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3.3.6. Atos do Executivo

Ainda com o objetivo de verificar a produção normativa que passa pela Assembleia Legislativa, observamos também os decretos estaduais, cujas autorias se referem ao Poder Executivo. Como a ideia era analisar os documentos do estado com referência à política setorial da segurança, se mostrou interessante comparar a produção vinda especificamente do Legislativo do estado com aquela induzida, de certa maneira, pelo Executivo. Utilizando a palavra-chave “segurança”, a busca realizada dentre os atos do Executivo retornou 58 entradas. Após a análise de cada uma delas, três categorias foram encontradas. A primeira diz respeito à concessão de crédito às secretarias indicadas, a segunda se refere à alocação de recursos humanos e a terceira foi caracterizada como concernentes à gestão da segurança. Uma breve explicação de cada categoria se segue.

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a) créditos suplementares – os decretos englobados nessa categoria se referem à concessão de créditos suplementares, ou no âmbito na Secretaria de Segurança (chamada de SSP no primeiro governo e de SESEG no segundo) ou no âmbito da Secretaria de Administração Penitenciária. Esses créditos são destinados ao reforço da dotação orçamentária estabelecida pelo Plano Plurianual e pela Lei de Orçamento Anual. Muitas das vezes tratam de crédito suplementar ao Fundo Especial da Secretaria de Segurança Pública ou mesmo de autorização de liberações financeiras para efeito de empenho. Ainda, ressalta-se que todas as dotações orçamentárias encontradas foram realizadas por meio da Secretaria de Estado de Fazenda e Controle Geral. b) recursos humanos – nessa categoria foram incluídos os decretos que

nomeiam ou exoneram servidores para os cargos da cúpula da segurança. No geral, trata-se de decretos personalizados, nos quais a informação importante é quem ocupará, ou deixará de ocupar, quais cargos.

c) gestão – a categoria “gestão” foi utilizada para aglutinar decretos estaduais que visem à alteração da gestão e do funcionamento da segurança no estado, como por exemplo a determinação da estrutura de funcionamento da secretaria, ou a criação do Sistema Estadual de Estatísticas em Segurança Pública e Justiça Criminal, ou ainda a divulgação sobre o Sistema de Definição e Gerenciamento de Metas para os Indicadores Estratégicos de Criminalidade do Estado do Rio de Janeiro. No geral, os decretos aqui categorizados dizem respeito a temas macro, com possibilidade de grande impacto nas políticas fluminenses de segurança.

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Decretos Estaduais por categoria de análise (2003 a 2010)

Fonte: Elaboração própria a partir de dados conseguidos em <http://www.alerj.rj.gov.br/>. Último acesso em fevereiro de 2012.

Algumas considerações devem ser feitas com relação às informações encontradas nos decretos estaduais analisados38. Primeiramente, durante o governo Rosinha há 45 decretos, enquanto no governo Cabral apenas 13 são encontrados. No geral, são verificados mais atos do executivo no primeiro governo, com mais abertura de crédito às estruturas do governo. Diversamente, no governo Cabral há menos desses atos, e sua maioria está focada na gestão da segurança no estado.

Do total de decretos da primeira legislatura, 31 se referem a créditos complementares e dotações orçamentárias, enquanto decretos que tratam de remanejamento de servidores e da gestão propriamente dita somam sete em cada uma das categorias. Ainda nesse governo, três decretos que tratam de gestão chamam atenção: o primeiro, de junho de 2004, trata do Programa Estadual de Parcerias no Combate à Violência, o qual apresenta um viés fortemente propositivo no tocante à solução de questões importantes para o estado. Os outros dois tratam do sistema penitenciário: um, de maio de 2004, delimita o Complexo Penitenciário de Bangu em Área de Segurança, a qual foi definida como “aquela que não pode prescindir de um

maior controle do Estado na implantação de medidas necessárias à preservação da ordem pública”39; o segundo, promulgado no mês subsequente, decreta estado de

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Dados completos anexos (anexo II). 39

Decreto Estadual 35.594 de 27/05/2004. Disponível em: <http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/decest.nsf/c8ea52144c8b5c950325654c00612d63/5e0fda41da5c7d5f83256

ef90065b198?OpenDocument&Highlight=0,SEGURAN%C3%87A>. Último acesso em fevereiro de 2012.

Crédito RH Gestão Total

Governo Rosinha 31 7 7 45

Governo Cabral 0 2 11 13

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emergência do sistema prisional. Na verdade, os mais importantes decretos estaduais encontrados naquele período não tratam especificamente de segurança pública, já que, no estado do Rio de Janeiro, o sistema penitenciário tem sua própria secretaria, não estando, assim, englobado na secretaria de segurança.

Durante o período do governo Cabral não foram encontrados decretos cujos conteúdos se refiram à dotação de créditos complementares. Por outro lado, 11 dos 13 atos executivos desse período se referem a temas relacionados à gestão da segurança. Dentro dessa categoria encontramos temáticas diversificadas: há documentos que tratam da Conferência Nacional de Segurança Pública, assim como aqueles que definem a divisão do território fluminense em Regiões Integradas de Segurança Pública40 e a implantação do Sistema de Definição e Gerenciamento de Metas para os Indicadores Estratégicos de Criminalidade do Estado do Rio de Janeiro.

A diferença no perfil das ações do executivo estadual das duas legislaturas analisadas nos dá algumas pistas de como a agenda da segurança pública foi forjada nesses dois períodos. Primeiramente, podemos argumentar que as dotações orçamentárias verificadas no governo Rosinha podem significar confiança nas estruturas de governo vigentes à época. Ou seja, a suplementação de crédito era feita para que outros órgãos do sistema realizassem as políticas e fizessem o que fosse necessário. Entretanto, seria leviano afirmar que a alocação de recursos financeiros para as secretarias significa não alterar mecanismos de gestão, pois os créditos poderiam ser utilizados, no âmbito de cada órgão do governo, com esse fim. De todo modo, em face da diversidade da agenda verificada, com base nas informações compiladas, nos dois períodos, é possível, sim, afirmar que durante o governo Cabral o Executivo se mostrou

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mais propositivo, promulgando decretos cujos textos expressavam um direcionamento das políticas de segurança pública do estado naquele período.

Retomando a questão do planejamento das políticas públicas de segurança do estado, parece, então, que o governo Cabral possuía uma engenharia institucional mais propícia a isso do que o governo anterior. Isso equivale dizer que decisões importantes foram tomadas no nível macro, com o peso da assinatura de um governador, ultrapassando o âmbito de políticas focalizadas promulgadas, por exemplo, pelas próprias corporações policiais.

3.4. ANÁLISE ORÇAMENTÁRIA DAS POLÍTICAS DE SEGURANÇA (2003 a