Para a coleta de dados foi realizado um estudo piloto, a fim de estabelecer qual a melhor maneira de se realizar as medidas pretendidas na avaliação da força muscular, perimetria do quadril e mensuração de dobras cutâneas do músculo glúteo máximo. Além de serem testadas as posições dos eletrodos na musculatura em questão, e a posição ideal da paciente para a aplicação dos tratamentos, corrente russa e exercício resistido.
A coleta de dados foi realizada na Clínica Escola de Fisioterapia da UNISUL, campus Tubarão, no período de setembro e novembro de 2004 e abril de 2005. Depois de selecionada a amostra, foram repassadas orientações sobre a pesquisa e os procedimentos
realizados às participantes, e aplicado o termo de consentimento (anexo B).
A coleta seguiu o seguinte protocolo: a avaliação, realizada na 1º sessão; 10 sessões para aplicação do tratamento, realizadas três vezes por semana; e de uma reavaliação realizada na última sessão.
A avaliação foi realizada através de uma ficha de avaliação fisioterapêutica para flacidez muscular (apêndice B), que constava de dados de identificação, anamnese e exame físico.
No exame físico foram avaliados:
– força muscular (em kg): avaliada através do Teste de carga máxima – TCM, de forma decrescente, conforme Marins e Giannichi (2003). Os mesmos autores citam que no emprego do TCM pela forma decrescente, inicia-se com uma carga máxima, que não permite ao testando executar o movimento; a seguir diminui-se, gradativamente, a carga até um determinado ponto, quando será possível a execução do exercício. Movimento testado foi de extensão do quadril e a força muscular foi expressa em 1 RM;
– perimetria do quadril (em cm): de acordo com E. Guirro e R. Guirro (2004), são feitas 3 medidas com a fita métrica, tendo como pontos de referência (adaptados para a pesquisa):
as espinhas ilíacas póstero-superior (EIPS), linha do trocânter maior do fêmur e na prega glútea;
– dobra cutânea (mm): é medida através do plicômetro, que é um instrumento utilizado para medir a distância entre dois pontos. O procedimento para medir a espessura das pregas cutâneas consiste em pinçar fortemente, com o polegar e o indicador, uma prega de pele e gordura subcutânea, afastando-a do tecido muscular subjacente. Isto é registrado em milímetros, dentro de 2 segundos após aplicar toda a força do plicômetro (McARDLE, KATCH, F.; KATCH, V, 1998). A localização anatômica da área glútea foi uma prega oblíqua medida na linha lateral, tendo um ponto médio entre EIPS (espinha ilíaca póstero superior) e a prega glútea;
A reavaliação, realizada na última sessão, constituiu-se dos mesmos procedimentos realizados no exame físico da avaliação, sendo aplicado ainda, a escala de opinião (anexo A).
O período de tratamento foi de 12 sessões, sendo que no primeiro e no último dia foram realizadas a avaliação e a reavaliação.
Para a aplicação da corrente russa e do exercício resistido foram destinadas 10 sessões, realizadas três vezes por semana, interrompidas pelos sábados, domingos e alguns feriados, sendo que o modo de aplicação do tratamento foi seguido por um mesmo protocolo realizado com todas as participantes, diferenciado entre grupos que assim ficaram dispostos:
– Grupo A – grupo experimental 1 – formado por seis participantes. Foi realizada a aplicação da corrente russa e durante o tempo ON (tempo de contração da corrente) foi realizado o exercício resistido com caneleiras de 50 % do valor obtido no teste de 1RM, composto de duas séries de 10 repetições, tendo cada sessão duração de 30 minutos;
– Grupo B – grupo experimental 2 - formado por seis participantes.Utilizou-se somente a aplicação da corrente russa, tendo cada sessão duração de 30 minutos;
– Grupo C – grupo experimental 3 - formado por seis participantes. Utilizou-se somente o exercício resistido com caneleiras de 50% do valor obtido no teste de 1RM, composto de duas séries de 10 repetições, tendo cada sessão duração de 10 minutos.
. O tempo de duração de cada sessão foi dividido assim: 10 minutos para o preparo da paciente, colocação e retirada dos eletrodos, e 20 minutos para a aplicação da corrente russa, isto para os grupos A e B. Para o grupo C eram necessários somente 10 minutos para a realização das duas séries de 10 repetições do exercício resistido.
Para aplicação da corrente russa, a paciente era posicionada numa maca, em decúbito ventral, onde se realizava a limpeza da região glútea com álcool e algodão para a colocação dos eletrodos. Os eletrodos foram dispostos de forma bilateral (dois eletrodos conectados em cada cabo de transmissão do aparelho – Masterline), sendo posicionados sobre
o ventre muscular do músculo glúteo máximo.
Os parâmetros da corrente russa foram:
– freqüência portadora de 2500 Hz;
– freqüência modulada de 50 Hz;
– onda senoidal, com modo de estimulação sincronizado (2 canais simultâneos);
– tempo de subida (RISE) e descida (DECAY) da rampa igual a 00 segundos;
– tempo ON (tempo de contração da corrente) e tempo OFF (tempo de repouso da corrente) conforme Rosas (2002), estão dispostos no quadro 3.
Sessões ON OFF
– tempo total de estimulação de 20 minutos;
– intensidade (mA) confortável e suficiente para proporcionar contração visível.
E para a realização do exercício resistido foi seguido o seguinte protocolo: 50%
do valor obtido no teste de 1RM; duas séries de 10 repetições, onde as participantes com vestimenta confortável, eram posicionadas numa maca, em decúbito ventral e executavam o movimento de extensão do quadril com os joelhos flexionados a 90º e com as caneleiras colocadas no tornozelo, também realizadas três vezes por semana.
1 Material didático utilizado pelo Prof. Ralph Fernando Rosas, responsável pela disciplina de Recursos Terapêuticos II, ministrada no 3º semestre, 2002b.
4 ANÁLISE DOS DADOS
Neste capítulo será apresentada a análise dos dados, sendo utilizados para análise estatística, o teste não-paramétrico de Wilcoxon para amostras dependentes, onde foram realizadas as comparações dos pacientes no pré e pós-teste em cada grupo, e o teste não-paramétrico de Wilcoxon para amostras independentes, onde foram comparados os resultados das variações obtidas no pré e pós-teste entre os grupos.
Os grupos ficaram identificados, como já descritos no capítulo anterior, em: grupo A – experimental 1 (corrente russa e exercício resistido); Grupo B – experimental 2 (somente corrente russa); e Grupo C – experimental 3 (somente exercício resistido).
Abaixo serão apresentados os resultados da força muscular em medida única, nas tabelas 1 e 2 respectivamente, com a análise obtida através do Teste de Wilcoxon para amostras dependentes, onde poderá ser observada a diferença do pré e pós-teste entre os grupos avaliados.
Tabela 1 – Resultados da força muscular (medida única) no pré e pós-teste dos grupos A e B, em Kg
Grupo A Grupo B
Paciente
Pré-teste Pós-teste Variação Pré-teste Pós-teste Variação
1... 3 5 2 5 7 2
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
5HDOL]DGRR7HVWHGH:LOFR[RQSDUDDPRVWUDVGHSHQGHQWHVFRP. REWHYH
-se a aceitação da hipóte-se alternativa, significando que houve diferença estatística entre o pré e o pós-teste dos pacientes no grupo A e B.
Tabela 2 – Resultados da força muscular (medida única) no pré e pós-teste do grupo C, em Kg.
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Quando analisada a força muscular no Grupo C, conforme tabela 2, não foi possível a análise estatística através do teste de Wilcoxon para amostras dependentes. Pois quando ocorrem muitas repetições o valor de n (número de elementos da amostra), para efeito de utilização do teste fica reduzido, ou seja, ao invés do n = 6 temos n = 3, pois diminuímos 1 unidade de n para cada diferença = 0. Como vão 3 diferenças = 0, temos n = 6 – 3 = 3.
Então, para n = 3 não se pode consultar a tabela de valores críticos da distribuição T de Wilcoxon para obter o T (tabelado) que faz parte do Teste. Em Callegari-Jaques (2003)
até um n = 4 é possível realizar o teste. Para Triola (1999), somente a partir de n = 5 é possível obter o valor de T (tabelado).
Tabela 3 – Resultados das variações da força muscular (medida única) entre os grupos A e B e grupos A e C, em Kg.
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Para os resultados das variações obtidas no pré e pós-teste da força muscular, entre os grupos A e B e os Grupos A e C ilustrados na tabela 3, utilizou-se o Teste de Wilcoxon para amostras iQGHSHQGHQWHVFRP. REWHQGR-se a aceitação da hipótese nula em ambos os grupos, o que significa que não existiu diferença estatística nas variações entre os grupos.
Os resultados do grupo A e B, referentes ao pré e pós-teste da perimetria do quadril, realizada em 3 medidas: a primeira nas espinhas ilíacas antero-superior (EIAS); a segunda na linha do trocânter maior e a terceira medida na prega glútea, estão ilustrados nas tabelas 4 e 5, respectivamente.
Tabela 4 – Resultados das 3 medidas da perimetria do quadril no pré e pós-teste do grupo A, em cm.
1ª Medida 2ª Medida 3ª Medida
Paciente
Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste
1... 82 82 95 95,5 95,5 94,5
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Tabela 5 – Resultados das 3 medidas da perimetria do quadril no pré e pós-teste do grupo B, em cm.
1ª Medida 2ª Medida 3ª Medida
Paciente
Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste
1... 77 77 95,5 97,5 97 96
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Para a análise estatística da primeira medida (EIAS) da perimetria do quadril nos dois grupos, não foi possível a realização do Teste de Wilcoxon para amostras dependentes, devido há muitas repetições dos valores no pré e pós-teste, como já explicado anteriormente na análise estatística da força muscular no grupo C.
Já para a análise estatística da segunda medida (linha do trocânter maior do fêmur) foi possível realizar o Teste de Wilcoxon para amostras dependentes, com . QRVGRLV grupos, obtendo-se a aceitação da hipótese alternativa, chegando à conclusão que existe diferença estatística entre o pré e pós-teste da população na perimetria do quadril nos dois grupos.
Quando analisada a terceira medida (prega glútea) utilizando-se também o mesmo WHVWHSDUDDPRVWUDVGHSHQGHQWHVFRP. QRVGRLVJUXSRVDFHLWD-se novamente a hipótese
alternativa para ambos os grupos.
Para a análise estatística dos resultados das três medidas da perimetria do quadril do grupo C, expressos na tabela 6, abaixo, não foi possível realizar o Teste de Wilcoxon para amostra dependentes, devido ao grande número de repetições das medidas no pré e pós-teste.
Em razão disto, o tamanho da amostra fica reduzido de n = 6 para n = 3, não sendo possível consultar a tabela para se obter o T (tabelado), conforme os autores Callegari-Jacques (2003) e Triola (1999).
Tabela 6 – Resultados das 3 medidas da perimetria do quadril no pré e pós-teste do Grupo C, em cm.
GRUPO C
1ª Medida 2ª Medida 3ª Medida
Pacientes
Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste
1... 81 82 96 96 95 95
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Quando realizado o Teste de Wilcoxon para amostras independentes FRP.
para os resultados das variações obtidas no pré e pós-teste das três medidas da perimetria do quadril entre os grupos A e B, como mostra a tabela 7, pode-se aceitar a hipótese nula para as três medidas entre os grupos, permitindo-se observar que a intervenção fisioterapêutica não apresentou correlação estatística entre os grupos.
Tabela 7 – Resultados das variações obtidas no pré e pós-teste das 3 medidas da perimetria do quadril entre os grupos A e B, em cm.
1ª Medida 2ª Medida 3ª Medida
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Tabela 8 – Resultados das variações no pré e pós-teste das 3 medidas da perimetria do
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
E para os resultados das variações obtidas no pré e pós-teste das três medidas da perimetria do quadril entre os grupos A e C, conforme a tabela 8, também realizou-se o mesmo teste para amostras independentes, com . SDUDDVWUês medidas entre os grupos.
Para a primeira medida (EIAS) da perimetria do quadril se aceita a hipótese nula.
Já para a segunda medida (linha do trocânter maior do fêmur) e para a terceira medida (prega glútea), obteve-se a aceitação da hipótese alternativa.
Para a avaliação do percentual de gordura foi medida a dobra cutânea do músculo glúteo máximo, sendo medida no glúteo direito e no glúteo esquerdo. Os resultados dos grupos A, B e C estão ilustrados abaixo nas tabelas 9, 10 e 11, respectivamente.
Tabela 9 – Resultados da dobra cutânea no pré e pós-teste do grupo A, em mm.
GRUPO A
Glúteo Direito Glúteo Esquerdo
Pacientes
Pré-teste Pós-teste Variação Pré-teste Pós-teste Variação
1... 35,7 35 0,7 35,7 35,7 0
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Tabela 10 – Resultados da dobra cutânea no pré e pós-teste do grupo B, em mm.
GRUPO B
Glúteo Direito Glúteo Esquerdo
Pacientes
Pré-teste Pós-teste Variação Pré-teste Pós-teste Variação
1... 32 27,3 4,7 31,6 28 3,6
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Tabela 11 – Resultados da dobra cutânea no pré e pós-teste do grupo C, em mm.
GRUPO A
Glúteo Direito Glúteo Esquerdo
Pacientes
Pré-teste Pós-teste Variação Pré-teste Pós-teste Variação
1... 32,7 29 3,7 32 27,7 4,3
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
No grupo A, utilizou-se o Teste de Wilcoxon para amostras dependentesFRP. 5% para o glúteo direito e . SDUDRJOúteo esquerdo, obtendo-se a aceitação da hipótese alternativa para ambos.
Para os grupos B e C, também realizou-se o Teste de Wilcoxon para amostras dHSHQGHQWHVFRP. SDUDDPERVRVJOúteos, aceitando-se também a hipótese alternativa.
Os resultados das variações das dobras cutâneas, medidas no glúteo direito e no glúteo esquerdo, entre os grupos A e B e os grupos A e C, como mostra as tabelas 12 e 13, respectivamente, foram analisados estatisticamente, através do Teste de Wilcoxon para amostras independentes, com . SDUDWRGRVRVJUXSRV
Tabela 12 – Resultados das variações obtidas no pré e pós-teste das dobras cutâneas no glúteo direito e glúteo esquerdo, entre os grupos A e B, em mm.
Glúteo Direito Glúteo Esquerdo
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Tabela 13 – Resultados das variações obtidas no pré e pós-teste das dobras cutâneas medidas no glúteo direito e no glúteo esquerdo, entre os grupos A e C, em mm.
Glúteo Direito Glúteo Esquerdo
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
Para as variações das dobras cutâneas comparadas entre os grupos A e B, obteve-se a aceitação da hipóteobteve-se alternativa, tanto para o glúteo direito quanto para o glúteo esquerdo, significando que houve diferente estatística entre os grupos.
O mesmo concluiu-se para as variações das dobras cutâneas entre os grupos A e C, que também se aceita a hipótese alternativa para o glúteo direito e esquerdo, entre os grupos.
Para verificar a satisfação das pacientes após a realização dos tratamentos em cada grupo, foi aplicado uma escala de opinião, no qual os resultados estão ilustrados na tabela 14.
Tabela 14 – Resultados do nível de satisfação das pacientes após a realização dos tratamento.
Pacientes Grupo A Grupo B Grupo C
1... Satisfeita Satisfeita Plenamente satisfeita 2... Satisfeita Satisfeita Satisfeita 3... Plenamente satisfeita Satisfeita Satisfeita 4... Plenamente satisfeita Satisfeita Satisfeita 5... Satisfeita Satisfeita Parcialmente satisfeita 6... Plenamente satisfeita Satisfeita Satisfeita
Fonte: pesquisa elaborada pela autora, 2005.
No grupo A, nota-se um maior nível de satisfação, 50% plenamente satisfeita e 50% satisfeitas, em relação aos resultados da aplicação da corrente russa associada ao exercício resistido. No grupo B todas se mostraram satisfeitas (100%) com a aplicação somente da corrente russa. E por final, no grupo C, 17% mostraram-se plenamente satisfeita, 17% parcialmente satisfeito e 66% satisfeitos em relação à realização apenas do exercício resistido.
5 DISCUSSÃO DOS DADOS
Depois de analisados estatisticamente os resultados do pré e pós-teste da força muscular nos grupos A e B, pode-se observar que houve aumento da força após a intervenção fisioterapêutica, em ambos os grupos. Portanto, para o grupo A a aplicação da corrente russa associada ao exercício resistido foi efetiva, assim como somente a aplicação da corrente russa no grupo B.
Este efeito pode ser explicado de acordo com Kots (apud NELSON; HAYER;
CURRIER, 2003), o primeiro a utilizar a estimulação elétrica neuromuscular (EENM) no fortalecimento muscular em indivíduos saudáveis, a capacidade para um maior recrutamento de unidades motoras seria o principal fator responsável pelos significativos ganhos de força, observado na associação da EENM ao treinamento com a contração voluntária máxima (NELSON; HAYER; CURRIER, 2003).
Selkowitz (1989 apud GUIRRO, E.; GUIRRO, R., 2004) explica ainda que a eletroestimulação isolada, em posição isométrica promove aumento de força isométrica, determinando também uma maior capacidade do indivíduo em tolerar contrações mais fortes e longas. Observou que não existe correlação significativa entre a intensidade da corrente tolerada durante a estimulação elétrica e o torque produzido pela contração, em que esta variabilidade é devida à interferência do sistema nervoso central (sensibilidade e percepção emocional, desconforto e ansiedade), à fadiga e à impedância elétrica de cada indivíduo.
E Delitto e Snyder-Mackler (1976 apud ROBINSON; SNYDER-MACKLER, 2001) que sustentam e explicam o aumento da força muscular através da estimulação elétrica, discutem que o aumento da força muscular pela EENM envolve o mesmo mecanismo do exercício voluntário, ou seja, o aumento da força depende do aumento da carga funcional.
Quando analisada a força muscular no grupo C, pode ser observado que as diferenças no pré e pós-teste apresentaram pequena variação nos valores, obtendo-se um aumento da força em no máximo 1kg, utilizando o protocolo proposto neste estudo de 50% do valor obtido no teste de 1RM.
Hortobágui et al (1992 apud BRASILEIRO; SALVINI, 2004), acreditam que forças em torno de 50 a 60% da contração voluntária máxima são requeridas para o fortalecimento ou hipertrofia de músculos saudáveis.
Já Wilmore e Costill (2001) relatam que somente exercícios que utilizem pelo menos 75% da força máxima são capazes de um recrutamento máximo de unidades motoras.
Santarém (apud GHORAYEB; BARROS, 1999), reafirma citando que exercícios com pesos entre 75% e 85% da carga máxima, são mais eficientes para estimular o aumento de volume dos músculos, que apresentam hipertrofia tanto de fibras brancas quanto de fibras vermelhas, com razoáveis hidratação e vascularização. Enquanto exercícios com pesos entre 60 e 75% de carga máxima produzem hidratação e vascularização máximas, porém hipertrofia de fibras brancas e vermelhas em menor grau.
Com a análise dos resultados das variações obtidas no pré e pós-teste da força muscular, entre os grupos A e B e os grupos A e C, conclui-se que embora tenham sido verificados diferenças, entre os grupos no pré e pós-teste quando os resultados das variações foram comparados, tanto a aplicação da corrente russa associada do exercício resistido, quanto somente a aplicação da mesma e somente aplicação do exercício resistido, não apresentaram correlação estatística entre os grupos.
Portanto, os tratamentos utilizados nesta pesquisa demonstraram ter, em seu
resultado final, a mesma eficácia em ambos os grupos, o que enfatiza o estudo feito por Currier e Mann (1983 apud BRASILEIRO; SALVINI, 2004), que analisaram os efeitos da estimulação elétrica em quatro diferentes grupos experimentais: estimulação elétrica, estimulação elétrica associada ao exercício voluntário, exercício isométrico voluntário e grupo controle, identificando um aumento significativo de força em todos os três grupos, quando comparado ao grupo controle.
Já McMiken et al (apud ROBINSON; SNYDER-MACKLER, 2001) comparando dois programas de tratamento, sendo um a contração isométrica voluntária máxima e outro a estimulação elétrica, por um período de 10 dias, observaram um aumento de 25% no grupo de contração isométrica e de 22% para estimulação elétrica, ressaltando que não houve diferença entre os mesmos. Contrariamente a estes resultados, Delitto et al (1988 apud ROBINSON;
SNYDER-MACKLER, 2001) observaram um ganho de força muito maior no grupo de estimulação elétrica (2.500Hz, modulado a 50Hz, com intensidade máxima tolerada) do que no grupo treinado com contração voluntária.
E. Guirro e R. Guirro (2004), concluem que os dados encontrados na literatura podem apresentar certa divergência entre vários autores em função dos protocolos utilizados nos programas de eletroestimulação elétrica neuromuscular. A freqüência, intensidade, relação entre o tempo de contração e repouso, período de análise, ângulo do segmento, entre outros, podem influenciar nos resultados. Essas variáveis devem ser cuidadosamente destacadas quando da análise dos resultados de um experimento ou no confronto de vários.
Após a análise estatística do pré e pós-teste da primeira medida (EIAS) da perimetria do quadril, nos grupos A e B, pode-se observar que não houve diferenças significativas desta medida, após a intervenção fisioterapêutica dos dois grupos.
Já com a análise estatística da segunda medida (linha do trocânter maior do fêmur), pode ser observado na amostra que houve um aumento desta medida em ambos os grupos. Portanto, para esta segunda medida da perimetria do quadril, a intervenção
fisioterapêutica dos grupos A e B foi efetiva.
E na análise da terceira medida (prega glútea) no grupo A, observou-se que houve uma redução desta medida, quando se aplicam os dois tratamentos associados. E no grupo B, não houve alteração significativa desta medida, quando aplicada somente a corrente russa.
No entanto, quando analisada as variações obtidas no pré e pós-teste das três medidas da perimetria do quadril entre os grupos A e B, observou-se que o resultado final dos tratamentos aplicados demonstrou ter mesma efetividade em ambos os grupos.
No grupo C, após a análise dos resultados das três medidas da perimetria, chegou-se a conclusão que somente com a aplicação do exercício resistido não há alterações significativas nestas medidas, sendo menos eficaz em relação às intervenções fisioterapêuticas dos grupos A e B.
Estes resultados foram confirmados após a análise estatística das variações obtidas no pré e pós-teste das três medidas da perimetria do quadril entre os grupos A e C, sendo que na primeira medida as duas intervenções demonstraram a mesma efetividade. Mas na segunda e terceira medida a intervenção fisioterapêutica do grupo A foi mais efetiva em relação ao grupo C.
De acordo com o esperado nesta pesquisa, isto é, um aumento da perimetria do
De acordo com o esperado nesta pesquisa, isto é, um aumento da perimetria do