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4.3 Antecedentes na formação do território de Jaguariúna: o espaço fundiário

4.3.4 Aspectos históricos que precederam a Lei de Terra

Após o período de expansão territorial através da exploração e o estabelecimento dos povoados, vilas, e arraiais atrelados ao caminho econômico rumo ao oeste paulista em direção ao sertão, durante principalmente o século XVIII, aliado ao curto ciclo econômico açucareiro.

Lúcio (2010) afirma que o século XIX foi decisivo para a economia brasileira constituindo a sua “formação sociogênica” apta a governar em função dos seguintes fatores:

As fortunas particulares consolidaram os interesses atrelados à terra;

O comércio formava-se como uma atividade com perspectivas promissoras; A sociedade se estratificava em sua formação hierárquica, estando no topo

os senhores dos latifúndios e donos das riquezas agrárias, em outras palavras, essa “gente constituiria a nobreza e os titulares do segundo império”.

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No campo técnico a situação se configurava do seguinte modo:

Manutenção das técnicas coloniais, sendo a “coivara” 21

a principal forma de preparação das terras;

Falta de aplicação de mecanismos tecnológicos, como por exemplo, o acionamento de máquinas através da utilização da energia hidráulica;

Inércia no desenvolvimento industrial, mesmo ao que respeitava a agricultura;

Manutenção da tração animal como força motriz dos engenhos em detrimento da energia hidráulica dos engenhos d’água;

Não utilização de técnicas modernas para tratos culturais, incluindo o beneficiamento do algodão.

Como visto anteriormente no capítulo sobre latifúndios e sesmarias, estas a partir da carta régia de 1697, tendo como objetivo a melhoria das condições de exploração de terras, limitou-as em 3 léguas (o equivalente a 19.800 m²), principalmente em função da insatisfação devido à desigualdade que vinha ocorrendo no processo de povoamento, causando insatisfação a coroa portuguesa, no que respeitava a doação de terras, ou seja, áreas de terras eram doadas de modo aleatório beneficiando uns sesmeiros em detrimento de outros acarretando a posse desigual das terras doadas.

Assim para fechar esta lacuna o alvará de 5/10/1795 apresentou normas mais rígidas para a concessão de terras, muito embora não fizesse qualquer menção às terras adquiridas, nem mesmo no que respeitava a quantidade.

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Coivara: sf 1 Montinho de galhos ou gravetos mal queimados na roça, a que se deitou fogo, e que se juntam para serem incinerados. 2 Aguapés e galhadas que descem rio abaixo. 3 Fogueira. 4 Raça de suínos.

Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php. Acessado em: 10/11/2011. Ainda segundo (PRADO JR, 1993) tratava-se da técnica indígena de preparo da terra para início de uma plantação, causando o empobrecimento do solo.

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O alvará de 1795 impunha condições de ampliação de propriedade e prazo para cultivo, desta forma ordenando o território em função de sua capacidade produtiva, privilegiando os possuidores de escravos e recursos, cujo objetivo era alavancar a produção.

O alvará então se instituiu de forma a possibilitar a aproximação governamental para o estabelecimento de regras e controle na distribuição e demarcação de terras, onde a legalização aconteceria somente mediante a apresentação da carta de sesmaria, como documento legal e autentico de propriedade; tal instrumento legal ainda possibilitou a regulamentação dos latifúndios criando condições para a ampliação de domínios.

A instalação da família real e da corte portuguesa implicou na necessidade da ampliação produtiva; o Brasil tornara-se Reino Unido gerando novas demandas; dois decretos são baixados para regulamentar as doações das sesmarias e a ampliação da lavoura e aumento da população através da participação de estrangeiros residentes no país, respectivamente datados de 22/06/1808 e 25/11/1808.

Enfatizando ainda mais a participação e controle real de terras, o decreto de 25/06/1808 traria nova forma do acesso às terras contribuindo para um aumento no controle; a partir dele, portanto a concessão de sesmarias seria estabelecida somente por ordem real, em que era garantida a participação de estrangeiros residentes no país, ao acesso às terras no Brasil sendo que “no país então havia basicamente dois tipos de latifúndios; os originários de antigas sesmarias, e em maior escala os que se formaram no período”.

A resolução de 17/07/1822 põe termo à concessão de sesmarias, conforme a provisão de 23/10/1823, que viria a delimitar as formas de propriedade da terra, fazendo a manutenção de seus domínios adquiridos; ou seja, prevê a continuidade de posse aos que dela estavam fazendo uso sem, no entanto, rever os seus limites, mantendo-os como direitos adquiridos.

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Com este precedente a Constituição de 1824 foi, então concluída, sob a força absolutista, centrada na hegemonia de latifundiários, passando a propriedade privada a vigorar em todas as constituições brasileiras com orientação liberal, por influencia das constituições europeias e, “[...] mantendo o status quo de seus representantes imediatos: o capitalista-agrário exportador” (LÚCIO, 2010).

Desta forma, a Constituição de 1824 atrelava a cidadania às condições financeiras; e a igualdade pretendida como condição civil, fazia-se apenas entre seus pares.

Em relação aos escravos esses nem eram alçados à condição de cidadãos, e meramente figuravam como peças atreladas à propriedade como parte desta podendo ser dispostos como objeto de valor para comércio.

Deste modo, os escravos, índios (cuja condição civil como cidadão brasileiro, fora questionada em 1823), e grande parte da população branca sem recursos não tinha direitos civis ou representatividade como cidadãos.

A legislação de terras em consonância com as derivações e desdobramentos, que formavam a composição jurídica brasileira, era o reflexo das relações de dominação, onde a subordinação das classes “inferiores”, sob os interesses gerais estava centrada na lógica de igualdade jurídica e não da igualdade irrestrita dos direitos civis.

A Lei Imperial nº. 601, de 18 de setembro de 1850, ratifica então, o sistema de propriedade agrária construída através do domínio de uma oligarquia latifundiária, que vinha se consolidando desde a implantação do sistema de sesmarias, instituindo o acesso às terras somente através da compra, excluindo definitivamente a grande maioria da população, Lúcio (2010) afirma ainda que “através da lógica do latifúndio expropriador, mantiveram-se negros, índios, mestiços e a população empobrecida distante do acesso à terra, como a marca do sistema de latifúndio no Brasil”.

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Portanto a forma de concessão de terras consolidou-se desde a época de Tomé de Souza em que as terras seriam distribuídas a quem pudesse cultivá-las ou exercer atividades de proteção (LOBO, 1974).