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II.7 – ELABORAÇÃO DO TRABALHO

IV. 3 – ASPECTOS PETROGRÁFICOS DO COMPLEXO IBICUÍ–IPIAÚ

O estudo petrográfico do Complexo Ibicuí-Ipiaú na área foco deste trabalho (Fig. 3) foi elaborado a partir de descrições macroscópicas e microscópicas de 9 (nove) amostras das rochas representativas das fácies identificadas. As lâminas descritas são apresentadas em Anexo.

A partir das características petrográficas das rochas estudadas, como por exemplo, associações mineralógicas e relações texturais, foi possível identificar três faciologias distintas (Tabela 1).

Tabela 1: Distribuição faciológica das amostras descritas na petrografia.

Fácies Amostras

Biotita Gnaisse 47, 134, 204, 438, 497 e 598

Gnaisse 104-A e 721

Para a determinação dos nomes das rochas, primeiramente estabeleceu-se a moda através de estimativas visuais a partir da média obtida por 10 campos. Os resultados obtidos foram lançados no diagrama QAPF (Fig. 4), seguindo-se as recomendações da IUGS (Le Maître et al., 1989).

A maioria das amostras posicionou-se nos campos dos monzogranito e granodiorito. Apenas uma amostra distinguiu-se das demais, a que corresponde um anfibolito (amostra 437). As rochas estudadas ocorrem com granulação fanerítica média a fina. As estruturas identificadas ao microscópico evidenciam a presença de bandamento composicional, marcado por faixas máfica e félsica descontínuas. Elas são essencialmente constituídas por quartzo, feldspato alcalino, biotita, moscovita, anfibólio e minerais opacos.

ƒFÁCIES BIOTITA GNAISSE

As rochas que compõem este fácies foram encontradas sob a forma de lajedos e corte de estrada na região estudada (Fig. 3). Trata-se de rochas anisotrópicas que, geralmente, apresentam coloração cinza escura quando intemperizadas e cinza clara quando sãs. Elas exibem bandamento composicional milimétrico, marcado por níveis máficos e félsicos. Exibem textura granoblástica inequigranular e decussada, contendo limites curvos e retos entre os grãos. Sua mineralogia é composta de quartzo, andesina, feldspato alcalino pertítico, biotita, diopisídio, epídoto, clorita, carbonato, apatita, titanita, minerais opacos e zircão.

• Quartzo: ocorre como cristais xenoblásticos que, por vezes, concentram-se em agregados ocelares (Fotomicrografia 01) ou faixas descontínuas. Os seus contatos são irregulares com os cristais de andesina, biotita e minerais opacos, e reentrantes quando em contato entre si. Geralmente exibem extinção ondulante fraca a difusa e identificou-se a presença de cristais de zircão inclusos.

• Andesina: apresenta-se como cristais xenoblásticos, exibindo contatos curvos com cristais de quartzo, biotita e microclina e retos com a biotita. Ocorrem geminações segundo as leis Albita, Albita-Carlsbad e Albita-Periclina (Fotomicrografia 02). Geralmente esses cristais exibem alterações para saussurita e sericita.

• Feldspato Alcalino Pertítico: mostra-se como cristais xenoblásticos, os quais exibem contatos curvos com quartzo e biotita, reentrantes com o quartzo. Observa-se a existência de populações devido a variação granulométrica. As lamelas da geminação segundo a Lei Albita exibem formatos variados.

• Biotita: encontra-se na lâmina como cristais subdioblásticos de cor marrom, exibindo pleocroísmo fraco, variando em tons de marrom. Os seus limites são retos com outros cristais de biotita e curvos com grãos de quartzo e minerais opacos. Possui inclusões de minerais opacos em diversos cristais, além de zircão. É possível observar clorita nas bordas e processos de cloritização também nas bordas.

• Diopisídio: ocorre como cristais xenoblásticos. Apresenta duas populações granulométricas distintas, porém existe a predominância dos indivíduos de menor tamanho. Os contatos são retos e curvos com cristais de biotita e quartzo. Em vários cristais observa-se uralitização.

• Epídoto: ocorre como cristais subidioblásticos a xenoblásticos, normalmente reunidos em agregados sobre os plagioclásios alterados e nas bordas dos minerais opacos (Fotomicrografia 03). Seus contatos mostram-se irregulares com cristais de quartzo, plagioclásio, biotita e minerais opacos.

• Clorita: ocorre como cristais xenoblásticos e subidioblásticos. Exibem contatos retos com biotita e curvos com quartzo.

• Carbonato: mostra-se como cristais anédricos. Normalmente preenche fraturas de espessuras milimétricas (Fotomicrografia 04) em cristais de biotita, quartzo e andesina.

• Apatita: ocorre como cristais subdioblásticos a xenoblásticos e de forma esporádica em quase todas as lâminas desta faciologia.

• Minerais Opacos: ocorrem como cristais xenoblásticos. Seus contatos são curvos com cristais de quartzo, biotita, plagioclásio e feldspato, e ora retos com cristais

de biotita. A maioria destes cristais está rodeada por outros cristais menores de epídoto, formando uma espécie de coroa.

• Zircão: ocorre como cristais subédricos a anédricos, inclusos na mineralogia principal (Fotomicrografia 05).

ƒFÁCIES GNAISSE

As rochas desta fácie foram encontradas sob a forma de lajedos e corte de estrada na região estudada (Fig 3). Elas compreendem rochas de coloração cinza escura com estrutura anisotrópica, exibindo faixas descontínuas de minerais félsicos e máficos. Os cristais apresentam-se xenoblásticos e os limites entre os grãos são retos e curvos. Exibem textura inequigranular e granoblástica granular e decussada. A mineralogia essencial é composta, basicamente, por quartzo, feldspato, plagioclásio, biotita e minerais opacos.

• Quartzo: ocorre como cristais xenoblásticos, muitas vezes em agregados. Exibem contatos reentrantes com cristais de quartzo e irregulares com minerais opacos, biotita e andesina. Alguns grãos exibem extinção ondulante a difusa.

• Feldspato Alcalino: ocorre como cristais geralmente xenoblásticos, observando- se a existência de duas populações. Uma com granulação compreendida entre 0,3 e 0,8 mm e outra, reunindo os cristais maiores que apresentam granulação variando de 0,92 mm a 1,76 mm. Os seus contatos apresentam-se curvos com quartzo, plagioclásio e biotita.

• Plagioclásio: apresenta-se frequentemente como cristais xenoblásticos. Os seus contatos são curvos com grãos de quartzo e feldspato, e retos com cristais de biotita. Observa-se a presença de geminações segundo as leis Albita e Albita- Carlsbad. Exibe alteração para saussurita.

• Biotita: ocorre como cristais subdioblásticos de cor marrom, com pleocroísmo fraco, variando em tons de marrom. Seus limites são retos com cristais de biotita e curvos com grãos de quartzo e minerais opacos. Possui inclusões de minerais opacos. É possível observar clorita nas bordas e processos de cloritização também nas bordas.

• Minerais Opacos: ocorrem como cristais xenoblásticos, possuindo contatos curvos com cristais de quartzo e feldspato. Alguns cristais possuem bordas de biotita. Por vezes, estão rodeados por pequenos grãos de epídotos.

ƒHORNBLENDITO

São rochas anisotrópicas que, geralmente, apresentam coloração verde escura a clara. Exibem texturas inequigranular e composta essencialmente por hornblenda e minerais opacos.

• Horblenda: ocorre como cristais subidioblásticos e apresentam pleocroísmo fraco, variando de verde a verde pálido, exibindo contatos retos entre si e, possuem inclusões de minerais opacos.

• Minerais Opacos: mostram-se xenoblásticos e possuem contatos irregulares com cristais de hornblenda.

V

V.1 – INTRODUÇÃO

Neste capítulo será apresentada a litogeoquímica dos elementos maiores e elementos menores de 09 (nove) amostras. Estas correspondem às estudadas no capítulo precedente, abrangendo as faciologias observadas no complexo (Tab. 1). Os resultados analíticos são apresentados na Tabela 2.

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