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3. O Bioma Caatinga

3.3. Aspectos socioeconômicos

socioeconômicos

3.3.1. População

A população da área do Bioma al-cança 28 milhões de habitantes, que equivale a quase 15% da população bra-sileira, com densidades populacionais de até 20 hab./km2, sendo uma das regiões semiáridas mais densamente povoadas no planeta. A maior parte dessa popu-lação vive sob grande vulnerabilidade social e econômica, causando pressão crescente sobre os recursos naturais da

região, tornando-a extremamente propí-cia à desertificação e a outros danos am-bientais. O bioma Caatinga faz parte da região mais empobrecida do País, com índices de desenvolvimento inferiores às médias nacionais, o que torna evidente a necessidade de utilizar os recursos natu-rais de modo sustentável como forma de promover a inclusão social.

Na Tabela 4, são mostrados dados socioeconômicos dos estados da região Nordeste, mais especificamente o PIB (Produto Interno Bruto) e a população. Destaca-se o caso da Bahia, que é o maior Estado da região e detém a maior popu-lação e o maior PIB do Nordeste.

Tabela 4. Dados Socioeconômicos de Identificação Regional.

Descrição Unidade Estados do Nordeste

AL BA CE MA PB PE PI RN SE Total Área mil km² 27,8 564,7 148,8 332 56,4 98,3 251,5 52,8 21,9 1.554,2 % no Brasil 0,3 6,6 1,7 3,9 0,7 1,2 3 0,6 0,3 18,3 % no Nordeste 1,8 36,3 9,6 21,4 3,6 6,3 16,2 3,4 1,4 100 População Milhões habitantes 3,2 14,1 8,3 6,2 3,7 8,6 3,0 3,0 2,2 52,3 % no Brasil 1,6 7,5 4,4 3,3 1,9 4,6 1,6 1,6 1,1 27,6 % no Nordeste 5,9 27,0 15,9 12,0 7,0 16,5 5,9 5,9 3,9 100,0 PIB PIB bilhões 15,8 96,6 46,3 28,6 20,0 55,5 12,8 20,6 15,1 311,1 % PIB no Brasil 0,7 4,1 2,0 1,2 0,8 2,3 0,5 0,9 0,6 13,1 % PIB no Nordeste 5,1 31,0 14,9 9,2 6,4 17,8 4,1 6,6 4,9 100,0 Fonte: IBGE, 2006.

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3.3.2. Situação econômica e

social

A atividade agropecuária é a ativi-dade econômica mais disseminada no Semiárido, seguida da prestação de ser-viços e da produção industrial. No Bioma, as formas culturais e tradicionais de or-ganização e produção contribuem para a conformação de uma economia regional bem definida, com concentração de ter-ras e recursos. Os impactos desse mode-lo de desenvolvimento geram grandes desigualdades, que caracterizam a re-gião Nordeste e são notavelmente mais acentuadas no Semiárido.

Os baixos níveis de desenvolvimen-to humano influenciam na degradação ambiental da Caatinga que, conjunta-mente, com a superutilização dos re-cursos naturais em solos naturalmente pobres, através de práticas agrícolas ina-dequadas, como o pastoreio excessivo, o uso indiscriminado do fogo, o desma-tamento e a destruição de áreas de pro-teção permanente, provocam o desapa-recimento de muitas espécies animais e vegetais, dificultando a convivência hu-mana com o Semiárido.

O Semiárido Brasileiro concentra os piores IDHs (Índices de Desenvolvimento Humano) do País e de acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2003, entre os 500 municípios brasi-leiros de menor índice, um total de 306 estava em áreas da Caatinga. Estudos e levantamentos recentes da região con-firmam a persitência do baixo nível de desenvolvimento humano como segura-mente um dos grandes entraves para o desenvolvimento sustentável. A melho-ria dos índices mencionados guarda uma estreita relação com as condições neces-sárias e indispensáveis para o desenvolvi-mento nacional e regional.

Em 2007, o Brasil ainda contava com 14,4 milhões de analfabetos en-tre as pessoas com mais de 15 anos, ou cerca de 10%. No mesmo ano, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – Pnad demonstraram que a re-gião Nordeste, com menos de 30% da po-pulação brasileira, tinha uma popo-pulação de analfabetos estimada em 52% do total nacional de analfabetos do País (IBGE, 2007). Apesar da redução nacional dos níveis de mortalidade infantil, os estados do Nordeste apresentam os índices mais elevados de mortalidade, chegando, em

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alguns casos, a representar o dobro da média nacional. No estado de Alagoas, por exemplo, em 2007 tinha-se a cifra de 50 óbitos por 1.000 crianças durante o primeiro ano de vida (IBGE, 2007). Os estados de maior precariedade dos ín-dices de desenvolvimento humano são Alagoas e Piauí.

Com relação à estrutura fundiária, a terra permanece concentrada, ainda que seja grande o número de pequenos estabelecimentos ou unidades de produ-ção familiar. A existência de um grande número de estabelecimentos rurais com grandes extensões, pouca capacidade de investimentos e baixo grau de tecni-ficação continuam sendo entraves sérios para o pleno desenvolvimento.

Segundo o Censo Agropecuário (IBGE, 2006), os estados da Região Nordeste exprimem elevados níveis de concentração de terras na porção leste do Maranhão e em grande parte do Piauí, do Vale do São Francisco e do oeste da Bahia. Ainda, existem regiões de domí-nio de pequenos produtores, posseiros e arrendatários, especialmente o Golfão Maranhense (extremo norte do estado do Maranhão), com marcada presença de estabelecimentos rurais com menos

de 5 hectares. Tal fato tem efeito nos municípios dessa região que apresentem baixo índice de concentração de terras em função da extrema fragmentação fundiária, configurando também um pro-blema para geração de renda e sustenta-bilidade do uso dos recursos naturais.

Apesar das muitas alterações posi-tivas experimentadas pela região, como a universalização da educação funda-mental e os aumentos efetivos da renda média familiar, ocorridos em parte gra-ças a programas como o bolsa-família e a aposentadoria rural, as condições gerais da população são precárias. Os indicado-res apindicado-resentados reforçam a necessida-de da promoção necessida-de políticas públicas que possam transformar radicalmente mui-tos aspecmui-tos do quadro existente, con-siderado muito desigual em comparação às demais regiões do País.

A participação do PIB do Nordeste nas contas nacionais foi de 13,8 % em 2000 (Tabela 5) e 12,9 % em 2007. Desde então esta proporção não tem sido mui-to diferente. O PIB da região alcançou R$ 335 bilhões em 2007, ao mesmo tempo em que o PIB do Semiárido chegou a R$ 86,5 bilhões correspondendo a uma ren-da per capita de R$ 4.500 ou cerca de 70

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32 % do PIB per capita do Nordeste.

A economia do Nordeste apresen-tou índices de crescimento superiores aos nacionais na década de 1970, quando a região alcançou 8,7 % de crescimento anual, não tendo posteriormente retor-nado a estes níveis, embora, em geral, nos últimos anos, tenha se mantido su-perior à média nacional (Tabela 5).

Tabela 5. Taxa média de crescimento anual do PIB do Nordeste e no Brasil.

Período Taxa Média do Nordeste (%) Taxa Média do Brasil (%)

1979-1980 8,7 8,6 1980-1990 2,3 1,6 1990-2000 2,0 2,5 2000-2005 4,1 2,8 2006 4,8 4,0 20071 5,7 5,7 20081 5,9 5,1

Fontes: Fundação Getúlio Vargas – FGV/ Instituto Brasileiro de Economia – IBRE/Centro de Contas Nacionais (1970 a 1984) para o Brasil. Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – Sudene/DPG/PSE (1970 a 1984) para o Nordeste. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Contas Regionais (2003 - 2006) - IBGE. (1) Valores estimados pela Central de Informações do BNB/ETENE. Valores atualizados a preços de 2008 pelo Deflator. Implícito do PIB até 2006, adap-tado às respectivas mudanças ocorridas no padrão monetário ao longo do período em estudo, exceto 1939. Utilizou-se o IGP-DI para a atualização de 2008.

A economia regional vem se modifi-cando ao longo dos anos com uma parti-cipação cada vez maior do item serviços e indústria na formação do PIB regional. Em 1970, o maior item de composição eram serviços com 59,3% de participação, a indústria com 18,3 % e o setor agropecu-ário com 22,4%. Em 2006, a conformação do PIB tem uma nova distribuição, com o item serviços participando com 66,8 %, o setor industrial com 25,3% e o setor agro-pecuário 7,9%.

As mudanças no quadro regional afetam a economia do Semiárido de forma severa em razão do colapso da cultura do algodão herbáceo e das suas articulações com a pecuária e a produ-ção agrícola de subsistência. Dentro do setor industrial tem expressão a emer-gência de segmentos relacionados com a produção petroquímica, auto-motores, extração mineral e a indústria metal-mecânica. Mais recentemente, tem sido notória a ampliação do setor de serviços para o turismo, áreas de tecnologia de informação e consulto-ria. Entre 2005 e 2006, a região foi a de maior crescimento da renda familiar média, com um crescimento de 12%.

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3.3.3. Estrutura fundiária

Os dados da distribuição fundiária do Semiárido evidenciam algumas mu-danças na forma tradicional de posse de terras, em que um grande número de pequenos imóveis rurais ocupa uma por-ção relativamente pequena das terras existentes, enquanto a maior parte das extensões de terras é ocupada por um número pequeno de imóveis. Esta situa-ção é mostrada na Tabela 6, que ilustra o número de estabelecimentos

agropecu-ários em relação às áreas exploradas do Semiárido em cada um dos estados da região Nordeste.

Entre 1996 e 2006, o total de estabe-lecimentos agropecuários do Semiárido aumentou em cerca de 37 mil unidades e as extensões ocupadas pelos estabeleci-mentos diminuíram em quase 2 milhões de hectares. A Figura 6 apresenta uma comparação da distribuição dos estabe-lecimentos agropecuários entre 1996 e 2006, segundo dados do IBGE.

Tabela 6. Estabelecimentos agropecuários no Semiárido.

Ano 1996 2006

Estados estabelecimentosNº de Área total (ha) % da área total estabelecimentosNº de Área total (ha) % da área total

Alagoas 76.384 953.306 2 73.048 877.889 2 Bahia 545.752 19.880.018 45 563.468 18.396.718 44 Ceará 294.032 8.035.496 18 287.390 6.718.328 16 Paraíba 111.614 3.616.584 8 120.666 3.017.866 7 Pernambuco 228.497 1.284.155 3 240.486 4.306.970 10 Piauí 112.905 5.581.311 13 130.056 5.061.106 12 Rio Grande do Norte 83.527 3.519.299 8 73.636 2.642.204 6 Sergipe 38.835 933.261 2 40.197 789.376 2 Total 1.491.546 43.803.428 100 1.528.947 41.810.457 100

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Figura 6. Percentual de distribuição da terra por tamanho de estabelecimento agropecuário em 1996 (a) e 2006 (b).

Além de confirmar a tendência de ampliação de minifúndios, os dados do Censo Agropecuário 2006 mostram que dos estabelecimentos de superfície supe-rior a 1.000 hectares, que representavam cerca de 25% do total em 1996 ocupam 19% da superfície sob exploração em 2006.

Um dos impactos desta nova dis-tribuição é o surgimento de um número maior de estabelecimentos com área en-tre 10 e 100 ha e de uma maior proporção de pequenos e medianos proprietários

rurais que terão necessidade de expan-dir suas áreas de lavouras e de capitalizar os novos estabelecimentos. Com base nessas novas necessidades, é possível su-gerir um avanço sobre as áreas remanes-centes da Caatinga com o propósito de gerar renda com a produção de lenha e carvão vegetal. As alternativas mais ime-diatas para esse avanço se resumem à supressão de vegetação para agricultura comercial, ao estabelecimento de pasta-gens, à abertura de áreas para agricultu-ra irrigada e principalmente à produção de lenha e carvão vegetal.

Entretanto, essas informações são bastante recentes e necessitam ser con-frontadas com os dados do uso do solo nas áreas do Semiárido, principalmente naquelas próximas às frentes de expan-são das culturas comerciais e áreas de irrigação. Nessas áreas, a grande expan-são de lavouras se deve à instalação de cultivos comerciais, principalmente nos estados do Maranhão e do Piauí com as culturas da soja e, em menor escala, da cana-de-açúcar para a produção de eta-nol situada nos municípios fora da delimi-tação do Semiárido. Da mesma maneira, foram constatados grandes aumentos nas áreas de lavouras nos estados da Bahia e do Ceará.

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