o fortalecimento.

Outra característica da corrente russa conforme Rodrigues e Guimarães (1998) é sua capacidade de realizar, de forma verdadeira, uma contração isométrica, isotônica e isocinética trabalhando o músculo em sua capacidade máxima num tempo de terapia reduzido em relação a outros recursos. Sua utilização é fácil, podendo ser trabalhados vários grupos musculares, respeitando as agonistas e antagonistas em contrações alternadas.

E de acordo com Evangelista et al (2003b), a eletroestimulação de média freqüência tem a capacidade de recrutar maior número de fibras que a contração voluntária, sendo assim, a eletroestimulação é capaz de produzir resultados mais eficazes que apenas exercícios isolados.

2.3.4.3 Indicações e contra-indicações

Conforme Kitchen (2001), é indicada nos casos de:

– hipotonia muscular;

– fortalecimento e aumento de tônus muscular;

– melhora da performance de atletas;

– reeducação postural;

– estimulação do fluxo sangüíneo e linfático.

E, ainda conforme Kitchen (2001) e Guirro (2000), sua contra-indicação está presente em:

– incapacidade cardíaca, pacientes com marca-passos, por exemplo;

– doença vascular periférica, especialmente quando há a possibilidade de trombos se soltarem;

– sobre os seios carotídeos;

– indivíduos hipertensos e hipotensos;

– áreas de excesso do tecido adiposo em pacientes obesos;

– tecido neoplásico;

– áreas de tecido com infecção ativa;

– pacientes diabéticos ou com neuropatias periféricas;

– gestação em qualquer fase;

– próteses metálicas no local de aplicação.

2.3.4.4 Parâmetros e aplicação da corrente russa

Os parâmetros, de acordo com Fuirini Júnior (2003), para a utilização da corrente russa são:

1. tipo de fibra a ser estimulada e modulação de corrente:

Fibras tônicas – 20 a 30 Hz Fibras fásicas – 50 a 120 Hz.

2. ciclo útil da corrente:

20% - atrofia severa ou flacidez severa

35% - atrofia moderada ou flacidez relativamente importante

50% - no final da recuperação de atrofia e para recuperação de tônus muscular 3. tempo de contração e repouso:

x o tempo de contração se assemelha com a quantidade de peso que damos a um

exercício resistido, quanto maior o tempo, maior a resposta com relação ao volume e tônus;

x este tempo de contração deve ser aplicado de forma crescente, respeitando a condição metabólica do músculo, evitando um gasto energético excessivo (acidose tecidual);

x devemos sempre perseguir este tempo em todas as aplicações e sempre tender e

evoluir, até um limite fisiológico.

4. tempo total de estímulo:

x o tempo total do estímulo, depende diretamente do número de contrações por minutos,

pois se multiplicamos este número de contração por minutos pelo tempo total de estímulo, teremos o número total de contrações;

x este número deve ser avaliado de acordo com as condições físicas do paciente, para

que não se ultrapasse sua condição metabólica, não entrando em fase anaeróbica.

Quando o músculo apresentar fibras tônicas e fásicas, ou seja, misto, coloca-se 5 minutos para cada fibra.

5. controle de intensidade: a intensidade de corrente está, diretamente, relacionada a maior

ou menor contração muscular. Sendo um dado variável, que depende da sensibilidade cutânea do paciente e da sensação da contração muscular.

2.3.4.5 Modo de aplicação da corrente

A aplicação da corrente é realizada com a colocação dos eletrodos no ventre muscular. Guirro (2000) cita que a aplicação muscular é empregada quando a finalidade é fortalecer a musculatura, melhorar a circulação e relaxar a musculatura.

Os eletrodos são constituídos de um material flexível (borracha ou

silicone-carbono) que apresenta a menor incidência de irritação da pele. Os eletrodos fazem contato com a pele através de uma substância gel; os eletrodos devem ser trocados aproximadamente a cada seis meses, porque podem ocorrer alterações na propagação de impulso (RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998). Também se deve realizar a limpeza prévia da região a ser aplicada, com álcool e algodão, para a fixação dos eletrodos e menor resistência da pele.

De acordo com Starkey (2001), o tamanho do eletrodo dependerá do tamanho do músculo a ser estimulado e da intensidade da contração a ser promovida. Eletrodos pequenos podem ser utilizados na localização da estimulação a pequenos músculos, ou podem ser empregados na aplicação de um estímulo sobre um nervo que inerva um músculo. Eletrodos maiores são necessários para a estimulação de músculos maiores e grupos musculares.

A corrente russa apresenta várias vantagens em relação a corrente de baixa freqüência. Uma dessas vantagens está relacionada a resistência (impedância) do corpo oferece à condução da corrente elétrica. Como a impedância do corpo humano é capacitiva e, em sistemas capacitivos quanto maior a freqüência menor será a resistência presente. Com isso, podemos concluir que uma corrente com média freqüência diminui sensivelmente o desconforto da corrente que o paciente está sendo submetido (GUIRRO, 2000).

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